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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Liga Sagres - Moreirense vs Porto


Começa a ficar complicado compreender as oscilações deste nosso Porto, especialmente em jogos fora de portas. É igualmente preocupante conseguir descortinar como pode ser tão complicado, para uma equipa com tão bons intérpretes, passar 45 minutos a depender de livres e dum chutão para a frente (que Osvaldo dominou de forma impossível), para criar perigo para a baliza dum adversário fraco. Fraco, não. Fraquíssimo.

E não, não é da escolha dos intervenientes. Temos um plantel com capacidade para fazer 3 ou 4 "onzes" diferentes, colocar ainda jogadores da equipa B, e ainda assim ser capazes de ganhar a 90% das equipas do nosso fraco campeonato. Assumamos isso duma vez por todas. 

Ora, esta gritante incapacidade de gerar perigo contra equipas deste calibre e, pior, de gerir uma vantagem contra uma equipa que apresenta tão poucos argumentos, tem de ser motivo para alarme. Neste momento, a equipa do Porto não oferece segurança, garantias, em nenhum jogo, porque nunca sabemos que face vamos ter.

Pior do que isto tudo, só a ironia de termos concedido pelo menos 2 ocasiões claríssimas de golo (que, efectivamente deram golo) e criado quase o mesmo número de ocasiões claras, tendo 70% e uns trocos de posse de bola. O que é que andamos a fazer á puta da bola durante tanto puto de tanto tempo, pá???

Assim, senhores, não vamos lá. Porque os Campeonatos ganham-se contra os Moreirenses e Boavistas desta vida (em casa e, principalmente fora).

(+) Positivo 

Osvaldo - Na primeira oportunidade como titular, demonstrou que é um jogador de qualidade. Bem na forma como recebe, segura, e solta a bola, quase sempre com critério, quase sempre com belas execuções técnicas. Quase conseguiu transformar um estapafúrdio "passe" longo num belíssimo golo, mas foi pelo que ofereceu aos colegas que se destacou. Como não me acredito que um avançado viva exclusivamente de golos, penso que podemos estar tranquilos quanto à substituição de Aboubakar, quando tal seja necessário.


1º golo do Moreirense - O maior atestado de "incompetência" à irritante previsibilidade do nosso jogo. Bastou aos cónegos uma simples tabela, com 2 jogadores contra 3 ou 4 do Porto, para conseguirem uma situação de 1x0, daquelas de golo fácil. Tabelar, utilizando o corredor central. Terão Miguel Leal e Iuri Medeiros descoberto a pólvora? Não, não. é tão simples, tão básico, que até a merda do Moreirense consegue marcar um golo num lance destes. Nós... Lá chegaremos, quando decidirmos que andar a virar flanco a cada 2 toques é capaz de não criar grandes vantagens em lado algum.

Combatividade e Risco - Tenho lido por aí críticas ao empenho dos nossos jogadores e, francamente, não consigo compreender essa corrente de pensamento. Não me pareceu, em momento algum, que tenha sido por falta de empenho que as vantagens se esfumaram. Houve alturas em que a equipa sufucou, apertou, correu, tentou, arriscou, e acabou por ser premiada com um golo. Pena que a capacidade de "pensar" (por falta de oxigénio em muitas cabeças ou por ordens de Lopetegui?) se tenha esfumado neste período e tenha faltado nos últimos 10 minutos. E aqui, há que dizê-lo, Lopetegui esteve bem, arriscando tudo o que podia, dando ainda assim algum fio lógico às opções. E foi a colocação de Corona entre-linhas que foi decisiva para o golo. E foi também o único período em que Corona fez algo de positivo no jogo. E porquê? Porque quando a bola caía na zona central do terreno (aquela puta daquela zona que Lopetegui parece querer riscar do jogo, porque jogar com toda a gente bem colada à linha é que é fixe), Corona estava invariavelmente sozinho, e com Aboubakar e Osvaldo a confundir marcações, laterais a dar apoios interiores e extremos mais abertos, o mexicano tinha bastante tempo para chamar a si algum adversário e colocar num colega melhor posicionado. E foi aqui que se construíram as melhores situações de ataque, porque todas elas ficaram próximas de nos proporcionar finalizações mais fáceis (como as duas de Corona, em que uma deu golo). E agora fica a questão: porque ca-ra-lho não jogamos mais vezes pelo corredor central? Será que Lopetegui percebe as coisas boas que isso traz, quando é ele próprio a colocá-las em prática no decorrer do jogo? Ou será tudo isto aleatório e afinal o objectivo era jogarmos sempre pelas alas?


(-) Negativo 

As variações de flanco de Maicon - "Têm que acabar. É irritante, frustrante, desesperante. Perdas de bola (e posse) com estas brincadeiras. ATENÇÃO, não é por manter a posse ou deixar de a manter. Eu sou adepto da máxima "está apertado, joga pra fora". Bola para fora do estádio se for preciso. Agora, eu tive oportunidade de rever o jogo e contei 9 (!!!!) momentos em que Maicon se vê com bola, TEM várias possibilidades de passe curto perto de si, e decide agredir a bola em direcção a Brahimi que muitas vezes não as consegue receber nas melhores condições porque "surprise surprise" não é fácil receber um pedaço de betão a 500 km/h com os pés. Irrita os adeptos, enerva os jogadores, estraga ataques. Não tem sentido para mim." -  foram as palavras do v.a.s.c.o.  na última crónica. Qualquer semelhança, é pura coincidência...

Corona na 1ª parte - Zero. Pior do que Varela nos piores dias à Varela.

Podemos jogar sem balizas - Na 1ª parte, tirando uma paragem cerebral de Marcano logo aos 30 segundos, um livre de Maicon e um remate de Osvaldo, foi um festival de passes. Uau. Passe para aqui e para ali. Espectáculo. Bola está na esquerda, tenta-se combinação entre 3 jogadores, se não der volta para o central, reza-se para que Maicon não a espete logo num míssil na direcção de alguém e bola no outro flanco. Bola na direita, tenta-se combinação entre 3 jogadores, se não der volta para o central, reza-se para que Maicon não a espete logo num míssil na direcção de alguém e bola no outro flanco. Isto em loop, durante 45 longos e easperantes minutos. Ah, fosse isto o jogo dos 10 passes e ao intervalo já goleávamos caralho...

Últimos 10 minutos - Passamos 80 minutos a manter o adversário afastado da nossa área, salvo uma ecepcção, controlando o jogo sempre no meio-campo ofensivo. Finalmente marcámos um golo e reorganizamos posições. E depois? Segurar a bola, para impedir que aquela equipa de coxos consiga sequer sonhar em chegar à nossa baliza? Nããã... Começa um disparate de tremedeira, de chutão sem nexo, de descontrolo, em que acabámos encostados às cordas por uma das piores equipas da Liga Sagres. Absolutamente ridículo e, não me fodam, culpo Lopetegui por este descontrolo. 

E feedback positivo? - Comecei por gostar da atitude enérgica de Lopetegui. Gosto de um treinador ali no meio-termo entre a calma de Jesualdo e a energia do Traidor Ruivinho do Zenit. Neste momento, Lopetegui é uma caricatura no banco. Tudo é passado aos berros, tudo funciona aos berros, tudo trabalha a "hostias" e "putas madres" e, sinceramente, não penso que isso esteja a funcionar. Uma vez por outra não seria mau ver ali um claro feedback positivo. Seria sinal de que, espantem-se, os jogadores estão mesmo a entender aquilo que o treinador quer. E numa grande maioria das vezes, não é essa a ideia que passa no meio de tanta berraria. 

As desculpas - A relva estava alta, o árbitro não marcou falta, o adversário foi eficaz, tivemos azar, atacamos como uns malucos, a bola era redonda, o estádio era pequeno, fazia um frio do caralho, estava muito abafado, os outros tinham todos duas pernas, a bola era oval... yada, yada, yada... Desculpas, desculpas, desculpas. E no fim, 1 pontareco, contra o colossal Moreirense.




No fim disto tudo, o Sporting empata, o Benfica "esmaga" num jogo absolutamente deslumbrante de futebol e continuamos em 1º. Pelo menos, até ao próximo jogo fora. Aí... pode cair para qualquer lado. 

Sim, é esta a confiança que sinto na nossa equipa neste momento.

Venha o Chelsea, que ao menos é em casa (e, vi-o este fim-de-semana com os próprios olhos, não joga a real ponta dum real corno)!


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Liga Sagres - Porto vs Estoril



Mau, péssimo, terrível jogo do F.C.Porto, onde pouco mais se salvou do que os 3 pontos. Jogo atabalhoado, carregado de péssimas execuções técnicas e de igualmente péssimos comportamentos tácticos, que me deixam um pouco de pé atrás face ao crescimento que pareceu haver no final da pré-temporada/1ª jornada do campeonato.

E para isso, muito contribuiu Lopetegui, que a partir da parte final da época passada me começou a deixar um pouco desanimado, pela insistência em algumas decisões que só na sua cabeça parecem surtir efeito.

Ora, neste jogo, a alteração táctica tão pedida pela massa adepta surgiu; uma inversão do triângulo do meio-campo, deixando Danilo e Imbula com funções de médios de transição, e Brahimi com maior liberdade para jogar entre linhas, ao fim e ao cabo mais próximo dos locais onde pode criar perigo. Devo desde já dizer que, ao contrário do que muitos apregoam, não estou de acordo que a disposição táctica seja o nosso grande problema; o busílis da questão está, sobretudo, nas péssimas dinâmicas colectivas, que emperram o modelo, e na fraca qualidade técnica de alguns dos intervenientes. Se a isso somarmos exibições desastradas de alguns jogadores, e uma incompreensível quebra física geral por volta dos 70 minutos de jogo, e temos tudo para que o jogo corra mal.

Ora, neste 4-2-3-1, o grande problema não foi a disposição das pedras (tal como o 4-3-3 não o havia sido na Madeira), mas sim a forma como se moviam, especialmente sem bola.

Danilo e Imbula, por exemplo, atropelaram-se por diversas vezes durante o jogo (quer em 4-2-3-1, quer em 4-3-3), e a forma como a transição defensiva funcionou para os dois foi absolutamente desastrosa. Obviamente que o inacreditável espaço entre a linha avançada e a linha média não ajudou absolutamente nada. Invariavelmente, a equipa do Estoril trabalhava a bola num dos flancos, e invariavelmente Danilo e Imbula iam na cantiga, aparecendo quase sempre 2x1 no flanco contrário, com a bola a ser confortavelmente conduzida pelo corredor central. E safou-nos o facto do melhor jogador do Estoril em termos técnicos (Bruno César) parecer um texugo, para que não houvesse estragos mais sérios durante os primeiros 60/65 minutos.

Em transição ofensiva, e na saída de bola, sempre um espaço enorme entre o portador e os colegas, que quase sempre procuravam dar linha de passe encostados à linha, aparecendo só Brahimi e, a espaços, Aboubakar, para dar apoio no corredor central. Ora, se a bola caía em Brahimi, por exemplo, este tinha sempre de temporizaaaaaaaaaar, ir retirando adversários da frente e aguardar (em vão) pelo aparecimento dos extremos em ruptura, ou até mesmo dos médios, que pareciam amarrados um ao outro e confinados a 10/15 metros de terreno.

Ok, pode parecer picuínhas estar a fazer este tipo de análise, mas a verdade é que na primeira vez que conseguimos criar um movimento em que a bola caiu no corredor central depois de se fixar um pouco o lado esquerdo da defesa do Estoril, deu golo, e deu um golo fácil. Facílimo! E ao fim e ao cabo, o futebol é muito isso; criar uma vantagem para que quem finaliza tenha 99% de probabilidades de marcar. Ocasionalmente, enfiar um petardo a 40m da baliza (nada contra!), ou esperar pelo milagre dum golo de livre ou, Deus nos livre, de canto, mas sempre que possível deixar alguém na zona central com uma finalização fácil.

Como tal, o único lance de real perigo da primeira parte, e possivelmente do jogo todo, serve precisamente para explicar como deve funcionar qualquer modelo táctico, e traz-nos a verdadeira razão para termos feito as exibições de merda que fizemos nas duas últimas jornadas. Em casa, com o Estoril, que já a temporada tinha iniciado para metade das equipas e nem sabia muito bem quem seria o treinador, concedemos mais jogadas de real perigo do que as que criámos. E isto vai resultar uma ou duas vezes, mas nao resultará muitas mais, acreditem.

Andiemo para les notis (como dizem os italianos)

(+) Positivo


Brahimi - Brahimi não se "agarra" demasiado à bola porque gosta muito de driblar 500 jogadores. Brahimi agarra-se à bola porque o lateral do seu lado (neste jogo, pelo menos) tem a velocidade duma orca paralítica e a aptência ofensiva duma formiga com esclerose; porque os médios estão lá atrás, encostadinhos aos centrais, e porque os dois extremos paraciam a versão Merdas do Rei Midas, tamanha a quantidade de jogadas promissoras que transformaram em cagalhotos. Brahimi é, neste momento (a par de Evandro, ou Rúben Neves que... não jogam) dos poucos jogadores do Porto capaz de receber e rodar sem ter de dar 5 passos para trás. Dos poucos capazes de fixar jogadores e soltar em colegas melhor posicionados. Capaz de jogar sem bola e dar linhas interiores de passe. O único! Nem Danilo, nem Imbula, nem Herrera (nem que nasça 300 vezes), nem André André... Nada! Dantes, ainda havia Óliver. Agora... 

Maxi Pereira - Não, não está aqui porque é muito raçudo e porque corre muito. Tudo isso já sabemos que faz, e faz bem. E não é nhnum portento de técnica, muito menos de táctica. Cumpre, sim, mas também causa calafrios. Mas está na génese do primeiro golo. Porque ousou subir no terreno e, vendo a desmarcação de Brahimi pelo corredor central, meteu-lhe a bola no FILHO DA PUTA DO SÍTIO CERTO. Nem 2 metros à frente, nem 2 metros atrás ou ao lado. Deu golo. 

Osvaldo - Se no jogo anterior poderia ter visto vermelho na primeira acção que protagonizou no jogo, deixando laivos de Quaresmice no ar, desta feita entrou com outra disposição. E, Aboubakar me perdoe, mostrou mais e melhor em 10 minutos do que Aboubakar no resto do jogo. Tudo porque foi capaz de jogar de primeira em duas situações, criando avenidas de espaço para dois colegas (Tello e Herrera). Em 10 minutos, é certo que com o jogo já partido, teve um remate perigoso à meia-volta e esteve nos 3 ou 4 lances que criaram situações de 4x4 que Herrera ou Tello destruíram.


Estoril - Muito bem tacticamente durante o jogo quase todo. Gosto deste tipo de treinador que joga para discutir o jogo em qualquer campo. Foi bom ver uma equipa a jogar algum futebol nesta tarde de Sábado. Pena não terem sido os de azul-e-branco.


(-) Negativo

Herrera - Não é perseguição, acreditem. 4 jogadas de 4x4 perdidas, com péssimas decisões do mexicano. No golo mal anulado, demora uma eternidade a definir e acaba por atirar contra as pernas do defesa. Um bom domínio de bola, um passe simples bem feito... Sei lá, qualquer coisa! Só pedia isto... 

O duplo pivot - Estático, mal posicionado, jogadores a ocupar a mesma posição... Há ali muito trabalho pela frente e, principalmente, é preciso dar asas a Imbula. O médio francês deixa sempre boas indicações, porque recebe, roda e ultrapassa pernas de adversários com uma facilidade incrível. O problema é que depois parece que do banco recebe choques eléctricos por ter ousado criar uma vantagem na zona central e lá sai o passe lateral do costume. Ah, e Danilo, forte, possante, bom moço e tudo... Não consegue fazer um passe curto em que não pareça estar a ter uma crise convulsiva. Graças a Deus, faz poucos passes longos.

Indi na lateral - Sinceramente, não compreendi, e estou um bocado fodido - pardon my french - com esta palhaçada. Indi é central, e poderá ser lateral se todos os laterais esquerdos das equipas A e B falecerem. Mesmo assim, haverá algum nos juniores ou juvenis para fazer o lugar. Já não se usa laterais assim no futebol moderno, muito menos no F.C.Porto, muito menos em casa, muito menos contra o Estoril. Para que veio Ángel? Para que veio Cissokho? Num modelo que pede imenso jogo ofensivo aos laterais, principalmente ao lateral esquerdo, que precisa de dar mais profundidade aproveitando o jogo interior de Brahimi, coloca-se o mais lento, mais defensivo das nossas possibilidades. Atenção, não estou a colocar em causa Indi, mas sim a opção tomada.

Lopetegui - Se ganhássemos jogos pelas ideias de jogo, seria espectacular. Parece-me mesmo que a ideia de jogo de Lopetegui terá coisas fantásticas. E no ano passado, essa ideia de jogo funcionou bem muitas vezes (embora, por vezes, tenha funcionado de forma péssima). Depois de algum crescimento nos jogos de pré-época, sinto que demos dois passos atrás. E passo a explicar. Se Imbula estava tão preso, era porque de cada vez que ousava avançar e não era devidamente compensado por Danilo, levava reprimenda. Porque razão aparecem os extremos constantemente colados à linha, com zero movimentos de ruptura? Porque razão não há mais do que tentativas esporádicas para jogar por dentro, quando quase sempre isso dá golo? São os jogadores que não gostam? Ou será ordem de Lope? Porque razão não jogam os nossos melhores médios, Rúben e Evandro? Porque razão temos dois laterais esquerdos que não foram vendidos ou emprestados, mas que são (ao que parece), piores do que Indi? Porque razão jogamos com um lateral defensivo quando o nosso modelo (seja em 4-2-3-1, seja em 4-3-3, pede laterais ofensivos?

Eu gosto de Lopetegui, gosto que tenha as suas ideias e que tenha trazido uma lufada de ar fresco ao nosso futebol depois dum ano miserável como o de Paulo Fonseca. Mas começo a perder um pouco a paciência com estas pequenas coisas. Pequenas coisas que fazem a diferença. Detalhes que ganham títulos. E foda-se, tenhamos coragem para assumir que somos o principal candidato ao título, sem que isso tenha de fazer parte duma qualquer conspiração dos media para nos pressionar. Pressão? Mas somos Homens ou somos Catraios pá? Que merda é esta!

#tudonossonadadeles #vamosportocaralho #semigual

Tudo muito bonito, tudo espectacular. Mas numa época em que o principal rival está mais fraco, e o outro rival demora algum tempo a começar a carburar, não me interessa andar aqui a falar de #colinhos e de equipas novas, de que é preciso tempo, etc, etc.

As coisas são como são, há que tê-los bem no sítio e que ser competente para ganhar troféus.

Para mim, este ano, é #SEMDESCULPAS.

Lope, é sem desculpas caralho!

Oupa!


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Liga Sagres - Porto vs Vitória S.C.

Finalmente!


Finalmente a bola rolou a sério no impecável relvado do "nosso" Dragão, e os artistas tiveram a palavra. Finalmente terminou este "defeso" empolgante, histérico, absurdo, estranho, fantástico que, como é habitual, deixou a massa adepta portista dividida em dois grupos: os eternos "velhos do Restelo", de súbito transformados em grandes sumidades das áreas da Economia e do Alto Rendimento em Futebol, críticos de todo e qualquer investimento por nós feito, e de toda e qualquer venda por nós somada, teimando em querer terminar à força o ciclo pejado de vitórias de Pinto da Costa e Antero Henriques; do outro lado, a facção mais entusiasta, para quem o campeonato já se tornou numa formalidade, tamanha a qualidade suprema que temos à disposição. 
Como nunca fui fã de extremismos, e não morro de amores pelo 8 ou pelo 80 (talvez por sempre ter tido dificuldades em escrever o 8 à mão), a minha pre-época foi passada a rir à gargalhada com a quantidade avassaladora de idiotices que se foi escrevendo por aí, tanto em posts como em comentários. No fundo, consigo compreender. Há fome de títulos e, quando tal acontece, a lucidez esfuma-se e as hormonas entram em polvorosa.

A época começou mal para os meus lados. Por motivos familiares, acabei por dar entrada no Estádio com o jogo a decorrer - coisa que terá acontecido uma vez em toda a minha vida, e foi por culpa do meu avô que tinha deixado os cartões de sócio em casa - e foi por pura sorte que vi, de joelhos no chão para não ser chacinado pela fila que tentava atravessar, o primeiro golo desta época.

O jogo transmitiu-me boas sensações, tal como alguns dos jogos da pre-época o fizeram, na medida em que me pareceu haver uma tentativa da parte de Lopetegui para corrigir alguns dos problemas que afectaram alguns dos nossos jogos na época transacta. Mais jogo interior, ainda que o uso das alas continue a ser o caminho preferido para os desequilíbrios; os nossos 8 a aparecerem com mais regularidade em zonas de finalização e entre linhas; uma melhor reacção á perda da bola e de forma mais organizada (embora não tão compacta como acho que poderia e deveria ser); trabalho de casa nas bolas paradas ofensivas; redução das oportunidades clarasde golo do adversário a 0; faltas tácticas em catadupa sempre que alguém da formação contrária ousava sequer pensar em criar um desequilibrio. 

Foi o primeiro jogo da época, contra um adversário que - sejamos honestos - procura ainda descobrir uma identidade (ou não tivesse sido goleado há pouco tempo, em casa, por uma equipa pouco mais do que fraca), mas as sensações foram boas. Nesta fase, mais importante do que produzir ópera, é ir ganhando, porque um início de temporada construido sobre vitórias pode ser muito mais importante do que deslumbrar em todos os jogos.

É também bom que os rapazes vão ganhando mas que não embandeirem em arco. Que Imbula perceba que tem imenso por onde melhorar, que Danilo comece a perceber melhor os posicionamentos defensivos, que Aboubakar continue a trabalhar como um touro, que Maxi e Varela continuem a emprestar eperiência à equipa e que alguém espete 4 tabefes no Herrera sempre que ele fizer asneiras.

(+) Positivo


A importância de ter um GR que saiba jogar com os pés - Uma afirmação válida para Casillas ou para Helton (não conheço tão bem Gudiño). Se repararem com atenção, o nosso início de construção modificou imenso do início do ano passado para o início deste ano. Centrais abertos com o jogador 6 a baixar, e os laterais bem subidos. Obviamente, tal não será alheio ao facto de termos na baliza dois GR que funcionam muito bem como líberos. É na velocidade com que a bola sai daquela zona, e se ultrapassa a primeira fase de pressão adversária que se nota uma grande melhoria em relação ao ano passado. Ah e, foda-se, era o Casillas na nossa baliza. O Casillas!! Foda-se!

Maxi Pereira/Varela - Vou agora dizer algo que poderá ser muuuuito polémico: ter uma ala direita formada por Maxi e Varela dá-me mais conforto do que se fosse formada por Danilo e Quaresma. E o tempo, estou certo, dar-me-à razão. E porquê? Danilo é um excelente jogador e Quaresma um excelente artista. Tacticamente, o primeiro tinha de passar o jogo todo ao "sabor" das pinceladas do outro. Varela e Maxi têm um grande defeito, que é ao mesmo tempo uma qualidade. São limitados, mas sabem-no melhor do que ninguém. Como tal, colectivamente, dão um equilibrio muito maior ao jogo do Porto. Quando Varela começar a escorregar a cada drible que tentar fazer, e quando Maxi levar o seu inevitável cartão vermelho, decerto muitos irão pedir cabeças, chamar-lhes-âo velhos, dirão que um é lampião infiltrado e caceteiro e o outro estava bem era no Parma. Mas enquanto os temos ali, olhem com atenção. Vejam bem a forma como Varela fecha por dentro quando a bola está no outro corredor, e a forma como isso aproxima a equipa e nos deixa melhor colocados para recuperar a bola. Ou como Maxi apoia o ataque, quase sempre sem perdas de bola perigosas e com a intenção clara de dar apoios aos colegas. Vejam bem aquele último golo e digam se não concordam. Muito honestamente, que se foda de onde vêm um e outro. Se se baterem sempre assim pelo meu símbolo, tanto melhor.

Aboubakar - De repente, uma bofetada de luva branca mesmo no meio do meu focinho, que é para aprender a não ser impaciente. Num ápice, toda uma alteração no comportamento táctico e técnico deste rapaz, como se nos quisesse dar oe melhor de dois mundos: por um lado, a capacidade de jogar entre linhas, de receber, rodar, fixar e dar a bola a um colega (como naquela assistência primorosa desperdiçada estupidamente por Herrera); por outro lado, a força, o ímpeto, a aceleração, a capacidade de choque, e o violento remate. Sem entrar em grandes euforias, porque ainda me lembro da época em que Maazou marcou um hat-trick no primeiro jogo e assim ficou até... ao final da época, foi um assombro ver o bom do Bouba a jogar. Desejo que tal se mantenha, e que haja sempre paciência para os nossos avançados. Incluo também Osvaldo e André Silva neste pacote. Cada vez mais, no futebol moderno, um avançado é um jogador de equipa, que aparece mais vezes em zona de finalização, ao invés do "matador". Agora, não me venham com merdas: ele não tem 22 ou 23 anos. Nem eu, com quase 30, tenho tantas rugas pá...


(-) Negativo

Herrera - eu e o v.a.s.c.o. não gostamos do Herrera. Ponto final. Não é nada pessoal porém. Meramente uma constatação de factos. Herrera tem 4 pulmões e 3 pares de pernas. Herrera parece-me ser um gajo porreiro, que empresta a casa para churrascadas. Será capaz de fazer umas coisas interessantes de vez em quando, porque foda-se, ás vezes lá calha bem. Mas é, na minha perspectiva, um jogador perfeitamente banal. Porque decide muitas vezes mal, estragando um sem número de jogadas de potencial perigo, ou porque por vezes e incapaz de fazer um passe de 3 metros sem parecer que está a tentar agredir o pé do colega de equipa com a bola, mas principalmente porque NÃO SABE POSICIONAR-SE! Não sabe malta! Passa o tempo todo perdido, ora escondendo-se quando deveria dar linha de passe, ora pressionando o jogador errado e abrindo crateras na nossa transição defensiva. Se Herrera corre muito, também é verdade que corre mal. E nestas coisas dos desportos colectivos com bola, correr muito é tão espectacular como ter boa voz e trabalhar numa carpintaria. Essencialmente, deve correr-se bem, ocupar bem os espaços porque quem deve correr muito e, se possível, de forma veloz, deve ser a bola. Ainda assim, acreditem que aprecio o esforço do nosso atleta com menos tempo de descanso desde o final da época passada. Mas, falando a sério, não perderemos qualidade se o vendermos. 

Alex Sandro - antes que me batam, este (-) que aqui está, prende-se com duas razões essenciais: a primeira, fortíssima e totalmente lógica será, porque me apetece. Apetece-me. Ponto. A segunda é porque, ao fim de 3/4 épocas de Alex Sandro no Porto, já enjoa tanta puta de tanta vez que este soneca é "comido" nas costas por estar desatento. De resto, uma jóia de moço. Quando faz estas estupidezes, era colocà-lo a apanhar o sabonete à frente do Danilo, do Imbula e do Cissokho, a ver se ele não aprendia a estar atento ao espaço nas costas...

Idiotice do Público - estou a cagar-me para o que se possa dizer por aí: quem vai a um Estádio de futebol, para ver a sua equipa jogar, e ao fim de 10 minutos dedica uma monumental assobiadela a um jogador que já não é um portento de técnica e que praticamente está a fazer duas temporadas seguidas, por causa dum mau domínio, é idiota. É um perfeito e magnífico idiota. É gente estúpida, que não percebe bolha de desporto, que não faz ideia do que significa estar ali e errar. Não comprendo, nunca vou compreender, ou sequer aceitar, que se assobie um jogador da própria equipa. É mentalidade de gentinha. Comigo essa não cola. Não gosta, fica em casa. Finito!


Primeiro jogo, primeiros três pontos. Primeira jornada, primeiros casos graves de arbitragem. Graças a Deus, nenhum deles teve influência no decorrer das partidas em que ocorreram, Era o que mais faltava, depois de um ano de tanta isenção e de verdade desportiva, termos um campeonato manchado com erros de arbitragem grosseiros, sempre a favor dos mesmos. Deus nos livre. Irony Mode: Off. 

Para a semana, é preciso matar o borrego. É preciso chegar á Madeira e ganhar, ganhar, ganhar! Por meio a zero, não interessa. Se ganharmos, com tudo o que as idas ao arquipélago significaram na época passada, é uma vitória que vale bem mais do que 3 pontos. Se não ganharmos... Vai chover xóriças, como dizia a outra...


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lopetegui deve ficar, mas...


Sou, desde o primeiro dia, defensor de Lopetegui. Gosto do seu espírito guerreiro no banco, enérgico e interventivo, exigente e sempre ligado ao jogo. Concedo que tenha errado no decorrer desta época, quer nas escolhas para alguns jogos (onde por vezes acabou por não ter sucesso, mesmo que não tenha sido por culpa directa das suas escolhas), quer na parte táctica colectiva. Chegámos ao final da época e alguns defeitos, como a fraca acutilância ofensiva, da quase nula utilização do corredor central e da miséria que são as nossas bolas paradas ofensivas, mantêm-se. Revelámos também alguma incapacidade para responder com determinação em jogos decisivos e, pior, deixou-me angustiado a incapacidade que temos revelado em conseguir protagonizar reviravoltas - mesmo que essa característica não seja recente. E, nestas coisas, a responsabilidade do treinador é sempre elevada (porque tudo se pode treinar, e tudo faz parte duma filosofia global de jogo). Por outro lado, comparando esta temporada à anterior, tudo mudou para melhor. Menos golos sofridos e mais golos marcados. Uma percentagem de vitórias e um número total de pontos (comparando com os possíveis de fazer, independentemente das 30 ou 34 jornadas) superior. Uma belíssima e meritória campanha europeia (coisa que, em termos de Champions, não tínhamos desde Jesualdo Ferreira) e a recuperação total de activos importantes que se "arrastaram durante grande parte a temporada passada (Danilo, Alex Sandro ou Maicon, por exemplo). Até Herrera fez jogos bons este ano!

Por tudo isto, e tendo em conta algumas atenuantes (que existem, não são inventadas, nem sequer podem ser consideradas desculpas), como a juventude do plantel, a imensidão de novos jogadores, a própria inexperiência de Julen neste tipo de trabalho como treinador principal duma equipa como o F.C.Porto, penso que a continuidade do basco não deve ser posta em causa. Lopetegui pode fazer melhor e, estou convicto, vai fazê-lo. E fazer melhor significa, essencialmente, ser campeão. Deixemo-nos de merdas: se a época tivesse terminado com eliminações precoces em todas as competições e com o título de campeão no bolso, todo o discurso da nação portista estaria a ser diferente. E sabem a que distãncia ficaremos (provavelmente) desse objectivo findo o campeonato? 3 pontos! 3 míseros pontos! Acredito portanto que Lopetegui é o homem certo para que possamos estar todos felizes, em paz, vitoriosos no final da próxima época.

Acontece que no título há um "mas...", e isso traz consigo uma crítica: os timings da sua comunicação.

Lopetegui foi-nos mostrando ao longo da época que tem um carácter forte, que comunica bem (de um modo geral) e que não deixa nenhum "chico-esperto" sem resposta. No final do jogo de Guimarães, por exemplo, tinha a minha total simpatia se decidisse "desfazer" a equipa de arbitragem pelo escândalo que ali se passou, em nosso claro prejuízo. Mas Lopetegui parece ter guardado grande parte das suas "balas" para a parte final da época. E, pior, Lopetegui "endureceu" bastante o seu discurso - não só pelas possíveis queixas da arbitragem, mas também na forma de abordar os jornalistas - SEMPRE que perdeu pontos. Não digo que não tivesse razão em grande parte das vezes, logicamente. Tivemos razões de queixa em alguns dos nossos jogos durante a presente época, em contraponto com o que se foi passando em alguns (demasiados) jogos do mais recente campeão nacional. Mas é preciso um bocado de lata para vir com esse discurso após um jogo como o de Belém, ou os jogos contra o Maritimo, por exemplo. E isso aconteceu durante esta época, e não me agradou nadinha. Quando a minha equipa joga mal e porcamente, e não é capaz dos "mínimos" exigidos durante 90 minutos, venho falar de arbitragens? A sério? Venho justificar péssimas exibições com as arbitragens dos jogos dos outros? Isso não era o que tanto criticávamos nos nossos rivais? Isso não soa a Calimerismo? A mim soou, e soou vezes demais nas últimas 3/4 semanas. Não gostei deste final de época dentro de campo, e detestei-o fora de campo (não só pelo que acabo de falar, como poderão constatar em posts futuros). Lopetegui pareceu-me perdido, tenso, angustiado e algumas das suas conferências de imprensa foram totalmente desnecessárias. No período de um mês, Julen desgastou de forma bastante acentuada a sua imagem, não só fora de portas como no seio dos adeptos e do seu grupo de trabalho. Um líder tem de conseguir demonstrar controlo, firmeza, elegância e determinação, independentemente dos resultados. As arbitragens acabaram a servir demasiado como forma de esconder algumas exibições demasiado pálidas e alguma incapacidade em momentos chave.  Não gostei...


Esta imagem ilustra na perfeição como deve uma estrutura com a grandeza e a classe do F.C.Porto responder a injustiças. O resto é só andarmos a encher-nos de ridículo. Fala-se uma vez, na altura certa e com a firmeza necessária. Se necessário fôr, decreta-se um"black-out". Andarmos a perder-nos com queixinhas incessantes acaba por nos colocar mais próximos do anedotário do que da Razão.

Termino com um pensamento forte, que penso que deve ser o mote para a próxima época: sem desculpas.

Na próxima época não pode haver desculpas!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Acabar Ligado às Máquinas

Depois de mais de um mês com tempo para pouco mais do que ir espreitando os espaços de que não prescindo nesta Bluegosfera, finalmente tive algum tempo para me sentar à frente do computador e escrever algumas coisas. Há muito para dizer, para analisar, para discutir, para ouvir e para ler. 

Decidi organizar tudo por tópicos que irei colocando por aqui nos próximos dias, porque gosto muito de vós e acho que ninguém merece um post com 20 páginas. :)

Vá, agora mais a sério, decidi hoje (enquanto decorre o último jogo da temporada que, infelizmente não pude ir ver nem seguir a partir de casa) escrever algo sobre os jogos que se seguiram a Munique e Bayern. Foram jogos diametralmente opostos ao período anterior, entre Dezembro/Janeiro e final de Março/início de Abril onde, em alguns jogos, o nosso futebol atingiu patamares de topo.


Os últimos jogos da época

Tenho andado ausente da Bluegosfera, por razões que já expliquei atrás, mas nunca me ausentei do portismo que orgulhosamente carrego. Como tal, mesmo não acreditando numa conjugação favorável dos astros para que conseguíssemos o (quase) impossível, acompanhei o melhor que pude os jogos do F.C.Porto pós-Luz. E parece-me que a mesma descrença que me assolava (bem como à grande maioria dos portistas) se apoderou da equipa. Exibições tristes, sem chama, sem energia, sem grande fôlego, quase numa toada de "cumprir calendário". Exibições q.b. (menos a de Belém), com quase todos os defeitos a ganharem força. Fossem os 6909233 passes errados de Herrera, os amuos de Quaresma, o futebol demasiado lento, previsível e mastigado ou as desatenções do costume no sector mais recuado, foi assim que terminámos a época. Penosa e dolorosamente, à espera que alguém fizesse o favor de desligar as máquinas. Conseguimos ser nós mesmos a desligá-las, como falarei a seguir. Um final demasiado cinzento para uma época que, a meio, ameaçou ganhar uma bonita palete de cores. 



Jogo de Belém

Cheguei a ter uma ideia sobre um possível post sobre este jogo. Seria, simplesmente, "Vão gozar com o grande e real caralho que vos foda...". Este foi, com toda a certeza, o pior jogo da época, quase tão miserável como o de Olhão na época passada -  e quando um jogo se assemelha a qualquer dos jogos da época passada, penso que fica tudo dito. Conseguiria perceber um jogo assim se o jogo do Benfica tivesse sido mais cedo, e tivesse ditado a conquista automática do título para os encarnados. Mas não foi assim! Do outro lado havia um empate, havia pressão, havia muito coração e pouca cabeça e, sobretudo, poderia haver sombras a pairar sobre o reino encarnado durante mais uma semana. No Desporto, como na vida, teremos sucessos e insucessos (e os segundos serão sempre muitos mais do que os primeiros), e a forma como lidamos com uns e outros é que dita a fibra de que somos feitos. 

"Não vamos ganhar sempre (infelizmente), poderemos não ganhar tanto como nos habituámos a ganhar, mas foda-se, para nos conseguirem derrotar vão ter de suar, sofrer, como cães!" - era isto que devia estar no sangue dos nossos rapazes. 

Vistas bem as coisas, teve mais brio cada jogador do Vitória de Guimarães na unha do dedo mindinho no pé, ao lutar bravamente para que a festa não ocorresse na sua casa do que o somatório dos nossos jogadores (titulares e banco) e de alguns elementos da nossa equipa técnica. 

Que merda foi aquela? Que miséria foi aquela? Zero jogadas de ataque! Zero de vontade de jogar! Zero de atitude competitiva! ZERO!!! 

Uma caricatura de equipa de futebol, com figurantes disfarçados de jogadores de futebol, cuja única possível associação com uma Instituição com a grandeza do F.C.Porto era o Brasão Abençoado que estava estampado nas suas camisolas. Uma vergonha!

Lamento, não há #colinhos que nos possam valer: esta exibição não foi caso único esta época e, quem joga desta forma, não merece mais.

Claro como água.





quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

sábado, 28 de março de 2015

Choupana e Bayern

Nacional vs Porto - fim dum ciclo diabólico


Começando pelo fim-de-semana passado (e que longe que já vai...), falemos um pouco do jogo na Choupana. Começando pelo óbvio: perdemos uma oportunidade de ouro para "colar" a 1 ponto do Benfica e de os colocar sob uma pressão enorme, numa altura em que o fraco futebol praticado pelos nossos adversários (especialmente em jogos fora) começa a dar sinais de se poder transformar em resultados negativos. Essencialmente, perdeu-se essa boa oportunidade, no final dum ciclo absolutamente infernal de jogos, sempre com a pressão de ter de ganhar bem presente. 

Desde a última derrota da equipa (num total de 3 nesta época, em 41 jogos oficiais), curiosamente também na Madeira, encetámos um total de 11 jogos (2 para a Chapions), com 9 vitórias e 2 empates (Basileia e Choupana), 25 golos marcados e 3 golos sofridos. Este período coincidiu com uma fase de melhoria extraordinária em termos de consolidação do modelo de jogo, de consistência exibicional, de produção ofensiva e desempenho defensivo. Tudo isto alcançado num período de sensivelmente dois meses. 

Por aqui, poderá começar a explicação para algumas das dificuldades sentidas na Choupana: a questão física. Pelo que leio por essa bluegosfera, carregada de "experts" da preparação física, táctica, financeira, etc., "não se compreende como há jogadores cansados nesta altura". Ora, numa época preparado em micro-ciclos de treino e competição, depois de um período de 11 jogos em 2 meses, muitas vezes sem tempo para grandes treinos entre cada jogo, é perfeitamente natural que tenha havido uma quebra física nos 2/3 últimos jogos (especialmente de unidades como Herrera, Casemiro ou Alex Sandro), como será perfeitamente natural que após esta paragem na competição os jogadores regressem de novo com "pernas" e "pulmão". 

Porque para sermos justos, durante a 1ª parte do jogo na Choupana - enquanto todos tiveram pernas - nunca pareceu que o jogo nos escaparia. Estacionados no meio-campo ofensivo, secando qualquer tentativa de saída em transição do adversário (como qualquer equipa de Manuel Machado gosta de fazer), tivemos o controlo absoluto do jogo. Não criámos dezenas de oportunidades de perigo, é certo, mas estávamos na frente, com toda a justiça, e nada indicava que o Nacional pudesse reagir. 
Na 2ª parte houve a tal reacção da equipa da casa, e um conjunto de decisões de Lopetegui durante o jogo que, ao contrário de 90% das vezes, não pareceram surtir o efeito desejado. Especialmente, a saída de Casemiro, que nos retirou consistência ao meio-campo, deixando-nos mais desorganizados e expostos ao jogo mais veloz e agressivo do Nacional. Após o golo do empate, aí sim, sentiu-se que a equipa procurou a vitória sem pensar na melhor forma de a obter. Faltou alguma calma, mas também alguma sorte (2 bolas nos ferros é obra), e penso que o resultado final não traduz na perfeição o "filme" dos 90 minutos.

Um empate fora, na Choupana, é um mau resultado? Digamos que é um mal menor, dadas as circunstâncias. Devíamos ter aproveitado o mau resultado dos encarnados, devíamos conseguir chegar à Luz com maior equilíbrio pontual, devíamos ter conseguido gerir melhor a vantagem no jogo. Mas não haja dúvidas que, até final da temporada, mais pontos vão ser perdidos pelos 2 da frente. 

Percebe-se que é em alguns pormenores que se nota que a equipa ainda tem potencial por lapidar, como foi dito no post anterior, mas não se duvide que numa temporada que conta já com 41 jogos, um saldo de 31 vitórias, 3 derrotas e 7 empates, num total de 92 golos marcados e 22 sofridos, tem de ser vista como uma temporada muito positiva.

Após termos feito 8/9 jogos para o Campeonato com uma pressão incrível sobre o ombros, tendo que ganhar em campos tradicionalmente difíceis como Bessa e Braga, e contra adversários complicados como o Sporting e o Basileia, ainda há quem pense que a equipa não aguenta a pressão. A sério? Não aguenta? 

E também é sempre bom perceber que há coisas que não mudam. Num espaço de horas, a bipolaridade que reina em tantas cabeças portistas (pseudo adeptos dum clube e amantes de desporto) levou a que por essas caixas de comentários dos blogues de que todos gostamos fossem espalhados insultos, atestados de incompetência, e premonições de catástrofes de dimensões bíblicas. O normal portanto! Aliás, quando tal façanha parte logo de alguns escribas (muito conhecedores do futebol e muito "independentes" nas suas análises), está tudo dito. Assim como é também normal observar que a quantidade de comentários triplica após algum desaire.

Prossegue esta animada luta pela liderança, agora com uma diferença de 3 pontos entre Porto e Benfica. E com o clássico à vista... Isto está a aquecer!



Sorteio da Champions


Sejamos honestos: as nossas hipóteses de avançar para as meias-finais da Champions League são reduzidas. Penso que todos estamos de acordo quanto à valia do FC Bayern, em todos os aspectos possíveis de avaliar. O sorteio dificilmente poderia ter sido pior, até porque teremos de jogar a 2ª mão fora de casa. 

Eu, confesso, tinha pedido Bayern ou Barcelona, porque gosto deste tipo de desafio para nós. Penso, muito honestamente, que é bem mais fácil praparar a equipa para um jogo destes (em que grande parte da pressão está do lado do adversário), do que para uma eliminatória com um Mónaco, por exemplo. Como adepto do Porto mas, sobretudo, de bom futebol, estou bastante entusiasmado para ver-nos em acção contra uma das melhores equipas do Mundo, orientada por um dos treinadores que marcou a História do Futebol e por quem nutro uma profunda admiração, com jogadores de estrondosa qualidade em qualquer posição. Estou curioso para ver como vamos adaptar-nos a jogar contra uma "máquina" de futebol de posso como a dos bávaros. E, sinceramente, espero dois jogões de futebol! 

Dizia no início que as nossas hipóteses são reduzidas. Diria o mesmo de qualquer adversário do Bayern em qualquer competição. Mas não é impossível (no Desporto essa palavra não existe) derrotar os alemães! E muito embora saiba que será difícil, acredito nos rapazes! Vi o Bayern soçobrar em casa perante um bem organizado Moenchengladbach ou em casa dum agressivo Wolfsburg e acredito que é possível batê-los.

O meu avô, que nem é nada de antecipar resultados, nem de grandes "caganças" confidenciou-me ontem que acredita piamente que vamos conseguir chegar à final... Tentei fazê-lo prometer que dançará nú pelas ruas do Porto se tal acontecer, mas não tive sucesso. Uma pena, porque apesar dos seus 83 anos, o homem está numa forma física invejável... 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Boavista vs F.C.Porto


Foto retirada do site do F.C.Porto
Odeio o Boavista com cada centímetro de alma que me é permitido utilizar para odiar outro clube. Fui atleta dessa agremiação durante 8 anos e juro, juro mesmo, que se juntássemos as claques todas de Benfica e Sporting num mesmo espaço, não íamos conseguir reunir tamanha concentração de fanatismo "anti-Porto" e "anti-Pinto da Costa" como ali. Tudo bem que derby é derby, que é natural haver ódio de estimação entre clubes da mesma cidade, mas tal não se verifica neste caso: para a maioria dos portistas, o Boavista é um clubezito que anda por aí. Também ajudaria se eles lutassem, de forma consistente (historicamente falando, é claro) por títulos, coisa que aconteceu uma vez em 100 anos. E claro que o facto de no banco estar sentado aquele carniceiro sob forma de "coisa" disfarçado de pessoa, de seu nome Armando, não ajuda a aumentar o meu amor pelos axadrezados. Eles que, curiosamente, tanto respeito e admiração possuem por quem tentou destruí-los, e tanto ódio vomitam por quem lhes tem de dar a mão de tempos a tempos para que se mantenham vivos. Juro-vos que anseio ardentemente por nova descida de divisão, e que terminem a discutir títulos com o Folgosa... e que mesmo assim, percam! Mas não quero que acabem... Quero que os "panterinhas" tenham de passar pela humilhação de passar décadas numa divisão condizente com a sua grandeza e com o seu futebol.

Vamos ao jogo!

Será sempre complicado jogar contra equipinhas destas, fechadas em 30 metros de terreno, a acertar nas canelas de tudo o que mexe (com a conivência do homem do apito, como já vem sendo costume no decorrer desta época), e sem grandes preocupações em jogar futebol. Isto, aliado a uma espécie de tapete de lama, borracha e relva sintético-natural, de fazer corar os campos das divisões distritais da Guiné-Conacri, pode tornar-se na receita para um potencial desastre.
Tal não aconteceu, muito graças à paciência com que o F.C.Porto abordou o jogo, mas tambem muito devido à entrada em campo de Brahimi e , principalmente, Tello, para o lugar dum esforçado mas inconsequente Hernâni, e dum Quintero absolutamente patético.
Valeu pela vontade férrea dos nossos rapazes em trazer dali os 3 pontos, conseguindo assim recolocar a diferença para o 3º classificado. Sim, leram bem, o 3º. Porque já há algumas jornadas que deu para perceber que, dê por onde der, o máximo a que poderemos almejar será o 2º lugar.

(+) Positivo

Quaresma - Facilmente se constata que muitas das características de Quaresma nunca vão mudar. Como quando roubou aquela bola, e decidiu partir para o remate numa situação de superioridade numérica, de 3x2. Mas nota-se um Quaresma diferente nesta altura da época. Um Quaresma que defende, que corre, pressiona, rouba bolas, joga um pouco mais simples, combina com qualquer dos laterais. Um Quaresma que não perde 100% do tempo a tentar fintas e fintinhas que raramente dão certo. E, acima de tudo, um Quaresma melhor fisicamente, mais cumpridor tacticamente. Um Quaresma mais consistente. E assim, vale a pena tê-lo em campo.

Marcano e Maicon - Facto: desde que os dois assumiram a titularidade, temos sofrido muito pouco, temos tido muito menos sobressaltos, e a nossa saída de bola (não sendo perfeita, nem sequer perto disso), ganhou segurança. Destaco Marcano, visto com a desconfiança do costume pelos "anti" que por aí pululam, fosse pela idade ou por ser espanhol, que tem vindo a revelar-se uma óptima surpresa. Como central, tem feito tudo aquilo que se pode pedir. Bom posicionamento, fortíssimo no jogo aéreo e muito seguro com os pés. Quanto a Maicon (bater três vezes na madeira), parece ter deixado de parte as suas paragens cerebrais.

Jackson - "Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!" - foi o que o v.a.s.c.o. escreveu no jogo de Basileia, e penso que se adapta ao jogo de ontem, e à grande maioria dos jogos desta época. Mais um golo, mais um jogo de combate. Muito bem!

Tello - Meia hora de qualidade do mal amado espanhol. Mais duas assistências para golo e, mais do que isso, a capacidade de "mexer" com o jogo. Tem defeitos? Muitos, ou emtão não teria saído de Barcelona para cá (mesmo que por empréstimo). Mas pode pedir-se muito mais?

Brahimi - O argelino veio "apagado" da CAN, e isso ficou bem provado em Basileia. Daí que tenha entendido que começasse no banco ontem. Mas a sua entrada para uma zona mais central foi fundamental para a vitória. E aquele golo é duma classe...

As alternativas - O facto de se ter dado minutos de jogo a diferentes jogadores em diferentes alturas da época, está a revelar-se agora de extrema importância. É certo que o jogo não foi brilhante, mas tal em nada se deveu a Ángel, Ricardo ou Rúben. Não caíram no 11 de "para-quedas". Têm minutos nas pernas, em jogos a "doer", e isso faz toda a diferença. O mesmo serve para Quintero, Evandro, Aboubakar e por aí fora. Saem 4 titulares indiscutiveis e o modelo do nosso jogo não se altera.

Lopetegui - De novo com "dedo" nos golos que nos deram a vitória. Gosto da forma como Lopetegui está "ligado" ao jogo a partir do banco, mas também da forma como percebe aquilo que o jogo pede. E se a nossa forma de jogar é em posse, devemos "morrer" agarrados à nossa identidade, por isso nada de "bombear" para a área adversária, à espera que um qualquer Maxi bloqueie um defesa, e que um Jonas domine com a mão e que um Jardel despeje um "chouriço" lá para dentro. Isso resultará 1 em cada 20 vezes. Nas outras, é preciso jogar como se sabe e como se treina. De novo, magistral na conferência de imprensa. No ano passado, Paulo Fonseca sempre foi "querido" pela CS, porque era "mansinho", porque foi incompetente e porque nos fragilizou. É sempre bom sinal ler e ouvir críticas a um nosso treinador por parte duma muito ofendida CS. Principalmente havendo um atrasado mental á solta nos bancos desse país como JJ. Se bem se recordam, também Mourinho só deixou de ser "arrogante" depois de sair do FCP.
  

(-) Negativo 

Quintero - Pa-té-ti-co! Gostava de ouvir todos os experts de futebol, que tanto criticam, criticaram e criticarão qualquer treinador que passe pelo Porto e que não coloque a jogar Quintero, explicar como é possível jogar tão pouco sempre que surge a oportunidade. Ou é porque está amuado, ou porque está frio, ou porque o terreno está em mau estado, ou porque os outros dão muita cacetada... Foda-se Quintero! Joga à bola mas é, caralho!

Herrera - O mexicano voltou à sua versão "jogador de distrital" a uma velocidade estonteante. Incapaz e incompetente em tantos, tantos, tantos momentos do jogo, que chega a doer. Sabendo que vai jogar, fica a questão: que Herrera teremos contra o Sporting?

Falhar golos cantados - Uma característica muito própria do nosso Porto, que em jogos de poucas oportunidades de golo já nos custou caro, e que poderá custar-nos caro mais para a frente. Hoje foi Jackson a falhar de forma inacreditável um 1xGR, na primeira e melhor oportunidade do jogo durante a 1ª parte. Pode ser pedir muito, mas a realidade é que temos mesmo de ser mais eficazes!

Critérios e coerências - Decorria a 2ª parte do jogo, quando Jackson elevou a perna mais do que devia e, escusadamente, acertou de sola na coxa dum boavisteiro. Devia ter visto amarelo, no mínimo, mas confesso que já vi vermelhos serem dados por bem menos. A questão é que nessa altura, já 3 axadrezados deveriam estar de banho tomado, desde a 1ª parte. E um desses jogadores, por acaso até foi o que esteve na jogada com Jackson. Ora, o Sr. Árbitro demonstrou coerência, porque ajuizou todos os lances da mesma forma, ainda que erradamente. Ao intervalo, repito, deveríamos estar a jogar contra 8 ou 9. E tudo isto ganha contornos de ridículo se pensarmos que praticamente todas as "cargas de ombro" feitas por jogadores nossos, foram transformadas em falta; várias dessas faltas, pertíssimo da nossa área, ou a cortar jogadas potencialmente perigosas. E depois há "o" penalty. Não sei se sabem, mas um dos tripulantes da Apollo 8 ligou cá para baixo a dizer que, da nave, se tinha visto aquele escândalo. Depois disseram-lhe que foi um jogador do Porto e que o jogo não era da Champions e ele pediu desculpa de imediato. Os tais... critérios!


A única resposta possível para quem passa tanto tempo com a cabeça enfiado dentro do próprio cú. E acreditem, felizmente, não e só Moniz a merecer essa resposta.

Já agora, porque conheço a pessoa em questão, um miminho do grande André Simões:







terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Académica vs F.C.Porto

Entrar a todo o gás, resolver cedo a partida e ter tempo para gerir o jogo com serenidade. Num Mundo ideal, deveria ser este o resumo base para todos os jogos contra os(as) Académica/Gil Vicente/Moreirense/etc. deste Campeonato.


Do jogo, o essencial fica dito com a entrada agressiva (no melhor sentido do termo) na partida, com uma pressão intensa, forçando o adversário (muito inferior) a cometer erros, e a não poder almejar a muito mais do que ficar cá atrás e rezar. E tudo poderia ter sido ainda melhor, não fosse aquele fora-de-jogo pentelhétrico tirado a Jackson logo aos 3'. 

A equipa jogava sempre no meio-campo ofensivo, com os centrais bem subidos no terreno (um pouco à semalhança do que aconteceu, por exemplo, durante toda a 2ª parte no Estoril), e foi com alguma naturalidade que os golos surgiram. E que belíssimos golos Jackson!!

Ao intervalo, com toda a honestidade, o jogo estava "arrumado", faltando apenas saber de que forma a Académica tentaria reaparecer no jogo. O golo de Herrera, logo após o reatamento (que diagonal fantástica e que passe delicioso de Tello), desfez essa possibilidade, e deixou-nos em modo de "velocidade de cruzeiro" até ao final, conseguindo fazer repousar algumas das principais peças (embora quisesse ter visto menos Jackson e mais Aboubakar) e sempre numa toada muito passiva, evitando cartões amarelos desnecessários.

No final, uma vitória justa, numa exibição sólida, serena, a deixar uma ideia de crescimento e estabilidade na equipa, que pode ser um belíssimo tónico para o jogo importante contra o nosso mais directo rival no próximo Domingo. Isto num terreno onde o ano passado teremos feito a pior exibição de que tenho memória. Num Estádio onde, há não assim tanto tempo, jogadores e equipa técnica saíram com orelhas a arder e eu, confesso, fiquei muito perto dum ataque cardíaco. Um maluco este Lopetegui a pregar-nos "partidas" destas, hein?


(+) Positivo

Jackson - A sério que não entendo como ainda há quem não esteja "convencido" com a qualidade do colombiano. Se os números já dizem muito, a forma que tem vindo a demonstrar durante esta época e a qualidade de alguns dos seus movimentos e golos são um certificado de competência e de qualidade que poucos avançados que por cá passaram alguma vez demonstraram ter. O 2º golo é magnífico! 

Óliver - Não me vou cansar de colocar aqui o seu nome enquanto mantiver a qualidade exibicional que tem vindo a exibir. Consegue fazer todo o "trabalho-sujo" envergando fraque. Intelegentíssimo sem bola e a transpirar classe com ela nos pés. Ah, e tem 19 anitos... Repito: COMPREM-NO, JÁ!

Rúben Neves - Sejamos sinceros, Casemiro tem estado muito bem, mas sabemos que temos aqui um diamante nas mãos. Nosso, só nosso. Um "míudo" que ninguém pode acreditar ter apenas 17 anos. Eu, não acredito! Parece-me ser o jogador indicado para jogos como este, em que o adversário só quer sair sem apanhar goleada e a bola vai ser só nossa durante períodos incrivelmente largos de tempo. Se no posicionamento ainda lhe vejo pontos para trabalhar, como é lógico, é nos momentos com bola, nas tomadas de decisão e na qualidade extraordinária (extraordinária MESMO!) de passe que este rapaz me deixa "derretido". 

Indi "limpo" para o Clássico - Na crónica anterior dizia que só poderia jogar "de mãos e pés atados" mas Indi jogou de forma tão inteligente e segura que me obrigou a auto-proclamar-me um idiota chapado por ter duvidado da sua capacidade de evitar amarelos. 

O 3ºgolo - Para mim, um hino ao futebol em 3 momentos. Desmarcação inteligente - Passe brilhante a "rasgar" - Finalização de classe. Tello e Herrera! O que alguns já disseram (e dizem...) deles...

Adeptos - Numa noite gelada de Sábado, disseram "presente" e animaram todo o sector reservado a adeptos visitantes de forma estóica! Música e palmas para combater o frio... Wise choice!



(-) Negativo

Brahimi - Efectivamente, atravessa um daqueles momentos pelos quais os "magos" passam em certas alturas, que se pode traduzir por "preciso de fazer qualquer coisa fenomenal". Será fruto de algum cansaço? Possivelmente sim, visto que é dos jogadores com mais minutos nas pernas neste momento. Será também fruto da própria cabeça do jogador? Também me parece o caso. Depois de algumas jornadas de exibições colectivas mais intermitentes, em que foi o mago argelino a chamar a si todo o protagonismo e todo o jogo, desconcertando tudo e todos com os seus dribles e velocidade, é natural que agora que o colectivo está mais maduro perca essa preponderância. Tem de perceber que um passe simples na altura certa pode valer tanto como um golo. E visto que tem sempre 2 ou 3 adversários em cima, se conseguir fixar e soltar para outro colega, de certeza que alguém vai ficar solto noutro lado do campo. Quero que descanse, muito, porque pretendo que no Domingo deixe rins, fígado e mais um ou outro orgão vital de Maxi espalhados no relvado do Dragão.

Académica - Fraquitos, vá. E custa-me ver ali o Rui Pedro ou o "eterno" Ivanildo! Principalmente com aquele asno no banco. Realmente só mesmo num país de altas percentagens de consumo de álcool como a Escócia é que Paulo Sérgio pode almejar a conquistas no futebol. O problema é que ainda há quem lhe dê trabalho. Mas ao José Mota também dão... Pobre, pobre futebol português!

No que ao Campeonato diz respeito, chegámos a uma altura importantíssima: a oportunidade de, em caso de vitória sobre o Benfica, passarmos para a frente da classificação (embora em igualdade pontual), sabendo que se seguem 4 jogos até final da 1ª volta que temos - foda-se, temos mesmo - de vencer! Sendo assim, na 4ª feira quero ver Kelvin, Ricardo, Evandro, Paulinho Santos, 3 juvenis e 4 iniciados em campo contra o Shakthar. E um dos apanha-bolas a suplente. 


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estoril vs F.C.Porto

Não será novidade para ninguém, mas confesso que gosto de Lopetegui. Porque sim. E ainda me dá mais gozo gostar de Lopetegui quando o vejo ser saco de pancada um pouco por todo o lado; admiro que (até agora) vá resistindo firmemente à vergonhosa perseguição que lhe tem sido montada, quer pela CS, quer pelos adeptos (?) do próprio clube. Mas devo confessar que no passado Domingo o MEU treinador me desiludiu. MEU treinador, leram bem, porque é MEU quando ganha de forma categórica em Bilbao, da mesma forma que é MEU quando perde em casa com Sporting ou perde pontos no Estoril. 


Depois de uma fase de crescendo exibicional, muito à custa da estabilização do meio-campo com Casemiro, Herrera e Óliver/Quintero, surpreendeu Julen ao colocar Adrian no apoio a Jackson, num 4-4-2 que, na prática, evoluía para um 4-2-4, bem largo mas com falta de poder de pressão e recuperação rápida da bola. O Estoril é uma equipa mediana, orientada por um treinador mediano, mas já se sabe que é com um recuar das linhas e povoamento do corredor central que este tipo de equipas nos tenta resistir; foi precisamente por aí, na minha óptica, que acabamos por não ter o controlo absoluto das operações. Acredito que a ideia fosse ter Adrian ou Jackson a recuar um pouco e funcionar como ponto de ligação entre meio-campo e ataque, permitindo assim chamar jogadores do Estoril para a zona central, libertando Quaresma, Brahimi, Danilo e Alex. Mas o que se viu foi que os dois avançados pareciam estar a ver-se pela primeira vez, sem saber muito bem que espaços ocupar nem definir bem as jogadas. Aqui, batam-me (!) sobressairam pela negativa Jackson, sem bola e Adrián, com bola. 

De qualquer forma, foi um F.C.Porto dominador que esteve em campo, e só no período pós-golo se viu algum vislumbre da equipa contrária. Havia, por exemplo, quem pensasse que tínhamos ido sem guarda-redes, tamanho o tempo que passeávamos no meio campo ofensivo. Obviamente que, como sempre tem acontecido, as equipas que jogam contra nós têm um aproveitamento absolutamente esmagador das raras jogadas de ataque que conseguem organizar, e a injustiça do 1-1 ao intervalo talvez castigasse em demasia um período de 10 minutos de perda de controlo das operações. 

Pensei mesmo que o meu caro Lopetegui fosse resgatar Oliver ou Quintero do banco, procurando dar algum suporte a Herrera e Casemiro nos momentos de posse, e dar mais algum trabalho ao duplo-pivot montado por Couceiro para tapar a zona central. Para meu espanto, não se vislumbrou qualquer alteração ao intervalo, e prosseguimos até aos 60' com um duo avançado a atrapalhar-se mutuamente, e com um jogo extremamente ofensivo mas, quiçá, demasiado lateralizado. Ainda assim, nesta altura, Maicon e Indi jogavam na linha de meio-campo, estando todos os 11 jogadores do Estoril remetidos para uns 30, 40m de terreno. Foi um período dum sufoco incrível! Conseguíamos furar o bloco, conseguíamos espaço para cruzar, mas o desacerto nos cruzamentos ou a inenarrável hesitação na hora de desferir um filho-da-puta-dum-pontapé-que-furasse-as-putas-das-redes-e-que-rebentasse-com-as-mãos-do-Kieszeck-pelo-caminho foram deixando o resultado na mesma. Lopetegui mexeu, desta feita mal, retirando Casemiro e recuando Herrera para jogar ao lado de Quintero. Perdeu-se assim a nossa melhor referência posicional (Casemiro), obrigou-se Herrera a fazer o que (ainda) não domina (Bom posicionamento, sobretudo, defensivo), e Quintero viu-se obrigado a "pegar" no jogo demasiado de trás. No ataque, o mal-amado (e desinspirado) Adrián deu lugar a Jackson. Num período de adaptação ao novo meio campo, o Estoril conseguiu sair por duas vezes do seu meio campo (a sério, duas vezes durante 45 minutos...); como sempre acontece nos jogos contra o Porto, da 2ª vez, o 1º remate à baliza de Fabiano durante a 2ª parte deu origem a uma grande penalidade (para mim, clara) que Tozé converteu num impensável, injusto, exasperante 2-1. Até ao fim, tivemos ainda Óliver em campo (para o lugar dum central) e arriscou-se tudo o que havia e não havia na tentativa de salvar, pelo menos, um ponto. Tal foi conseguido, fruto do físico de Aboubakar e da genialidade de Óliver (e duma vista grossa sobre um penalty escandaloso - mais um - que não foi marcado a nosso favor).

No final, Kieszeck fez a defesa da sua vida, impedindo Jackson de dar justiça ao marcador. E aposto convosco que esse cabrão desse guarda-redes não volta a fazer uma defesa daquelas na vida, a não ser que seja contra o Porto. O que quiserem.

Let's go to the notes:

(+) Positivo

Casemiro e Herrera - entendem-se bem estes dois. Embora reféns do elemento criativo da ordem (Óliver, Quintero ou Evandro - suspiro!) foram chegando para as encomendas. Gostei de os ver a baixar, à vez, para iniciarem a construção, e de os ver a pressionar, cortar, ou dar umas traulitadas nas canelas adversárias sem grande azo a hesitações. São os indiscutíveis - neste momento, atente-se - do nosso meio-campo, muito por culpa da forma como têm vindo a entender-se.

Aboubakar - Há qualquer coisa neste rapaz que me faz acreditar SEMPRE que com ele em campo vamos conseguir marcar. Ou que vai conseguir enfiar bola, defesa e guarda-redes dentro da baliza num qualquer remate, ao mesmo tempo que segura dois adversários debaixo dos braços. Entendeu-se melhor com Jackson do que Adrián e a capacidade de combate deste gigante valeu-nos meio-golo.

Óliver - Classe, pura classe. Ter a frieza de marcar um golo (depois duma mão do adversário, que deu para ver da Lua), com aquela tranquilidade e facilidade não é para qualquer um. Depois, ir a correr buscar o esférico para se conseguir marcar outro golo é dum jogador "à Porto". Gosto deste miúdo! 

Equipa que nunca desiste - Há coisa de meio ano atrás, perdíamos uma meia final da Taça, depois de estar em vantagem, jogando contra 10 durante uma enormidade de tempo. Perdemos de forma inapelável em Sevilha, sem sequer um esboço de reacção, depois de levarmos uma vantagem de 1 golo de casa. Este ano, já vamos no segundo empate obtido no limite... Duma coisa os rapazes (e Julen) não podem ser acusados: falta de atitude competitiva.


(-) Negativo

Julen - Mal na abordagem à partida, do ponto de vista táctico, e mal a mexer nas peças durante o jogo. Julen teve um jogo para esquecer. Critico-o, porque merece, da mesma forma que o elogiei quando fez por isso. Acredito que a ideia fosse muito boa, ao obrigar a equipa adversária a levar com Jackson e outro avançado móvel em cima, mas a falta de entendimento entre os avançados foi demasiado má para que pudesse resultar. Quando ainda tinha tempo de corrigir, mexeu mal, coisa que raramente faz... Gosto da postura de Julen (a sério que gosto), sempre muito confiante nas suas escolhas e decisões, não permitindo veleidades a quem gosta de colocar TUDO (até a forma como respira), em causa. Mas mexer num sistema que estava a ganhar força, dinâmica, entrosamento foi já algo a roçar a teimosia e, por conseguinte, pouca inteligência. Não fez sentido mudar, não resultou, e lá se foram 2 pontos... Assim, caro Julen, pões-te um bocado "a jeito" dos críticos! 
Nota: Ainda assim, continuo a achar que dominámos o jogo de forma tão clara que é anedótico que tenhamos saído com um empate da Amoreira.

Maicon - Jogada do 1º golo do Estoril: a defesa sobe de forma desorganizada e deixamos Emidio Rafael em jogo; toda a gente desata a correr para trás, na tentativa de cortar linhas de passe (com sucesso), esperando que Maicon faça a contenção, e obrigue o Emídio a rematar de ângulo apertado, ou a tentar um cruzamento quase impossível para o meio do barulho. O que faz Maicon? Entra de carrinho (não se sabe bem sobre quem), dá tempo a Emídio de parar, pensar, tomar um café, e escolher para quem passar a bola. 5 épocas depois da sua chegada, continuamos à espera do Maicon-patrão-da-defesa-em-todas-as-pré-épocas-e-nas-4-primeiras-jornadas. Nunca aparece! Onde anda Reyes?

Adrián - Bom sem bola e fraco com ela. Demasiado hesitante. Muito pouco "intenso". Passa a ideia dum homem que está marcado á nascença para morrer, enforcado, em praça pública, e que quando lhe dão a oportunidade de fugir, prefere ficar dentro da sua cela, a escrever cartas à sua amada, afundado na mais profunda depressão. Tenho-o defendido com unhas e dentes mas... fica dificil. Ainda assim, gostava que dessem uma vista de olhos ao fantástico artigo do nosso amigo Jorge Vassalo. Adrián é dos meus, e vou estar com ele até ao fim (tal como o Jorge e mais meia dúzia de portistas).

Fabiano e as suas saídas, vá, estúpidas - Naquilo que Fabiano mais nos assustava, jogo de pés, tem tido uma evolução notável. (Claro que, importa dizer, essa evolução em nada se deve ao trabalho do treinador... Fabiano tem andado a treinar passes contra uma parede, em casa). Nas saídas da baliza, tem paragens cerebrais. E se nas bolas aéreas, a envergadura e poder físico vão fazendo com que consiga socar a bola e derrubar 3 colegas de equipa e 2 adversários no mesmo movimento, nas bolas em profundidade a coisa fica complicada. Já em Alvalade a sua saída da baliza foi, vá, estúpida e custou-nos um golo. Desta feita não foi diferente... Parecia um Elefante a "correr" em direcção a uma Lebre, que corria como se fosse perseguida por um Jacaré. Ainda Fabiano lançava o seu ar esgazeado à sua presa e já o meu estômago se contorcia! 

Quaresma - Roubar a bola aos colegas para marcar os cantos e os livres todos (sem qualquer resultado...). Começar a entrar em picardias com todos os adversários que lhe apareçam à frente. protestar com ar ameaçador toda e qualquer decisão do árbitro, pondo-se a jeito para cartões. O "velho" Quaresma de volta! Se conseguirem demonstrar o que de positivo podemos retirar desta atitude, força, carreguem nessa caixa de comentários.



2 pontos perdidos. Ponto final.

Sendo verdade que a exibição foi mais esforçada do que conseguida, não deixa de ser verdade que tudo fizemos (e só nós fizemos), para sair do Estoril com os 3 pontos. Arrisco-me a dizer que, num dia normal do Estoril (sem aquela eficácia ofensiva a roçar os 100%) teríamos ganho 3-0, facilmente. Mais do dobro dos ataques, dos remates, de situações de golo e quase o dobro da posse de bola deveriam ter chegado para as encomendas. Não chegaram... (E olhem que  no Domingo juro que vi quem tenha feito bem menos, tenha jogado bastante pior e mesmo assim tenha ganho). Sonho com o dia, em que também nós vamos poder jogar mal e porcamente e, ainda assim, ganhar. Também sonho com o dia em que todos os adversários, para além do Braga, se lembrem de jogar com tanto ímpeto, tanta vontade e tanta eficácia ofensiva contra os nossos rivais.  

Que Julen passe esta paragem para Selecções a pensar bem sobre as suas responsabilidades neste "desaire". Que se contrate uma psicóloga loira e boazona para cuidar de Adrián. Que se trabalhe até à exaustão aquele 4-3-3 e todas as possíveis combinações de meio-campo. Que ninguém se lesione nas selecções. Que se ponha Indi a dar porrada no Maicon de cada vez que lhe para o cérebro. 

Que se chegue ao jogo com o Benfica em novo crescendo.