Mostrar mensagens com a etiqueta 4x2x3x1. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 4x2x3x1. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bitaites tácticos

Depois do clima de guerra-fria que por aí anda na Bluegosfera, depois de Osvaldo (bem-vindo) e de Cissokho (bem-vindo de novo), bitaites sobre o jogo jogado durante esta pré-época!

São apenas alguma considerações dos jogos transmitidos da pré-época (Borussia Monchengladbach, Schalke 04, Valência e Stoke City) que na minha opinião merecem destaque. E sim, aceito umas aulinhas de Paint.

Coisas Boas

4x2x3x1 - Apesar do medo imposto por Paulo Fonseca, a expressão "duplo pivot" é uma espécie de Voldemort para os lados do Dragão: "The one who shall not be named". Mas a ideia é boa e com os jogadores à disposição de Lopetegui é de aproveitar. Com transportadores como Imbula ou André André e um 6 mais fixo, a coisa parece ter (boas) pernas para andar. Parece-me que só funcionará com Bueno. Ou melhor, funcionará melhor com Bueno. Brahimi também poderá aparecer por ali, mas o espanhol é mais forte pela facilidade em chegar à área e pelo hábito de actuar como segundo avançado. O golo frente ao Stoke mostra que o "tamanho de anão" esbarra na movimentação sem bola que confundiu os centrais ingleses. Muito importante ter dinâmicas diferentes.

A saída de bola com 3 atrás - Parece ser um upgrade em relação à época passada. Sem trocar a bola dentro da nossa área com o guarda-redes a ir à queima. O jogador na posição 6 baixa para o meio dos centrais e estes alargam o campo. Isso permite que os médios não baixem tanto para pegar no jogo, nem que a bola entre sempre nos laterais tornando a nossa saída de bola muito previsível. Com a capacidade de passe longo de Ruben Neves, a bola poderá facilmente "queimar" linhas.


A liberdade dada a Brahimi - E só a Yacine. Livre como um cavalo selvagem. Há um tipo de jogo com ele, e outro sem ele. É lhe dada grande liberdade de movimentos. O Porto fica muitas vezes com 4 médios pelo centro do terreno. Se estamos em posse é o lateral do lado dele (normalmente será o esquerdo) que sobe bastante para dar largura e o Porto acaba por chegar ao ultimo terço do terreno com muita gente. Se estamos a iniciar construção, Brahimi arrasta marcadores directos e cria buracos na defensiva adversária, para além de oferecer mais linhas de passe aos centrais/médios que iniciam o jogo. Dinâmica interessante e para seguir esta época: Yacine Brahimi, a deambular livremente dentro da organização Portista.


Imbula - O senhor "20 Milhões" vai ter muita de gente a segui-lo e a lambuzar-se de raiva e inveja para o ver falhar. Mas este chavalinho promete deixar mossa. É dono de um conceito que já não vemos há uns anos: Um box-to-box com pés. Uma espécie de anti-Herrera. Parece-me que precisa de aprender algumas noções de posicionamento e de perceber quando deve ou não acelerar o jogo, mas se fosse um jogador com tudo sabido não tinha vindo para nós... A sua passada larga vai permitir ao Porto acelerar muito o jogo aquando da recuperação de bola. Isto se Lopetegui deixar!

Melhor controlo de profundidade e de distância entre linhas - Principalmente no Torneio de Colónia foi notória a melhoria deste aspecto. Linhas próximas, que tornam a equipa mais compacta e consequentemente bloqueia a criatividade ao adversário. A imagem em baixo ajuda a perceber qual o posicionamento correcto a ter quando não temos bola, pois desta forma o adversário não tem onde jogar/criar. Era das melhores qualidades da equipa de Vitor Pereira - equipas curtinhas em campo. As marcações quase a nível individual entopem a criação do adversário, principalmente quando o movimento sem bola é lento e previsível. Gostei muito mesmo.

Coisas Menos Boas

Centrais a pressionar - Viu-se alguma vezes (Borussia, Schalke e Stoke) e não gostei particularmente dessa hipótese. Indi, Marcano e Maicon (mas esse faz mesmo quando não é mandado...) a abandonarem a linha defensiva para irem pressionar um elemento mais à frente. A imagem abaixo é esclarecedora do perigo que estes comportamentos, por vezes impulsivos, podem causar. Não existe sequer uma linha, quanto mais um "linha defensiva". Marcano sai da sua zona e vem pressionar o portador da bola que devia estar a ser vigiado por um médio. Se este se vira, vai criar automaticamente um 2x3 em posição frontal com a nossa baliza. (E porquê é que é importante ter essa linha? Porque dessa forma os jogadores estão mais próximos, é mais fácil controlar a profundidade e executar uma possível defesa em linha, etc.) A REVER COM CARÁCTER DE URGÊNCIA. 


Indefinição de tarefas em 4x3x3 - Falou-se muito na falta de criatividade da equipa e da necessidade de comprar mais um médio. Mas o principal problema que ajudou à falta de golos nesta pré-época foi a indefinição de tarefas dos jogadores a actuar na posição 8 e 10 quando a equipa estava em 4x3x3. Quem sobe, quem fica, quem aparece na área, quem aparece à entrada da área, quem desce para pegar no jogo no inicio da construção, quem aparece entre linhas... O único que entendia melhor o que a equipa precisava era Evandro (mais na posição 10) que apareceu muitas vezes entre-linhas a receber, dando de seguida na ala ao extremo subindo para área (obrigando de alguma forma o 8 a ficar para trás). Se a indefinição é táctica, não há jogador que possa resolver isso. A rever.

Corredor central - Vemos muitas vezes os extremos (variando onde a bola cai) a vir (demasiado?) para dentro. A equipa fica (em teoria) mais compacta mas perde largura quando quer acelerar os jogo. Têm de ser os laterais a darem-na com subidas pelo flanco mas ao mesmo tempo expõe muito a equipa a eventuais contra-ataques.

Destaques Bons

André André - Já gostava muito dele. Ao contrário do Z (certo, rapaz?). Acho que tem o espirito certo, para o clube certo. É um dos nós que ali está. Mas é muito mais do que um "André Castro". Tem pés e uma noção de posicionamento que equilibra sempre a equipa e impede buracos na organização da equipa, seja a defender ou a atacar. Vai ser um jogador importante porque apesar de ser um 8, pode fazer qualquer uma das posições de meio-campo. Ah, e sem refilar, não é Defour?

Ruben Neves a 6 - Só pode ser 6. Não se pode pedir que seja um "Polvo" porque tem demasiado futebol nos pés. A qualidade nos passes da primeira parte do jogo com o Schalke foi deslumbrante. Opção a ter em conta principalmente em jogos com equipas muito fechadas, tal é a facilidade com que coloca a bola a 30 ou 40 metros enquanto boceja. Um mini-Pirlo em potência. E esta "volta ao mundo" no jogo com o Schalke? Txiiii...

Varela - Um regresso cheio de vontade do Drogba da Caparica. Até cantos marcou (e bem diga-se), com a bola a cair na marca de penalti. Sim, continua com aquelas recepções em que parece ter o pé furado tipo glitch do FIFA ou PES. Mas dá muito à equipa sem bola. Fecha bem, procura o meio, aparece bem na área, temporiza à espera da subida do lateral para criar o overlap. É um extremo diferente, um extremo de equipa. A época passada a saltitar entre clubes deve ter sido suficiente para perceber onde realmente está bem.

Danilo Pereira - É um Panzer. A facilidade com que faz recuperações sem recorrer a carrinhos é incrível. É "só" colocar o caparro à frente. A nível fisico, Imbula e Danilo dão à equipa centímetros e músculo. Dá mais segurança defensiva à equipa que Ruben Neves, e impõe mais respeito. Retira-lhe talvez alguma qualidade de passe. Mas atenção, está longe de ser um "taco".

Maxi - Apesar de não estar ainda nas melhores condições físicas, adorei a sua capacidade já conhecida de mandar aquele empurrãozinho, bloqueio ou cacetada quando perdemos a bola. Um dos problemas da nossa transição defensiva no ano passado foi o de "sermos mansos". Maxi ajudará nisso! Lembram-se quantos amarelos o Deco levava por época sempre na transição defensiva?

Lichnovsky - Boas indicações. Levou com Huntelaar e Crouch que não são propriamente fáceis de marcar e ninguém os viu muito em jogo. Prometedor. Precisa de minutos na Primeira Liga para (continuar a) crescer.

Destaques Menos Bons

Maicon - 7 anos. SETE. E a evolução é demasiado lenta. No jogo com o Borussia por exemplo, foi ridículo o número de lançamentos longos que fez da defesa até Aboubakar. E culpo-o a ele, e não Lopetegui porque esses lançamentos diminuem para menos de metade quando não está em campo. Coincidência? I think not. Sempre os mesmo erros. Sempre as mesmas falhas. Sempre as mesmas paragens cerebrais. Dasssss...

Herrera - Do pouco que jogou, foi logo notória a sua presença em campo. Pelo piores motivos. "Oh Vasco, lá estás tu a perseguir o homem" Eu juro que não estou. Revejam o jogo com o Stoke ou com o Valência e vejam a quantidade de más recepções ou passes errados que o Héctor fez e que resultaram na perda de posse/bola da equipa. Tendo Evandro, Sérgio Oliveira, André André, Imbula como comparação é assustador o seu controlo de bola. Admito que esteja exausto, e para isso a muito contribuiu a participação na Gold Cup depois da época longa. Mas não me parece que tenha lugar este ano no plantel. E eu adorava que ele me provasse o contrário porque tinhamos todos a ganhar com isso. 

Tello - Foi o primeiro do plantel a chegar ao Olival para debelar uma lesão trazida da época anterior, atitude essa que muito apreciei. Andou pelo Twitter a espalhar a hashtag #VAMOSPORTOCARALHO e pôs os adeptos todos malucos. Ainda está muito em baixo de forma, sem aparecer em jogo, sem rasgo e sem brilho, mas ainda assistiu os colegas duas vezes. Ao contrário dos outros dois, não estou particularmente preocupado com a sua fase negativa. Sei que o Speedy Gonzalez espanhol vai subir de rendimento.



E para vocês quais foram os pormenores mais interessantes da pré-época? A nível colectivo e a nível individual?




segunda-feira, 2 de junho de 2014

Pecados Mortais - O 4x2x3x1

Conforme tínhamos dito a 18 de Maio (aqui) vamos iniciar a nossa lista sobre os 7 pecados mortais que na nossa opinião originaram esta época desastrosa.

Um dos problemas que quase todos os adeptos identificaram nesta temporada que terminou foi o uso do 4x2x3x1. Ao contrário do Z, do meu pai e de muitos portistas, eu era adepto do futebol de Vitor Pereira
(Não se zanguem já comigo!) e passo a explicar porquê. Era um futebol de posse e controlo do jogo. Era uma equipa sempre muito junta, com os sectores próximos, com uma agressividade fantástica no momento da perda de bola, que funcionava SEMPRE em bloco, que não concedia oportunidades ao adversários de se aproximarem da nossa baliza, tinha um plantel com (apenas) 12 ou 13 jogadores capazes e à qual faltava (aqui estaremos todos de acordo) alguma qualidade no último terço do terreno.

Não quero que pensem que este blogue é fã do Luís Freitas Lobo, mas há bitaites tácticos que têm de ser dados e que consideramos serem óbvios.


Desde o inicio da temporada, quando ainda estava tudo entusiasmado com a digressão à América do Sul, que falei com o Z e um amigo comum de ambos e disse que me preocupava muito a transição defensiva da nossa equipa. Se a nível atacante estávamos mais confiantes, mais objectivos, mais concretizadores, a nível defensivo quando perdíamos a bola era estranha a distância entre sectores e a manutenção da largura no momento de recuo para a defesa. Mas pensei cá para mim: "Caramba Vasco, estão na pré-época! E estão a jogar a não sei quantos metros acima do nível do mar! Devem estar com uma moca que nem pensam correctamente!"

Começava a época, e 15 minutos brutais frente ao Vitória eram suficientes para trazer mais uma Supertaça e mascarar algumas deficiências.

O Benfica ainda abalado por um final de época terrível começava a época de forma desastrosa e nós lá íamos cumprindo com a nossa parte. 5 pontos de vantagem e falava-se na hipótese de fim de linha para Jorge Jesus (como as coisas mudam rápido no futebol...) Mas os sintomas continuavam lá todos: Sectores sempre afastados provocado pelo excesso de jogadores em largura, a incapacidade de Fernando e Lucho compreenderem as suas funções neste novo desenho, reacção sempre pobre no momento da perda de bola com o recuo de jogadores para o sector defensivo ao invés da pressão lateral quando a equipa estava subida no terreno, condicionando assim o portador da bola e tapando as linhas de passe do adversário.

Havia confiança e as coisas até iam saindo. Pelo menos a nível nacional. Mas a Champions, onde dá algum jeito as equipas serem inteligentes e organizadas, punha a descoberto todas as imperfeições desta equipa de Paulo Fonseca. Aquela derrota com o Atlético no Dragão mostrava que esta era um Porto "anjinho" e sem estofo para aguentar a mínima adversidade. A época seguia e os primeiros tropeções surgiam. Estoril, Belenenses e Académica fora, Nacional em casa. A juntar a uma campanha na Champions completamente absurda (nomeadamente em casa). Eram sinais a mais que nos transmitiam insegurança e confirmavam vários sintomas. 

(clique para abrir a imagem)

Era uma equipa que partia facilmente, normalmente em dois (6x4 = Defesa + 2 pivots x Extremos + 10 + Avançado) onde os 4 da frente pareciam sempre com pouca disponibilidade para defender. As distracções defensivas, os erros no inicio da construção, principalmente dos centrais, originavam perdas de bola e resultaram muitas vezes em golos do adversário. Otamendi e Mangala pareciam agora jogadores banais ou verdadeiros "mancos". Culpa própria ou culpa do mister? Ambos. Culpa própria, porque às vezes aquele alívios à Maicon, onde a bola é agredida para voar 40 ou 50 metros no ar, são melhores do que tentar sempre sair a jogar. Culpa própria, porque a concentração e a determinação por vezes não parecia ser a mesma de épocas anteriores. Culpa do mister, que via neles qualidade para iniciarem o jogo da equipa não fazendo nenhum dos médios baixar para pegar no jogo (Se Otamendi fez muitas vezes esse papel com Vitor Pereira, com Mangala era sempre Moutinho que baixava e iniciava ali a construção). Culpa do Mister que procurava jogar sempre com a defesa subida, com os médios interiores (!) em linha, não havendo cobertura no meio-campo. Quantos golos sofremos em que o adversário recuperava a 2ª bola algures no meio-campo e em velocidade ultrapassava um Otamendi que nunca foi rápido e um Mangala que partia atrasado? Lembro-me facilmente do golo de Luis Leal na Amoreira e do golo de Rodrigo na Luz (em baixo, vemos a jogada completa. Dificuldade dos centrais pressionados em iniciar construção, ausência de linhas de passe, mau alivio, má reacção e mau posicionamento na perda... Golo)



(clique para abrir a imagem)

Fuck my life! E como este golo existiram tantos outros...

Também no ataque existiram graves problemas. Vimos muitas vezes Jackson Martinez a ser uma autêntica "ilha" num mar de defesas adversários, onde era facilmente anulado. Aliás, este Porto não "gostava" de construir pelo corredor central onde estão as balizas... O jogo ofensivo privilegiava (quase) sempre os corredores, com o lateral ou extremo a desmarcarem-se em profundidade e cruzamento para a área. As decisões (talvez o mais importante no futebol) quando a equipa se encontrava em posse e a iniciar o ataque eram por vezes, demasiadas vezes, más decisões. Uma equipa que no ano anterior jogava em posse e se sentia confortável como tal, via-se este ano com bola e era um "Ai Jesus", parecia que a "redondinha" queimava os pés dos nossos jogadores. A movimentação sem bola era quase nula e as linhas de passe não existiam. O que resultava numa constante agonia em nós, adeptos. Era uma equipa que defendia mal, que não se movimenta bem com ou sem bola e que era completamente inoperante do ponto de vista ofensivo.

Tendo em conta o ano anterior, podemos dizer que com Paulo Fonseca assistimos a "Tudo o que o 4x2x3x1 levou..."


PS: Não estamos aqui a criticar o 4x2x3x1 em si. Criticamos sim o modelo de jogo e as suas características.