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segunda-feira, 16 de março de 2015

Porto vs Arouca


Imagem retirada do site do FC Porto

Quando aos 10 minutos de jogo o vermelho saiu do bolso do "árbitro" , para expulsar Fabiano, senti-me recuar uns meses, a um jogo que teve circunstâncias semelhantes, e o coração apertou um pouco. Jogar com menos 1 jogador nunca é facil, seja contra Boavista, Arouca ou Barcelona, e o facto de sabermos que havia ali pernas cansadas, e a pressão de ter de ganhar para seguir na perseguição ao líder do campeonato poderiam começar a pesar na nossa exibição. Tal não aconteceu, especialmente devido a dois factores: primeiro, a forma como Lopotegui decidiu reformular a equipa para o que restou da 1ª parte; depois o facto de termos mantido a calma (especialmente após os 20 minutos), não perdendo a nossa identidade em campo, e de termos chegado ao golo com muito jogo para jogar.

Obviamente, na 2ª parte, foi necessário reequilibrar a equipa tacticamente - até porque o Arouca, bem ou mal, quis disputar o jogo e não se ficou pelos 11 homens atrás da linha de meio-campo. O que ganhámos a nível de posicionamentos defensivos (retorno a uma linha de 4 mais atrás), acabámos por perder no meio-campo, tendo ficado muito mais complicada a nossa transição ofensiva. Hoje, tinha dado um jeitaço ter Jackson em campo, pelo menos para a 2ª parte, de forma a que pudéssemos ganhar metros e qualidade de circulação e de jogo entre linhas que Aboubakar (ainda) não nos consegue dar. Por tudo isto, fomos menos capazes de conseguir reter a bola, de jogar como gostamos, e penso que com mais alguma paciência, frescura física e capacidade de decisão, poderíamos ter explorado melhor o espaço que havia nas costas da defensiva contrária.

Apesar da notória quebra física de metade da nossa equipa, bastante evidente nos últimos 20 minutos, foi bom perceber que a equipa soube sofrer, resolver os problemas que trouxe a inferioridade numérica. Foi também bom rever Hélton na baliza, sobretudo pela tranquilidade que nos traz, seja a sair dos postes, seja a jogar com os pés, ou até na monumental defesa que assinou, após venenoso remate de cabeça.

Uma boa vitória, em novo jogo atípico (este ano, estranhamente, tem havido muitos jogos assim), contra uma equipa que quis competir por algo mais do que um empate. E quando assim é, os 3 pontos são ainda mais saborosos.

Positivo (+)

Brahimi - Foi hoje importantíssimo sempre que tentávamos sair para o ataque. Brahimi tem uma característica que poderá irritar alguns, mas que o torna num jogador acima da média. Raramente aquele homem solta a bola por soltar; primeiro tenta fixar adversários, e só depois solta em quem está próximo ou melhor colocado. E isto faz toooooda a diferença. Passes, todos fazem. Mas fixar defesas, nem todos o conseguem. Pode haver quem confunda isto com "agarrar-se demasiado à bola". E tal não passará disso mesmo, confusão. Brahimi é fundamental neste tipo de jogo, e para mim mereceria o prémio MVP juntamente com Marcano.

Marcano - Começa a ser difícil definir a qualidade deste jogador. Como qualquer jogador proveniente do país vizinho, Marcano foi imediatamente rotulado de "flop", até porque Reyes é "Muuuuuito melhor". Começa a perceber-se que 2,5M€ por um defesa central desta categoria foi uma pechincha. Hoje voltou a estar soberbo, quer no número de bolas que ganhou pelo ar, quer pela qualidade na saída em posse, quer na quantidade de vezes em que teve de ir em modo "bombeiro-sapador" compensar erros dos colegas. Qualidade, qualidade, qualidade, qualidade! Marcano é isto.

Óliver - Ter-se-à notado em determinada altura uma forte quebra física, mas foi mais um belíssimo jogo do nosso "baixinho". Óliver recebe, cola a bola no pé, rodopia, faz jogar toda a equipa, com uma simplicidade desarmante. Enquanto houve oxigénio (principalmente durante a 1ª parte, foi determinante para mantermos o controlo da partida. Apesar de achar que Evandro esteve igualmente muito bem enquanto Óliver recuperava, já pensaram no luxo que é tê-los no mesmo plantel?

Quaresma - Hoje Ricardo Quaresma está nos +, especialmente porque era o tipo de jogo ideal para si. Um jogo em que teria de correr mais riscos, para tentar desorganizar a defensiva contrária, podendo por isso fazer uso da sua qualidade técnica para abrir espaços. E foi precisamente isso que Quaresma fez. O defesa-esquerdo do Arouca deve estar nesta altura ainda à procura dos rins, tantas foram as vezes em que Quaresma conseguiu trocar-lhe as voltas. E aquele cruzamento para a cabeça de Aboubakar, foi precioso. Uma pena que Quaresma, tenha tentado por 2 ou 3 vezes marcar golos quase da linha final, em vez de tirar mais cruzamentos perfeitos como aquele... Mas, se não fosse isso, não seria Quaresma! 

Aboubakar - Este jogo deixou mais claro que Aboubakar tem ainda muito para trabalhar. Principalmente no capítulo da recepção de bola, e no capítulo do passe. Contudo, foi preciosa a forma como surgiu por mais de uma vez em posição de finalizar, e fantástica a forma como apareceu ao 2º poste a finalizar um cruzamento açucarado de Quaresma.

Lopetegui - Quando seria expectável que retirasse, por exemplo, Quaresma, ou até mesmo Herrera, mantendo o esquema de 4 defesas, Lopetegui preferiu ficar apenas com Indi, Marcano e Alex Sandro (mais evidente em organização ofensiva, e na saída em posse), deixando nas mãos de Casemiro e Herrera as devidas compensações do lado direito da defesa sempre que tal era exigido. Durante 35 minutos da 1ª parte, praticamente não se sentiu que estávamos com menos 1 jogador. Obtido o primeiro golo, e com a necessidade de segurar o jogo, refrescou o meio-campo com a entrada de Rúben Neves, e segurou ao máximo a saída de Quaresma, para que Tello pudesse ajudar a tapar espaços, e pudesse eventualmente semear o pânico na defensiva arouquense com as suas diagonais. Percebeu-se que queria mais calma, mais posse, que ia pedindo energicamente do banco, mas penso que todos compreenderam que a equipa estava fisicamente de rastos, e que o melhor que havia a fazer seria abdicar da bola e defender o melhor possível.

Negativo (-)

Indi - Indi tem  alguns predicados que me fazem gostar imenso dele. É inteligente a usar o físico para ganhar posição aos adversários, e não compromete nas saídas em posse. Agora vamos fazer um exercício: quantas bolas pelo ar conseguiu ganhar a qualquer dos avançados arouquenses? Uma? Duas? Nenhuma? Não nos podemos dar ao luxo de ter um defesa central que não consegue ganhar 90% destes lances, sendo que está de frente para a bola, e não tem pela frente nenhum Ibrahimovic.

Fabiano - Fabiano é um guarda-redes normal. O próprio Fabiano sabe-o, Lopetegui também, bem como o resto da equipa. Se todos ficamos com o coração nas mãos quando tem de sair aos cruzamentos, ou quando tem de sair dos postes com aquela velocidade paquidérmica, cheio de hesitações, de dúvidas, imaginem como se sentirão os colegas de equipa. E isso pesa em certos momentos do jogo. Nota-se que os próprios defesas hesitam muito. Quantas vezes por jogo vemos um dos defesas a esperar até à ultima que Fabiano saia para recolher a bola, acabando por pontapeá-la para a bancada? Eu senti a diferença monstruosa de ter Hélton na baliza durante 80 minutos no jogo de hoje. A defesa respira muito mais confiança, a bola flui com maior rapidez sempre que há um atraso, há maior velocidade e segurança nas reposições de bola em jogo a partir da baliza. Porra, até os pontapés de baliza ganham qualidade. Detesto "cascar" em alguns jogadores, e tenho um respeito imenso por Fabiano, mas quando se diz que "há males que vêm por bem", penso que será para situações semelhantes a esta. Se a expulsão (e ausência do próximo jogo) de Fabiano significa ter Hélton até ao final da temporada, não ficaremos mal servidos.


Não sei se repararam mas ali a meio da 1ª parte houve um penalty do tamanho duma galáxia sobre Quaresma. Também não sei se repararam na quantidade de faltas e faltinhas que o "artista de serviço" marcou pertinho da nossa área, mesmo que nenhuma falta houvesse para marcar em grande parte das situações. Está-lhes na massa do sangue... Ah, o primeiro amarelo para o Arouca saiu aos 70 minutos... Por essa altura, já os arouquenses nos goleavam em número de faltas. Mais um jogo, mais uma arbitragem fraca, mais lances de prejuízo para os do costume.  




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

F.C.Porto vs Belenenses


Há jogos assim, em que saímos com os 3 pontos, uma vitória clara por números esclarecedores, mas não saímos do Estádio refastelados como quando vimos duma festa de casamento dum qualquer amigo ou primo afastado, em que tentamos enfardar praticamente tudo o que põem na mesa, mais metade da mesa de queijos e de sobremesas.

Será defeito nosso? Demasiada exigência? Neste caso concreto, não acho. Fizemos uns bons 25 minutos iniciais, mas depois entregámo-nos a um marasmo colectivo - em grande parte motivado pela inoperância, a roçar a "falta de comparência" do nosso adversário - que parece ser imagem de marca nestes jogos em casa, nas noites geladas do Porto, salvando-se um ou outro lampejo de futebol que geralmente é suficiente para embrulhar os 3 pontos.

Contra um rival tão tenro, tão psicologicamente abalado e tão retraído em campo, poderíamos ter feito um pouquinho mais. Compreendo que, também nestes jogos, é necessário ir gerindo o esforço (de forma equilibrada, obviamente), até porque os próximos dois meses são longos, e a margem de manobra quase inexistente. Mas ficou a ideia de, mais uma vez, ter sido possível um resultado "à antiga" apenas com mais alguma vontade e concentração.

Não aconteceu, "ficámo-nos" por um 3-0, sólido e sem margem para dúvidas, mas que merecia mais "sal".

Nota para um sempre agradável "warm-up" para o jogo, na companhia do Jorge Vassalo (do Porto Universal), do Nuno (seu companheiro de luta) e da agradável conversa mantida com o Sr. Vila Pouca (ilustre autor do Dragão Até á Morte). Mais uma vez, umas pintalgadas de portismo "saudavelmente doente", partilhado por 4 dos 20 e tal milhares que ousaram enfrentar nova noite gelada da nossa magnífica cidade do Porto.


(+) Positivo

Óliver - Embora um bocadinho abaixo do que fez no jogo em Barcelos, uma vez mais o maestro da equipa. Dá linhas de passe, pressiona alto e de forma inteligente, é dos poucos que procura jogo interior e mostrou de forma cabal - com o pé mais fraco - como marcar golos na zona frontal, à entrada da grande área, até não é dificil, nem precisa de grandes floreados. Percebi que tivesse saído, por causa do amarelo, mas estava a ser o melhor em campo até ser substituído. 

Jackson - Por vezes leio que "parece uma ilha" no meio da defensiva adversária. Talvez um continente inteiro... Recebe, temporiza, impõe o físico e solta num colega. Repitam isto por dezenas de vezes, em dezenas de locais diferentes do campo. É "só" o que Jackson nos dá durante o jogo. Ah, e golos. Muitos.

Quaresma - Retire-se da equação os cantos e os livres - que não entendo como lhe continuam a ser entregues - e tivemos uma boa exibição de Quaresma. Penso que já percebeu que a sua dimensão física está a decair, e então opta por um jogo mais paciente e de apoios. Combinou bem com Danilo ou Angel, e penso que não mereceu ter saído antes de Tello. Quiçá para proteger pernas e pulmões? De qualquer forma, perfeitamente evitável o habitual teatro na altura da saída. Compreendo a frustração mas... É muuuuuito irritante ter um jogador a fazer sempre a mesma cena.

Angel - Poderá não ter a técnica ou a velocidade de Alex Sandro, mas tem um posicionamento muito mais seguro e acompanhou bem Tello ou Quaresma quando solicitado. Gostei da sua exibição, e deixa-me descansado quanto à possibilidade de Alex Sandro ficar de fora num ou noutro jogo. Temos um substituto que não destoa, no lado esquerdo da defesa (onde ja tivemos Lucas Mareques e Benitez's...).

(-) Negativo

Tello - Esteve em campo? Não me recordo de o ver.  

Maicon - Num jogo sem praticamente trabalho para o sector defensivo, tentou borrar a pintura numa das suas paragens cerebrais: uma tentativa de passe de calcanhar numa zona arriscada. Se o objectivo é continuar a adiar o seu "eterno" aparecimento como um central fiável, penso que vai sendo conseguido. Continuo a preferir ter lá Marcano...

Herrera - Uma assistência para golo e muitas tentativas de tentar penetrar na zona entre central e lateral do adversário durante 25 minutos. Uma amálgama de péssimas recepções de bola, de passes horríveis, de má condução de bola, e de mau posicionamento durante o resto de jogo. Em "dia não", Herrera faz ainda pior tudo aquilo em que já não é um craque.  

Fabiano - Teve de fazer duas defesas durante todo o jogo, já os jogadores pensavam no duche de água quente final e, na segunda, conseguiu colocar um remate ridiculamente fácil de segurar nos pés dum avançado belenense que só por manifesta tosquice (e por um corte impossível de Maicon) não se transformou num golo. Não é guarda-redes para uma equipa grande, lamento. Por momentos revi o remate do Talisca e a recarga de Lima... Volta rápido Hélton!  

Cruzamentos para o joelho do defesa central que está no primeiro poste - Alguém se deu ao trabalho de contar a quantidade absurda de cruzamentos que fizemos? Sabem quantos chegaram a alguém da nossa equipa? Dois. Quantos cruzamentos mal feitos? Quantas vezes só com Jackson na área? Quantos cruzamentos bons consegue Danilo fazer? E Tello? Caramba, até Herrera cruza melhor... E sempre, sempre, sempre (SEMPRE CARALHO!) feitos para o 1º poste, a meia altura. Esses até o Abdoulaye cortava pessoal... Aliás, para ver como estamos em termos de qualidade de cruzamentos, basta ver aquele exercício que fazemos no aquecimento para o jogo e acho que fica tudo dito.

Reacções Estúpidas sempre que Adrián entra - O acéfalo e intolerante público que ironiza, ostraciza, goza com Adrián é o mesmo que tolera as agressões técnicas e tácticas de Herrera, os maus comportamentos de Quaresma, a sonolência de Alex Sandro, as paregens cerebrais de Maicon. O mesmo público que em tempos tolerava e até sentia carinho pela exasperante inoperência de Mariano. Os mesmos que sonham com o regresso dum traidor de primeira água como aquele ruivinho que treina o Zénit. Portanto, nada de novo... Mas irrita, oh se irrita. Muito! Uma falta de respeito sem perdão possível, quase a roçar a xenofobia. Eu chamo-lhes "Estúpidos de Merda", assim, com todas as letras. Temos muitos no Dragão.

Continua a perseguição ao líder (quanto custa ter de dizer isto...), sem margem para adormecimentos. Não me importava que todos os jogos fossem assim até ao final da época, amorfos, gelados, mas com sempre com vitórias inequívocas.

Segue-se a Taça da Liga, espero que com muito juventude em campo! E com Adrián!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Gil Vicente vs Porto

Já passaram muitos dias do jogo mas não tem sido fácil escrever a crónica quando computadores cometem suicídio e pulsos incham sem razão lógica. Foi um jogo que não se avizinhava fácil e que nós tornámos num festival de golos bonitos. É verdade que até o Jander decidir que era tempo de ver o segundo amarelo, o jogo estava algo empenado. Mas dada a "estratégia" da equipa de José Mota, e por estratégia entenda-se "bater em tudo o que mexa e bola na frente à espera de uma ajuda divina", era de esperar que mais tarde ou mais cedo a qualidade da equipa de Lopetegui acabasse por se impor em Barcelos. Casemiro que até ao estouro de fora da área estava a realizar uma exibição cinzenta, pegou na bola e "cá vai disto". Um grande golo que abria caminho para uma noite tranquila. Na segunda-parte houve tanto Porto que poderíamos estar aqui a falar de um resultado histórico. Tantas oportunidades e tanto domínio acabaram por ficar bem expressivos nos números finais. 1-5, mais uma vitória com grandes golos e futebol bonito praticado numa noite gélida. 3 pontos preciosos numa altura em que convém mostrar ao Benfica que estamos prontos e que não vamos desarmar. 

(+) Positivo

Óliver - Pequeno maestro. Tem tanto futebol nos pés, cabeça, costas, ombros, joelhos... que até faz confusão. Num meio campo sem grande mobilidade é SEMPRE este anãozinho que procura criar linhas de passe. Aquela finalização com a bola picadinha por cima do Adriano, hmmm, repleta de classe, Podemos já ficar com ele please? 

Jackson - Que bestinha. Marca golos com pé esquerdo, pé direito, cabeça e ainda tem aquele toque de bola delicioso. Quando a equipa está a dominar como dominou neste jogo, Jackson brilha ainda mais. Mais um grande jogo e aquele quinto golo... Meu Deus!

Quaresma - Entrou bem e começa a dar razão a Lopetegui porque rende muuuuito mais quando entra na segunda parte frequinho pronto para dar cabo dos rins dos laterais adversários. 

Lopetegui - Mandar aquecer Quaresma ainda na primeira parte foi um claro sinal para quem não estava a render em campo. Gostei. 

(-) Negativo

Casemiro - Demasiado lento. Com bola, sem ela, Tarda em acordar quando a equipa está a ser pressionada. 

Tello - Muita correria e pouco discernimento. Será que voltando ao lado esquerdo (com Brahimi na CAN) vai voltar a brilhar? 

domingo, 28 de dezembro de 2014

F.C.Porto vs Vitória Setúbal


Começo por pedir as mais sinceras desculpas pelo atraso nas crónicas aqui do tasco. Falta tempo, falta muito tempo!

Espero que as celebrações natalícias tenham decorrido como deve ser: bem regadas, bem temperadas e junto de quem queriam estar. 

Bem sei que já passou algum tempo, mas há ainda algumas coisas que tenho para dizer sobre o último jogo do nosso clube do coração para o Campeonato, naquela gélida noite do Dragão. 

Uma goleada que não deu para aquecer. Um banquete de golos que não nos pôs de barriga cheia. Uma exibição q.b. Serviços mínimos. Ah, importa dizer, contra um adversário que consegue ser pior do que qualquer equipa dos campeonatos distritais, treinada pelo José Mota (ou pelo saudoso Luís Campos).

A primeira parte começou com alguma ansiedade (incompreensível frente a um adversário desta categoria), alguns períodos de muita confusão mas bastou que se acelerasse um pouco com e sem bola, e a defensiva adversária parecia uma avenida com 8 faixas de rodagem. Chegámos facilmente aos golos e, carburasse toda a equipa a uma velocidade (e inteligência) igual à de Óliver, e estou certo de que teríamos chegado ao intervalo com um resultado histórico. Não era, porém, noite de grandes preocupações para os nossos rapazes.

Aconteceu na 2ª parte algo que me deixa furioso, e que já quase parece uma imagem de marca do F.C.Porto de há uns anos a esta parte, que é aquele entorpecimento dos sentidos quase geral que ataca os nossos jogadores quando o resultado está "controlado". Irrita-me, sinto-me desconsiderado pela falta de atitude e só a cara de poucos amigos do nosso timoneiro, no banco, me deixou um pouco mais tranquilo. Eu, adepto exigente, me confesso: quero mais! 

Queria mais correria, mais jogadas de ataque, mais atitude, garra, vontade, orgulho próprio. Queria que os nossos adversários saíssem do relvado de rastos, a tentar perceber que tipo de veículo pesado os tinha acabado de esmagar.  Queria uma goleada das antigas, se possível a chegar à casa das dezenas, ou pelo menos que se tentasse chegar o mais longe possível. Contra este horrível, macio, mal orientado, ridículo Vitória, queria ter visto mais.


Não vi e, como tal, vou rápido para as notas.


(+) Positivo

Óliver Torres - Um recital de recepções orientadas, de perfeita ocupação de espaços, de passes magistrais, de classe, de tudo! Tivesse a equipa acompanhado o ritmo deste géniozinho e teríamos ido para o descanso com 6 ou 7 no bolso. Já perdi qualquer esperança de o manter por cá na próxima temporada...

Campaña - Ao contrário de muitos, nunca o tinha visto jogar. E confesso que gostei! Numa perspectiva de manter uma boa capacidade de circulação de bola, de melhorar a nossa transição ofensiva, coloco-o como o nosso 2º melhor Médio Defensivo (logo atrás de Rúben Neves). Bem sei que o adversário foi muito tenro, mas...

Brahimi - Entrar em campo por uns minutinhos e fazer muito mais do que muitos companheiros durante o que restou da partida. Aplauso!

Os "berdadeiros" - Por motivos profissionais, não pude acompanhar o jogo ao vivo. Se pudesse, obviamente lá estaria! Mas queria aqui dar um fraterno abraço a todos os que ousaram colocar sequer um pé fora de casa naquela noite de 6ª feira. Sejamos honestos, aquilo não era uma "noite gelada"... Era mesmo um "frio do caralho"!


(-) Negativo

A falta de atitude - O cenário era este: acabávamos de levar dois pontapés nos queixos e três murros no estômago há precisamente cinco dias atrás, e precisávamos de demonstrar que estávamos vivos (e bem vivos), cilindrando quem nos aparecesse pela frente no jogo a seguir. E o calendário até foi simpático, proporcionando-nos a oportunidade de jogar de novo logo após 5 dias. Ganhámos, ok. Mas foi daqueles jogos em que quase dava para ouvir os cérebros dos jogadores a dizer "só faltam x minutos para as Férias do Natal!!". Queríamos, merecíamos e precisávamos de mais, nós, os adeptos, os únicos, verdadeiros e fiéis portadores do portismo, seja ele jogado com frio, chuva, sol, fogo, pedras, picaretas ou o qualquer merda do género. Precisávamos que por nós, que passámos a puta da semana toda a tentar recuperar a vontade de comer e a alegria de viver depois de perder com aqueles caralhos na nossa casa (na NOSSA CASA foda-se!) jogassem como uns touros, que só parassem de correr quando tivessem espuma a escorrer-vos dos lábios, e que o adversário nem regressasse para a 2ª parte com medo do que poderia cair-lhe em cima. Não foi nada disto. Foi o contrário. E eu fiquei fodido. 

Tello - Pá, Tello, really dude? Tens um adversário perneta entre ti e outro colega que está em frente da baliza completamente sozinho, por três vezes, e nunca lhe passas a puta da bola? Quem te arrancou o cérebro meu rapaz? Não treinas? Não jogas futebol desde pequeno? Não vês jogos na TV? Tens problemas de visão? Jogas sozinho? Só corres? Que raiva!!

Setúbal - Pior. Equipa. Da. Liga.


Uma vitória por 4-0 teve o condão de me irritar. Não acontece muitas vezes, mas lá aconteceu. Ainda assim, uma vitória. 3 pontos que são sempre preciosos.

E pronto, no finalzinho do jogo lá foram os nossos rapazes para 8 dias de paragem. 8 dias. Sem treinos. Futebol Profissional. E é isto...



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

F.C. Porto vs Rio Ave

Estou absolutamente atónito com algumas das crónicas que tenho lido ao longo do dia, bem como alguns comentários a essas crónicas, por essa Bluegosfera fora. Quase tão atónito como quando o meu "vizinho" de trás no Dragão, por volta dos 30 minutos de jogo, soltou a seguinte pérola: "Este Danilo hoje, não acerta uma...". 


Aos 10 minutos de jogo, pensava para com os meus botões "Isto já podia estar 2 ou 3-0, à vontade.". Ora, poder dizer isto aos 10' dum jogo de futebol, não é pouco. Significava naquela altura que tínhamos entrado na partida em modo de demolição, e que tivesse sido a eficácia nessa fase próxima daquela dos últimos 15', provavelmente não se especularia tanto sobre a qualidade da nossa exibição ou sobre a justiça dos 5 golos marcados . 

Deduzo, portanto, que se os últimos 15 minutos de jogo não contam porque o adversário já estava cansado e começou a cometer erros em catadupa SÓ por causa disso, então em jogos como o de Alvalade, merecíamos ter perdido por 3-0 porque eles tiveram imensas situações antes de nós e só nos lembrámos de jogar na 2ª parte (onde, lá está, já estaríamos a perder por 2 ou 3-0). 

Os primeiros 25' de jogo foram, na minha opinião, excepcionais. Absolutamente demolidores. Jogo rápido, boas combinações ofensivas, sempre com a baliza na mira, com várias chegadas perigosas à área contrária, 3 situações claríssimas de golo, mais umas quantas em que só aquele último passe falhou. Tudo isto aliado a uma constante pressão feita no timing correcto, forçando o adversário (que não é tão manso assim, nem estava assim tão cansado quanto Pedro Martins quis fazer crer) a não conseguir fazer mais do que 3 passes seguidos. Do melhor que tenho visto esta equipa fazer esta época (e com Brahimi e Herrera em noite de apagada). 

A partir desta altura (e não só a seguir ao golo de Tello, como tenho lido por aí), a equipa perdeu algum gás, compreensivelmente (não é possivel jogar naquele ritmo durante tanto tempo seguido, especialmente após jogo de Champions nos confins da Europa) e o Rio Ave conseguiu subir um pouco no terreno. Uma subida perfeitamente inofensiva, visto que até ao intervalo vi Fabiano mais próximo de "chocar" uma constipação do que fazer uma defesa. 

Ao intervalo, portanto, um empate inacreditavelmente injusto para uma primeira parte de tanto domínio e de tanta boa jogada, contra um adversário cuja maior vitória foi... conseguir subir um bocadinho no terreno e trocar mais de 3 passes de forma consecutiva.

A 2ª parte abriu com o tal "golo desbloqueador" seguido dum dos tais "erros" dos jogadores do Rio Ave. Claro que o facto de Jackson ter conseguido pressionar Marcelo de forma a que o rapaz perdesse a bola não teve nada de meritório! Tello, que fabricou uma excelente exibição, tornou fácil um golo de difícil execução. 

O período seguinte, sim, foi confuso. Numa altura em que, repito, fizemos tudo para estar já com uma confortável vantagem de 2 ou 3-0, perdemos o controlo do jogo. Desta fase falarei mais à frente. O Rio Ave, lá está, conseguiu subir uns metros no terreno, ganhando alguns cantos e faltas em zonas potencialmente perigosas. Num desses lances, ao que parece, Herrera levou com uma bola na mão à queima-roupa e parece que o penalty é claríssimo. Confesso que, depois de Alvalade ou do jogo contra o Boavista no Dragão tenho alguma dificuldade em saber bem o que se pode considerar mão na bola ou não, por isso, não serei a pessoa indicada para falar (mas até dou de barato que nesse lance fomos beneficiados).

Lopetegui leu, mais uma vez, muito bem o jogo e deu-nos a estabilidade de que necessitávamos com Ruben Neves e Quintero para o lugar dos fatigados Herrera e Brahimi. Quando, aos 79', Jackson marcou aquele belíssimo golo, penso que toda a gente sentiu que o jogo estava decidido. Pese embora o Rio Ave tenha, pelo meio, conseguido enviar uma bola ao poste e Fabiano tenha sido (finalmente) obrigado a uma defesa, a quebra anímica do lado dos vilacondenses aliada à vontade férrea dos nossos jogadores em marcar mais golos tornaram o resultado mais avolumado. Exagerado? Não concordo...

Vamos a notas:


(+) Positivo

Tello - Coitados dos defesas laterais que o apanham pela frente. Incrível o poder de explosão deste rapaz. Pese embora continue a evidenciar alguma dificuldade na definição das jogadas, é neste momento um jogador absolutamente indiscutível da nossa equipa. Marcou um golo, tentou dar a marcar, correu como um doido (aparentemente só sabe correr assim), e faz brilhar ainda mais os laterais do seu lado, com os quais combina bem (Alex Sandro, por exemplo, consegue dar muito mais à equipa ofensivamente com Tello do que com Brahimi).

Danilo - 93 minutos, 4-0 no marcador e este jovem rouba uma bola, corre meio-campo como um como se a Humanidade dependesse daquele momento, e produz um obra de arte sob a forma de um missíl. De pé esquerdo. Um jogador que não sabe o que é jogar "a brincar". Espero sinceramente que o gajo atrás de mim que disse "Este Danilo hoje não acerta uma...", tenha ficado no Estádio até ao fim, tenha visto o golo monumental do brasileiro, e tenha tido uma cólica intestinal violenta naquele preciso momento.

Óliver - Já o pedi no jogo anterior, e estou disposto a fazer a primeira contribuição para a colecta: comecem a juntar trocos para manter este génio aqui. Não nos equivoquemos: Óliver tem tudo para ser um jogador de topo. Topo mesmo! Topo, numa escala de Pirlo a Iniesta. 

Entrada em jogo - Repito: absolutamente demolidores aqueles primeiros 10 minutos. Juro que vi jogadores adversários agarrados às canetas logo naquela fase. Uma entrada "mandona", como quem diz "Esta é a NOSSA casa, por isso, saínde da frente !!!". 

Lopetegui a ir ao banco - um treinador que olha para o campo, vê o que a equipa necessita, não tem medo de retirar Brahimi do jogo, e com duas substituições volta a ganhar o comando da partida. Não vale nada, pois não?

A ânsia por mais  - Já tinha saudades de ter uma equipa que, com um jogo já arrumado, quisesse marcar mais e mais... 2 anos de controlo soporífero do jogo, ali a segurar o 1-0 com unhas e dentes, seguido dum ano de descontrolo total e agora uma equipa que, não só nunca desiste quando as coisas correm mal, como quando as coisas já correm bastante bem. Aprecio esta atitude.

Qualidade dos golos -  Todos de difícil execução técnica e todos de belo recorte. Destaco a assistência brilhante de Quintero para a recepção e finalização de classe de Óliver e aquele momento de magia que nos proporcionou Danilo. Até o "chouriço" do golo do Alex Sandro foi marcado de calcanhar!

Diego Lopes - por momentos pensei que houvesse 3 Diegos Lopes na equipa do Rio Ave. Deixou-me água na boca este jogador (já tinha deixado antes, quando vi o jogo deles na Roménia para a Liga Europa).


(-) Negativo

Jogo sem bola - Os jogadores adversários têm a bola na defesa e todos os nossos jogadores estão posicionados de forma a que não haja linhas de passe dentro do nosso bloco. Porque caralho há de alguém sair à maluca, correr 30 metros em sprint, sabendo que vai desposicionar todo um sector com a brincadeira e NUNCA na vida vai conseguir ficar com aquela bola? Porquê fazermos a pressão de forma tão atabalhoada em algumas alturas do jogo? Porquê tantas faltas desnecessárias e tantas abordagens erradas aos lances em determinadas fases? A pressão tem de ser organizada e sempre, sempre, colectiva! Muito trabalho que ainda temos pela frente neste capítulo, principalmente porque já nos vi fazer melhor, e porque teremos adversários que vão exigir muito mais de nós na transição defensiva.

Indi e Casemiro "à bica" - Se fosse a Lopetegui, no próximo jogo, não os punha em campo. Tenho a certeza absoluta que, ou jogam de mãos e pernas atadas, ou não estarão em campo contra o Benfica na jornada seguinte. 

Herrera e Brahimi - Nesta altura parece-me que pagam o a factura da fadiga que vêm acumulando. Herrera corre aos 12 km por jogo e isso acaba por cansar. Brahimi não correrá tanto, mas está sempre ligado à corrente, sempre com a função de desequilibrar em TODOS os jogos. Contra o Shakhtar, por favor, nem os quero ver no banco. Mandem-nos para banhos e massagens, mas por favor dêem-lhes algum descanso. Porque muito talento sem oxigénio a chegar ao cérebro, não resulta.

Resultado justo, ponto final.  Retiremos o "golo" de Alex Sandro da Equação. Conto 8 ou 9 remates com bastante perigo, 3 belíssimas intervenções de Cássio, e 4 golos marcados. Do outro lado conto 2. Não entendo como há quem possa dizer que foi muito exagerado! 5 vezes mais lances de golo iminente do que o adversário e é exagerado? Porquê? Porque o adversário subiu uns metros no terreno? Golos a partir dos 80' já não contam para a análise do jogo? Digam isso ao Kelvin...



Deixo para último a melhor parte do jogo de ontem. A convite do nosso mais fiel "seguidor", leitor, comentador, agora também blogger (um excelente blogger, por sinal), e amigo Jorge Vassalo do Porto Universal,  desloquei-me ontem um pouco mais cedo para o Estádio com a singela promessa de "trocarmos um abraço". Registo aqui que, embora a vontade fosse mútua (e deva ser alargada, da minha parte ao Miguel Lima do Tomo II, também um nosso fiel seguidor e amigo e igualmente brilhante blogger, e ao incontornável Vila Pouca do Dragão Até à Morte, que é um blog de referência para todos os portistas e que me abriu as portas deste maravilhoso mundo), foi pela mão do Jorge que tudo se processou. Obviamente que nestas vidas blogosféricas partilha-se ideias, emoções, conforta-se amarguras, e um abraço só não chega para poder prestar in loco a nossa homenagem a quem acaba por estar "aqui ao lado" quase todos os dias. Foi 1h15 (nem contei o tempo, mas confio na palavra do Jorge) que passou demasiado rápido, mas que representou para mim tudo aquilo que, ao fim e ao cabo, nos faz querer pertencer à "família portista e bluegosférica": o sentimento de pertença, de partilha, de amizade e de portismo incondicional. 

Deixo aqui um especial agradecimento ao Jorge, tão afável e bom conversador como sempre desconfiei que fosse, e ao Nuno, um seu amigo que connosco partilhou aquele bom bocado. 

Uma experiência a repetir, sem dúvida alguma!