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sábado, 21 de março de 2015

Crescimento Sustentado


Se algum portista afimar que em Março de 2014 acreditava que 365 dias volvidos seria possível ver futebol do quilate que tem sido praticado pela nossa equipa, eu digo já que não acredito. Não acredito. Não acredito mesmo.

Há um ano atrás (mais mês, menos mês) a nossa equipa implodia, sob o comando dum débil, limitado, desacreditado e derrotado Paulo Fonseca. As pernas de cada jogador pesavam chumbo, e cada jogo era um forte teste à capacidade de resiliência do mais emperdenidamente optimista adepto. O talento estava ali, pese embora em doses menos generosas do que neste ano, mas o espírito, a garra, a luta, a crença, estavam bem longe. Uma equipa em pedaços, estilhaçada por um deficiente planeamento da época, humilhada em casa e fora com uma frequência nada habitual para os nossos pergaminhos. Consideremos a época passada uma espécie de annus horribilis.

Era mesmo necessário que houvesse uma "limpeza". O presidente antecipou-o. O povo por ela clamou, em uníssono! "Cabeças terão de rolar!!!".

De novo, provou-se que as coisas têm de ser feitas de forma pensada (independentemente do resultado final).

Julen Lopetegui terá sido uma escolha arriscada, argumento que me parece perfeitamente aceitável. Para quem acreditar que os treinadores são escolhidos como no Football Manager, acredito que possa ter parecido estranho apostar num perfeito desconhecido do público. Mas as coisas não funcionam desse modo. Há um trabalho de base que acredito que seja sempre feito, seja na escolha de um jogador ou dum treinador, dependendo o sucesso da "contratação" de variadíssimos factores que penso que todos conseguem compreender.

Não será do conhecimento de muitos, mas Lopetegui ja "mora" no Dragão desde Janeiro de 2014, quando ainda ninguem tinha ouvido sequer falar desse nome. Foi aí que a construção desta "revolução" começou a conquistar pontos. Nesse momento, com tempo e serenidade, foi possivel começar a preparar a tal "revolução" do plantel, equipa técnica e, quem sabe, a provável futura mudança na forma de preparar/gerir o futebol nos próximos anos.

A vida do treinador basco tem sido, como já se previa, tudo menos fácil. Alguns adeptos não "perdoam" absolutamente nada, e vivem na expectativa de ver este tipo de  projecto falhar, para poderem ser os primeiros a dizer "Eu bem avisei!", Recordo, com carinho, o comentário que ouvi vindo da boca dum adepto portista, enquanto caminhava para casa após o jogo de apresentação aos sócios, no longínquo mês de Julho "Com esta defesa subida, isto vai ser uma tragédia...". Após 8 jogos consecutivos com apenas 1 golo sofrido, terá este adepto a mesma visão?

Com um plantel quase totalmente renovado - com 14 caras novas - e tanta juventude misturada, alguém ousou sequer pensar que por esta altura, para além de estarmos com o 1º lugar ali à distância dum deslize, estaríamos nos 1/4 de final da Champions, convivendo com equipas como Bayern, Barcelona ou Real Madrid?

Foram cometidos erros no decorrer desta época? Obviamente que sim, como sempre acontece. Nem mesmo o melhor plantel do Mundo, treinado pelo melhor técnico do Mundo, num dos melhores campeonatos do Mundo - e um dos clubes mais ricos do Mundo - como o Bayern, se livra de apanhar 4-1 do Wolfsburgo... Por isso, sim, foram cometidos erros que nos fragilizaram em determinada altura. A eliminação da Taça de Portugal em casa, pelo Sporting, foi um dos poucos momentos da actual temporada que me fizeram duvidar da real capacidade de Julen Lopetegui (e dos jogadores) de conseguir dar a volta por cima - mais pela pressão e contestação, que aí atingiram um ponto nada recomendável, do que pela margem de crescimento que sempre lhes reconheci. Também não esqueço os empates, em casa com Boavista e fora com o Estoril, que nasceram mais devido às "dúvidas" que nesse momento a equipa apresentava face ao processo/modelo de jogo, e de erros individuais que resultavam dessas mesmas dúvidas, do que pela qualidade dos adversários.

Voltando ao título do post, reflicta-se sobre a melhor forma de, em tudo na vida, construir um "projecto". A meu ver, e penso que muitos partilharão dessa opinião, é sempre preferível que uma "empreitada" como a que o F.C.Porto decidiu projectar para os próximos anos requer seja construida sobre alicerces bem fortes. E penso que tal foi conseguido, independentemente do que possa acontecer até ao final da época. Tudo foi planeado com tempo, serenidade, grande parte dos jogadores que a nós se juntaram elevaram a qualidade do plantel e o próprio Lopetegui, goste-se ou não, conseguiu aos poucos implementar um estilo de jogo muito personalizado, fazendo com que o F.C.Porto possa assumir as despesas do jogo em qualquer lado onde vá. Um F.C.Porto mandão e personalizado. Um F.C.Porto guerreiro e resiliente. Não era isto mesmo que se pretendia?

Analise-se, por exemplo, o jogo da 1ª volta com Boavista e este jogo com o Arouca, e penso que aí estará uma boa "fotografia" que explica o que quero dizer. Jogos com circuntâncias semelhantes, em que passámos cerca de 3/4 do jogo a jogar com menos um jogador, poucos dias após uma excelente vitória europeia. Se na 1ª volta houve pouco discernimento, muito coração e pouca cabeça, se houve uma equipa em campo que sabia o que queria (a vitória), sem saber muito bem como chegar lá (modelo/princípios de jogo), superando as contrariedades (estar com menos 1 jogador) - e incluo treinador e jogadores nestes pontos - vimos agora uma equipa com muito maior arcaboiço físico e táctico, confiante nas suas capacidades, solidária e compacta, que teve o jogo sempre controlado, apesar da boa réplica do adversário. Vimos jogadores que foram "vítimas" da propalada rotatividade (e que jeitão nos tem dado ter tido todas as peças a ser utilizadas em jogos a doer) a jogar como se sempre ali tivessem estado. Uma equipa que, após conquistar uma preciosa vantagem soube sofrer, defender, gerir o jogo, apesar da inferioridade numérica e da enorme fadiga acumulada em alguns pares de pernas. Isto tudo, sem Danilo e Jackson, dois dos melhores jogadores do campeonato português (e, já agora, da Europa, neste momento).

Pegue-se em qualquer jogo da primeira fase desta temporada e compare-se com qualquer jogo a seguir à derrota na Madeira, e faça-se uma análise séria. Analise-se colectiva ou individualmente o comportamento da equipa. As diferenças são tão óbvias, tão claras, tão grandes, que é necessário cumprimentar Lopetegui pelo que tem conseguido fazer com o F.C.Porto. Nota-se trabalho, nota-se evolução (individual e colectiva), nota-se uma melhoria gritante.

Um ano após o nosso futebol passou de medíocre a futebol do mais alto quilate.

Tem sido um ano de crescimento sustentado. Estão lançados os fortes alicerces para o nosso futuro a médio prazo. Porque nestes projectos, que se querem duradouros e sólidos, a firmeza da passada será sempre mais importante do que a sua dimensão ou a velocidade a que caminhamos.

Para mim, um projecto e um modelo que merecem um forte aplauso.... De pé!

Nota: este texto foi escrito antes da nossa deslocação a Braga, e só por impeditivos tecnológicos não foi publicado nessa altura. Defendo todas as ideias deste artigo, mesmo que no final da época não haja qualquer troféu para acrescentar ao nosso Museu.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Champions: F.C.Porto vs Athletic Bilbao

Numa jornada fora do comum, tendo em conta o anormal número de golos marcados só na 3ª feira, os nossos rapazes deram um passo importantíssimo rumo aos 1/8 final da mais importante prova mundial de clubes. 


Depois do desaire amargo contra o Sporting no passado Sábado, urgia uma resposta clara e firme de todos - jogadores, treinador e adeptos. Era preciso demonstrar que a derrota tinha deixado marcas e que o orgulho estava ferido. Era importante ganhar acima de tudo o resto, e demonstrar uma atitude de combate, de vitória, que tanta falta nos fez durante larguíssimos períodos do ano transacto. Era necessário perceber se Lopetegui poderia ou não ter acusado o "toque" das críticas pós-Taça - deixou bem claro que não. Era fundamental perceber se estamos todos mesmo a remar na mesma direcção que a equipa e o treinador e a resposta foi inequívoca - não! Tivemos por isso uma noite em que ganhámos, e bem, no relvado e banco de suplentes mas onde nos cobrimos de vergonha nas bancadas, pelas razões que invoquei aqui . 

Num Dragão ainda longe de casa cheia, mas bem preenchido e colorido de incansáveis adeptos bascos, foi um F.C.Porto agressivo, acutilante, rápido e mandão que entrou em campo. Com Brahimi no meio, Quintero na ala, íamos conseguindo chegar com perigo ao último terço do campo, mas faltava sempre algum acerto na definição e conclusão das jogadas. Lopetegui, que costuma ler bem o jogo e altera quase sempre bem, percebeu que precisava de Quintero por dentro, entre linhas, e isso - e um Tello e Danilo endiabrados - foi contribuindo para muitos espaços no último reduto dos bascos. Fomos encostando o Athletic às cordas e podíamos (com mais alguma tranquilidade, a tal que decerto não cresce com assobios constantes) ter chegado com alguma naturalidade ao intervalo com 2-0.  Foi simples, bonita, eficaz e finalizada com classe a jogada que deu origem ao primeiro golo, colocando asism alguma justiça no marcador.

No regresso do intervalo, para além de trocar peças, os bascos alteraram a atitude na transição defensiva. Muito mais agressivos na nossa saída de bola, (aqui, continuamos a pecar, como falarei mais adiante), fomos obrigados a cometer mais erros, surgiram os idiotas do costume a assobiar cada toque na bola, e dum novo erro (desta feita repartido entre Herrera e Casemiro) surgiu o inevitável golo basco. Esta fase do jogo foi muito complicada, e ficou demonstrado o porquê de Quintero não jogar mais vezes numa posição central - tem muuuuito para evoluir a nível de posicionamento. Lopetegui percebeu, mais uma vez, do que a equipa necessitava e lançou Rúben Neves no lugar do colombiano, numa tentativa de nos dar mais qualidade na saída, e maior capacidade de ter bola, retirando alguma iniciativa ao Athletic. Uma vez estabilizado o meio-campo, trocou (com toda a lógica) Casemiro por Quaresma, que veio dar nova alma ao nosso jogo ofensivo. Resultou tudo na perfeição, num lance em que Quaresma aproveitou da melhor forma uma jogada simples mas brilhante de Brahimi, que lhe estendeu uma passadeira para o golo. Depois, com a entrada de Oliver, e mais alguma coesão entre sectores, conseguimos "congelar" o jogo. Mas ainda tivemos oportunidade de perceber se os nossos miocárdios estão em forma, com um perigosíssimo cabeceamento após um livre lateral, que Fabiano segurou com algum aperto. Até final poderíamos ter aumentado a contagem mas Jackson esteve em dia não no capítulo da finalização.

Vamos a notas:

(+) Positivo

  • Entrada em jogo -  Esta foi umas das coisas que mais me agradou, após alguns jogos em que entrámos um pouco "amorfos" na partida: um início a todo o gás, com vontade de "matar" veleidades logo à partida. Entrar à Porto. Gostei!
  • Aliança Tello - Danilo - Se o segundo está num momento assombroso de forma, respirando e transpirando saúde e confiança por todos os poros, muito se deve ao primeiro, cada vez mais uma peça fundamental na manobra ofensiva. O lado esquerdo dos bascos deve ter acabado a primeira parte perto dum ataque de nervos tantas foram as combinações que ambos conseguiram. Duas peças fundamentais do Porto neste momento.
  • Jogada do 1º golo - Ma-ra-vi-lho-sa! Tomada rápida de decisão, aproveitamento dos espaços, jogo interior, Herrera a aparecer no sítio certo e um hino ao futebol. Porque não aproveitar ainda mais vezes o corredor central gente?
  • Brahimi - Muito negeligenciado este rapaz quando não "aparece" mais sobre os holofotes. Mas a capacidade de drible dele é estonteante, a forma como atrai 2 e 3 jogadores e solta a bola, criando desequilíbrios é incrível. No golo de Quaresma, a sua acção é fundamental, tanto na forma como foge ao lateral, como obriga a uma compensação e liberta Quaresma numa zona mais central, com mais hipóteses de ter sucesso. Bravo! 
  • Quaresma - Lançado quando devia, a fazer o que lhe é pedido - arriscar e decidir, sem amuos, sem cara feia, com atitude e vontade. Consigo compreender que todos gostem de jogar de início, mas relembro que Solskjaer (por exemplo), foi dos jogadores mais decisivos da História do United e raramente jogava de início. Uma questão de egos, right?
  • Lopetegui - Apesar da loucura anti-Lopetegui que grassa por essa nação portista, mais uma vez esteve sublime nas mexidas. Em todas alterou o jogo e em todas nos deixou mais próximo de o ganhar. A troca posicional de Quintero e Brahimi. A entrada de Rúben, Quaresma e Óliver... Tudo decisões de alguém que percebe o jogo, lê bem o que o jogo pede, e mexe bem. Quase sempre bem, quase sempre com notórias melhorias na nossa forma de jogar. Mas decerto haverá quem critique isto. Habitua-te a estes desmiolados Lope... E manda-os foder! Assim mesmo, com f. Não é joder; é foder!

(-) Negativo

  • A saída de bola - Já muito foi escrito, dentro e fora da Bluegosfera, acerca desta questão. Continuo a ser da opinião que esta é uma das fases do jogo na qual precisamos de mais trabalho e de correcções. Sabemos que os nossos centrais não são grande espingarda com bola? Então um dos médios tem de baixar para dar apoio, e os laterais têm de estar mais subidos no terreno. Estamos continuamente numa linha de 4 jogadores, sendo facilmente anulados neste processo, O início da 2ª parte deste jogo foi uma clara demonstração da nossa incapacidade de sair perante equipas mais pressionantes, não sobre o portador de bola, mas sobre as linhas de passe mais próximas. Se se quer que sejam os centrais a sair, então eles devem ir progredindo no terreno até surgir um adversário a "fechar portas", e aí soltam num colega que, inevitavelmente estará sozinho. Perdemos mesmo muito tempo a trocar a bola lateralmente entre os 4 defesas, e o pior é que qualquer equipa (mesmo mediana ou até medíocre) já percebeu que pode anular facilmente a nossa saída. Demasiadas vezes incorremos no pontapé longo á custa deste facto. Urge corrigir isto, com alguma celeridade.
  • A "pressão alta" - Poderei estar enganado, mas a nossa capacidade de pressionar tem vindo a piorar nos últimos jogos. Alguma desorganização, gente a pisar os mesmos terrenos e algumas auto-estradas abertas em zonas absolutamente proibidas. Uma dessas fases de desnorte deu aos bascos a única situação de perigo durante a 1ª parte. Não compreendo se tal aconteceu maioritariamente pelo deficiente posicionamento defensivo de Herrera e Quintero, ou à excessiva lentidão de Casemiro, mas a verdade é que aconteceu mais do que uma vez. Também noto que Maicon e Indi nem sempre acertam nas saídas ao portador e nas coberturas. 
  • Novo erro, novo golo sofrido - Passe errado de Herrera, lentidão de Casemiro na reacção, e deficiente leitura de Maicon, que foi batido com uma facilidade inacreditável -  com uma finta que consistiu em trocar a bola de pé, com a maior das calmas. Continuem a tentar corrigir isto rapazes, senão vamos tornar os nossos cardiologistas em bilionários! Nota: mais incrível do que a nossa incpacidade única a nível Mundial de marcar penalties, só a % de eficácia de aproveitamento dos nossos erros por parte dos nossos adversários. Um erro, um golo! Tiro e queda!
  • Casemiro - Lamento colocar-te aqui, logo agora que foste seleccionado para o escrete , mas tenho de ser honesto: não tenho gostado. Bem sei que vem de lesão, e por isso dou-lhe algum benefício, mas tem de se reencontrar. Casemiro parece estar a jogar sempre sob brasas, sempre com uma sofreguidão demasiado elevada, que o leva a falhar a abordagem a incontáveis lances, o que se constata na quantidade de faltas e no número de maus passes que faz. Não sabemos bem como (nem ele sabe, decerto), conseguiu terminar sem ver amarelo. Rúben é, neste momento, um 6 muito mais completo e não consigo ver Casemiro com pernas para ser um 8.
  • Assobios do público - Pura estupidez! É só isso...


Menção Honrosa: Herrera - Inauguro esta nota porque estive aqui numa dúvida enorme sobre se colocava Herrera no + ou no - . Ora, se tivemos hoje alguns fogachos do "Herrera Bom", com participação activa nas jogadas ofensivas, na forma decidida com que colocou a bola na baliza, e com uma abnegação, espírito de combate, resistência, que me fizeram imaginar que terá 3 ou 4 pulmões, aquele gémeo terrível dele, o "Herrera Mau", persiste em não o deixar voar. Continua a ser má demais (malta, má demais mesmo!) a falta de posicionamento defensivo, a forma como desequilibra o meio campo nessas situações e a fraca capacidade de recuperação de bolas (que Oliver e Ruben Neves, correndo bem menos, conseguem com maior facilidade, fruto dum muito melhor posicionamento). E um passe lateral errado numa zona em que não podemos falhar, que deu em golo do Athletic... Estou dividido gringo! 


Resumindo, 3 jogos na Champions, ZERO derrotas, ZERO pontos perdidos em casa, SETE pontos ao todo e um pézito na próxima fase. A uma equipa totalmente nova, pede-se que vá trabalhando para melhorar. Ajuda - oh! se ajuda - construir a equipa numa base de vitórias. Gostei da resposta dos nossos rapazes neste jogo. Gostei deste jogo. Gostei. Mas aquele nó no estômago antes de ir a Arouca já vai fazendo das suas... Vamos lá "engatar" numa série de vitórias? 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sporting vs Porto

Mais um jogo sem vencer em Alvalade, mais um empate, mais alguns equívocos na equipa inicial e na batalha táctica do jogo (principalmente a meio-campo) e mais um jogo recheado de polémicas.



Jogar em casa dum adversário directo e entrar da forma desastrada como entramos, com um erro individual (mau passe de Rúben) e um descalabro colectivo na forma como fomos apanhados desequilibrados e ninguém soube compensar ninguém, aliado à saída fora de tempo e desnecessária de Fabiano, tornou o nosso início de jogo num pesadelo, do qual não conseguimos "acordar" até praticamente meio da 1ª parte. Raramente conseguimos subir com critério, houve demasiados passes sem nexo (há lá um de Casemiro que é uma aberração) mas, acima de tudo, uma falta de organização colectiva assustadora. Rúben e Casemiro raramente sabiam que espaços ocupar, e Herrera foi-se desgastando em demasia para tentar fechar portas a meio-campo. Os nossos laterais foram sendo "massacrados" com inúmeras situações de desvantagem numérica por deficiente ajuda por parte dos extremos e aqui destacou-se Alex Sandro pela negativa, a revelar as deficiências de posicionamento que não lhe víamos desde o ano passado, e sem pernas nem pulmão para aguentar com Carrillo. O Sporting pressionava de forma agressiva e inteligente, nunca deixando que os nossos jogadores tivessem tempo de rodar e encontrar apoios mais frontais, e o nosso jogo foi-se arrastando assim pela 1ª parte fora. Rematar pela primeira vez aos 20 minutos para a bancada e pela primeira vez com relativo perigo quase à meia hora de jogo é manifestamente pouco para um candidato ao título.

Lopetegui percebeu o erro e trocou quem deveria trocar ao intervalo. Um Rúben perdido em campo e um Quaresma praticamente inofensivo, e já com um amarelo após inqualificável entrada sobre Nani, só "porque sim" (começa a ficar complicado arranjar forma de te defender Ciganito...). Oliver e Tello vieram dar uma nova "alma" à equipa; soubemos ter mais bola, soubemos construir com maior critério (mesmo que a construção a partir dos centrais nos faça tremer tanto em algumas alturas), houve maior capacidade de pressão mas, acima de tudo, houve mais capacidade de jogar entre linhas, e de desequilibrar por completo a frágil defensiva leonina. Primeiro foi Jackson que, isolado tentou algo que pode ser considerado como "tiro ao boneco", mas uma sucessão de jogadas pela direita do nosso ataque culminou com o cruzamento que Sarr desviou para a própria baliza. Foi pena a lesão de Casemiro, que obrigou Lopetegui a improvisar com Reyes, e que nos retirou algum domínio enquanto nos readaptávamos à troca. Capel fez-nos congelar com uma "bomba" à barra, mas conseguimos terminar o jogo por cima, e Herrera ou Tello (jogada que devia dar direito a levar uns bons tabefes do Indi no balneário) poderiam ter dado um desfecho diferente ao jogo.

Empate que, tendo em conta a nossa 1ª parte, acaba por ser um resultado menos mau, mas que deixa aquele sabor amargo de voltarmos a não conseguir ganhar em Alvalade. E de termos o 4º empate consecutivo. E de estarmos a 4 pontos daquele lugar de que tanto gostamos.


(+) Positivo 

Oliver -  Bem-vindo de volta rapaz! Um jogador com a capacidade de virar um jogo do avesso mal pisa o terreno de jogo tem de ser de topo. Este menino é fabuloso. Joga muito, faz jogar, dá linhas de passe entre linhas e ajuda a desmontar defesas, abre espaços para que outros (Brahimi, Jackson, Tello, Herrera) possam decidir, mas é no momento de transição defensiva que este puto me tira do sério. A capacidade de pressionar bem, sem faltas desnecessárias e com roubos de bola em zonas perigosíssimas é algo que impressiona. Será muito pedir Oliver, Evandro e Rúben a 6 já em Lviv?

Reyes - Quando entrou para aquele lugar, temi um pouco pela nossa capacidade de resposta, mas o mexicano adaptou-se muito bem. Seguro no passe e bem a ocupar espaços, foi uma agradável surpresa vê-lo actuar com tamanha serenidade num jogo destes. Continuo a pensar que pode ser um jogador incrível, assim consiga estabilizar a parte psicológica.

Centrais - Tirando o lance do golo do Sporting, em que todos andaram aos papéis, uma exibição segura de ambos. Indi demonstrou um posicionamento impecável em certas situações, embora ache que perde demasiados lances aéreos. Marcano é daqueles jogadores que não inventa, mas precisa de trabalhar o passe. Em suma, boa exibição.

(-) Negativo 

A 1ª parte - Com que então não ganhamos aqui há não sei quantos anos? Vamos lá então entrar todos a "dormir" e permitir um golo logo aos 2', para ser mais interessante. Depois vamos lá esquecer de como se pressiona, de como se troca a bola e de como nos temos de posicionar até ao intervalo. O Mister depois corrige... Inqualificável a entrada no jogo e consequente 1ª parte da nossa equipa, a fazer lembrar alguns dos jogos do ano passado. Ano passado... Que arrepio na espinha! 

Alex Sandro - Quando Carrillo saiu, um amigo que via o jogo ao meu lado disse "O Alex Sandro acaba de respirar de alívio...". Um Alex trapalhão, lento, complicativo, desamparado (principalmente  na 1ª parte) e de volta às paragens cerebrais de um passado demasiado fresco na nossa memória. Cheguei a suspirar por Angel!

Quaresma - Começa a ficar complicado compreender como Quaresma pode encaixar-se neste F.C.Porto. Na 1ª parte, zero de apoio defensivo (a Danilo ou a Alex Sandro), poucas boas decisões quando em posse, um remate desastrado e absurdo na primeira vez que conseguimos um esboço duma jogada ofensiva, uma entrada violenta de menino amuado sobre Nani... Um suposto capitão de equipa, com muito mais anos de experiência do que muitos dos colegas, com muitos mais anos de casa, não pode ter esta postura. Lamento, Quaresma! Sou dos que procura defender-te ao máximo, mesmo quando se observa que não dás tanto ao colectivo como qualquer outro dos teus colegas - e até considero que tens andado esforçado para demonstrar que és capaz de ser trabalhador e humilde - mas és daqueles casos crónicos que, à primeira oportunidade, deita tudo a perder. És um Fábio Paim que conseguiu continuar a jogar futebol a um nível aceitável. Achas que vais ter sempre muito talento nos pés e hás de ter 40 anos e continuar a achar o mesmo, sem perceber que isso só não chega para a EQUIPA obter os 3 pontos. 

O trio do meio-campo - Lopetegui... Casemiro e Ruben ao mesmo tempo, não funciona! Se lhes juntares Oliver, talvez dê. Se lhes juntares Herrera, fica impossível. Casemiro é 6. Rúben é 6. Não sabem ser 8 (para já)! Já chega de cometer sempre o mesmo erro, para depois corrigir ao intervalo. Queima-se uma alteração e dá-se uma parte de avanço ao adversário. Nunca te chateei com o "não-caso" Quaresma e com a falsa questão da rotatividade. Até consegui perceber que tenhas evitado colocar Aboubakar contra o Boavista e que tenhas mexido tão tarde em Guimarães. Chegar a Alvalade e arriscar ir a jogo sem meio-campo já começa a soar perigoso. Espero que o regresso de Oliver te venha dar mais certezas.


Como já se disse antes, sou da opinião que o Porto tem de ganhar sempre, independentemente de contingências como relvados impraticáveis (Académica 2011/2012), roubos descarados (Alvalade 2002/2003) ou qualquer ataque alienígena ou desastre natural que possa acontecer. O Porto não ganhou em Alvalade muito por culpa do que se disse acima. Agora, é indesmentível que houve casos, que houve polémicas, que houve mais uma diferença de critérios gritante, e que no final de contas, já é o 3º jogo consecutivo em que tal acontece. Slimani afinal, pode apertar pescoços como e quando quiser. Adrien pode entrar de sola como e quando quiser. Jackson não pode conquistar uma bola a nenhum defesa quando quiser. E nem falo do lance da mão de Maurício, porque nesse lance até consigo dar benefício da dúvida à equipa de arbitragem. Já fomos beneficiados por árbitros e já fomos prejudicados, e vai ser sempre assim com os "grandes" enquanto forem "grandes". O mais curioso é observar o peso que tem um erro a favor do Porto e um erro contra. Erro a favor é corrupção. Contra é acidente. A favor é escândalo. Contra é perfeitamente normal. A favor é parangona de jornal. Contra é "esquecido".  A favor é o "Sistema". Contra é humano. Erro a favor é a justificação de vermelhos e verde e brancos para anos e anos de derrotas que aquelas vísceras não souberam digerir. Erro contra é o alinhamento perfeito dos planetas numa tentativa de "castigar" a malta do Porto porque "só" ganha com roubos. Nem vou falar do artista da cabeleira branca, o tal que disse que o árbitro "Não marcou porque não quis", e que achou que aquela arbitragem miserável contra o Sporting foi "Limpinha, limpinha!", que agora até manda piadolas porque o nosso treinador se queixou de nova arbitragem miserável  -  embora reforçando que não servia de justificação para não ganhar. Podia tentar, mas seria difícil explicar conceitos de honestidade intelectual aos dois solitários neurónios que habitam aquela cabecinha.

Escrito pelo Z

domingo, 21 de setembro de 2014

Dia de Derby!

Antes de começar esta publicação, deixem-me partilhar convosco que, durante 8 anos, defendi as cores axadrezadas do nosso vizinho do Bessa, no desporto que pratico. Para além disso, o meu pai foi capitão de equipa do Boavista durante um grande período de tempo, na mesma modalidade. Gostei muito de todas as pessoas que comigo se cruzaram naquele clube. Do clube, não gosto. Não esqueço a quantidade de vezes que, enquanto treinávamos no pavilhão, explodiam selvaticamente com os golos marcados pelos adversários (internacionais e nacionais) do F.C.Porto em dias de jogo. Não esqueço o olhar gozão e maldoso que nos lançavam quando percebiam que éramos portistas e que ousávamos vestir a camisola axadrezada. Não esqueço que, sendo um clube da cidade, a grande maioria dos boavisteiros que pude conhecer era anti-Porto antes de ser do Boavista. E essa grande maioria tinha coração vermelho ou verde antes de usar cachecol preto e branco. Não esqueço a forma rasteira como Jaime Pacheco e João Loureiro trataram o nosso clube quando estavam "por cima". Não esqueço o modo animalesco como fomos tantas vezes recebidos no Estádio do Bessa. Entenda-se, portanto, que a minha simpatia para com o Boavista (clube) é quase inexistente.

Mas há algo que, para mim, define o prazer de ser doente por futebol e o distingue como deporto-rei : as rivalidades. Meus amigos, não haja dúvidas que é esse factor que nos faz levitar, roer unhas, tratar mal os familiares próximos e o cão em dias de jogo grande (derby ou clássico). Se não fosse pelos Benficas, Sportings, Guimarães, Bragas ou Boavistas, que piada tinha isto? Aquela tensão electrizante, aquele faiscar nos olhos dos adeptos quando festejam o golo na cara dos rivais, as jogadas "durinhas", os casos de jogo, as declarações incendiárias, os cânticos provocadores, tudo isto dá corpo à adrenalina que alimenta as disputas dos nossos campeonatos, nos intervalos dos jogos contra Rios Aves, Gil Vicentes ou Olhanenses (importantes, óbvio, mas sem causar síncopes cardíacas). 

O derby portuense que amanhã vamos rever e reviver é bem-vindo e só peca por tardio. Não morro de simpatias pelos de xadrez, sei perfeitamente o que por lá se diz e se pinta do nosso F.C.Porto mas, não tenho dúvidas de que foram vítimas de uma perseguição e castigo sem precedentes que surgiu duma forma estranha por uns supostos "defensores da verdade desportiva" que, infelizmente, têm tido sucessivamente e de forma quase doentia dois pesos e duas medidas no que respeita ao tratamento dos clubes da capital e dos clubes do Norte. Aconteceu-lhes, no fundo, o mesmo que a nós, numa escala um pouco diferente. Enquanto não ganhavam nada a não ser uma Taça ou uma Supertaça aqui e ali, eram um clube simpático daqui do Norte, com umas camisolas engraçadas e tudo. A partir do momento em que pareceu que estavam a ganhar força, não tardou a que aparecessem os inimigos e os dedos acusatórios. O facto de terem um idiota chapado como presidente (o eterno João Loureiro) decerto ajudou a acelerar o processo de "assassinato" desportivo e financeiro. Foi injusto! Estão onde merecem estar.



 Sendo assim, é um prazer ver de novo um Derby da Cidade Invicta. 

Carregado de estórias e de História, este é um jogo do qual guardo inúmeras recordações, quer como visitante, quer como visitado. Não esqueço aquele impensável e electrizante 3-4 no Bessa na época do Penta, com golo do Mielckarski, a 2 minutos do fim, numa jogada à Brahimi. Na 2ª volta o jogo nas Antas foi o do título, e os nossos vizinhos resistiram com 10 jogadores até ao final. 3-2 foi o resultado e Timofte, de preto e branco, marcou um golo absolutamente inacreditável, aplaudido de pé pela nossa massa associativa, que não esquece jogadores como o romeno. Ou aquela Supertaça que os malandros nos vieram roubar às Antas (na altura jogava-se a duas mãos), mesmo com a nossa vitória por 1-0. E tantos jogadores... Ayew, Jimmy Hasselbaink, Nuno Gomes, Erwin Sanchez, Alfredo, Tavares, Nelo, Martelinho, Litos, Mário Silva, William, Pedro Emanuel, Bobó, Artur... 

Foi também um jogo com o Boavista que marcou a minha estreia a ver jogos junto da claque (coisa que poucas vezes se repetiu nos jogos em casa). Foi no Bessa que vi o meu Porto pela primeira vez fora de portas. Foi naquele jogo de sofrimento, em 2003/2004 no Bessa, com o Deco a ver 2º amarelo depois de dominar a bola sem chuteira e golo de Alenitchev quase no final.




Foram muitos jogos, grande parte deles extremamente renhidos, tanto em casa como fora de portas, que sempre tornaram os axadrezados em adversários de respeito, lutadores e extremamente caceteiros, dispostos a correr o triplo e a jogar o quádruplo do que podiam e sabiam para tentar lixar-nos a vida. Foram os jogos que, apesar de tudo, fizeram os diferentes campeonatos valer a pena. 

Obviamente que os tempos são outros e, provavelmente, o derby de amanhã não terá o mesmo "picante" de outros tempos. A pantera está ainda muito frágil e terá sérias dificuldades em manter-se na nossa divisão, pelo menos se os recursos humanos e financeiros se mantiverem escassos como até agora. Não será um derby como tantos dos anteriores. Não terá a mesma carga dramática pré-jogo. Mas assim que o árbitro apitar, vão de novo estar as camisolas mais bonitas do Mundo a jogar contra as mais esquisitas do Mundo. 

Para amanhã, não espero facilidades da parte da malta que veste de xadrez, mas espero sinceramente que o F.C.Porto faça uma exibição e resultado que espelhe bem a diferença astronómica de qualidade que efectivamente existe entre as duas equipas. E que no fim a meia dúzia de "boavisteiros verdadeiros" e os milhares que vão equipados de preto e branco, mas de coração pintado de vermelho ou verde, saiam do Dragão com a certeza absoluta de que mais valia terem ficado em casa.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Vitória SC vs F.C.Porto


Duelo de líderes, em Guimarães, nesta 4ª Jornada da Liga Portuguesa. Face à longa paragem nas competições domésticas para jogos das selecções - algo que, nesta fase inicial dos campeonatos, me parece absolutamente ridículo - havia alguma expectativa face ao que poderia produzir o nosso F.C.Porto, desta vez sem a magia de Oliver no meio-campo. Não fomos péssimos mas também não fomos totalmente competentes, e perdemos pontos contra uma bem orientada e "espremida" equipa de Rui Vitória. 


Os primeiros 30 minutos foram... um bocejo. Do nosso lado, jogo lento e previsível, muito por culpa dum meio-campo desorganizado e sem ideias, com demasiados maus passes e falhas de posicionamento que chegaram a enervar. Terminámos a 1ª parte com uma quantidade anormalmente baixa de ataques e permitimos quase o mesmo número ao adversário. Não fosse Brahimi (a demonstrar mais credenciais a cada jogo que passa), a desequilibrar nas suas diagonais venenosas, e a solidez defensiva demonstrada e dir-se-ia que não estivemos em campo. Depois da paragem devido aos lamentáveis incidentes registados na bancada dos adeptos da casa notou-se uma clara melhoria na produção. Fez-nos bem o "time-out"! Nesses últimos 15 minutos conseguimos ter mais bola, chegar mais vezes com perigo e podíamos até ter marcado por Brahimi. O resultado ao intervalo espelhava o equilibrio que se registou, e castigava o nosso aparecimento tardio no jogo.


A 2ª parte foi claramente melhor, houve mais velocidade na circulação e mais bola, mas o ponto de viragem na partida foi a entrada da Evandro, que veio dar um elemento de ligação ao ataque ate então, inexistente. Brahimi e Ángel - que desta feita fez um jogo bastante positivo - fizeram a cabeça em água ao lado direito da equipa vitoriana, e duma das arrancadas de Brahimi resultou o penalty que deu a Jackson o golo. Confesso que dada a serenidade evidenciada nos processos defensivos, não pensei que os da casa fossem capazes de chegar ao empate. Acabaram por chegar num erro individual  clamoroso (que ingénuo foi Jackson...) e, pese embora as jogadas que criámos até final, que deixaram uma clara ideia de que poderíamos ter ganho com facilidade, acelerando um pouco o jogo, o resultado não mais se alterou. Um castigo justo para a forma amorfa como, mais uma vez, entrámos no jogo, e para a inoperância do nosso meio-campo durante largos períodos.


Repito, a ideia geral com que fiquei foi que com mais alguma velocidade na circulação e com um elemento como Evandro como titular, a comandar o meio-campo e a criar linhas de passe seguras para subirmos no terreno sempre bem apoiados, poderíamos e deveríamos ter saído de Guimarães com os 3 pontos. Saímos com 1... Foi como pedir um fino e darem-nos Sagres em garrafa. Ou como comer francesinha sem linguiça e com bife de perú. Meh...


(+) Positivo


Maicon e Indi -  Um belo jogo destes senhores. Sempre seguros nas coberturas, e impecáveis na marcação ao irrequieto Tomané. Sendo certo que continuam a evidenciar não serem "Iniestas" na fase de construção, nota-se já algum trabalho na nossa dupla. Mais jogo simples quando é necessário (evitando aqueles 10 minutos de calafrios como contra o Marítimo, por exemplo), e alguns passes mais verticais que ajudaram a abrir espaços lá na frente. Acima de tudo, muita segurança (especialmente Maicon).  Gostei!

Brahimi -  Que jogador incrível! Foi o grande motor da nossa equipa, mais uma vez. Quando joga na esquerda, revela ter uma capacidade técnica apurada e uma velocidade de execução estonteante. É capaz de desmontar teias de adversários com uma facilidade desarmante e, mais importante, nunca perde o sentido colectivo do jogo, procurando sempre jogar e tabelar com os companheiros. MVP deste jogo!

Jackson pelo golo - Outro golo do nosso renovado goleador. E de penalty!! Será desta que a nossa "diarreia mental" dos penalties termina?

Evandro -  Começa a ficar complicado perceber a razão pela qual o nosso médio mais inteligente não é titular. A diferença abismal de qualidade de jogo após a sua entrada diz tudo. Joga bem, joga simples, faz jogar, equilibra a equipa, define quase sempre muito bem e tem uma tranquilidade que chateia. Parece Herrera... Ou Casemiro... (suspiro...)

Solidez Defensiva - Já na 2ª parte perdemos uma bola ainda no meio-campo defensivo. O estômago, ainda em ressaca da época passada, de imediato se encolhe até ficar do tamanho duma avelã. A equipa reage rápido e consegue de imediato colocar ganhar superioridade numérica e obriga o adversário a falhar. Bola nossa de novo... Que saudades de sentir segurança. Relembro que, fora um canto que Fabiano podia ter defendido com o cordão da chuteira e um livre mais perigoso, não me recordo de ver - neste jogo e em vários anteriores - o adversário a ter ocasiões claríssimas para marcar, ou a jogar com à vontade no nosso meio campo. 20 remates de longe? Venham eles...

(-) Negativo


Quintero -  Já se percebeu que Quintero é um 10 à antiga. Gosta muito de ter bola e tem uma técnica acima da média. Percebe-se que aquele pé esquerdo é um tratado. Mas o futebol joga-se em muitas outras vertentes. Não tem cultura táctica para jogar a meio-campo, mas também não consegue assumir de forma competente o posto de avançado interior. Muitos "rodriguinhos", uma incapacidade alarmante de jogar "por fora", com o pé menos dotado, muita preocupação em querer decidir tudo a cada lance e muito pouco futebol. Cheguei a desejar que fosse Adrián daquele lado...

Casemiro - Demasiado lento, demasiado complicativo e com péssimos timings de abordagem aos lances. Nota-se que sem uma referência segura a meio-campo, tanto ele como Rúben parecem perdidos e desposicionam-se bastantes vezes na fase de transição defensiva. Tem um físico portentoso mas demora muito a perceber qual a melhor opção. Precisa de jogar simples e, vá, quando estiver em posição frontal arriscar um remate à baliza, que não lhe faz mal nenhum. E já agora, procurar  não abusar das "faltas tácticas". E emagrecer. Ok?

Herrera - Podemos deixá-lo jogar com a camisola do México? Herrera dá a ideia de ser um óptimo médio box-to-box, com boa capacidade de transportar a bola e confortável com um jogo mais vertical. Parece perdido na nossa teia de "segurança" na construção, errando um número ridículo de passes (alguns deles em zonas de morte), raramente conseguindo desequilibrar as densamente povoadas zonas intermédias de 99% das equipas do nosso campeonato. Foi doloroso ver a quantidade de péssimas decisões que tomou sempre que conseguiu chegar com bola ao último sector do Vitória. Um desespero! Muitos furos abaixo de Evandro, seria a minha escolha para dar o lugar ao brasileiro.

Lopetegui - Mister, adoro ver a forma incansável como segue as incidências do jogo. Tem dado para perceber que a malta tem trabalhado para evitar certos erros que evidenciámos nos jogos de preparação e no primeiro ciclo de jogos desta época. Mas, porra! Se houve coragem para apostar no Rúben, e para confrontar o vedetismo do Quaresma, também tem de haver "cojones" para sentar o Herrera e/ou o Casemiro e ver como funciona com o Evandro! Não podemos continuar a dar primeiras partes de avanço aos adversários. Se a ideia é ter bola e construir com segurança, construamos, mas com mil raios, ganhemos facilmente este tipo de jogos... Ah, e aquela substituição aos 89 minutos teve laivos de Paulo Fonseca. Não sei se ouviu que o rapaz passou mal aqui...

Jackson no penalty cometido - Numa palavra: menino! Desculpa mas foste mesmo "anjinho". Tínhamos o jogo na mão. Ah, e aquele falhanço aos 84 minutos não pode acontecer. Parecias um avançado da Selecção Nacional.


Consegui fazer toda esta crónica sem analisar o trabalho das bestas quadradas que nos apitaram. Curiosamente, enquanto todo o mundo brada aos céus o fora-de-jogo mal tirado ou o(s) penalty(ies) que ficou(aram) por assinalar, deixo aqui uma opinião diferente. Se calhar nem foi a parte pior, vá... Perto dos 20 minutos, o Porto ganhava 11-2 em faltas. 11!! Cheguei a pensar que íamos terminar o jogo só com Fabiano em campo. Ao fim e ao cabo, é assim que se controla jogos. Com dualidade de critérios. Com a marcação persistente de faltas que não o são, na tentativa de bloquear e irritar a equipa com melhores intérpretes. Foi um desses jogos.

Não sou mau rapaz mas confesso que não me importava se o senhor tivesse qualquer tipo de azar, como por exemplo tropeçar enquanto atravessa o tabuleiro superior da Ponte D.Luis e, na queda, ainda acertar no tabuleiro de baixo com os queixos. E sobreviver. E viver com dores para o resto da vida. Lá está, todos têm direito de errar. Se o homem erra em 2 lances - mesmo que capitais -, um gajo deseja-lhe coisas más na mesma mas acaba por compreender. Assim é feio de mais.

Continuo, porém, a considerar que deveríamos ter ganho o jogo facilmente, mesmo aqueles bandalhos a fazer tudo para nos complicar a vida.

P.S.: A acompanhar a queda da ponte, bem podia ir o João "Obeso Mórbido e Prestes a ter um AVC" Gobern. Quebrei a promessa de nunca mais ver programas televisivos de futebol por uns segundos e fiquei logo assim!

terça-feira, 15 de julho de 2014

Época 2014/2015 - O Início

Andamos todos com uma desmesurada fome de ver os maiores do Mundo em acção. O Mundial foi mágico, envolvente, emotivo, teve um vencedor justo, revelou jogadores fabulosos e pôs a descoberto alguns bluffs do futebol. Mas aquela camisola azul e branca leva-nos para outra dimensão, que nenhum outro jogo de futebol nos pode trazer. Ver o futebol do Mundial, é ver um jogo de forma tranquila, fino numa mão e amendoins na outra, juntamente com outros(as) amigos(as), e vibrar com todas as jogadas de perigo, com as fintas, troçar dos desaires e tropeções, apoiar a Argélia e Costa Rica e terminar a vibrar com o futebol colectivo da Alemanha e a paixão sempre ardente dos adeptos argentinos. Ver o Porto não é assim! É o friozinho no estômago mal é dado o apito inicial, são unhas roídas até ao sabugo, cigarros fumados até ao "caramelo"; é a sensação sempre presente que aquele urso de apito na boca está constante e deliberadamente a prejudicar-nos, que os passes estão todos a sair uma merda, que o Quaresma não passa a bola, o Licá devia estar nos Paralímpicos e o treinador tem a mania que é bom e tal, mas nem sabe meter o Kelvin para mexer com o jogo; é gritar como um doido para a TV, para que o cabrão do vizinho de cima - que é mouro - saiba o momento exacto do nosso golo, é o sofrimento constante (mesmo que aos 85 min. ganhemos por 4-0), a doença súbita e profunda sempre que a derrota nos bate à porta... E um homem precisa disto, carago! Sendo assim, a pre-época é das alturas mais estúpidas e aborrecidas que conheço. 

Não sou homem de negócios nem de contas. Preocupa-me que o clube possa entrar em loucuras nas contratações, mas confio sempre que quem está à frente não se chama Loureiro ou Linhares (ou Vale e Azevedo... ahhhh saudades) para nos pôr na falência. Gosto que entrem novos jogadores, tenho curiosidade em vê-los jogar, anima-me que se injecte sangue novo, mas não me ponho no youtube feito doido a pesquisar vídeos dos novos craques, para projectar futuras estrelas ou flops ainda nesta fase da época- por esse prisma, Diego Valeri e Farias teriam sido o nosso Zidane e Romário nos anos que cá estiveram . Tenho pena pelos que saem (de alguns, pelo menos...), mas a cada ano que passa até isto custa menos - não temos Heróis no nosso clube, e o dinheirinho é tudo o que importa para jogadores, empresários, presidentes. Vou ter saudades do Polvo, e daquela majestosa exibição em Old Trafford, e da robustez e capacidade de trabalho do Eliaquim. Mas vai durar pouco, bem sei. Sinceramente não sei, não me interessa mesmo, quem está já contratado ou não. Não me interessam valores ou comissões. Quero é chegar à 1ª jornada e ter uma boa sensação. Não quero ver jogos com Valadares, Aves ou Genk. Quero sentir o pulso à equipa nos primeiros jogos a sério. A partir daí, sim, começa a época "a sério"! Até lá, eles que treinem muito, que suem muito, que se queixem pouco, que percebam o que significa estar neste clube, que os obriguem duma puta duma vez por todas a parar de escrever #SOMOSPORTO nas redes sociais, e que façam pela vidinha para corrigir a merda de época com que nos presentearam o ano passado. 

Pre-épocas... Dou-lhes a importância que dei quando na brilhante época do traidor-mor aqui do burgo (um tal de AVB), fomos a um célebre torneio em Paris, e parecíamos um conjunto de bêbados de tasco a tentar jogar futebol só com o pé esquerdo. Ou quando na época passada fizemos belas exibições na Emirates Cup, antes de PF ter tido um AVC e se ter esquecido contra quem jogava, quem treinava, etc...

Até agora, arrisco-me a dizer que o regresso que mais saúdo é o... silêncio. Contratações rápidas e feitas pela calada da noite, do treinador aos jogadores; poucos holofotes sobre os treinos, os métodos e as escolhas tácticas. Pouco "Show-off" nas flash-interviews dadas no final dos treinos. Pouco azo a histerismos. À Porto! Geralmente o sucesso começa com estas bases. Aguardemos... 

Que Agosto chegue rápido, com a máquina bem oleada e pronta a carburar. Sem desculpas! Sem histerismos! Com garra e bom futebol!