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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A importância de saber Comunicar

Tão simples. Tão forte. Imprimam 40 mil flyers e distribuam-nos à porta do Estádio do Dragão. Pode ser que se consiga exterminar essa praga das nossas bancadas...


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Champions: F.C.Porto vs Athletic Bilbao

Numa jornada fora do comum, tendo em conta o anormal número de golos marcados só na 3ª feira, os nossos rapazes deram um passo importantíssimo rumo aos 1/8 final da mais importante prova mundial de clubes. 


Depois do desaire amargo contra o Sporting no passado Sábado, urgia uma resposta clara e firme de todos - jogadores, treinador e adeptos. Era preciso demonstrar que a derrota tinha deixado marcas e que o orgulho estava ferido. Era importante ganhar acima de tudo o resto, e demonstrar uma atitude de combate, de vitória, que tanta falta nos fez durante larguíssimos períodos do ano transacto. Era necessário perceber se Lopetegui poderia ou não ter acusado o "toque" das críticas pós-Taça - deixou bem claro que não. Era fundamental perceber se estamos todos mesmo a remar na mesma direcção que a equipa e o treinador e a resposta foi inequívoca - não! Tivemos por isso uma noite em que ganhámos, e bem, no relvado e banco de suplentes mas onde nos cobrimos de vergonha nas bancadas, pelas razões que invoquei aqui . 

Num Dragão ainda longe de casa cheia, mas bem preenchido e colorido de incansáveis adeptos bascos, foi um F.C.Porto agressivo, acutilante, rápido e mandão que entrou em campo. Com Brahimi no meio, Quintero na ala, íamos conseguindo chegar com perigo ao último terço do campo, mas faltava sempre algum acerto na definição e conclusão das jogadas. Lopetegui, que costuma ler bem o jogo e altera quase sempre bem, percebeu que precisava de Quintero por dentro, entre linhas, e isso - e um Tello e Danilo endiabrados - foi contribuindo para muitos espaços no último reduto dos bascos. Fomos encostando o Athletic às cordas e podíamos (com mais alguma tranquilidade, a tal que decerto não cresce com assobios constantes) ter chegado com alguma naturalidade ao intervalo com 2-0.  Foi simples, bonita, eficaz e finalizada com classe a jogada que deu origem ao primeiro golo, colocando asism alguma justiça no marcador.

No regresso do intervalo, para além de trocar peças, os bascos alteraram a atitude na transição defensiva. Muito mais agressivos na nossa saída de bola, (aqui, continuamos a pecar, como falarei mais adiante), fomos obrigados a cometer mais erros, surgiram os idiotas do costume a assobiar cada toque na bola, e dum novo erro (desta feita repartido entre Herrera e Casemiro) surgiu o inevitável golo basco. Esta fase do jogo foi muito complicada, e ficou demonstrado o porquê de Quintero não jogar mais vezes numa posição central - tem muuuuito para evoluir a nível de posicionamento. Lopetegui percebeu, mais uma vez, do que a equipa necessitava e lançou Rúben Neves no lugar do colombiano, numa tentativa de nos dar mais qualidade na saída, e maior capacidade de ter bola, retirando alguma iniciativa ao Athletic. Uma vez estabilizado o meio-campo, trocou (com toda a lógica) Casemiro por Quaresma, que veio dar nova alma ao nosso jogo ofensivo. Resultou tudo na perfeição, num lance em que Quaresma aproveitou da melhor forma uma jogada simples mas brilhante de Brahimi, que lhe estendeu uma passadeira para o golo. Depois, com a entrada de Oliver, e mais alguma coesão entre sectores, conseguimos "congelar" o jogo. Mas ainda tivemos oportunidade de perceber se os nossos miocárdios estão em forma, com um perigosíssimo cabeceamento após um livre lateral, que Fabiano segurou com algum aperto. Até final poderíamos ter aumentado a contagem mas Jackson esteve em dia não no capítulo da finalização.

Vamos a notas:

(+) Positivo

  • Entrada em jogo -  Esta foi umas das coisas que mais me agradou, após alguns jogos em que entrámos um pouco "amorfos" na partida: um início a todo o gás, com vontade de "matar" veleidades logo à partida. Entrar à Porto. Gostei!
  • Aliança Tello - Danilo - Se o segundo está num momento assombroso de forma, respirando e transpirando saúde e confiança por todos os poros, muito se deve ao primeiro, cada vez mais uma peça fundamental na manobra ofensiva. O lado esquerdo dos bascos deve ter acabado a primeira parte perto dum ataque de nervos tantas foram as combinações que ambos conseguiram. Duas peças fundamentais do Porto neste momento.
  • Jogada do 1º golo - Ma-ra-vi-lho-sa! Tomada rápida de decisão, aproveitamento dos espaços, jogo interior, Herrera a aparecer no sítio certo e um hino ao futebol. Porque não aproveitar ainda mais vezes o corredor central gente?
  • Brahimi - Muito negeligenciado este rapaz quando não "aparece" mais sobre os holofotes. Mas a capacidade de drible dele é estonteante, a forma como atrai 2 e 3 jogadores e solta a bola, criando desequilíbrios é incrível. No golo de Quaresma, a sua acção é fundamental, tanto na forma como foge ao lateral, como obriga a uma compensação e liberta Quaresma numa zona mais central, com mais hipóteses de ter sucesso. Bravo! 
  • Quaresma - Lançado quando devia, a fazer o que lhe é pedido - arriscar e decidir, sem amuos, sem cara feia, com atitude e vontade. Consigo compreender que todos gostem de jogar de início, mas relembro que Solskjaer (por exemplo), foi dos jogadores mais decisivos da História do United e raramente jogava de início. Uma questão de egos, right?
  • Lopetegui - Apesar da loucura anti-Lopetegui que grassa por essa nação portista, mais uma vez esteve sublime nas mexidas. Em todas alterou o jogo e em todas nos deixou mais próximo de o ganhar. A troca posicional de Quintero e Brahimi. A entrada de Rúben, Quaresma e Óliver... Tudo decisões de alguém que percebe o jogo, lê bem o que o jogo pede, e mexe bem. Quase sempre bem, quase sempre com notórias melhorias na nossa forma de jogar. Mas decerto haverá quem critique isto. Habitua-te a estes desmiolados Lope... E manda-os foder! Assim mesmo, com f. Não é joder; é foder!

(-) Negativo

  • A saída de bola - Já muito foi escrito, dentro e fora da Bluegosfera, acerca desta questão. Continuo a ser da opinião que esta é uma das fases do jogo na qual precisamos de mais trabalho e de correcções. Sabemos que os nossos centrais não são grande espingarda com bola? Então um dos médios tem de baixar para dar apoio, e os laterais têm de estar mais subidos no terreno. Estamos continuamente numa linha de 4 jogadores, sendo facilmente anulados neste processo, O início da 2ª parte deste jogo foi uma clara demonstração da nossa incapacidade de sair perante equipas mais pressionantes, não sobre o portador de bola, mas sobre as linhas de passe mais próximas. Se se quer que sejam os centrais a sair, então eles devem ir progredindo no terreno até surgir um adversário a "fechar portas", e aí soltam num colega que, inevitavelmente estará sozinho. Perdemos mesmo muito tempo a trocar a bola lateralmente entre os 4 defesas, e o pior é que qualquer equipa (mesmo mediana ou até medíocre) já percebeu que pode anular facilmente a nossa saída. Demasiadas vezes incorremos no pontapé longo á custa deste facto. Urge corrigir isto, com alguma celeridade.
  • A "pressão alta" - Poderei estar enganado, mas a nossa capacidade de pressionar tem vindo a piorar nos últimos jogos. Alguma desorganização, gente a pisar os mesmos terrenos e algumas auto-estradas abertas em zonas absolutamente proibidas. Uma dessas fases de desnorte deu aos bascos a única situação de perigo durante a 1ª parte. Não compreendo se tal aconteceu maioritariamente pelo deficiente posicionamento defensivo de Herrera e Quintero, ou à excessiva lentidão de Casemiro, mas a verdade é que aconteceu mais do que uma vez. Também noto que Maicon e Indi nem sempre acertam nas saídas ao portador e nas coberturas. 
  • Novo erro, novo golo sofrido - Passe errado de Herrera, lentidão de Casemiro na reacção, e deficiente leitura de Maicon, que foi batido com uma facilidade inacreditável -  com uma finta que consistiu em trocar a bola de pé, com a maior das calmas. Continuem a tentar corrigir isto rapazes, senão vamos tornar os nossos cardiologistas em bilionários! Nota: mais incrível do que a nossa incpacidade única a nível Mundial de marcar penalties, só a % de eficácia de aproveitamento dos nossos erros por parte dos nossos adversários. Um erro, um golo! Tiro e queda!
  • Casemiro - Lamento colocar-te aqui, logo agora que foste seleccionado para o escrete , mas tenho de ser honesto: não tenho gostado. Bem sei que vem de lesão, e por isso dou-lhe algum benefício, mas tem de se reencontrar. Casemiro parece estar a jogar sempre sob brasas, sempre com uma sofreguidão demasiado elevada, que o leva a falhar a abordagem a incontáveis lances, o que se constata na quantidade de faltas e no número de maus passes que faz. Não sabemos bem como (nem ele sabe, decerto), conseguiu terminar sem ver amarelo. Rúben é, neste momento, um 6 muito mais completo e não consigo ver Casemiro com pernas para ser um 8.
  • Assobios do público - Pura estupidez! É só isso...


Menção Honrosa: Herrera - Inauguro esta nota porque estive aqui numa dúvida enorme sobre se colocava Herrera no + ou no - . Ora, se tivemos hoje alguns fogachos do "Herrera Bom", com participação activa nas jogadas ofensivas, na forma decidida com que colocou a bola na baliza, e com uma abnegação, espírito de combate, resistência, que me fizeram imaginar que terá 3 ou 4 pulmões, aquele gémeo terrível dele, o "Herrera Mau", persiste em não o deixar voar. Continua a ser má demais (malta, má demais mesmo!) a falta de posicionamento defensivo, a forma como desequilibra o meio campo nessas situações e a fraca capacidade de recuperação de bolas (que Oliver e Ruben Neves, correndo bem menos, conseguem com maior facilidade, fruto dum muito melhor posicionamento). E um passe lateral errado numa zona em que não podemos falhar, que deu em golo do Athletic... Estou dividido gringo! 


Resumindo, 3 jogos na Champions, ZERO derrotas, ZERO pontos perdidos em casa, SETE pontos ao todo e um pézito na próxima fase. A uma equipa totalmente nova, pede-se que vá trabalhando para melhorar. Ajuda - oh! se ajuda - construir a equipa numa base de vitórias. Gostei da resposta dos nossos rapazes neste jogo. Gostei deste jogo. Gostei. Mas aquele nó no estômago antes de ir a Arouca já vai fazendo das suas... Vamos lá "engatar" numa série de vitórias? 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Porto vs Lille

E estamos na Champions! Não estamos habituados a entrar na Liga dos Campeões através de pré-eliminatórias, mas também conta e ainda recebemos mais uns trocos. Catita. Foi uma casa muito bem composta que recebeu os franceses do Lille para o jogo decisivo. O Porto repetia o mesmo onze que tinha entrado em campo na semana passada em França. Os primeiros 15 minutos dos muchachos de Lopetegui foram avassaladores. Com várias jogadas de perigo, um penalty claro que ficou por marcar sobre Jackson Martinez e controlo total do jogo. Até ao final da primeira-parte houve (novamente) espaço para alguns erros na construção. A bola queimava os pés de Indi e Maicon, e o Porto só conseguia sair a jogar através dos laterais. Existe alguma incapacidade em por a bola entre-linhas quando estamos a iniciar a construção. E com esta insegurança, os "assobiadores" voltaram. Arrrrgggggghhhhhh. Destaque ainda para a saída de Alex Sandro por lesão. Entrava Reyes e Martins Indi ocupava agora o lugar de lateral. Se com bola o holandês até se safou bastante bem com algumas investidas interessantes pelo corredor esquerdo, no momento de transição defensiva esteve várias vezes "aos papéis" por querer ocupar um espaço demasiado central para um lateral. 


Com o intervalo veio mais segurança e acima de tudo mais calma. Herrera e Ruben Neves pareciam fatigados e o foi aí que se notava alguma falta de tranquilidade no jogo portista. Herrera com um grande cabeceamento no inicio do segundo-tempo ia inaugurando o marcador. Mas foi Brahimi com um livre superiormente bem marcado a colocar o Porto muito perto da fase de grupos da Champions. O argelino deixou o guarda-redes amarrado ao chão (foi mal batido? lol) e fazia o 2-0 na eliminatória. Não satisfeito o Porto queria o golo da tranquilidade, e depois de um mau passe do Lille, Evandro dá de primeira para Brahimi que isola Jackson e o colombiano colava a bola no fundo das redes e carimbava assim o passaporte para os milhões da Champions. Primeiro objectivo da época conseguido! Muito importante esta qualificação, não só para as contas mas para o nosso ego muito maltratado na época anterior. 

(+) Positivo 


Brahimi - Não vi jogar Rabah Madjer, mas vi inúmeros videos dele. A classe que tinha nos pés só foi vista talvez em Deco. Brahimi promete dar luta para entrar nessa galeria. É incrível a forma como passa por adversários em fintas que só se fazem no FIFA. Em modo Amateur. Um golo de livre (já nem me lembro da ultima vez que vi isto no Dragão), e uma assistência para o Cha Cha Cha. Se não foi o MVP andou lá muito perto. Faz-nos sonhar bem alto este carequinha Argelino. 

Casemiro - A classe com que distribui lenha naquele meio-campo é deliciosa de observar. É um médio defensivo completamente diferente do Polvo, mas está a ser, juntamente com Maicon um dos elementos em maior destaque neste inicio de época.  A precisão do passe longo do brasileiro é fantástica, e em momentos de transição (e quando a máquina estiver mais afinada) pode ser letal. Dá para o comprar já?

Maicon - Que bestinha. Aquele corte com a pontinha do pé, foi talvez o desarme mais importante desde que está no clube. Parece estar a voltar à forma em que se encontrava antes da lesão na primeira época de Vitor Pereira. Defensivamente este irrepreensível. Tem de parar de abusar do passe longo, e perceber que não é o Beckenbauer. 

Evandro - Aquele passe para o Brahimi na jogada do segundo golo é tudo aquilo que adoro num jogador de futebol. Ainda não tinha recebido a bola e já sabia onde e em quem a ia pôr. Devolveu Gostava muito de o ver a titular com Oliver no meio. Tem muito mais futebol nos pés que Herrera. 


(-) Negativo 



Herrera da primeira parte - Chegou a ser confrangedor a exibição do mexicano no primeiro tempo. Fosse sem bola, seja a receber, seja a passar. Foram tantos os lances que morreram nos seus pés que devia ser julgado por genocídio. Na segunda-parte melhorou, porque a equipa também melhorou mas começo realmente a pensar que talvez Clasie fosse uma importante contratação para o nosso meio-campo. Porque é essencialmente aquilo que falta a Herrera - Clasie.

As estranhas lesões neste inicio de época - Tello, Alex Sandro e Casemiro. É um facto que fizemos 4 jogos em doze dias. Jogos sempre em alta rotação, mas é no mínimo preocupante olhar para o campo e ver ainda na primeira-parte jogadores com as mãos nos joelhos e com a língua de fora. A falta de gestão da posse e o deixar o jogo partir só aumenta o risco da reincidência destas mazelas. 

O árbitro - Antes de tudo é importante referir que não me vão ouvir falar de árbitros muitas vezes. Não gosto de me desculpar com arbitragens. Nunca, Mas começam a ser demasiado estranhas as más exibições dos senhores do apito em jogos europeus. Principalmente daqueles que estão muito bem cotados na UEFA. A mãe de Howard Webb, um dos queridos de Platini teve as orelhas bem quentes quando o seu filho arbitrou um Porto-Atlético e um Porto-Zenit. Desta vez foi Bjorn Kuipers, o mesmo árbitro da Supertaça Europeia contra o Barcelona (lembram-se do penalty sobre o Guarin?) Mas mais do que um penalty ou um fora-de-jogo é o critério e a forma como se "gere" um jogo. Neste jogo foram faltas defensivas transformadas em faltas ofensivas e aquele tom de sargentão com que apitou. E é com arbitragens destas que eu percebo que nunca poderia ser jogador de futebol. Porque certamente deixaria muitos árbitros como o Pedro Proença depois de uma ida ao Colombo. Toothless. 

Assobiadores, O Regresso - Estou a começar a ficar fartinho de vocês. Mesmo. E o que me irrita mais é a falta de sensibilidade que vocês têm. Porque acham que temos acabar os campeonatos sem derrotas com foi com AVB e VP. Porque acham que temos de ganhar todos os jogos com goleadas e grandes golos. Porque acham que não devemos trocar a bola no nosso meio-campo porque isso vos aborrece. Porque acham que esta equipa já devia dar show apesar de ser praticamente nova. Onde estavam Fabiano, Maicon, Indi, Casemiro, Herrera, Ruben Neves, Oliver e Brahimi há um ano? Ou não estavam cá ou andavam pelo banco ou bancada. Mete nojo este tipo de gentinha que assobia uma equipa (repito) nova, aos 30 minutos, em casa, quando esta está a jogar uma eliminatória importantíssima que garantia um income fundamental, principalmente depois do investimento feito. 2) Assobiar Lopetegui por não pôr Quaresma - A sério? Será que esta malta acha que por ter jogado Football Manager ou FIFA sabe mais que o treinador? Será que são novidade as polémicas com Quaresma? Será que ninguém percebe que o rapaz vai para velho e NÃO MUDA? Querem pulso firme para Defour e outros que falam nos jornais, mas depois apoiam o miníno de Scolari cegamente. Dou daqui uma ideia à malta do Estádio do Dragão: Quando virem alguém a assobiar, levantem a mão e chamem um Steward. Esse Steward levará o assobiador para uma sala fechada onde este é obrigado a ingerir um forte laxante. Quando a natureza chamar, a única casa de banho disponível terá apenas um buraco no chão e palha d'aço como papel higiénico. De seguida, é encaminhado novamente ao seu lugar mas reparará de imediato que lhe foi retirado o assento de modo a ficar com o dito bem dorido. Is that visual enough for you? Estou cansado desta seita. 


Tweetolândia 



E agora venha a fase de grupos! Sou daqueles que vê os sorteios como se de uma decisão por penalties se tratasse. Qualquer coisa como "Eish! Grupo H... Já fomos". Sim, é estúpido, mas é aquele nervoso miudinho que as bolinhas me causam (wink wink). Grupo ideal - Porto, Basileia, Olympiakos e Malmoe. Grupo diabólico - Porto, Borussia Dortmund, Liverpool e Roma. Vamos lá ver como corre...

sábado, 16 de agosto de 2014

Porto vs Marítimo - 1ª Jornada

Foi um Dragão cheio que recebeu pela primeira vez Lopetegui e sus muchachos num jogo oficial. Não foi uma estreia perfeita, mas é uma estreia que nos dá garantias que as coisas estão num bom caminho. O Porto foi muito superior ao Marítimo durante toda a partida e mereceu a vitória. Mas isso não impediu que sofrêssemos um pouco até Jackson conseguir o segundo golo. O "fantasma" da ultima época pairou na cabeça de quem estava no estádio, com algumas trocas de bola arriscadas e alguns automatismos que ainda não estão bem assimilados. Aos 32' o Marítimo podia ter marcado, Maicon sai a pressionar de forma pouco pensada e cria um buraco que Edgar Costa aproveitou. Valeu-nos São Alex Sandro.


Há muita coisa a melhorar obviamente mas nem tudo foi mau. Brahimi e Oliver dão outro perfume ao nosso futebol, fazem recepções daquelas que a bola pára literalmente no pé (lembrei-me de Varela e das suas recepções em que a bola avançava 5 metros depois de este a "receber") e prometem crescer muito juntamente com esta equipa. Julen Lopetegui não teve medo de apostar em Ruben Neves de inicio e revelou com isso não haver lugares cativos. Mexeu bem do banco quando se apercebeu que Herrera estava mal e que o meio-campo precisava de intensidade e alguém mais fixo. Casemiro que me deixou de pé atrás na pré-época, entrou muito bem para a posição 6. Impôs o físico e ganhou os duelos naquela zona que estavam a ser perdidos. Parece-me ainda meio preso de movimentos (demasiado rodízio?!) mas contra o Lille apostava nele. Tello veio trazer mais velocidade e foi dos pés dele que saiu a assistência para Jackson marcar o golo da tranquilidade. Bons sinais deixados ontem no Dragão mas há ainda muita coisa a melhorar. Mas (usem este momento estilo Maya para mandar vir comigo daqui a uns meses) tenho a certeza que esta equipa e este treinador se souberem crescer nos vão dar muitas alegrias.

(+) Positivo

Ruben Neves - Não podia pedir melhor estreia. Lopetegui deu-lhe a titularidade e o miúdo acabou por corresponder com um golo e uma exibição muito positiva. O mais novo de sempre a titular, a marcar e um dos mais novos de sempre a jogar pelo nosso clube. Não entro no histerismo todo à sua volta porque acho que ainda tem muito para crescer e nesta idade nos erros podem pesar muito, mas acredito que com cabecinha, se souber crescer, vai ser uma referência do clube. E que saudades temos nós de jogadores da formação!

Brahimi - É daqueles que não engana. Não engana os que de futebol percebem pouco, vendo nele a óbvia qualidade técnica na recepção, na finta ou no passe, e não engana aqueles que avaliam em coisas como "a decisão". E o argelino ontem é capaz de não ter tomado uma má decisão quando teve a bola nos pés. Com movimentos "à la James" mas do lado oposto, pegando na bola do lado esquerdo, movimento interior para o meio e incendiava a defesa insular. Absolutamente incrível a sua calma, a elegância com que ultrapassa adversários e como entrega a bola "redondinha" para quem a quiser. Já não estava entusiasmado com um jogador como ele há algum tempo...

Lopetegui - Soube mexer com o jogo. Portanto, sabe ler o jogo a partir do banco e isso por si só é uma melhoria em relação a um passado recente. Festejou o segundo golo de punho cerrado. Tal como eu. LIKE! Tem o discurso certo e esperemos que não troque as capitais europeias. E viu o (quase) mesmo jogo que eu. Bom começo mister.

(-) Negativo 

Herrera - Disse ainda na pré-época ao Z e a outro amigo em comum que o mexicano não vai encaixar neste Porto de Lopetegui. E ontem foi mau de mais... Alguém que lhe ofereça uma bússola para ele tentar perceber onde se deve posicionar. Não pareceu ajudar nem a defender nem a atacar. Sem bola é muito fraco. E com a bola nos pés é simples: a transportá-la é muito bom, a entregá-la é a roleta russa do costume. Se Classie vier, Herrera não tem lugar neste meio-campo. É uma questão de estilo. É um jogador diferente daquilo que se pede este ano aos médios do Porto. Evandro, jogador que eu e o Z apreciamos bastante, compreende melhor onde deve estar, quando deve ter a bola, e quando deve soltá-la. Herrera é um transportador de bola, como se viu no Mundial, é bom para futebol de correrias. No Porto de Lopetegui tenho sérias duvidas.

Os "assobiadores" - Aiiiiiii. Começa a ser difícil aturar esta gente. Se estádio cheio significa ter de levar com esta malta, é preferível estar mais vazio. Lá para os 30 minutos, já em vantagem, a saída de bola do Porto começou a encravar e claro: "Ai, vocês estão a trocar a bola na defesa?! Eu vim aqui para ver goleada!" Uma equipa (é bom lembrar isto!) que num ano perdeu Hélton, Otamendi, Mangala, Fernando, Moutinho, Lucho, James e (sim) até Varela, está a tentar reerguer-se após uma época que foi bastante traumática para nós mas também para eles e vocês estão no primeiro jogo da época, a assobiar a meio da primeira-parte quando já estamos a ganhar?! Ide assobiar a vossa mãe, pá. Faço-vos daqui um apelo. Levai uma chucha no próximo jogo e quando acharem que devem assobiar, ponham-na boca.

As entropias do modelo de jogo (até agora) - 1) Olho para Fabiano (e os seus pés-picareta) e fico com tantas saudades do nosso Hélton, e penso no quão perfeito seria neste Porto. Rápido a ocupar o espaço atrás da defesa e com melhores pés que muito jogador profissional. Vejo Maicon e Indi e lembro-me de Otamendi. A nossa saída de bola não pode ser feita pelo centrais, com estes... centrais. Recordo que com Otamendi, Vitor Pereira dava liberdade para iniciar jogo e que com Mangala era Moutinho que baixava para iniciar a construção. 2) Não podemos querer pressionar no nosso meio-campo como pressionamos no meio-campo adversário. Fica a promessa de que vamos ser uma equipa muita chata para os adversários este ano, dado que a nossa mentalidade é muito simples: "Ai tens a bola?! Então dá-a cá que ela é minha e dos meus amigos!" Mas já que quando estamos sem bola, e não baixam todos (há que rever compensações) é preciso também não ir pressionar ao meio-campo com os centrais... 3) Precisamos de uma referencia a 6, e não pode ser (para já) Ruben Neves.


Reconhecer erros é a melhor maneira de crescer. E dessa forma acho que é necessário identificá-los o mais cedo possível. Agora, não quero com isto ser pessimista. De maneira nenhuma. Até porque não me parecem haver motivos para tal. Se estamos assim na primeira jornada... temos um potencial infinito!