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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Champions - Dinamo Kiev vs Porto


Dois pontos perdidos. Não tenhamos ilusões, foram dois pontos perdidos, num jogo onde decidimos participar praticamente a partir do intervalo.

Quando o relógio caminhava para os 5 minutos finais, pensava que esta primeira "reviravolta" no reinado de Lope à frente do nosso Porto surgia na melhor altura: após um jogo não muito conseguido, mas a coroar uma 2ª parte de claro ascendente e de melhoria no jogo, e a anteceder um clássico importante, contra um Benfica que nos anda atravessado na garganta. E de repente, com uma facilidade assombrosa, sucessões de erros infantis deitaram a perder pelo menos 2 pontos que seriam preciosos.

Poderemos pensar que esta é a 1ª jornada, que o jogo foi fora e num terreno onde até é comum passarmos por dificuldades, mas oportunidades destas não se podem perder. Não, contra um adversário tão mediano.

E antes das notas, a questão: era preciso haver balizas durante a 1ª parte?


(+) Positivo


Layún - Como não tive oportunidade de ver o jogo em Arouca, foi esta a primeira impressão que me deixou o mexicano. E foi uma boa impressão. Nota-se que o pé esquerdo é "ceguinho", e isso poderia ser um handicap importante, mas em quase todas as acções, Layún provou que não é bem assim. E aquele cruzamento açucarado para Aboubakar demonstrou-o bem. Ainda assim, não fica isento de culpas no lance do 1º golo dos ucranianos. Parece-me bastante melhor do que Ángel e, até ver, superior à sombra de Cissokho que, para já, paira sobre o nosso lado esquerdo.

Aboubakar - Eficácia monstruosa, num jogo em que lutou como um touro para conseguir servir de apoio para os colegas e, ainda conseguiu arranjar fôlego para ir finalizar. Aboubakar parece conseguir finalizar de todas as formas, seja de longe, de cabeça, de pé direito ou esquerdo. Ontem, foi fantástico! MVP para mim.

André André - Sai uma chapada de luva branca para o Sr. Z faxabôr. Torci o nariz, continuei de nariz torcido, e agora vou deixar-me de merdas. André André é uma fantástica adição ao nosso 11. Incansável em transição defensiva, lendo quase sempre bem os timings de pressão e absolutamente omnipresente em termos ofensivos. Falta-lhe aquele "bocadinho" na velocidade de tomada de decisão, e nota-se que alterna o Bom com o Assim-Assim em termos de recepção e de passe em algumas situações, Ainda assim, não fosse o jogaço de Aboubakar, e merceria o "prémio" de melhor jogador.





(-) Negativo

Ter a bola porque sim - Foi a nossa 1ª parte. Foi uma táctica montada para ter a bola e... continuar com a bola e... pelo sim, pelo não, mantê-la mais um pouco. E nem isso foi conseguido. Foram 5 médios (sim, porque Brahimi era um médio, nunca um avançado interior), em que ninguém sabia muito bem que papel estava a desempenhar. Danilo estava mais perdido do que nunca. Herrera perdido como sempre. Rúben a procurar ter espaço para estar como melhor sabe estar, sozinho, a 6, na construção, e André André em todo o lado. Brahimi, claro está, perdido na sua teia de fixar 2, 3, 4 adversários, aguardando por colegas que, quase sempre estavam a léguas de distância. Mas nem foi pela parte ofensiva que a coisa foi má, não. Foi na altura de a recuperar que tudo veio ao de cima, com particular incidência no 1º golo sofrido. Se não temos capacidade de recuperar a bola, não a vamos ter. Se quando a temos, há 5 gajos talhados para a retenção, não saímos da mesma zona. Um carrossel infindável de... nada. Bola para o lado, bola para trás, zero de jogo interior, uma mão cheia de nada de tentativas duma puta duma simples tabela. Durante a primeira parte, tirando o golo de Aboubakar, o Dínamo bem podia ter abdicado de jogar com guarda-redes. Zero jogo ofensivo durante 45 minutos, contra uma equipa dum calibre mediano. Muito pouco, muito fraco, na minha opinião.

Os golos sofridos - Como não possuo canais para visualizar jogos de futebol a sério, vou-me entretendo com os jogos dos miúdos no Porto Canal, ou até nos canais do Barça, do Real ou do Manchester. E os golos sofridos ontem, fizeram-me lembrar as equipas de sub-17 do Hospitalet, que tem o enorme azar de pertencer à Catalunha e, portanto, calhar obrigatoriamente na série do Barcelona, contra quem, aos 15 minutos invariavelmente já perde por 5-0. Foi assim, como os sub-17 do Hospitalet, que a nossa equipa abordou colectivamente o 1º golo do Dinamo, e foi também com uma irritante apatia, que não se congelou a puta da bola durante os 10 minutos que restavam após o 1-2. Anjinhos. Fomos uns anjinhos. A este nível, não pode ocorrer.

Casillas e quem estava na área no 2º golo - Estava um gajo em posição ilegal que tapava a visão e dep.... Foda-se! Casillas teve tempo de tomar um café, fumar um cigarro, e agarrar aquela bola antes sequer do gajo perceber o que tinha acontecido. E como catalogar aquela reacção a brotar vivacidade dos restantes 8, 9 elementos que estavam dentro da área? WOW! 8 ou 9 tartarugas pernetas teriam conseguido limpar aquela bola em 3 tempos.


Fim do jogo e lá vem a conversa do "golo ilegal" que os outros marcaram, porque são todos muito maus e querem fazer-nos muitas maldades. Onde é que já ouvi esta conversa antes? Já sei, em 3/4 da época passada, e tanto lamento (ainda que justificadíssimo), não nos trouxe grandes taças ou troféus.

É muito simples: não inventar tácticas com 11 médios, atacar a baliza, e ganhar porque os nossos jogadores são consideravelmente melhores do que 85% dos possíveis adversários desta época. E assim, ficamos a salvo dos "golos ilegais". E atacar a baliza adversária.

Aliás, queria muito evitar falar de "azar", de "muito controlo de jogo" e lamentar "golos ilegais" na próxima crónica que aqui escrever. E queria muito, mesmo muito, atacar a baliza adversária (não sei se já disse).

Outros dados interessantes da jornada europeia:

- Vitor Pereira, esse Rei Midas do futebol internacional, futuro conselheiro de Pep Guardiola, continua a singrar por esse Mundo fora. By the mouth, dies the fish, como diria o outro...

- O Mestre da Táctica, que ao que parece agora já é um jabardolas da pior espécie (quando antes era um ser humano 5 estrelas), é o melhor treinador do...da...de... É... o mais... Pois... Não...

- Há estúpidos a marcar golos do meio-campo ao Barcelona;

Segue-se uma interrupção para os lados da Galiza, com as magníficas Rías Baixas ao pé, tentando absorver dos magníficos Balaídos alguma inspiração (he he he), em jeito de estágio para Domingo.

Encontramo-nos por lá!


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Everybody hates Mondays

Confesso que não consegui deixar de libertar uma ou outra lágrima ao ver a despedida dos nossos adeptos à equipa no aeroporto antes da partida para Munique. Loucura absoluta. Os cânticos ensurdecedores, os nomes dos jogadores cantados a uma só voz, os calduços e festinhas na cabeça de toda a comitiva quase sempre brindados com um "VAMOS CARA!#@". Que orgulho em todos nós. Adeptos, equipa técnica, jogadores... Todos. 


É por isso que hoje, segunda-feira, vai ser um dia especialmente doloroso. Não é só o facto de ser o dia de regresso ao trabalho. É o primeiro dia da semana mais importante da época azul e branca. Mas primeiro, Munique. Hoje (e grande parte de amanhã) vão ser horas recheadas de ansiedade. Pensar na forma como Ricardo se vai comportar ao levar com o Ribery pela frente. Pensar na pressão a que vamos estar sujeitos por aqueles alemães que não aceitam a ideia de perder para um PIG (a histeria do departamento médico foi ridícula). Temer que nos possa calhar outro Clattenburg ou Vellasco. Horas a pensar na forma como Julen vai organizar uma defesa sem rotinas que nem teve tempo para treinar junta. Pensar se Julen lança Óliver numa ala para ajudar Ricardo no processo defensivo. Pensar se o Muller já acalmou a patareca desde quarta-feira passada ou se é preciso mandar chamar o Paulinho para lhe enfiar 2 Xanaxes pela traqueia abaixo. 

Uma coisa é certa, aconteça o que acontecer amanhã. Estamos novamente juntos. Das trevas ao sonho europeu em 12 meses. Ver a loucura daquela malta, que podia tão somente passar o Domingo em casa a descansar, ao deslocar-se até ao aeroporto só para dar um abraço em forma de décibeis a toda a comitiva... É continuar a sonhar meus senhores. Até ao apito final da eliminatória!


PS - Partilhem aqui as vossas duvidas, os vossos feelings, as vossas preocupações para amanhã. Temos de nos ajudar uns aos outros senão o coração vai disparar! 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Champions League - Porto vs Bayern





























Perfeito.


Há momentos, em que todo o vocabulário que pensamos conhecer se torna pequenino, insignificante, para podermos descrever algo que, de tão único, tão belo, tão sublime, nos transcende. Na 4ª feira, dia 15 de Abril de 2015, um novo degrau se construiu na escadaria de vitórias sem igual do clube que amamos. Na 4ª feira, aquele relvado milimetricamente cortado teve a honra de ser o palco dum dos momentos mais incríveis a que pude assistir desde que vejo futebol. Há pouco mais de 24h, Basileia, Viena, Tóquio, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin sorriram entre si, e aplaudiram de pé os heróis de azul-e-branco que, de queixo bem levantado e com a crença inabalável no poder dos sonhadores, bateram o pé a uma das melhores equipas do Mundo, orientada pelo melhor treinador do Mundo.

Ainda tentava adaptar-me ao lugar "oferecido" pelo meu irmão (companheiro de batalha em alguns jogos), e já Neuer derrubava Jackson dentro da grande-área (por esta altura,Xabi Alonso ainda deve estar à procura do tanque que o atropelou quando pensava o que ia fazer com a bola). 1-0, num início que dificilmente poderia ser melhor. Seria mesmo assim?

Decorria o 10º minuto do jogo, e as minhas sinapses entraram em curto-circuito. Por instantes, enquanto via Quaresma a correr de braços abertos em direcção ao mar de portistas que explodia em êxtase, como se naqueles braços quisesse tomar todas as milhares de almas que se beliscavam para terem a certeza de que tudo aquilo que os olhos viam era mesmo real, não consegui festejar. Nem um som, nem um gesto, nada. Olhei em volta... Caras felizes, sorrisos rasgados e lágrimas a rolar em catadupa; abraços entre estranhos, e pais e filhos, e avôs e netos, e maridos e mulheres. Tudo unido. Tudo em êxtase. Tudo Porto.

Ah e Quaresma, se leres este texto, considera aquela agonizante eliminatória com o Schalke absolutamente perdoada!

10 minutos de jogo: F.C.Porto 2 - 0 F.C. Bayern - sejam honestos, alguma vez sonharam com um início tão prometedor?

Depois veio o tempo de regressar à Terra. De roer as unhas, enquanto aquele futebol magníficamente rendilhado dos bávaros punha alguma calma no jogo. Foi tempo de ser paciente, aguentando bem os momentos de pressão ofensiva, evitando abrir buracos no corredor central (onde se sabe que os alemães são mortíferos). No primeiro "erro" do jogo, um 2-1 demasiado penalizador para o que foi o domínio territorial e para as reais ocasiões de perigo da 1ª parte. 

O intervalo, sendo obrigatório, devia ser banido de alguns jogos. Pelo menos, para nós, doentes incorrigiveis (em concreto para mim, pessimista irredutível), devia haver um botão que fizesse "fast-forward" naqueles intermináveis 15 minutos. Na minha mente, poderia vir aí uma 2ª parte de muitos nervos, fosse porque Pep Guardiola iria sacar da sua varinha mágica e encontrar-nos algum ponto fraco, fosse pela dúvida acerca da capacidade de ver a nossa equipa ter pernas e pulmões para aguentar outros 45 minutos jogados com aquela intensidade.

Felizmente, para gajos como eu - sempre um pouco pessimistas, mesmo que o resultado nos seja favorável, por 5-0, e faltem 10 minutos para terminar o jogo - há bofetadas que vêm com a força certa, na dose certa, no momento certo. Foi um esbofeteamento saboroso, emocionante, merecido, aquele que o meu Porto me deu durante os 45 minutos da 2ª parte, onde por momentos, o peso-pesado alemão mais não fez do que encostar-se às cordas e proteger-se como pôde. Guardiola acabou por dar credibilidade a esta análise, quando decidiu trocar Gotze por Rode ainda com 2-1 no marcador, como que procurando segurar a desvantagem mínima e minimizar danos.

Depois de Neuer ter provado que, de vez em quando, há milagres a acontecer em campos de futebol, ao desviar aquele remate de Herrera praticamente por instinto (após uma jogada colectiva que foi um hino ao futebol), foi Jackson, o nosso Monstro, o nosso herói "cafetero", que numa demonstração de poder físico, classe e frieza, conseguiu materializar em golos os 45 minutos mais admiráveis que me lembro de ver uma equipa de azul-e-branco fazer desde o Porto-Lázio em 2003. Não me contive desta feita. Para além de quase ter arrancado as cabeças dos desgraçados dos "vizinhos do lado", enquanto me abraçava aos dois metros de pessoa que constituem o meu irmão, chorei, muito de alegria mas principalmente de orgulho. Aquele orgulho que nos deixa com pele de galinha, como quando Derlei empurrou a bola naquele fim de tarde em Sevilha, ou quando Juary apareceu como um foguete a finalizar outra obra-prima de Madjer. Aquele orgulho imenso, enorme, incrível, que sentimos quando se ouve a voz imcomparável da Maria Amélia Canossa antes de cada jogo, levando-nos a segurar os cachecóis ao alto até os músculos dos braços começarem a ceder. Aquela certeza de que somos o que somos, somos como somos, e para sempre assim seremos, porque somos portistas. Porque somos Porto. Porque sabemos o que é ser Porto.

Após o golo, veio o estouro fisico, como seria de prever. Jogar contra os Gil Vicentes e Moreirenses desta vida durante 2/3 da época tem as suas desvantagens. É que jogos assim, tem o Bayern aos montes durante uma temporada, e talvez por isso não tenha estranhado que alguns dos nossos rapazes tivessem festejado o 3º golo deitados no relvado, ou agarrados aos joelhos, porque já pouco oxigénio havia a chegar aos músculos por essa altura. 

Até final, para além de ir refrescando quem já não aguentava mais (menos Herrera que, segundo o meu irmão, leva uma mochila com um pulmão suplente para dentro de campo), foi tempo de cerrar fileiras, tapar caminhos, dobrar a língua, e ver a nossa versão "muro intransponível" ser posta em prática. Incrível a forma como a equipa se uniu nesta fase do jogo. Incrível também a maneira tranquila como o Bayern vai tentando "asfixiar" aos poucos quando consegue estacionar no meio-campo adversário (como aconteceu nos últimos 10 minutos), como se o jogo estivesse empatado e tudo estivesse controlado. 

Hoje, como podem compreender, não há notas para ninguém, porque seria ridículo querer destacar uns em detrimento de outros. Falarei apenas dum jogador que praticamente não vi a figurar nos destaques de outras "casas": Alex Sandro. Para mim, fez o melhor jogo com a nossa camisola vestida, e foi um elemento duma enorme preponderância em praticamente todos os momentos do jogo, especialmente quando a quebra física foi mais notória. Alex Sandro foi, durante 90 minutos, um dos melhores laterais esquerdos da Europa. E aquela assistência para Jackson... Bra-fucking-vo!

Não resisto a destacar também Lopetegui, o grande obreiro desta noite de sonho. Preparou o jogo de forma sublime, jogando com as ausências do lado dos alemães (concerteza que os jogadores que ficaram de fora lhes fazem falta, deixemo-nos de merdas), procurando montar uma teia de pressão ofensiva sobre as linhas de passe, deixando o início de construção para um lento, trapalhão e perfeitamente mediano Dante (só ultrapassado em mediania pelo seu compatriota do cabelinho loiro e encaracolado do PSG). Depois, na 2ª parte, percebendo que Xabi Alonso e Lahm (principalmente estes dois), não transpiravam robustez fisica para aguentar grandes correrias, lançou um ataque impiedoso em termos de pressão colectiva, de organização e cobertura de espaços, que deixou por várias vezes os bávaros a passar bolas... para fora! Muito bem também na gestão física dos últimos minutos, onde foi segurando as pontas até ao limite. Se no final desta época não houver nenhum título a figurar nas nossas vitrines, acreditem, não será por falta de trabalho, de capacidade de leitura táctica, por falta de exigência do nosso treinador. Foi, seguramente, a melhor contratação do F.C.Porto para esta época.

Falta um jogo, é certo. Falta ir ao covil da besta alemã. Falta um combate de 90 minutos, uma batalha na qual só estamos porque, foda-se, somos mesmo bons, e trabalhamos como uns cães para lá estar. Faltam 5400 segundos de unhas roídas, de muito suor, muita fé, muita luta, muito sofrimento. E a verdade, é que nos encontramos em vantagem. Assumamos isso: estamos em vantagem. E se fomos capazes duma exibição como a de 4ª feira... porquê ter vergonha em acreditar?

15 de Abril de 2015: Perfeito!


sábado, 28 de março de 2015

Choupana e Bayern

Nacional vs Porto - fim dum ciclo diabólico


Começando pelo fim-de-semana passado (e que longe que já vai...), falemos um pouco do jogo na Choupana. Começando pelo óbvio: perdemos uma oportunidade de ouro para "colar" a 1 ponto do Benfica e de os colocar sob uma pressão enorme, numa altura em que o fraco futebol praticado pelos nossos adversários (especialmente em jogos fora) começa a dar sinais de se poder transformar em resultados negativos. Essencialmente, perdeu-se essa boa oportunidade, no final dum ciclo absolutamente infernal de jogos, sempre com a pressão de ter de ganhar bem presente. 

Desde a última derrota da equipa (num total de 3 nesta época, em 41 jogos oficiais), curiosamente também na Madeira, encetámos um total de 11 jogos (2 para a Chapions), com 9 vitórias e 2 empates (Basileia e Choupana), 25 golos marcados e 3 golos sofridos. Este período coincidiu com uma fase de melhoria extraordinária em termos de consolidação do modelo de jogo, de consistência exibicional, de produção ofensiva e desempenho defensivo. Tudo isto alcançado num período de sensivelmente dois meses. 

Por aqui, poderá começar a explicação para algumas das dificuldades sentidas na Choupana: a questão física. Pelo que leio por essa bluegosfera, carregada de "experts" da preparação física, táctica, financeira, etc., "não se compreende como há jogadores cansados nesta altura". Ora, numa época preparado em micro-ciclos de treino e competição, depois de um período de 11 jogos em 2 meses, muitas vezes sem tempo para grandes treinos entre cada jogo, é perfeitamente natural que tenha havido uma quebra física nos 2/3 últimos jogos (especialmente de unidades como Herrera, Casemiro ou Alex Sandro), como será perfeitamente natural que após esta paragem na competição os jogadores regressem de novo com "pernas" e "pulmão". 

Porque para sermos justos, durante a 1ª parte do jogo na Choupana - enquanto todos tiveram pernas - nunca pareceu que o jogo nos escaparia. Estacionados no meio-campo ofensivo, secando qualquer tentativa de saída em transição do adversário (como qualquer equipa de Manuel Machado gosta de fazer), tivemos o controlo absoluto do jogo. Não criámos dezenas de oportunidades de perigo, é certo, mas estávamos na frente, com toda a justiça, e nada indicava que o Nacional pudesse reagir. 
Na 2ª parte houve a tal reacção da equipa da casa, e um conjunto de decisões de Lopetegui durante o jogo que, ao contrário de 90% das vezes, não pareceram surtir o efeito desejado. Especialmente, a saída de Casemiro, que nos retirou consistência ao meio-campo, deixando-nos mais desorganizados e expostos ao jogo mais veloz e agressivo do Nacional. Após o golo do empate, aí sim, sentiu-se que a equipa procurou a vitória sem pensar na melhor forma de a obter. Faltou alguma calma, mas também alguma sorte (2 bolas nos ferros é obra), e penso que o resultado final não traduz na perfeição o "filme" dos 90 minutos.

Um empate fora, na Choupana, é um mau resultado? Digamos que é um mal menor, dadas as circunstâncias. Devíamos ter aproveitado o mau resultado dos encarnados, devíamos conseguir chegar à Luz com maior equilíbrio pontual, devíamos ter conseguido gerir melhor a vantagem no jogo. Mas não haja dúvidas que, até final da temporada, mais pontos vão ser perdidos pelos 2 da frente. 

Percebe-se que é em alguns pormenores que se nota que a equipa ainda tem potencial por lapidar, como foi dito no post anterior, mas não se duvide que numa temporada que conta já com 41 jogos, um saldo de 31 vitórias, 3 derrotas e 7 empates, num total de 92 golos marcados e 22 sofridos, tem de ser vista como uma temporada muito positiva.

Após termos feito 8/9 jogos para o Campeonato com uma pressão incrível sobre o ombros, tendo que ganhar em campos tradicionalmente difíceis como Bessa e Braga, e contra adversários complicados como o Sporting e o Basileia, ainda há quem pense que a equipa não aguenta a pressão. A sério? Não aguenta? 

E também é sempre bom perceber que há coisas que não mudam. Num espaço de horas, a bipolaridade que reina em tantas cabeças portistas (pseudo adeptos dum clube e amantes de desporto) levou a que por essas caixas de comentários dos blogues de que todos gostamos fossem espalhados insultos, atestados de incompetência, e premonições de catástrofes de dimensões bíblicas. O normal portanto! Aliás, quando tal façanha parte logo de alguns escribas (muito conhecedores do futebol e muito "independentes" nas suas análises), está tudo dito. Assim como é também normal observar que a quantidade de comentários triplica após algum desaire.

Prossegue esta animada luta pela liderança, agora com uma diferença de 3 pontos entre Porto e Benfica. E com o clássico à vista... Isto está a aquecer!



Sorteio da Champions


Sejamos honestos: as nossas hipóteses de avançar para as meias-finais da Champions League são reduzidas. Penso que todos estamos de acordo quanto à valia do FC Bayern, em todos os aspectos possíveis de avaliar. O sorteio dificilmente poderia ter sido pior, até porque teremos de jogar a 2ª mão fora de casa. 

Eu, confesso, tinha pedido Bayern ou Barcelona, porque gosto deste tipo de desafio para nós. Penso, muito honestamente, que é bem mais fácil praparar a equipa para um jogo destes (em que grande parte da pressão está do lado do adversário), do que para uma eliminatória com um Mónaco, por exemplo. Como adepto do Porto mas, sobretudo, de bom futebol, estou bastante entusiasmado para ver-nos em acção contra uma das melhores equipas do Mundo, orientada por um dos treinadores que marcou a História do Futebol e por quem nutro uma profunda admiração, com jogadores de estrondosa qualidade em qualquer posição. Estou curioso para ver como vamos adaptar-nos a jogar contra uma "máquina" de futebol de posso como a dos bávaros. E, sinceramente, espero dois jogões de futebol! 

Dizia no início que as nossas hipóteses são reduzidas. Diria o mesmo de qualquer adversário do Bayern em qualquer competição. Mas não é impossível (no Desporto essa palavra não existe) derrotar os alemães! E muito embora saiba que será difícil, acredito nos rapazes! Vi o Bayern soçobrar em casa perante um bem organizado Moenchengladbach ou em casa dum agressivo Wolfsburg e acredito que é possível batê-los.

O meu avô, que nem é nada de antecipar resultados, nem de grandes "caganças" confidenciou-me ontem que acredita piamente que vamos conseguir chegar à final... Tentei fazê-lo prometer que dançará nú pelas ruas do Porto se tal acontecer, mas não tive sucesso. Uma pena, porque apesar dos seus 83 anos, o homem está numa forma física invejável... 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Porto vs Basileia

Nota introdutória: Jogo de Braga sem direito a crónica dada a proximidade de jogos. Exibição de gala, enorme a superioridade em todos os momentos de jogo. Porto controlador, Braga a ver jogar e a dar lenha. Um desastre a lesão de Jackson por tudo o que simboliza neste momento. Fé em Aboubakar. Tello continua imparável! Palavras de Conceição? Apenas o reflexo de uma valente dor de cotovelo ou como diriam os ingleses, não passa dum butt-hurt. CONTINUAR A PRESSIONAR ATÉ ELES CAÍREM!

Porto vs Basileia
O nosso Porto está de volta. E digo "nosso" porque os ideais e princípios que o fizeram grande estão vivos como há muito não se via. Começa a ser difícil não sentir uma afinidade tremenda por esta equipa e por este treinador. Principalmente tendo em conta o percurso da mesma até hoje. Não vou repetir as (óbvias) questões relativas à revolução de plantel. Falemos do que foi o inicio do reinado de Lopetegui com alguns - demasiados - adeptos e comunicação social a malhar a torto e a direito por causa de "espanhóis", "rotatividade" ou Quaresma. Resistiu a isso tudo, resiste ao campeonato mais vergonhoso de que me lembro. Resiste a lesões de jogadores fundamentais como Óliver (2x), Casemiro, Jackson e hoje Danilo. Resiste a adversários a darem pancada do principio ao fim dos jogos com arbitragens complacentes (hoje foi só mais uma dessas noites). Ah, e com a qualidade exibicional sempre a subir. Têm qualquer coisa de especial. Plantel e treinador. Não custa continuar a sonhar...


Sem Jackson e com Óliver ainda limitado, Lopetegui apostou na continuidade e lançou Evandro e Aboubakar para o lugar de Jackson. Mas a qualidade e as ideias de jogo mantém-se. Jogue quem jogar. E isso é mérito de Julen. Basileia mais uma vez em modo Mortal Kombat liderados por um Walter Samuel que ainda se deve estar a questionar como jogou tantos minutos em ambas as mãos desta eliminatória. Não me lembro de uma equipa tão violenta com quem tenhamos jogado na Europa. Remetidos à defesa mas pressionando alto no meio-campo voltaram a não criar grande perigo ao Porto. Uma primeira-parte controladora do Porto com um grande golo de Brahimi (tanta classe Yacine) e um momento que podia marcar psicologicamente a equipa. A lesão de Danilo tendo em conta o estado em que ficou o nº2. Fiquei genuinamente preocupado e ansioso assim que vi a ambulância entrar. Parece que não será nada de muito grave mas foi um valente susto. 

Fomos tão melhores que o Basileia. Porque esta equipa continua a evoluir e a superar-se jogo após jogo. Foi incrível ver a qualidade nas trocas de bola, a fabulosa reacção à perda de bola, a pressão sufocante no adversário, a consistência desta "muralha" defensiva (mesmo com Alex Sandro no lado contrário e Martins Indi a defesa esquerdo), assim como a capacidade incrível para resistir às adversidades como a arbitragem horrível. E tivemos direito a enormes golos no Dragão hoje. TODOS eles foram grandes golos. Brahimi que tem andado à procura da melhor forma parece ter voltado às grandes exibições Hoje foi mais uma noite europeia memorável. Aguardemos pelo desfecho destes Oitavos de final para pensar em adversários. Em jeito de Totobola aposto em Chelsea, Bayern, Barcelona, Borussia, Mónaco e Leverkusen para passarem. Com a possibilidade dos "tubarões" se defrontarem entre si, podemos ter um cheirinho a 2004?


Positivo (+)

Casemiro - CA GANDA GOLO MOOOOÇO! E que exibição. Está com uma confiança brutal e parece ter lido todas as criticas feitas porque está melhor a todos os níveis. Faz menos faltas, está mais reactivo, está mais assertivo no passe curto e longo. Fez uma estupidez de recuperações de bola no meio-campo. Uma exibição de encher o olho. Está, como toda a equipa, a crescer a cada jogo que passa. Será talvez injusto nomear o Melhor Jogador em campo numa grande noite europeia de toda a equipa. Mas a haver um teria de ser Casemiro.

O estar vivo - Se recuarmos um ano, estávamos de rastos. Derrotados, a começar num treinador sem alma, num plantel que não era este mas que era para fazer muito mais do que foi feito, e estávamos em guerra uns com os outros. Cada passe falhado era razão para assobios, cada ataque adversário era razão para suores frio e ansiedade. 365 dias depois estamos nos quartos de final da Champions, estamos (ainda) na luta pelo campeonato, mas mais importante que tudo: o plantel "da revolução" é o mais jovem de sempre do Porto e está a praticar um futebol de grande equipa. Coesos, agressivos, com uma entreajuda fantástica e a celebrar os golos juntos. Nos últimos 13 jogos em casa, não sofremos golos em 11. E em 9 ganhámos por mais de dois golos. Ah, e o Dragão ontem voltou a estar bem vivo como já não se viva desde o Minuto K. É tão bom voltar a estar vivo!

Evandro - Equilíbrio. É a melhor forma de o definir. Causa alguma confusão pensar que andou "perdido" tanto tempo e que só chegou a um grande clube aos 28 anos. A forma como complementa o meio-campo seja a defender ou a atacar faz-nos questionar se não terá ganho o lugar ao mágico Óliver. Parece ligar Herrera e Casemiro com o resto da equipa ou dito de outra forma, parece ligar o jogo interior da equipa de uma forma mais coesa. Adorei vê-lo a receber a bola e a dar de primeira com aquele toque de bola fabuloso e logo a correr para desequilibrar o Basileia. A forma como protegeu a bola deixou os suíços raivosos a espumar da boca perante a sua classe. Grande exibição. 

Desorganizar para organizar - Este é um mais para Lopetegui. Quando após a lesão de Danilo desviou Alex Sandro para a direita e fez entrar Indi para a esquerda temi pela nossa organização defensiva. Se fosse FM teria posto o Indi na direita, numa de não mexer muito para não estragar. Mas como o mister é que sabe viu-se que a qualidade de jogo se manteve. Indi teve uns números espectaculares fora da sua posição (completou 96% dos passes e ganhou os 4 duelos em que esteve presente), Alex Sandro manteve a qualidade e podia tão simplesmente ficar chateado pela mudança de flanco. Mas todos os jogadores parecem focados, com uma entrega incrível, e sem queixumes ou lamurias. Lopetegui chamou-lhes "animais" pela forma como treinam e como jogam. Eu chamo-lhes "bestinhas cheias de talento". Grande noite para comprovar que plantel e equipa técnica estão no caminho certo.

Negativo (-)

Basileia - Juro que esperava muito mais da equipa Suiça. Bater é fácil, Paulo. Jogar à bola é mais difícil. Não percebo como é que é possível não ter havido mais expulsões nesta eliminatória. Ridícula exibição de um bando de caceteiros que ficaram frustrados por nem conseguirem cheirar a bola. A entrada do sabujo do Derlis Gonzalez no Brahimi podia ter tido consequências bem graves. Walter Samuel no Alex Sandro a mesma coisa. A cotovelada do outro boi raivoso no Indi é indescritível. E falo destas porque me ficaram na memória. Mau demais e pior a arbitragem permitiu tudo isto.


Não ganhámos nada mas as sensações são muito boas. Há 8 anos que não íamos aos quartos. Quero o próximo jogo para continuar a ver futebol deste. Venha o Arouca! E fé no Braga...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Basileia vs Porto

No regresso às noites europeias o Porto empatou em Basileia a uma bola. Resultado que nos deixa em vantagem (golo fora) para a segunda mão no Dragão. Exibição de gala dos comandados de Lopetegui. Uma superioridade tão grande que até nos valeu elogios do adversário, tanto de Paulo Sousa como Frei.

A primeira-parte é facilmente resumida. O Basileia fez um/dois ataques e um remate à baliza e marcou contra a corrente do jogo. Um golo em que a culpa estará algures entre Alex Sandro e Fabiano, mas para mim a fatia maior de responsabilidade será de Fabiano e o seu "síndrome de equipa pequena". Um guarda-redes do Porto não pode ter medo de sair da pequena área ou de fazer "manchas" de risco. Lembram-se do Baía? Enfim. Um golo sofrido na primeira parte da primeira-mão dos Oitavos de final da Champions sem que nada o indicasse. Apesar da equipa acusar o golo durante alguns minutos e/ou andarmos um bocadinho perdidos (muito por causa das hesitações no capitulo do passe/recepção) a partida continuou de sentido único. Walter Samuel, jogador que sempre foi leal (sim, é sarcasmo) consegue cometer um penalty tão óbvio sobre o Jackson que o filho de uma cabra manca, obesa e bastarda do Mark Clattenburg deve ter achado que era dança contemporânea e mandou seguir. Perante vários contratempos seria fácil lamentar-nos da sorte e chorar no fim. Mas não é dessa fibra que Lopetegui é feito. E isso viu-se na equipa. Final da primeira parte chegava com o Porto a ser tãããão melhor que o Basileia. Brahimi muito apagado e com algumas asneiras no passe e Casemiro algo desastrado no capitulo do passe.

A segunda-parte começava e... GOLO!!! "Não estava a brincar pa! Sorry guys, we're pranksters! You should see your faces!" dizia a equipa de arbitragem. Depois de quase 1 minuto depois da bola ter entrado, de se ter feito a festa, da bola voltar ao meio-campo alguém se lembrou (diz-se que foi o quarto árbitro através da TV) de dizer que o golo era irregular. Até admito que sim, apesar de não achar que os jogadores em causa condicionassem a acção do guarda redes. Mas esperar TANTO tempo para tomar uma decisão destas? Na Liga dos Campeões? Enfim. O Basileia ao melhor estilo de José Mourinho, estacionava o autocarro ali em cima da grande área e nós continuávamos a controlar a partida. Sempre com personalidade, sempre com bola, sempre no chão. Sempre melhores. O inolvidável Walter Samuel dava uma mãozinha (literalmente) ao Porto e Danilo, de penalty, volta a equilibrar o marcador. Um golo fora numa eliminatória de Champions vale por 2. Até ao final foi mais do mesmo. Controlo total nosso, Basileia a ver jogar. Terminou empatado e nós trazemos boas perspectivas de continuação na prova. Mas estes suíços são ratos, e só precisaram de fazer um, um único rematezinho à baliza para marcar um golo. Incrível a sua agressividade. Fizeram o Vitória de Guimarães parecer um bando de meninos do coro.

(+) Positivo

Danilo - Jogaço do camisola nº 2. Ninguém discute agora o seu valor. Ninguém põe em causa a sua dedicação e raça pelo clube. Numa altura em que o adeus parece certo, toca a saborear estes últimos meses de um dos melhores laterais direitos que o nosso clube já teve.

Chegar a casa dos outros e mandar - Pode parecer falta de educação mas é um atestado de competência a Lopetegui. É por isso que tenho confiança no Basco e na sua visão para o clube. Há coisas a melhorar no nosso futebol? Há. Mas tendo em conta a revolução operada é notável a época que estamos a fazer e quase tão importante, a qualidade e personalidade que o nosso jogo tem. Não está ao alcance de muitos...

Jackson - Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!

A conferência de Lopetegui - Incomodado com perguntas que só procuravam denegrir a exibição e em retirar mérito à equipa, reagiu. Disse o espanhol: "Dei quatro entrevistas antes de vir aqui e os únicos que não destacaram a boa exibição do FC Porto, que rematou quinze vezes à baliza, contra uma equipa que marcou num único remate que fez, foram os jornalistas que falam português". Quem não sente...
  

(-) Negativo 

O lance do golo sofrido - O Z cascou no Alex Sandro. Eu atribuo maior culpa a Fabiano. Um guarda redes de equipa grande não pode ter receio de sair da PEQUENA ÁREA caral#@!!!!

Brahimi - Muito mal hoje. Com alguns passes errados e perdas de bola que poderiam ter sido arrasadoras para o Porto. Acredito que ainda esteja à procura da melhor forma depois da CAN mas é bom que a encontre depressa porque a equipa precisa da magia dele.

Falhar golos na Champions - Lances como aquele do Jackson em que tenta picar por cima do guarda redes não podem ser falhado a este nível. Contra equipas que se limitam a defender, quando há hipótese de marcar temos de... marcar. No way around it.

Árbitros ingleses na Champions - Se bem se lembram o "queridinho" da UEFA, Howard Webb, teve algumas arbitragens vergonhosas contra nós (no Vicente Calderon e em casa com o Zenit). Mark Clattenburg é a herança deixada. Exibição quase ao nível de um Bruno Paixão. Critério ridículo de amarelos e faltas assinaladas. Complacente com a o Wrestling da equipa do Basileia. E não assinalar 2 (sim, foram os dois na primeira parte) penaltys na "nata" do futebol é um bocado demais...

A lesão de Óliver - Não é uma tragédia mas quase. Sem ele a equipa perde mesmo muito... O jogador mais parecido será talvez Evandro e depois Rúben Neves. Espero que Quintero continue no banco porque não tem a qualidade que o ex-Estoril. É a minha opinião e posso fundamentá-la se quiserem...



Entretanto, o "wishful thinking" continua...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Porto vs Vitória de Guimarães, Bernardino Barros, Basileia

Sim, eu sei que já vamos atrasados mas nos últimos dias não foi possível vir ao computador. Notas do jogo em modo "expresso" e outras notas soltas.
Num jogo que prometia ser mais complicado do que foi realmente, mais uma vitória. Vitória de Guimarães apareceu com a secção de UFC para um jogo de futebol e por sorte não houve gente de baixa para Basileia. Uma primeira-parte de grandíssimo nível, diria até ao melhor nível desta época, que não se traduziu em número de golos. Brahimi fez o 1-0 depois de um passe absolutamente galáctico de Oliver. A forma como espera, roda e dá no argelino só está ao nível dos grandes jogadores. Na segunda-parte o Porto entrou algo adormecido e perdeu o controlo "total" do jogo. Passou a ser apenas parcial. Lopetegui viu isso e resolveu a questão metendo Ruben Neves ao lado de Casemiro e pôs"o cadeado" na porta de casa. Tremeliques resolvidos e voltámos a controlar até ao final da partida. Podia ter sido uma goleada mas por falta de pontaria e sorte o marcador acabou por ficar "preso" no 1-0.

Positivo do jogo - Jackson em mais uma grande exibição. Óliver, tão bom jogador que faz confusão como ainda tem 18 aninhos. Por amor de Deus façamos uma "vaquinha" para pagar a clausula. A qualidade de jogo na primeira parte. 

Negativo do jogo - Guimarães a dar pau o jogo inteiro. O avançado, Alvez, que deu lenha em tudo o que era malta nossa no corredor central. O critério ridículo de amarelos adoptado pelo árbitro da partida. A "não" expulsão de Cafu na entrada a Casemiro. Tudo demasiadamente ridículo. 


Enorme intervenção do maior defensor do Clube neste momento - Bernardino Barros. Obrigatória a sua visualização. 



Muita fé amanhã para Basileia. Não vai ser fácil. Esqueçam isso. Esta malta bateu-se muito bem com Real e Liverpool. Marcar é prioritário. Mas confio nesta malta para me trazerem um sorriso lá pelas 21h30. 


Youth Champions League - Estamos nos Quartos-de-final depois de eliminar o Real Madrid no penaltis. Raul Gudiño começa a ganhar uma aura de "grande futuro". Grandes defesas em TODOS os jogos. Toca a comprá-lo também! 


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Champions - F.C.Porto vs Shakhtar

Foi pena a lesão de Rúben. Seria pena uma lesão potencialmente grave fosse de quem fosse, mas ver aquele joelho a ceder ao nosso puto-maravilha foi o semelhante a um punhal gelado e cruel a penetrar o nosso corpo pela região posterior do tronco. Assim, a sangue-frio! Logo ele, que constitui um dos nossos melhores médios e que acabara de fazer uma belíssima exibição em Coimbra...

Imagem surripiada ao zerozero

Foi, de resto, o principal aspecto negativo do jogo. Esse e os apagões de Alex Sandro no decorrer na 2ª parte - embora tenha gostado de o ver mais activo e agressivo durante uma boa parte do jogo. Ou a forma aparentemente fácil como os "ucranianos" foram encontrando espaço para jogar em velocidade e muitas vezes em superioridade numérica, valendo os cortes in extremis de Ricardo e Indi em 3 ou 4 ocasiões. 

Gostei da tentativa de jogar sempre com a bola a rolar pela magnífica relva do Dragão, e até considero que houve momentos bastante agradáveis no nosso jogo ofensivo. Geralmente pecávamos no último passe, algo que facilmente se compreende pela inclusão de tantos jogadores com menos minutos nas pernas. E de Quaresma, sempre a complicar o mais fácil.

Evandro provou que é, efectivamente, um enorme jogador, Ricardo que pode ser alternativa a praticamente toda a gente no flanco (Tello, Quaresma, Danilo, Alex Sandro ou Brahimi) tamanha a qualidade que brota daquelas pernas e Aboubakar deixa sempre água na boca.

Quando parecia que era desta que sofreríamos a primeira derrota desta edição da Champions (e vão 8 jogos seguidos sem perder), um balázio de Aboubakar devolveu justiça ao resultado.


(+) Positivo

Evandro - Tenho uma paixoneta pelo brasileiro há já algum tempo. Penso que se trata dum jogador extraordinário, que não teve a felicidade que outros tiveram (e com menos qualidade) de jogar logo em grandes palcos. Dou os parabéns à equipa de Scouting do Estoril por ter descoberto esta pérola "perdida" pelo pobre futebol sérvio. Ontem foi, para mim, o melhor em campo do nosso lado. Capacidade de pressão e de posicionamento (discordo de quem pensa que andou mal posicionado. Tal só aconteceu após saída de Rúben, onde Evandro passou a ter de atacar por 2 e a defender por 2, porque Marcano não sai da posição e Quintero, defensivamente é.... patético), sempre a jogar de cabeça levantada, demonstrando uma capacidade técnica admirável (a forma como recebe a bola é uma delícia) e uma inteligência sublime. Subir com bola, fixar e soltar para outro colega melhor posicionado, abrindo sempre brechas na defensiva contrária - parece fácil, mas não são muitos os que o conseguem fazer com aquela classe. Inquestionavelmente, e embora continue a achar que Herrera tem imensa importância no equilíbrio táctico do meio-campo, continuo a achar que Rúben-Óliver-Evandro será o nosso meio-campo potencialmente mais forte.

Ricardo Pereira - Este rapaz pode ser um jogador de qualidade em 4 posições diferentes - dentro do nosso esquema táctico - e, como já demonstrou nos sub-21, pode também ser um 2º avançado letal, num 4-4-2. Isto é uma prova de qualidade que muito poucos podem apresentar. Ricardo é um jogador fantástico. Não sendo lateral de raíz, joga com uma desenvoltura que nos deixa estarrecidos. Tem técnica, velocidade, cruza muito bem, e consegue sempre perceber se é melhor jogar por dentro, deixando espaço para o extremo, ou por fora, para conseguir "esticar" o nosso jogo. Já li por aí:  "Ricardo provou que não consegue ser alternativa a Danilo". Ridículo!!

Aboubakar - Notou-se que teve dificuldades em entender-se com os colegas (principalmente os médios que surgiam mais próximos), mas desengane-se quem pense que aquela estampa física é sinónimo de pouca qualidade técnica! Ficaram na retina algumas recepções incríveis, com adversários encavalitados nas suas costas, e movimentações interessantes (como naquela bola que Quintero lhe mete para remate de primeira) e aquele golo foi qualquer coisa de especial. Um bocado diferente de ter lá Kléber, Walter ou Janko, não acham?

Nunca desistir - Mais uma vez, equipa em desvantagem e nunca se desiste. Marca-se golo e não há tempo para festejos - bola no meio-campo para tentar chegar ao 2º. Aprecio!

Rúben Neves - "Olá, sou o Rúben Neves, tenho 17 anos e quando saí lesionado a equipa pareceu ter mamado dois Xanax misturados com whisky até certo período da 2ª parte." - um belo cartão de visita.

Sem Derrotas - Seria da mais elementar justiça que houvesse honestidade, já não digo na CS, mas no mundo bluegosférico. Se no ano passado, quebrados alguns recordes tão negativos (principalmente na Champions), Paulo Fonseca foi justamente chamado aos cabeçalhos pelos piores motivos, esperar-se-ia que Julen Lopetegui o fizesse pelos melhores motivos. São 8 jogos, 2 empates e 6 vitórias, 19 golos marcados e 4 golos sofridos... Enfim, alguns "tascos" que foram tão lestos a massacrar o anterior treinador, poderiam ser igualmente lestos a felicitar o actual. Percebo que cada local tem a sua "agenda", e que textos miseráveis publicados no decorrer desta época possam explicar o porquê de haver tão pouco "Lopetegui" nas parangonas, mas ficava-lhes bem. da minha parte, parabéns Julen!


(-) Negativo

Alex Sandro - Coloco-o aqui porque ontem, no decorrer da 2ª parte, iniciou o seu periodo trapalhão, displicente, patético, desmiolado, em que conseguiu, sozinho dar cabo de 6 jogadas potencialmente perigosas. Numa dessas perdas, demorou uma eternidade a baixar e foi Indi quem safou a situação, lançando-lhe um olhar que, tivesse sido comigo, me faria ter cavado um buraco e não mais sair de lá até ao final do jogo. Ainda assim, é o nosso melhor lateral-esquerdo... 

Quintero - Se se pudesse fazer no futebol uma substitituição "defesa-ataque" como no andebol, em que ha jogadores que só defendem ou só atacam, Quintero seria um forte candidato a só atacar. Aí, com bola nos pés, é capaz de fazer coisas extraordinariamente simples e extraordinariamente belas. Como também é necessário defender, torna-se num jogador bonzito, porque é um mago na manobra ofensiva e um ZERO absoluto na manobra defensiva. E começa a tornar-se complicado arranjar argumentos para defender a sua titularidade. É defender com menos 1!

Lesão de Rúben - Uma tragédia... Junto-me ao coro de vozes portistas e grito um sentido: VOLTA RÁPIDO MIÚDO!!


Em suma, foi cumprido aquilo que se nos exigia. Dar descanso a algumas pedras que vinham revelando alguns sinais de fadiga, dar tempo de jogo a gente cheia de qualidade que ainda não teve tempo para o mostrar, ver um jogo entretido e, acima de tudo, não perder. 

A partir de agora é pensar SÓ em jogo com o Benfica. Não admito mais nada! Nem que uma qualquer super-modelo vos receba em casa, semi-nua em cima da cama,e vos alicie para uma "aventura". Ponham,-na porta fora aos pontapés, imaginando que ela é o Gaitán ou o Enzo a ousar entrar no nosso meio-campo. Levem os relatórios dos jogos deles para casa. Saibam tudo sobre eles, inclusive a que horas dão a 1ª coçadela de tomates e qual a chuteira que calçam primeiro. Decorem tudo o que se tem dito durante esta época sobre vocês e sobre eles. Vejam os jogos memoráveis que já fizemos, na nossa casa, cotnra eles. Ganhem a jogar com menos 1. Com menos 2. Com o Marcano a avançado e o Oliver na baliza, mas ganhem!  Ganhem! Foda-se, rebentem com eles! Ou morram a tentar...

P.S.: Estou a cagar-me para "sorteios simpáticos". Quero o Barcelona ou o Bayern nos 1/8. A sério que quero! 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

BATE vs F.C.Porto - Champions

Nada me dá mais gozo do que ver um jogador mal-amado de alguma da massa adepta do nosso clube (e de tantos entendidos em futebol que vou lendo por essa bluegosfera fora) fazer uma exibição como a que Herrera realizou hoje. Soberbo! Só isto, por mim, valeu todo o jogo.

Imagem retirada do site d'O Jogo.

Confesso que não consegui acompanhar toda a 1ª parte mas, do pouco que consegui ver e aquilo que fui ouvindo no relato, parece-me que foi tudo muito morno. Quiçá "congelados" pela temperatura fresquinha de Borisov, os nossos jogadores sentiam dificuldades em ligar jogadas, provocar desequilibrios, frente a um adversário que parecia apenas querer evitar repetir a goleada da 1ª volta. Embora tenhamos, sensivelmente a partir dos 25', "estacionado" no meio campo advsersário, esacassearam as oportunidades de golo (o nosso primeiro remate, que não foi á baliza, foi aos 34') e o nulo ao intervalo premiava o a táctica de contenção do BATE e a nossa incapacidade de provocar desequilíbrios no último terço do campo.

A 2ª parte foi bastante diferente, principalmente pela capacidade da nossa linha média de pressionar mais à frente, aproximando-se mais da linha ofensiva, oferecendo linhas de passe por dentro, que obrigavam os bielorussos a cometer mais erros. Com Herrera absolutamente endiabrado, Óliver sempre agressivo nas recuperações e inteligente na leitura ofensiva, e Casemiro a "varrer" tudo cá atrás foi sem surpresa que conseguimos chegar mais vezes perto da área contrária. O golaço de Herrera abriu as hostilidades, perto dos 10' da 2ª parte, e teve o condão de obrigar a equipa contrária a abrir mais espaços. O 2º golo, de Jackson (após primoroso trabalho e assistência de Herrera), decidiu o jogo.  De forma atabalhoada, o BATE tentava chegar mais à frente, permitindo-nos inúmeras recuperações de bola e consequentes contra-ataques que deixavam a defensiva contrária em "frangalhos". O último golo, de Tello, foi o corolário de uma 2ª parte de nível de Champions: segurança e eficácia de um nível a roçar a perfeição.

Sigamos para las notas.


(+) Positivo

Herrera - De forma incontestável, o MVP. Eu próprio devo confessar que este homem já me tirou do sério uma ou outra vez. Mas a verdade é que o mexicano tem dado provas de crescimento, melhora de jogo para jogo, e vem provando que é capaz de ser um elemento fundamental para o equilíbrio do nosso meio-campo. Herrera corre quilómetros, tanto em apoio ao ataque como em funções defensivas. Neste momento erra muito menos passes e, melhor ainda, é capaz de efectuar aberturas primorosas com um à-vontade desarmante. Hoje, marcou um golaço, num movimento que raramente vemos jogadores nossos arriscar (e com sucesso), num remate portentoso, cruzado, a resultar num tento de belo efeito. Mas as assistências então foram sulbimes. Na primeira, uma demonstração de técnica individual, na forma como fez a recepção de bola, temporizou e virou simples para Jackson. Na segunda, um passe "a la Xavi", a rasgar completamente a defensiva contrária, apanhando Tello no momento perfeito da veloz diagonal que desenhou a partir do flanco direito. Herrera está em grande. Herrera, o tal "feio", "orelhudo", "tacticamente pouco inteligente", "picareta", "mau jogador", demonstrou hoje que, no futebol, não há verdades absolutas nem são justos os "julgamentos sumários" que se fazem aos jogadores. Ainda tem muito por onde melhorar, mas acredito que tem a mentalidade certa (e a orientação técnica adequada) para o fazer. Parabéns!

Casemiro - Outro jogador bastante criticado desde o início, que vem demonstrando francas melhorias. Neste momento aquela linha mais recuada do meio-campo é toda dele. Parece mais rápido, mais controlado nos confrontos físicos, inteligente na forma como protege a bola e ganha faltas quando precisamos de "respirar" e um verdadeiro organizador de jogo, de cada vez que baixa para receber a bola dos centrais.

Indi/Marcano - Há um lance na 2ª parte em que somos apanhados em contra-pé, e a forma como Indi e Marcano abordam o lance, sem se desposicionarem, obrigando o avançado a ir lateralizando o movimento, deixando-o à mercê dum desarme simples, e dando tempo a Danilo de ajudar a fechar, deixou-me estranhamente descansado. São portentos de jogadores? Não, longe disso. Mas cometem poucos erros, e dão-me uma sensação maior de segurança do que qualquer outra "dupla" até agora. 

Óliver - Uma carraça em busca da bola; um génio na forma como dá linha de passe e toma, quase sempre as melhores decisões. Jogadorzaço este piqueno! Fazemos uma "baquinha" para comprar o rapaz no final da época?

Nível de Champions - Exibição sólida, eficácia tremenda, vitória incontestável. Na Champions não há espaço para contemplações, não há meias-vitórias - joga-se, ganha-se, period.




(-) Negativo

Quaresma - Não quero que pareça que estou sempre a bater no rapaz (até porque hoje é uma meia critica). Quando colocado a jogar desde início, raramente vemos o melhor Quaresma. É um facto! Não é perseguição nenhuma! Hoje tivemos mais uma demonstração desta versão Quaresma 90', menos fulgurante do que a versão Quaresma 20 ou 25'. É preciso arriscar, concedo isso, e Quaresma é um jogador de riscos. Mas arriscar remates de pé esquerdo, com um defesa mesmo ao lado, ainda longe da baliza, com colegas melhor posicionados talvez seja de mais, não? Se a isso juntarmos que quase nenhum cruzamento saiu em condições, conclui-se que o nosso "ciganito" teve uma noite não. E Tello, em bem menos tempo, fez bastante mais...

Fabiano - Tenho elogiado o trabalho que a equipa técnica tem feita com o brasileiro, como se constata na melhoria do jogo de pés. Hoje não gostei de o ver a facilitar, por duas vezes. Num jogo mais do que controlado, poderia ter dado origem a calafrios que tantas amarguras nos têm trazido nos tempos mais recentes. Olha para o Marcano caro Fabiano, e quando vires que estás apertado, "chuta para onde estiveres virado".

BATE - Não serve como justificação para nada, porque nada retira mérito a nova vitória na Champions, mas esta equipa é, sejamos justos, fraquita. Inoperante em termos ofensivos, limitada técnica e tacticamente, com um nível muito abaixo daquilo que se pode esperar numa competição desta envergadura. Não facilitámos um milimetro que fosse, o que foi óptimo e diz muito do espírito competitivo da nossa equipa (e Deus sabe que esta época, uma equipa que joga de xadrez e que talvez seja um tudo ou nada mais fraca do que o BATE já nos deixou a 0), mas constato só o facto de termos defrontado uma equipa com demasiadas limitações. 


E aí está -  5º jogo, 4ª vitória, 13 pontos e 1º lugar do grupo garantido, após a derrota do fraquíssimo Shakhtar contra o fraquíssimo Athletic. Mais 1M€ no bolso, e a certeza de que na última ronda podemos aproveitar para dar minutos de jogo a rapazes que ainda não tiveram oportunidade nesta competição. A certeza de também estarmos sólidos, funcionarmos cada vez mais como um colectivo e aquela esperança de finalmente encetarmos uma série de jogos com vitórias e exibições que não deixem sequer espaço para dúvidas.

Termino com uma observação, que acho pertinente e honesta. O BATE é fraquito, mas também o eram o Artmedia, que nos limpou o sebo na era Adriaanse, o APOEL, que conseguiu anular o "futebol tacticamente perfeito do recém-promovido Mestre da Táctica II/Conselheiro de Guardiola", Vítor Pereira, ou até o Wrexham, Molde ou Anderlecht. Convém não esquecer que outros treinadores, tão amados pela nossa exigente massa adepta, com plantéis igualmente bons, cheios de soluções e muito superiores a alguns destes adversários, tombaram com estrondo. Depois duma época de recordes negativos, convém começar a dar algum mérito ao Julen por estes resultados. É que desconfio que o rapaz já não estaria por cá, tivessem os resultados dele nestes jogos sido semelhantes aos de outros.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Athletic Bilbao vs Porto

Mais um dia. Mais uma alegria. Mais uma vitória. E terá sido provavelmente o melhor jogo do Porto esta época. Talvez não na qualidade do futebol jogado mas como equipa, em organização, em espirito de sacrifício e em entrega. Maicon e Óliver eram titulares num jogo que prometia ser combativo dadas as condições do relvado no San Mamés. E foi um Porto mandão durante toda a primeira parte. Mais qualidade na troca de bola, mais segurança e mais um par de oportunidades desperdiçadas por Jackson. E mais um penalty falhado... 


Era uma injustiça tremenda chegar ao intervalo com 0-0. Fabiano nem suou, e o Athletic o mais perto que chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que saiu pela... linha lateral. A segunda parte começava e o Athletic com duas mexidas conseguiu equilibrar a coisa, até que Brahimi em mais um momento de génio, foi pondo adversários no bolso e cruza para Jackson marcar o primeiro. Impressionante a cavalgada do argelino em modo "Epá que chaaaaatos, deixem nos lá marcar um golo". 1-0 mais que merecido, seguido pouco tempo depois de uma oferta basca, a fazer lembrar alguns golos sofridos no ano passado, que dava a Brahimi o segundo golo do jogo. 2-0 e a vitória parecia certa. Até ao final o mais perto que o Athletic chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que ganhou um efeito esquisito e acabou por ao poste da baliza de Fabiano. Apuramento garantido com dois jogos por jogar e quase 18 Milhões garantidos. Onde andam os "profetas da desgraça"? 

(+) Positivo

Trio de meio-campo - CA JOGATANA MALTA! Casemiro a limpar (sem dispensar a habitual trolitada numa canela adversária), Herrera com o pulmão do costume e alguns passes muito interessantes (estás a dar tudo para me calar a boca, não estás Héctor? Na boa, continua!) e Óliver é mais completo que Quintero para jogos deste tipo. Foi o primeiro jogo em que senti haver realmente entendimento, equilibrios, compensações e muita vontade. Parece ser esta o trio certo para os jogos a sério. Talvez Quintero para jogos em casa muito fechados, mas SEMPRE com Casemiro e Herrera.

Brahimi - O "abre-latas" azul e branco. Aquela jogada é de classe mundial meus caros. São jogadas como aquela que me fazem acreditar que este mago vai cá estar muito pouco tempo... Esperemos que não carago! Ah, é também, depois de Deco, Quaresma e Hulk (por ordem cronológica) o saco de porrada dos adversários. Dass, que até irrita às vezes.

Jackson - Falhou duas ou três oportunidades de golo que não devia, mas a quantidade de porradinha que levou e a quantidade de bolas (ou melhor mísseis) lançadas desde a defesa que dominou, segurou, aguentando as cargas de Laporte e Gurpegui, para dar a um companheiro foi absurda. Grande exibição do capitão apesar do penalty falhado. 


(-) Negativo

Alex Sandro - Está a precisar de parar um joguinho, ir até à praia, beber uma caipirinha, almoçar uma picanha e... GANHAR JUIZO! José Angel merece a titularidade na Amoreira.

Jackson e os penaltys - Num lance que até me parece nem ser penalty (podem-me insultar na caixa de comentários mas aqueles lances são... meh) o capitão colombiano desperdiçou, YET AGAIN, uma grande penalidade. A qualidade técnica está toda lá mas parece faltar capacidade mental para aquele momento. Em conversa com o Z ontem dizia que Maicon (puxando da biqueira para assassinar guarda-redes) ou Danilo (com mais qualidade técnica) deviam ser os mais fortes candidatos a bater as grandes penalidades. 

Relvado do San Mamés - Ridículo para um jogo de Champions. Só isso. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Antevisão - Athletic vs Porto - Champions

Amanhã, em Bilbao, espera-nos um sempre infernal ambiente, que ajuda a "empurrar" qualquer equipa, independentemente de passar uma fase menos boa. Nestas alturas, e no contexto da Champions ou Taça UEFA, recordo alguns jogos em locais semelhantes (Istambul, Atenas, Marselha, Milão, Manchester) e o coração enche-se de esperança. Aquele recital de Quaresma e Hulk contra o Besiktas, ou o sangue frio e espírito de combate da equipa de 02/03 em pleno Apostolos Nikolaidis invadem-me o espírito e inebriam-me os sentidos. Acredito sempre nos meus (nossos) rapazes e acredito sempre (mesmo que estejam a perder por 5-0 em Londres frente ao Arsenal) que vão conseguir ter a agressividade e resistência dum comando, a destreza e criatividade dos magos, a força mental dum samurai. Que vão conseguir transformar um 3-0 num 4-3, com apenas 20 minutos para jogar. Que vão conseguir virar um jogo do avesso mesmo a jogar com juniores. Que vão conseguir transformar água em vinho (ou vice-versa).

Não se trata dum jogo decisivo porque, felizmente, temos feito um excelente trabalho nesta edição da Champions, mas é uma óptima oportunidade para, de uma vez por todas, esta equipa conseguir afastar algumas das críticas que um sem número de abutres (internos e externos) teima em apontar-lhe. 

Para que finalmente seja reconhecida alguma qualidade e mérito a uma equipa que tanto tem lutado e feito por merecer. 

Para arrumar duma vez por todas, e inapelavelmente, com o apuramento (mais um, mais um...) para a próxima fase da competição. 

E para que vá conseguindo evoluir, como até agora tem feito, numa base de vitórias. 

Porque se até agora tanto se tem dito, escrito, redito e reescrito (polidito e poliescrito) sobre uma equipa que vai em 2º do campeonato (com os "factores estranhos" que temos visto repetir-se ao longo das jornadas, quer por aqui, quer por outras bandas) e em 1º da Champions (num grupo fraquito, claro está!), somando um total de ZERO derrotas nas duas competições, imaginem se tivéssemos feito uma "magnífica" exibição seguida de "justíssima" vitória como a dos nossos compatriotas que hoje se exibiram frente ao poderoso Mónaco! Imaginem só o que não se "cascaria" por esse Portugal fora nas opções do treinador, na qualidade da exibição ou naquele inenarrável (absolutamente inenarrável) penalty que 3 árbitros - inebriados do espírito conspirativo anti-tuga - não conseguiram vislumbrar.

Por isso, daqui do recentemente aberto café que fica por baixo da minha casa (onde já todos se encolhem quando me vêm entrar, para ocupar a primeira mesa logo em frente à TV), lá estarei, de punho cerrado e coração descompassado, a vibrar apaixonadamente e de forma (dizem) doentia, pelo MEU (NOSSO, CARAGO!) PORTO! 

P.S.: Jardel, voluntarioso como sempre, adivinhando que ia ser canto, tentou agarrar logo na bola para que o jogador monegasco o marcasse com a máxima brevidade! Não há caso pá!

Imagem "fanada" indecentemente do facebook do Lá Em Casa Mando Eu.

P.S.2: Já o tinha manifestado antes, no magnífico e novíssimo Porto Universal, do nosso amigo Jorge Vassalo: fiquei doente (muito doente, por sinal) por não poder comparecer no convívio de malta portista, e igualmente blogger ou seguidora de blogs também portistas, promovida pelo "Monstro" desta Bluegosfera, Dragão Vila Pouca. Lanço aqui um desafio, aos nossos habituais leitores, para que um destes dias se acompanhe num qualquer lado, antes, durante ou após uma bela refeição, um jogo do nosso F.C.Porto que nos seja difícil de acompanhar ao vivo. E caro v.a.s.c.o., o Alfa ou o Intercidades são veículos perfeitamente capazes de te colocar aqui em dois tempos (tempo e meio, no caso do primeiro).

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Champions: F.C.Porto vs Athletic Bilbao

Numa jornada fora do comum, tendo em conta o anormal número de golos marcados só na 3ª feira, os nossos rapazes deram um passo importantíssimo rumo aos 1/8 final da mais importante prova mundial de clubes. 


Depois do desaire amargo contra o Sporting no passado Sábado, urgia uma resposta clara e firme de todos - jogadores, treinador e adeptos. Era preciso demonstrar que a derrota tinha deixado marcas e que o orgulho estava ferido. Era importante ganhar acima de tudo o resto, e demonstrar uma atitude de combate, de vitória, que tanta falta nos fez durante larguíssimos períodos do ano transacto. Era necessário perceber se Lopetegui poderia ou não ter acusado o "toque" das críticas pós-Taça - deixou bem claro que não. Era fundamental perceber se estamos todos mesmo a remar na mesma direcção que a equipa e o treinador e a resposta foi inequívoca - não! Tivemos por isso uma noite em que ganhámos, e bem, no relvado e banco de suplentes mas onde nos cobrimos de vergonha nas bancadas, pelas razões que invoquei aqui . 

Num Dragão ainda longe de casa cheia, mas bem preenchido e colorido de incansáveis adeptos bascos, foi um F.C.Porto agressivo, acutilante, rápido e mandão que entrou em campo. Com Brahimi no meio, Quintero na ala, íamos conseguindo chegar com perigo ao último terço do campo, mas faltava sempre algum acerto na definição e conclusão das jogadas. Lopetegui, que costuma ler bem o jogo e altera quase sempre bem, percebeu que precisava de Quintero por dentro, entre linhas, e isso - e um Tello e Danilo endiabrados - foi contribuindo para muitos espaços no último reduto dos bascos. Fomos encostando o Athletic às cordas e podíamos (com mais alguma tranquilidade, a tal que decerto não cresce com assobios constantes) ter chegado com alguma naturalidade ao intervalo com 2-0.  Foi simples, bonita, eficaz e finalizada com classe a jogada que deu origem ao primeiro golo, colocando asism alguma justiça no marcador.

No regresso do intervalo, para além de trocar peças, os bascos alteraram a atitude na transição defensiva. Muito mais agressivos na nossa saída de bola, (aqui, continuamos a pecar, como falarei mais adiante), fomos obrigados a cometer mais erros, surgiram os idiotas do costume a assobiar cada toque na bola, e dum novo erro (desta feita repartido entre Herrera e Casemiro) surgiu o inevitável golo basco. Esta fase do jogo foi muito complicada, e ficou demonstrado o porquê de Quintero não jogar mais vezes numa posição central - tem muuuuito para evoluir a nível de posicionamento. Lopetegui percebeu, mais uma vez, do que a equipa necessitava e lançou Rúben Neves no lugar do colombiano, numa tentativa de nos dar mais qualidade na saída, e maior capacidade de ter bola, retirando alguma iniciativa ao Athletic. Uma vez estabilizado o meio-campo, trocou (com toda a lógica) Casemiro por Quaresma, que veio dar nova alma ao nosso jogo ofensivo. Resultou tudo na perfeição, num lance em que Quaresma aproveitou da melhor forma uma jogada simples mas brilhante de Brahimi, que lhe estendeu uma passadeira para o golo. Depois, com a entrada de Oliver, e mais alguma coesão entre sectores, conseguimos "congelar" o jogo. Mas ainda tivemos oportunidade de perceber se os nossos miocárdios estão em forma, com um perigosíssimo cabeceamento após um livre lateral, que Fabiano segurou com algum aperto. Até final poderíamos ter aumentado a contagem mas Jackson esteve em dia não no capítulo da finalização.

Vamos a notas:

(+) Positivo

  • Entrada em jogo -  Esta foi umas das coisas que mais me agradou, após alguns jogos em que entrámos um pouco "amorfos" na partida: um início a todo o gás, com vontade de "matar" veleidades logo à partida. Entrar à Porto. Gostei!
  • Aliança Tello - Danilo - Se o segundo está num momento assombroso de forma, respirando e transpirando saúde e confiança por todos os poros, muito se deve ao primeiro, cada vez mais uma peça fundamental na manobra ofensiva. O lado esquerdo dos bascos deve ter acabado a primeira parte perto dum ataque de nervos tantas foram as combinações que ambos conseguiram. Duas peças fundamentais do Porto neste momento.
  • Jogada do 1º golo - Ma-ra-vi-lho-sa! Tomada rápida de decisão, aproveitamento dos espaços, jogo interior, Herrera a aparecer no sítio certo e um hino ao futebol. Porque não aproveitar ainda mais vezes o corredor central gente?
  • Brahimi - Muito negeligenciado este rapaz quando não "aparece" mais sobre os holofotes. Mas a capacidade de drible dele é estonteante, a forma como atrai 2 e 3 jogadores e solta a bola, criando desequilíbrios é incrível. No golo de Quaresma, a sua acção é fundamental, tanto na forma como foge ao lateral, como obriga a uma compensação e liberta Quaresma numa zona mais central, com mais hipóteses de ter sucesso. Bravo! 
  • Quaresma - Lançado quando devia, a fazer o que lhe é pedido - arriscar e decidir, sem amuos, sem cara feia, com atitude e vontade. Consigo compreender que todos gostem de jogar de início, mas relembro que Solskjaer (por exemplo), foi dos jogadores mais decisivos da História do United e raramente jogava de início. Uma questão de egos, right?
  • Lopetegui - Apesar da loucura anti-Lopetegui que grassa por essa nação portista, mais uma vez esteve sublime nas mexidas. Em todas alterou o jogo e em todas nos deixou mais próximo de o ganhar. A troca posicional de Quintero e Brahimi. A entrada de Rúben, Quaresma e Óliver... Tudo decisões de alguém que percebe o jogo, lê bem o que o jogo pede, e mexe bem. Quase sempre bem, quase sempre com notórias melhorias na nossa forma de jogar. Mas decerto haverá quem critique isto. Habitua-te a estes desmiolados Lope... E manda-os foder! Assim mesmo, com f. Não é joder; é foder!

(-) Negativo

  • A saída de bola - Já muito foi escrito, dentro e fora da Bluegosfera, acerca desta questão. Continuo a ser da opinião que esta é uma das fases do jogo na qual precisamos de mais trabalho e de correcções. Sabemos que os nossos centrais não são grande espingarda com bola? Então um dos médios tem de baixar para dar apoio, e os laterais têm de estar mais subidos no terreno. Estamos continuamente numa linha de 4 jogadores, sendo facilmente anulados neste processo, O início da 2ª parte deste jogo foi uma clara demonstração da nossa incapacidade de sair perante equipas mais pressionantes, não sobre o portador de bola, mas sobre as linhas de passe mais próximas. Se se quer que sejam os centrais a sair, então eles devem ir progredindo no terreno até surgir um adversário a "fechar portas", e aí soltam num colega que, inevitavelmente estará sozinho. Perdemos mesmo muito tempo a trocar a bola lateralmente entre os 4 defesas, e o pior é que qualquer equipa (mesmo mediana ou até medíocre) já percebeu que pode anular facilmente a nossa saída. Demasiadas vezes incorremos no pontapé longo á custa deste facto. Urge corrigir isto, com alguma celeridade.
  • A "pressão alta" - Poderei estar enganado, mas a nossa capacidade de pressionar tem vindo a piorar nos últimos jogos. Alguma desorganização, gente a pisar os mesmos terrenos e algumas auto-estradas abertas em zonas absolutamente proibidas. Uma dessas fases de desnorte deu aos bascos a única situação de perigo durante a 1ª parte. Não compreendo se tal aconteceu maioritariamente pelo deficiente posicionamento defensivo de Herrera e Quintero, ou à excessiva lentidão de Casemiro, mas a verdade é que aconteceu mais do que uma vez. Também noto que Maicon e Indi nem sempre acertam nas saídas ao portador e nas coberturas. 
  • Novo erro, novo golo sofrido - Passe errado de Herrera, lentidão de Casemiro na reacção, e deficiente leitura de Maicon, que foi batido com uma facilidade inacreditável -  com uma finta que consistiu em trocar a bola de pé, com a maior das calmas. Continuem a tentar corrigir isto rapazes, senão vamos tornar os nossos cardiologistas em bilionários! Nota: mais incrível do que a nossa incpacidade única a nível Mundial de marcar penalties, só a % de eficácia de aproveitamento dos nossos erros por parte dos nossos adversários. Um erro, um golo! Tiro e queda!
  • Casemiro - Lamento colocar-te aqui, logo agora que foste seleccionado para o escrete , mas tenho de ser honesto: não tenho gostado. Bem sei que vem de lesão, e por isso dou-lhe algum benefício, mas tem de se reencontrar. Casemiro parece estar a jogar sempre sob brasas, sempre com uma sofreguidão demasiado elevada, que o leva a falhar a abordagem a incontáveis lances, o que se constata na quantidade de faltas e no número de maus passes que faz. Não sabemos bem como (nem ele sabe, decerto), conseguiu terminar sem ver amarelo. Rúben é, neste momento, um 6 muito mais completo e não consigo ver Casemiro com pernas para ser um 8.
  • Assobios do público - Pura estupidez! É só isso...


Menção Honrosa: Herrera - Inauguro esta nota porque estive aqui numa dúvida enorme sobre se colocava Herrera no + ou no - . Ora, se tivemos hoje alguns fogachos do "Herrera Bom", com participação activa nas jogadas ofensivas, na forma decidida com que colocou a bola na baliza, e com uma abnegação, espírito de combate, resistência, que me fizeram imaginar que terá 3 ou 4 pulmões, aquele gémeo terrível dele, o "Herrera Mau", persiste em não o deixar voar. Continua a ser má demais (malta, má demais mesmo!) a falta de posicionamento defensivo, a forma como desequilibra o meio campo nessas situações e a fraca capacidade de recuperação de bolas (que Oliver e Ruben Neves, correndo bem menos, conseguem com maior facilidade, fruto dum muito melhor posicionamento). E um passe lateral errado numa zona em que não podemos falhar, que deu em golo do Athletic... Estou dividido gringo! 


Resumindo, 3 jogos na Champions, ZERO derrotas, ZERO pontos perdidos em casa, SETE pontos ao todo e um pézito na próxima fase. A uma equipa totalmente nova, pede-se que vá trabalhando para melhorar. Ajuda - oh! se ajuda - construir a equipa numa base de vitórias. Gostei da resposta dos nossos rapazes neste jogo. Gostei deste jogo. Gostei. Mas aquele nó no estômago antes de ir a Arouca já vai fazendo das suas... Vamos lá "engatar" numa série de vitórias? 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Shakhtar Donetsk vs FC Porto

Segundo jornada da Liga dos Campeões com uma deslocação até Lviv na Ucrânia para defrontar o Shakhtar Donetsk. Incrível como o conflito no Leste Europeu continua a arrastar-se sem solução aparente. Com o escalonamento do 11 viu-se uma onda de indignação na Internet contra Lopetegui.

Contínuo a não compreender a aversão que tantos têm a Lopetegui. Expliquem-me, que criticas se pode fazer à rotatividade do Espanhol neste jogo? Guarda-Redes e Defesa do costume. Marcano, um jogador que o treinador já conhece e em quem confia, foi o escolhido para o lugar de 6. Casemiro está lesionado, Reyes não está inscrito e a forma de Rúben Neves tem estado em queda livre. Qual é a dúvida aqui? Jogou mal? Muito pelo contrário, foi bastante positivo ao nível de posicionamento e procurou sempre jogar simples. Alguns passes de longa distância mal medidos, mas não serão certamente a sua especialidade (e isso até permitiu que a equipa jogasse mais curto quando recuperava a bola). Óliver e Herrera completaram o meio-campo. Na frente Brahimi, Tello e a surpresa... Aboubakar. Estava instalada a confusão! Tanto barulho, tanta veneno lançado em forma de caracteres que, como se veio a perceber no fim, não tinha razão de ser. Se a estupidez dita na Internet por adeptos do Porto pagasse imposto, podíamos perfeitamente comprar o Óliver no final do ano e limpar o passivo. Jackson não estava a 100% e o Camaronês pode ser (finalmente) uma alternativa séria ao cafetero. So... I'll ask again. What's the fucking deal here?!



Foi um dos melhores (e mais difíceis) jogos que vi o Porto fazer esta época, e acabou por ser um pouco bittersweet o resultado. Por um lado os dois golos que oferecemos ao Shakhtar, que nos deixaram a perder por 2-0 até aos 89 minutos. Por outro, a qualidade do nosso jogo. Fomos tão superiores, tão melhores que o Shakhtar em todos os momentos de jogo... Ou pelo menos quase todos, porque aquela mescla de Ucranianos e Brasileiros, provavelmente em honra da Crimeia, usaram mãos, cotovelos e braços inteiros em tudo o que era jogada. Mas um empate fora com o Shakhtar é um resultado que se acaba por aceitar. 4 Pontos em duas jornadas e lideres do grupo. Que continue assim!



(+) Positivo 


Jackson - "Martinez. Jackson Martinez - License to kill" Absolutamente letal. Veio do banco, não fez cara feia e marcou dois golos. Se calhar é por atitudes como esta que o colombiano é capitão e outros que falam muito do amor ao clube, à cidade e à música flamenca em geral não o são. Enorme Cha Cha Cha!

Quintero - Das melhores entradas em campo que o vi fazer em muito tempo. Entrou expedito, com ganas e vontade de ajudar a ganhar. Apareceu inúmeras vezes entre linhas e a procurar colocar bolas nas costas da defesa. Assim dá gosto ver-te Juanito! 

Lopetegui - Demorou demasiado tempo a mexer, mas mexeu bem. Apercebendo-se que o Shakhtar não atacava, tira Marcano deixando os centrais em cima da linha de meio-campo. Herrera aqui brilhou, libertou-se e, se calhar por estar cansado, não correu tanto o que só o ajuda. O Espanhol sabe ler o jogo do banco e sabe quem tem no banco para mudar o jogo. Julen, não ligues aos aziados...

O Herrera bom - Estamos certamente perante um caso de bipolaridade futebolistica. O Mexicano deixa-me a berrar com a TV tantas vezes que se um dia deixar de publicar no blogue é porque fui vitima de homicídio qualificado por parte de um LCD. Ao intervalo em conversa com o Z, dizia-lhe que era mau de mais para ser verdade e que não compreendia a insistência de Lopetegui no Héctor. O Z lá me dizia que hoje nem está a ser muito mau, que tinha estado bem, mas eu, raivoso como um cão sem vacinas não lhe dava ouvidos. Mas como o treinador é o Julen e não eu, Héctor voltou para o segundo tempo. E é capaz de ter feito os melhores 45 minutos que lhe vi fazer de azul e branco. Principalmente quando parou de correr que nem um maluquinho como tanto gosta de fazer. E para mim o problema passa muito por aí. "Correr de mais". Ele mascara as grandes dificuldades que tem de posicionamento com muita correria. E hoje quando correu menos até controlava a bola com muito mais qualidade. Que tal por-lhe chumbo nas chuteiras?


(-) Negativo 

Os golos sofridos - Ridículos. A não repetir. Está apertado, mete-se para fora. Simples. 

Maicon - A entrada que lhe deu o amarelo foi idêntica à que lhe valeu a expulsão no jogo com o Boavista. Tem estado em grande forma esta época mas a falta de percepção de que era momento para aliviar a bola "à Maicon" naquele lance foi demasiado má para um jogador com os anos de experiência de competições europeias que ela já leva nas pernas. 

Os devotos fãs do Maldizer e os Pipoqueiros - Calem-se e deixem de implicar. Como diria o Roger Waters no final de uma das minhas músicas favoritas dos Pink Floyd: "Together we stand. Divided we fall"