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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Liga Sagres - Moreirense vs Porto


Começa a ficar complicado compreender as oscilações deste nosso Porto, especialmente em jogos fora de portas. É igualmente preocupante conseguir descortinar como pode ser tão complicado, para uma equipa com tão bons intérpretes, passar 45 minutos a depender de livres e dum chutão para a frente (que Osvaldo dominou de forma impossível), para criar perigo para a baliza dum adversário fraco. Fraco, não. Fraquíssimo.

E não, não é da escolha dos intervenientes. Temos um plantel com capacidade para fazer 3 ou 4 "onzes" diferentes, colocar ainda jogadores da equipa B, e ainda assim ser capazes de ganhar a 90% das equipas do nosso fraco campeonato. Assumamos isso duma vez por todas. 

Ora, esta gritante incapacidade de gerar perigo contra equipas deste calibre e, pior, de gerir uma vantagem contra uma equipa que apresenta tão poucos argumentos, tem de ser motivo para alarme. Neste momento, a equipa do Porto não oferece segurança, garantias, em nenhum jogo, porque nunca sabemos que face vamos ter.

Pior do que isto tudo, só a ironia de termos concedido pelo menos 2 ocasiões claríssimas de golo (que, efectivamente deram golo) e criado quase o mesmo número de ocasiões claras, tendo 70% e uns trocos de posse de bola. O que é que andamos a fazer á puta da bola durante tanto puto de tanto tempo, pá???

Assim, senhores, não vamos lá. Porque os Campeonatos ganham-se contra os Moreirenses e Boavistas desta vida (em casa e, principalmente fora).

(+) Positivo 

Osvaldo - Na primeira oportunidade como titular, demonstrou que é um jogador de qualidade. Bem na forma como recebe, segura, e solta a bola, quase sempre com critério, quase sempre com belas execuções técnicas. Quase conseguiu transformar um estapafúrdio "passe" longo num belíssimo golo, mas foi pelo que ofereceu aos colegas que se destacou. Como não me acredito que um avançado viva exclusivamente de golos, penso que podemos estar tranquilos quanto à substituição de Aboubakar, quando tal seja necessário.


1º golo do Moreirense - O maior atestado de "incompetência" à irritante previsibilidade do nosso jogo. Bastou aos cónegos uma simples tabela, com 2 jogadores contra 3 ou 4 do Porto, para conseguirem uma situação de 1x0, daquelas de golo fácil. Tabelar, utilizando o corredor central. Terão Miguel Leal e Iuri Medeiros descoberto a pólvora? Não, não. é tão simples, tão básico, que até a merda do Moreirense consegue marcar um golo num lance destes. Nós... Lá chegaremos, quando decidirmos que andar a virar flanco a cada 2 toques é capaz de não criar grandes vantagens em lado algum.

Combatividade e Risco - Tenho lido por aí críticas ao empenho dos nossos jogadores e, francamente, não consigo compreender essa corrente de pensamento. Não me pareceu, em momento algum, que tenha sido por falta de empenho que as vantagens se esfumaram. Houve alturas em que a equipa sufucou, apertou, correu, tentou, arriscou, e acabou por ser premiada com um golo. Pena que a capacidade de "pensar" (por falta de oxigénio em muitas cabeças ou por ordens de Lopetegui?) se tenha esfumado neste período e tenha faltado nos últimos 10 minutos. E aqui, há que dizê-lo, Lopetegui esteve bem, arriscando tudo o que podia, dando ainda assim algum fio lógico às opções. E foi a colocação de Corona entre-linhas que foi decisiva para o golo. E foi também o único período em que Corona fez algo de positivo no jogo. E porquê? Porque quando a bola caía na zona central do terreno (aquela puta daquela zona que Lopetegui parece querer riscar do jogo, porque jogar com toda a gente bem colada à linha é que é fixe), Corona estava invariavelmente sozinho, e com Aboubakar e Osvaldo a confundir marcações, laterais a dar apoios interiores e extremos mais abertos, o mexicano tinha bastante tempo para chamar a si algum adversário e colocar num colega melhor posicionado. E foi aqui que se construíram as melhores situações de ataque, porque todas elas ficaram próximas de nos proporcionar finalizações mais fáceis (como as duas de Corona, em que uma deu golo). E agora fica a questão: porque ca-ra-lho não jogamos mais vezes pelo corredor central? Será que Lopetegui percebe as coisas boas que isso traz, quando é ele próprio a colocá-las em prática no decorrer do jogo? Ou será tudo isto aleatório e afinal o objectivo era jogarmos sempre pelas alas?


(-) Negativo 

As variações de flanco de Maicon - "Têm que acabar. É irritante, frustrante, desesperante. Perdas de bola (e posse) com estas brincadeiras. ATENÇÃO, não é por manter a posse ou deixar de a manter. Eu sou adepto da máxima "está apertado, joga pra fora". Bola para fora do estádio se for preciso. Agora, eu tive oportunidade de rever o jogo e contei 9 (!!!!) momentos em que Maicon se vê com bola, TEM várias possibilidades de passe curto perto de si, e decide agredir a bola em direcção a Brahimi que muitas vezes não as consegue receber nas melhores condições porque "surprise surprise" não é fácil receber um pedaço de betão a 500 km/h com os pés. Irrita os adeptos, enerva os jogadores, estraga ataques. Não tem sentido para mim." -  foram as palavras do v.a.s.c.o.  na última crónica. Qualquer semelhança, é pura coincidência...

Corona na 1ª parte - Zero. Pior do que Varela nos piores dias à Varela.

Podemos jogar sem balizas - Na 1ª parte, tirando uma paragem cerebral de Marcano logo aos 30 segundos, um livre de Maicon e um remate de Osvaldo, foi um festival de passes. Uau. Passe para aqui e para ali. Espectáculo. Bola está na esquerda, tenta-se combinação entre 3 jogadores, se não der volta para o central, reza-se para que Maicon não a espete logo num míssil na direcção de alguém e bola no outro flanco. Bola na direita, tenta-se combinação entre 3 jogadores, se não der volta para o central, reza-se para que Maicon não a espete logo num míssil na direcção de alguém e bola no outro flanco. Isto em loop, durante 45 longos e easperantes minutos. Ah, fosse isto o jogo dos 10 passes e ao intervalo já goleávamos caralho...

Últimos 10 minutos - Passamos 80 minutos a manter o adversário afastado da nossa área, salvo uma ecepcção, controlando o jogo sempre no meio-campo ofensivo. Finalmente marcámos um golo e reorganizamos posições. E depois? Segurar a bola, para impedir que aquela equipa de coxos consiga sequer sonhar em chegar à nossa baliza? Nããã... Começa um disparate de tremedeira, de chutão sem nexo, de descontrolo, em que acabámos encostados às cordas por uma das piores equipas da Liga Sagres. Absolutamente ridículo e, não me fodam, culpo Lopetegui por este descontrolo. 

E feedback positivo? - Comecei por gostar da atitude enérgica de Lopetegui. Gosto de um treinador ali no meio-termo entre a calma de Jesualdo e a energia do Traidor Ruivinho do Zenit. Neste momento, Lopetegui é uma caricatura no banco. Tudo é passado aos berros, tudo funciona aos berros, tudo trabalha a "hostias" e "putas madres" e, sinceramente, não penso que isso esteja a funcionar. Uma vez por outra não seria mau ver ali um claro feedback positivo. Seria sinal de que, espantem-se, os jogadores estão mesmo a entender aquilo que o treinador quer. E numa grande maioria das vezes, não é essa a ideia que passa no meio de tanta berraria. 

As desculpas - A relva estava alta, o árbitro não marcou falta, o adversário foi eficaz, tivemos azar, atacamos como uns malucos, a bola era redonda, o estádio era pequeno, fazia um frio do caralho, estava muito abafado, os outros tinham todos duas pernas, a bola era oval... yada, yada, yada... Desculpas, desculpas, desculpas. E no fim, 1 pontareco, contra o colossal Moreirense.




No fim disto tudo, o Sporting empata, o Benfica "esmaga" num jogo absolutamente deslumbrante de futebol e continuamos em 1º. Pelo menos, até ao próximo jogo fora. Aí... pode cair para qualquer lado. 

Sim, é esta a confiança que sinto na nossa equipa neste momento.

Venha o Chelsea, que ao menos é em casa (e, vi-o este fim-de-semana com os próprios olhos, não joga a real ponta dum real corno)!


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Liga Sagres - Porto vs Estoril



Mau, péssimo, terrível jogo do F.C.Porto, onde pouco mais se salvou do que os 3 pontos. Jogo atabalhoado, carregado de péssimas execuções técnicas e de igualmente péssimos comportamentos tácticos, que me deixam um pouco de pé atrás face ao crescimento que pareceu haver no final da pré-temporada/1ª jornada do campeonato.

E para isso, muito contribuiu Lopetegui, que a partir da parte final da época passada me começou a deixar um pouco desanimado, pela insistência em algumas decisões que só na sua cabeça parecem surtir efeito.

Ora, neste jogo, a alteração táctica tão pedida pela massa adepta surgiu; uma inversão do triângulo do meio-campo, deixando Danilo e Imbula com funções de médios de transição, e Brahimi com maior liberdade para jogar entre linhas, ao fim e ao cabo mais próximo dos locais onde pode criar perigo. Devo desde já dizer que, ao contrário do que muitos apregoam, não estou de acordo que a disposição táctica seja o nosso grande problema; o busílis da questão está, sobretudo, nas péssimas dinâmicas colectivas, que emperram o modelo, e na fraca qualidade técnica de alguns dos intervenientes. Se a isso somarmos exibições desastradas de alguns jogadores, e uma incompreensível quebra física geral por volta dos 70 minutos de jogo, e temos tudo para que o jogo corra mal.

Ora, neste 4-2-3-1, o grande problema não foi a disposição das pedras (tal como o 4-3-3 não o havia sido na Madeira), mas sim a forma como se moviam, especialmente sem bola.

Danilo e Imbula, por exemplo, atropelaram-se por diversas vezes durante o jogo (quer em 4-2-3-1, quer em 4-3-3), e a forma como a transição defensiva funcionou para os dois foi absolutamente desastrosa. Obviamente que o inacreditável espaço entre a linha avançada e a linha média não ajudou absolutamente nada. Invariavelmente, a equipa do Estoril trabalhava a bola num dos flancos, e invariavelmente Danilo e Imbula iam na cantiga, aparecendo quase sempre 2x1 no flanco contrário, com a bola a ser confortavelmente conduzida pelo corredor central. E safou-nos o facto do melhor jogador do Estoril em termos técnicos (Bruno César) parecer um texugo, para que não houvesse estragos mais sérios durante os primeiros 60/65 minutos.

Em transição ofensiva, e na saída de bola, sempre um espaço enorme entre o portador e os colegas, que quase sempre procuravam dar linha de passe encostados à linha, aparecendo só Brahimi e, a espaços, Aboubakar, para dar apoio no corredor central. Ora, se a bola caía em Brahimi, por exemplo, este tinha sempre de temporizaaaaaaaaaar, ir retirando adversários da frente e aguardar (em vão) pelo aparecimento dos extremos em ruptura, ou até mesmo dos médios, que pareciam amarrados um ao outro e confinados a 10/15 metros de terreno.

Ok, pode parecer picuínhas estar a fazer este tipo de análise, mas a verdade é que na primeira vez que conseguimos criar um movimento em que a bola caiu no corredor central depois de se fixar um pouco o lado esquerdo da defesa do Estoril, deu golo, e deu um golo fácil. Facílimo! E ao fim e ao cabo, o futebol é muito isso; criar uma vantagem para que quem finaliza tenha 99% de probabilidades de marcar. Ocasionalmente, enfiar um petardo a 40m da baliza (nada contra!), ou esperar pelo milagre dum golo de livre ou, Deus nos livre, de canto, mas sempre que possível deixar alguém na zona central com uma finalização fácil.

Como tal, o único lance de real perigo da primeira parte, e possivelmente do jogo todo, serve precisamente para explicar como deve funcionar qualquer modelo táctico, e traz-nos a verdadeira razão para termos feito as exibições de merda que fizemos nas duas últimas jornadas. Em casa, com o Estoril, que já a temporada tinha iniciado para metade das equipas e nem sabia muito bem quem seria o treinador, concedemos mais jogadas de real perigo do que as que criámos. E isto vai resultar uma ou duas vezes, mas nao resultará muitas mais, acreditem.

Andiemo para les notis (como dizem os italianos)

(+) Positivo


Brahimi - Brahimi não se "agarra" demasiado à bola porque gosta muito de driblar 500 jogadores. Brahimi agarra-se à bola porque o lateral do seu lado (neste jogo, pelo menos) tem a velocidade duma orca paralítica e a aptência ofensiva duma formiga com esclerose; porque os médios estão lá atrás, encostadinhos aos centrais, e porque os dois extremos paraciam a versão Merdas do Rei Midas, tamanha a quantidade de jogadas promissoras que transformaram em cagalhotos. Brahimi é, neste momento (a par de Evandro, ou Rúben Neves que... não jogam) dos poucos jogadores do Porto capaz de receber e rodar sem ter de dar 5 passos para trás. Dos poucos capazes de fixar jogadores e soltar em colegas melhor posicionados. Capaz de jogar sem bola e dar linhas interiores de passe. O único! Nem Danilo, nem Imbula, nem Herrera (nem que nasça 300 vezes), nem André André... Nada! Dantes, ainda havia Óliver. Agora... 

Maxi Pereira - Não, não está aqui porque é muito raçudo e porque corre muito. Tudo isso já sabemos que faz, e faz bem. E não é nhnum portento de técnica, muito menos de táctica. Cumpre, sim, mas também causa calafrios. Mas está na génese do primeiro golo. Porque ousou subir no terreno e, vendo a desmarcação de Brahimi pelo corredor central, meteu-lhe a bola no FILHO DA PUTA DO SÍTIO CERTO. Nem 2 metros à frente, nem 2 metros atrás ou ao lado. Deu golo. 

Osvaldo - Se no jogo anterior poderia ter visto vermelho na primeira acção que protagonizou no jogo, deixando laivos de Quaresmice no ar, desta feita entrou com outra disposição. E, Aboubakar me perdoe, mostrou mais e melhor em 10 minutos do que Aboubakar no resto do jogo. Tudo porque foi capaz de jogar de primeira em duas situações, criando avenidas de espaço para dois colegas (Tello e Herrera). Em 10 minutos, é certo que com o jogo já partido, teve um remate perigoso à meia-volta e esteve nos 3 ou 4 lances que criaram situações de 4x4 que Herrera ou Tello destruíram.


Estoril - Muito bem tacticamente durante o jogo quase todo. Gosto deste tipo de treinador que joga para discutir o jogo em qualquer campo. Foi bom ver uma equipa a jogar algum futebol nesta tarde de Sábado. Pena não terem sido os de azul-e-branco.


(-) Negativo

Herrera - Não é perseguição, acreditem. 4 jogadas de 4x4 perdidas, com péssimas decisões do mexicano. No golo mal anulado, demora uma eternidade a definir e acaba por atirar contra as pernas do defesa. Um bom domínio de bola, um passe simples bem feito... Sei lá, qualquer coisa! Só pedia isto... 

O duplo pivot - Estático, mal posicionado, jogadores a ocupar a mesma posição... Há ali muito trabalho pela frente e, principalmente, é preciso dar asas a Imbula. O médio francês deixa sempre boas indicações, porque recebe, roda e ultrapassa pernas de adversários com uma facilidade incrível. O problema é que depois parece que do banco recebe choques eléctricos por ter ousado criar uma vantagem na zona central e lá sai o passe lateral do costume. Ah, e Danilo, forte, possante, bom moço e tudo... Não consegue fazer um passe curto em que não pareça estar a ter uma crise convulsiva. Graças a Deus, faz poucos passes longos.

Indi na lateral - Sinceramente, não compreendi, e estou um bocado fodido - pardon my french - com esta palhaçada. Indi é central, e poderá ser lateral se todos os laterais esquerdos das equipas A e B falecerem. Mesmo assim, haverá algum nos juniores ou juvenis para fazer o lugar. Já não se usa laterais assim no futebol moderno, muito menos no F.C.Porto, muito menos em casa, muito menos contra o Estoril. Para que veio Ángel? Para que veio Cissokho? Num modelo que pede imenso jogo ofensivo aos laterais, principalmente ao lateral esquerdo, que precisa de dar mais profundidade aproveitando o jogo interior de Brahimi, coloca-se o mais lento, mais defensivo das nossas possibilidades. Atenção, não estou a colocar em causa Indi, mas sim a opção tomada.

Lopetegui - Se ganhássemos jogos pelas ideias de jogo, seria espectacular. Parece-me mesmo que a ideia de jogo de Lopetegui terá coisas fantásticas. E no ano passado, essa ideia de jogo funcionou bem muitas vezes (embora, por vezes, tenha funcionado de forma péssima). Depois de algum crescimento nos jogos de pré-época, sinto que demos dois passos atrás. E passo a explicar. Se Imbula estava tão preso, era porque de cada vez que ousava avançar e não era devidamente compensado por Danilo, levava reprimenda. Porque razão aparecem os extremos constantemente colados à linha, com zero movimentos de ruptura? Porque razão não há mais do que tentativas esporádicas para jogar por dentro, quando quase sempre isso dá golo? São os jogadores que não gostam? Ou será ordem de Lope? Porque razão não jogam os nossos melhores médios, Rúben e Evandro? Porque razão temos dois laterais esquerdos que não foram vendidos ou emprestados, mas que são (ao que parece), piores do que Indi? Porque razão jogamos com um lateral defensivo quando o nosso modelo (seja em 4-2-3-1, seja em 4-3-3, pede laterais ofensivos?

Eu gosto de Lopetegui, gosto que tenha as suas ideias e que tenha trazido uma lufada de ar fresco ao nosso futebol depois dum ano miserável como o de Paulo Fonseca. Mas começo a perder um pouco a paciência com estas pequenas coisas. Pequenas coisas que fazem a diferença. Detalhes que ganham títulos. E foda-se, tenhamos coragem para assumir que somos o principal candidato ao título, sem que isso tenha de fazer parte duma qualquer conspiração dos media para nos pressionar. Pressão? Mas somos Homens ou somos Catraios pá? Que merda é esta!

#tudonossonadadeles #vamosportocaralho #semigual

Tudo muito bonito, tudo espectacular. Mas numa época em que o principal rival está mais fraco, e o outro rival demora algum tempo a começar a carburar, não me interessa andar aqui a falar de #colinhos e de equipas novas, de que é preciso tempo, etc, etc.

As coisas são como são, há que tê-los bem no sítio e que ser competente para ganhar troféus.

Para mim, este ano, é #SEMDESCULPAS.

Lope, é sem desculpas caralho!

Oupa!


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bitaites tácticos

Depois do clima de guerra-fria que por aí anda na Bluegosfera, depois de Osvaldo (bem-vindo) e de Cissokho (bem-vindo de novo), bitaites sobre o jogo jogado durante esta pré-época!

São apenas alguma considerações dos jogos transmitidos da pré-época (Borussia Monchengladbach, Schalke 04, Valência e Stoke City) que na minha opinião merecem destaque. E sim, aceito umas aulinhas de Paint.

Coisas Boas

4x2x3x1 - Apesar do medo imposto por Paulo Fonseca, a expressão "duplo pivot" é uma espécie de Voldemort para os lados do Dragão: "The one who shall not be named". Mas a ideia é boa e com os jogadores à disposição de Lopetegui é de aproveitar. Com transportadores como Imbula ou André André e um 6 mais fixo, a coisa parece ter (boas) pernas para andar. Parece-me que só funcionará com Bueno. Ou melhor, funcionará melhor com Bueno. Brahimi também poderá aparecer por ali, mas o espanhol é mais forte pela facilidade em chegar à área e pelo hábito de actuar como segundo avançado. O golo frente ao Stoke mostra que o "tamanho de anão" esbarra na movimentação sem bola que confundiu os centrais ingleses. Muito importante ter dinâmicas diferentes.

A saída de bola com 3 atrás - Parece ser um upgrade em relação à época passada. Sem trocar a bola dentro da nossa área com o guarda-redes a ir à queima. O jogador na posição 6 baixa para o meio dos centrais e estes alargam o campo. Isso permite que os médios não baixem tanto para pegar no jogo, nem que a bola entre sempre nos laterais tornando a nossa saída de bola muito previsível. Com a capacidade de passe longo de Ruben Neves, a bola poderá facilmente "queimar" linhas.


A liberdade dada a Brahimi - E só a Yacine. Livre como um cavalo selvagem. Há um tipo de jogo com ele, e outro sem ele. É lhe dada grande liberdade de movimentos. O Porto fica muitas vezes com 4 médios pelo centro do terreno. Se estamos em posse é o lateral do lado dele (normalmente será o esquerdo) que sobe bastante para dar largura e o Porto acaba por chegar ao ultimo terço do terreno com muita gente. Se estamos a iniciar construção, Brahimi arrasta marcadores directos e cria buracos na defensiva adversária, para além de oferecer mais linhas de passe aos centrais/médios que iniciam o jogo. Dinâmica interessante e para seguir esta época: Yacine Brahimi, a deambular livremente dentro da organização Portista.


Imbula - O senhor "20 Milhões" vai ter muita de gente a segui-lo e a lambuzar-se de raiva e inveja para o ver falhar. Mas este chavalinho promete deixar mossa. É dono de um conceito que já não vemos há uns anos: Um box-to-box com pés. Uma espécie de anti-Herrera. Parece-me que precisa de aprender algumas noções de posicionamento e de perceber quando deve ou não acelerar o jogo, mas se fosse um jogador com tudo sabido não tinha vindo para nós... A sua passada larga vai permitir ao Porto acelerar muito o jogo aquando da recuperação de bola. Isto se Lopetegui deixar!

Melhor controlo de profundidade e de distância entre linhas - Principalmente no Torneio de Colónia foi notória a melhoria deste aspecto. Linhas próximas, que tornam a equipa mais compacta e consequentemente bloqueia a criatividade ao adversário. A imagem em baixo ajuda a perceber qual o posicionamento correcto a ter quando não temos bola, pois desta forma o adversário não tem onde jogar/criar. Era das melhores qualidades da equipa de Vitor Pereira - equipas curtinhas em campo. As marcações quase a nível individual entopem a criação do adversário, principalmente quando o movimento sem bola é lento e previsível. Gostei muito mesmo.

Coisas Menos Boas

Centrais a pressionar - Viu-se alguma vezes (Borussia, Schalke e Stoke) e não gostei particularmente dessa hipótese. Indi, Marcano e Maicon (mas esse faz mesmo quando não é mandado...) a abandonarem a linha defensiva para irem pressionar um elemento mais à frente. A imagem abaixo é esclarecedora do perigo que estes comportamentos, por vezes impulsivos, podem causar. Não existe sequer uma linha, quanto mais um "linha defensiva". Marcano sai da sua zona e vem pressionar o portador da bola que devia estar a ser vigiado por um médio. Se este se vira, vai criar automaticamente um 2x3 em posição frontal com a nossa baliza. (E porquê é que é importante ter essa linha? Porque dessa forma os jogadores estão mais próximos, é mais fácil controlar a profundidade e executar uma possível defesa em linha, etc.) A REVER COM CARÁCTER DE URGÊNCIA. 


Indefinição de tarefas em 4x3x3 - Falou-se muito na falta de criatividade da equipa e da necessidade de comprar mais um médio. Mas o principal problema que ajudou à falta de golos nesta pré-época foi a indefinição de tarefas dos jogadores a actuar na posição 8 e 10 quando a equipa estava em 4x3x3. Quem sobe, quem fica, quem aparece na área, quem aparece à entrada da área, quem desce para pegar no jogo no inicio da construção, quem aparece entre linhas... O único que entendia melhor o que a equipa precisava era Evandro (mais na posição 10) que apareceu muitas vezes entre-linhas a receber, dando de seguida na ala ao extremo subindo para área (obrigando de alguma forma o 8 a ficar para trás). Se a indefinição é táctica, não há jogador que possa resolver isso. A rever.

Corredor central - Vemos muitas vezes os extremos (variando onde a bola cai) a vir (demasiado?) para dentro. A equipa fica (em teoria) mais compacta mas perde largura quando quer acelerar os jogo. Têm de ser os laterais a darem-na com subidas pelo flanco mas ao mesmo tempo expõe muito a equipa a eventuais contra-ataques.

Destaques Bons

André André - Já gostava muito dele. Ao contrário do Z (certo, rapaz?). Acho que tem o espirito certo, para o clube certo. É um dos nós que ali está. Mas é muito mais do que um "André Castro". Tem pés e uma noção de posicionamento que equilibra sempre a equipa e impede buracos na organização da equipa, seja a defender ou a atacar. Vai ser um jogador importante porque apesar de ser um 8, pode fazer qualquer uma das posições de meio-campo. Ah, e sem refilar, não é Defour?

Ruben Neves a 6 - Só pode ser 6. Não se pode pedir que seja um "Polvo" porque tem demasiado futebol nos pés. A qualidade nos passes da primeira parte do jogo com o Schalke foi deslumbrante. Opção a ter em conta principalmente em jogos com equipas muito fechadas, tal é a facilidade com que coloca a bola a 30 ou 40 metros enquanto boceja. Um mini-Pirlo em potência. E esta "volta ao mundo" no jogo com o Schalke? Txiiii...

Varela - Um regresso cheio de vontade do Drogba da Caparica. Até cantos marcou (e bem diga-se), com a bola a cair na marca de penalti. Sim, continua com aquelas recepções em que parece ter o pé furado tipo glitch do FIFA ou PES. Mas dá muito à equipa sem bola. Fecha bem, procura o meio, aparece bem na área, temporiza à espera da subida do lateral para criar o overlap. É um extremo diferente, um extremo de equipa. A época passada a saltitar entre clubes deve ter sido suficiente para perceber onde realmente está bem.

Danilo Pereira - É um Panzer. A facilidade com que faz recuperações sem recorrer a carrinhos é incrível. É "só" colocar o caparro à frente. A nível fisico, Imbula e Danilo dão à equipa centímetros e músculo. Dá mais segurança defensiva à equipa que Ruben Neves, e impõe mais respeito. Retira-lhe talvez alguma qualidade de passe. Mas atenção, está longe de ser um "taco".

Maxi - Apesar de não estar ainda nas melhores condições físicas, adorei a sua capacidade já conhecida de mandar aquele empurrãozinho, bloqueio ou cacetada quando perdemos a bola. Um dos problemas da nossa transição defensiva no ano passado foi o de "sermos mansos". Maxi ajudará nisso! Lembram-se quantos amarelos o Deco levava por época sempre na transição defensiva?

Lichnovsky - Boas indicações. Levou com Huntelaar e Crouch que não são propriamente fáceis de marcar e ninguém os viu muito em jogo. Prometedor. Precisa de minutos na Primeira Liga para (continuar a) crescer.

Destaques Menos Bons

Maicon - 7 anos. SETE. E a evolução é demasiado lenta. No jogo com o Borussia por exemplo, foi ridículo o número de lançamentos longos que fez da defesa até Aboubakar. E culpo-o a ele, e não Lopetegui porque esses lançamentos diminuem para menos de metade quando não está em campo. Coincidência? I think not. Sempre os mesmo erros. Sempre as mesmas falhas. Sempre as mesmas paragens cerebrais. Dasssss...

Herrera - Do pouco que jogou, foi logo notória a sua presença em campo. Pelo piores motivos. "Oh Vasco, lá estás tu a perseguir o homem" Eu juro que não estou. Revejam o jogo com o Stoke ou com o Valência e vejam a quantidade de más recepções ou passes errados que o Héctor fez e que resultaram na perda de posse/bola da equipa. Tendo Evandro, Sérgio Oliveira, André André, Imbula como comparação é assustador o seu controlo de bola. Admito que esteja exausto, e para isso a muito contribuiu a participação na Gold Cup depois da época longa. Mas não me parece que tenha lugar este ano no plantel. E eu adorava que ele me provasse o contrário porque tinhamos todos a ganhar com isso. 

Tello - Foi o primeiro do plantel a chegar ao Olival para debelar uma lesão trazida da época anterior, atitude essa que muito apreciei. Andou pelo Twitter a espalhar a hashtag #VAMOSPORTOCARALHO e pôs os adeptos todos malucos. Ainda está muito em baixo de forma, sem aparecer em jogo, sem rasgo e sem brilho, mas ainda assistiu os colegas duas vezes. Ao contrário dos outros dois, não estou particularmente preocupado com a sua fase negativa. Sei que o Speedy Gonzalez espanhol vai subir de rendimento.



E para vocês quais foram os pormenores mais interessantes da pré-época? A nível colectivo e a nível individual?




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Acabar Ligado às Máquinas

Depois de mais de um mês com tempo para pouco mais do que ir espreitando os espaços de que não prescindo nesta Bluegosfera, finalmente tive algum tempo para me sentar à frente do computador e escrever algumas coisas. Há muito para dizer, para analisar, para discutir, para ouvir e para ler. 

Decidi organizar tudo por tópicos que irei colocando por aqui nos próximos dias, porque gosto muito de vós e acho que ninguém merece um post com 20 páginas. :)

Vá, agora mais a sério, decidi hoje (enquanto decorre o último jogo da temporada que, infelizmente não pude ir ver nem seguir a partir de casa) escrever algo sobre os jogos que se seguiram a Munique e Bayern. Foram jogos diametralmente opostos ao período anterior, entre Dezembro/Janeiro e final de Março/início de Abril onde, em alguns jogos, o nosso futebol atingiu patamares de topo.


Os últimos jogos da época

Tenho andado ausente da Bluegosfera, por razões que já expliquei atrás, mas nunca me ausentei do portismo que orgulhosamente carrego. Como tal, mesmo não acreditando numa conjugação favorável dos astros para que conseguíssemos o (quase) impossível, acompanhei o melhor que pude os jogos do F.C.Porto pós-Luz. E parece-me que a mesma descrença que me assolava (bem como à grande maioria dos portistas) se apoderou da equipa. Exibições tristes, sem chama, sem energia, sem grande fôlego, quase numa toada de "cumprir calendário". Exibições q.b. (menos a de Belém), com quase todos os defeitos a ganharem força. Fossem os 6909233 passes errados de Herrera, os amuos de Quaresma, o futebol demasiado lento, previsível e mastigado ou as desatenções do costume no sector mais recuado, foi assim que terminámos a época. Penosa e dolorosamente, à espera que alguém fizesse o favor de desligar as máquinas. Conseguimos ser nós mesmos a desligá-las, como falarei a seguir. Um final demasiado cinzento para uma época que, a meio, ameaçou ganhar uma bonita palete de cores. 



Jogo de Belém

Cheguei a ter uma ideia sobre um possível post sobre este jogo. Seria, simplesmente, "Vão gozar com o grande e real caralho que vos foda...". Este foi, com toda a certeza, o pior jogo da época, quase tão miserável como o de Olhão na época passada -  e quando um jogo se assemelha a qualquer dos jogos da época passada, penso que fica tudo dito. Conseguiria perceber um jogo assim se o jogo do Benfica tivesse sido mais cedo, e tivesse ditado a conquista automática do título para os encarnados. Mas não foi assim! Do outro lado havia um empate, havia pressão, havia muito coração e pouca cabeça e, sobretudo, poderia haver sombras a pairar sobre o reino encarnado durante mais uma semana. No Desporto, como na vida, teremos sucessos e insucessos (e os segundos serão sempre muitos mais do que os primeiros), e a forma como lidamos com uns e outros é que dita a fibra de que somos feitos. 

"Não vamos ganhar sempre (infelizmente), poderemos não ganhar tanto como nos habituámos a ganhar, mas foda-se, para nos conseguirem derrotar vão ter de suar, sofrer, como cães!" - era isto que devia estar no sangue dos nossos rapazes. 

Vistas bem as coisas, teve mais brio cada jogador do Vitória de Guimarães na unha do dedo mindinho no pé, ao lutar bravamente para que a festa não ocorresse na sua casa do que o somatório dos nossos jogadores (titulares e banco) e de alguns elementos da nossa equipa técnica. 

Que merda foi aquela? Que miséria foi aquela? Zero jogadas de ataque! Zero de vontade de jogar! Zero de atitude competitiva! ZERO!!! 

Uma caricatura de equipa de futebol, com figurantes disfarçados de jogadores de futebol, cuja única possível associação com uma Instituição com a grandeza do F.C.Porto era o Brasão Abençoado que estava estampado nas suas camisolas. Uma vergonha!

Lamento, não há #colinhos que nos possam valer: esta exibição não foi caso único esta época e, quem joga desta forma, não merece mais.

Claro como água.





segunda-feira, 27 de abril de 2015

Benfica vs Porto e outras coisas mais...

Dada a sucessão de jogos (e o abanão de Munique) não houve tempo para mim e para o Z de fazer uma crónica pós-Munique e pré-Luz. Até a comecei a escrever na sexta-feira no trabalho mas não deu para mais. Há várias ideias que ficam de Munique mas deixo para esta semana onde (infelizmente) teremos mais tempo. 

Depois do que se passou em Munique era importante ir à Luz dar outra imagem e, sendo um jogo de tudo ou nada, era necessário ganhar fosse por que diferença fosse. Não foi possível. Lopetegui mudou muito mas a mudança mais significativa foi para mim a entrada de Hélton para o onze. Suponho que Fabiano acaba assim o (curto) reinado no Dragão. Não tem estofo, pés, mãos, braços, cabeça, calma ou concentração para ser titular. Helton entrou e a segurança/confiança na defesa aumentou 500%. Evandro e Ruben Neves também foram titulares.

O jogo foi todo ele horrível. Mas o pouco futebol jogado foi praticado por nós. Porto com meio-campo hiper povoado para asfixiar as trocas de bola do Benfica, procurou demasiadas vezes jogar em bola longa para um Jackson deixado ao abandono no ataque azul e branco.  "Retranca Vermelha" era o esperado e aí não houve surpresas. Ah, houve também a preparação do costume para performances dignas de Óscar da Academia. Quantos jogadores do Benfica caíram em choro compulsivo e berro constante ao mínimo toque? Talisca foi o De Niro das quedas. Não entendo e mete-me nojo esta constante tentativa de enganar, xingar o adversário, provocar, intimidar por parte do Benfica.

Porque o futebol foi muito curto resumo o jogo tão simplesmente assim: Primeira-parte estivemos melhor, controlámos o jogo e estivemos sempre por cima. Segunda-parte, Benfica melhorou posicionamentos e equilibrou a partida. Não houve chuveirinho, não houve massacre no fim com toda a gente na área. É assim com Lopetegui. Goste-se ou não. Fiel aos seus princípios. Mas se isso acontecesse e o Porto perdesse num contra-ataque... 

É importante dizer que o super-Benfica a jogar em casa, com 60 mil adeptos nas bancadas acabou com 3 laterais em campo e 2 trincos. Não é médio defensivos, é trincos. Também conhecidos como "tranqueiros", porque Samaris e Fejsa são apenas uns Flávios Meireles ou uns Felipes Anunciação com sotaque. Não é catenaccio, é autocarro.

Uma palavra também para Jorge Sousa. Arbitragem ridícula. Não foi por aí que não ganhámos, mas a forma como assinalou faltas inexistentes, a forma como matou qualquer ameaça de intensidade no jogo foi absurda. O critério nos amarelos? Absurdo. Fejsa entra em campo e em 3 faltas violentas não é expulso porque...? Luisão agarra a camisola de Jackson e mete-lhe a mão na cara e nada acontecesse. REPITO, não foi por aí que não ganhámos mas é desta forma que se condiciona um jogo. Controlar a intensidade.
Luisão a "tirar a febre a Jackson" na área

Não vou destacar ninguém porque há coisas mais importantes para falar.
Vejo grande parte da Bluegosfera a atirar-se a Lopetegui. E apesar de tentar ler tudo o que se escreve de modo a compreender a opinião de quem está revoltado, fico desiludido e de braços caídos quando a argumentação é "não ganhar" e ter memória selectiva. Uma coisa se percebeu bem na época anterior e nesta. São poucos os portistas que sabem perder e perceber o que aconteceu de errado. É ver tudo a cair em cima de Julen, esquecendo-se de muitas partes dessa equação. Não vale a pena voltar a pisar a tecla da revolução, 17 jogadores novos, nova ideia de jogo, alguma inexperiência/desconhecimento do campeonato Português e as suas "teias", porque isso é óbvio e já foi mais que debatido. Falemos do que é (selectivamente) esquecido. O rendimento de Danilo, Maicon, Alex Sandro, Jackson e Quaresma, por exemplo. Algum deles se mostrou a melhor nível em alguma das anteriores épocas? A resposta é não. Desde o inicio da época - e que época foi ao nível da arbitragem - sempre foi Lopetegui, sozinho contra o mundo. NINGUÉM "lá em cima" saiu em defesa do treinador. Lopetegui errou? Certamente que sim, em diferentes momentos da época. Errou, na sua época de estreia num clube de topo. Mas este Lopetegui é o mesmo que obrigou Guardiola a tirar um médio para por um defesa quando estava a perder por 3-1. Nem antes era tão bom, nem agora é tão mau. Haja clareza de pensamento e honestidade nessas opiniões, gente.

Quaresma. Se ao intervalo (de Munique) as imagens televisivas davam a sensação de que algo se teria passado no balneário entre Lopetegui e Quaresma, o jogo da Luz deixou isso bem claro. E RQ7 mostrou uma vez mais que não cresce. Vê um amarelo ridículo e mal mostrado logo depois de ter entrado porque é... pouco inteligente. E foi a única acção de relevo que teve no jogo desde que entrou. E querem muitos que ele seja titular. Se ele entrou na segunda-parte e não conseguiu fazer o badocha do Eliseu suar, querem vocês criticar Julen por pô-lo no banco? Não muda e não mudará. E no final do jogo, fica a fotografia de que toda a gente fala... 


Como pode um jogador que se diz do Porto, que passa metade do tempo a fazer juras de amor eterno, que beija o brasão abençoado, estar abraçado e aos beijos ao treinador do maior rival, que passa a vida a menosprezar-nos, a achincalhar-nos, quando não há qualquer história entre eles. Nem Jesus treinou Quaresma, nem Quaresma foi treinado por Jesus. Como se sentirão Casemiro, Óliver, Brahimi, Marcano e etc quando olham e vêem um dos jogadores mais antigos do plantel, um dos favoritos dos (poucos espero) adeptos, nestas "tristes figuras" com o treinador do Benfica? Alguém que lhes roubou um campeonato com arbitragens vergonhosas e anti-jogo? Digam-me! Honestamente como é que vocês se sentiriam nas mesmas condições? 

A este respeito, Vila Pouca do blog Dragão até à Morte diz tudo aqui: "Não queremos beijos no emblema, hoje beijam um, amanhã beijam outro, queremos respeito, profissionalismo, compromisso, atitudes correctas, sempre e não quando as coisas correm de feição. Queremos vontade, determinação e não amuos e azias, comportamentos de prima-donna. Foi assim, com estes valores que se construiu um F.C.Porto ganhador, até para além do sonho."

Cito Tomislav Ivic a respeito de Fernando Gomes para terminar o post dizendo: Para mim, Quaresma "é finito".

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Everybody hates Mondays

Confesso que não consegui deixar de libertar uma ou outra lágrima ao ver a despedida dos nossos adeptos à equipa no aeroporto antes da partida para Munique. Loucura absoluta. Os cânticos ensurdecedores, os nomes dos jogadores cantados a uma só voz, os calduços e festinhas na cabeça de toda a comitiva quase sempre brindados com um "VAMOS CARA!#@". Que orgulho em todos nós. Adeptos, equipa técnica, jogadores... Todos. 


É por isso que hoje, segunda-feira, vai ser um dia especialmente doloroso. Não é só o facto de ser o dia de regresso ao trabalho. É o primeiro dia da semana mais importante da época azul e branca. Mas primeiro, Munique. Hoje (e grande parte de amanhã) vão ser horas recheadas de ansiedade. Pensar na forma como Ricardo se vai comportar ao levar com o Ribery pela frente. Pensar na pressão a que vamos estar sujeitos por aqueles alemães que não aceitam a ideia de perder para um PIG (a histeria do departamento médico foi ridícula). Temer que nos possa calhar outro Clattenburg ou Vellasco. Horas a pensar na forma como Julen vai organizar uma defesa sem rotinas que nem teve tempo para treinar junta. Pensar se Julen lança Óliver numa ala para ajudar Ricardo no processo defensivo. Pensar se o Muller já acalmou a patareca desde quarta-feira passada ou se é preciso mandar chamar o Paulinho para lhe enfiar 2 Xanaxes pela traqueia abaixo. 

Uma coisa é certa, aconteça o que acontecer amanhã. Estamos novamente juntos. Das trevas ao sonho europeu em 12 meses. Ver a loucura daquela malta, que podia tão somente passar o Domingo em casa a descansar, ao deslocar-se até ao aeroporto só para dar um abraço em forma de décibeis a toda a comitiva... É continuar a sonhar meus senhores. Até ao apito final da eliminatória!


PS - Partilhem aqui as vossas duvidas, os vossos feelings, as vossas preocupações para amanhã. Temos de nos ajudar uns aos outros senão o coração vai disparar! 

sábado, 18 de abril de 2015

Porto vs Académica

Depois do jogo mais épico dos últimos anos, Lopetegui mexeu muito. E foi obrigado a isso. Imagino que os titulares de quarta ainda estejam deitados em banheiras de gelo e a tomar analgésicos. Só ficaram 2. Jogaram atrás Fabiano, Ricardo, Reyes, Alex Sandro (a central) e José Angel. Ruben, Evandro e Campaña no meio campo e Quintero, Hernani e Aboubakar na frente. Esperavam-se muitas alterações mas não uma revolução. Mas não havia outra hipótese se queríamos ganhar hoje e não hipotecar os próximos jogos. Primeira-parte dominadora do Porto que apesar da revolução no 11 manteve uma qualidade exbicional impressionante. As dinâmicas estão lá, os movimentos colectivos estão lá. Jogue quem jogar. Mérito de Lopetegui. O Porto chegou à vantagem aos 12 minutos por parte de Hernani que ganhou em velocidade a Esgaio e depois de um primeiro remate, marca de recarga. Destaque para as várias oportunidades criadas nos primeiros 45 minutos sempre nascidas de movimentos colectivos, bola a passar por vários jogadores. Um ou dois sustos por parte da Briosa mas estivemos sempre por cima do jogo. 


Na segunda-parte a história foi diferente. Procurámos o segundo golo e tivemos várias oportunidades mas algum cansaço das peças novas empurrou o motor. A Académica foi crescendo e chegou a demonstrar alguma supremacia enquanto o Porto foi procurando gerir. Lopetegui mexeu bem, em todos os sectores e segurou a equipa. Sem castigados para a Luz, pernas mais frescas para Munique e partimos com toda a gente disponível com ritmo para a semana mais importante da época. VENHA ELA! 

(+) Positivo

Lopetegui - Pela qualidade de jogo do Porto na primeira parte. As noções colectivas que existiram e que permitiram que a qualidade de jogo aos jogadores (sem rotinas) colocados juntos são da sua responsabilidade. Continua a ler bem os jogos e a fazer as substituições correctas. 

Ruben Neves - Sempre lúcido. O melhor do meio-campo hoje. Inteligente sem bola e decidindo bem com ela. Aqueles passes à Pirlo em que muda a bola de flanco em que a conseguimos ver a sorrir de pé para pé foram exímios hoje. Incrível a forma como vai evoluindo mantendo aquela cara de puto completamente tranquilo. 

Hernâni - Uma semana e pêras para a aquisição de Inverno. 2 golos para campeonato e estreia na Champions. Teve muitas perdas de bola e algumas (tentavas) de fintas que mereciam a banda sonora do Benny Hill. Mas tem potencial para crescer e ser uma arma importante no futuro. Continua puto.

Evandro - Não sabe jogar mal. Foi o pêndulozinho que organizou o nosso futebol ofensivo. É o típico gajo com quem Lopetegui sabe que pode contar até para apanhar os seus filhos na escola. 

(-) Negativo

Reyes - Confesso que me dói olhar para o Diego Reyes e ver que não está a desenvolver o potencial que evidenciava. Sempre vi nele "pinta" suficiente para ser um central forte na condução de bola. Mas hoje foram muitos os passes simples falhados pelo Mexicano. A capacidade mental dele é fraca e isso impede o seu crescimento. Os problemas de concentração são contínuos. Porquê Diego? É algo que não concedo a nenhum jogador. 

Duarte Gomes - Odeio-o. É dos árbitros mais filhos da puta que existe em Portugal. A forma como procurou condicionar o jogo através de faltas defensivas inexistentes foi irritante. A forma como não expulsou Esgaio, que só deu lenha o jogo todo, demonstrou aquilo que é. Vermelho por fora e por dentro. Rezo pelo fim da sua carreira. Seja por estar velho ou por invalidez.


E esta semana pessoal, toca a ficar longe das carnes vermelhas, cafés e tabaquinho. Os dois próximos jogos vão exigir muito ao nosso sistema nervoso e cardíaco! Estamos preparados? 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Champions League - Porto vs Bayern





























Perfeito.


Há momentos, em que todo o vocabulário que pensamos conhecer se torna pequenino, insignificante, para podermos descrever algo que, de tão único, tão belo, tão sublime, nos transcende. Na 4ª feira, dia 15 de Abril de 2015, um novo degrau se construiu na escadaria de vitórias sem igual do clube que amamos. Na 4ª feira, aquele relvado milimetricamente cortado teve a honra de ser o palco dum dos momentos mais incríveis a que pude assistir desde que vejo futebol. Há pouco mais de 24h, Basileia, Viena, Tóquio, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin sorriram entre si, e aplaudiram de pé os heróis de azul-e-branco que, de queixo bem levantado e com a crença inabalável no poder dos sonhadores, bateram o pé a uma das melhores equipas do Mundo, orientada pelo melhor treinador do Mundo.

Ainda tentava adaptar-me ao lugar "oferecido" pelo meu irmão (companheiro de batalha em alguns jogos), e já Neuer derrubava Jackson dentro da grande-área (por esta altura,Xabi Alonso ainda deve estar à procura do tanque que o atropelou quando pensava o que ia fazer com a bola). 1-0, num início que dificilmente poderia ser melhor. Seria mesmo assim?

Decorria o 10º minuto do jogo, e as minhas sinapses entraram em curto-circuito. Por instantes, enquanto via Quaresma a correr de braços abertos em direcção ao mar de portistas que explodia em êxtase, como se naqueles braços quisesse tomar todas as milhares de almas que se beliscavam para terem a certeza de que tudo aquilo que os olhos viam era mesmo real, não consegui festejar. Nem um som, nem um gesto, nada. Olhei em volta... Caras felizes, sorrisos rasgados e lágrimas a rolar em catadupa; abraços entre estranhos, e pais e filhos, e avôs e netos, e maridos e mulheres. Tudo unido. Tudo em êxtase. Tudo Porto.

Ah e Quaresma, se leres este texto, considera aquela agonizante eliminatória com o Schalke absolutamente perdoada!

10 minutos de jogo: F.C.Porto 2 - 0 F.C. Bayern - sejam honestos, alguma vez sonharam com um início tão prometedor?

Depois veio o tempo de regressar à Terra. De roer as unhas, enquanto aquele futebol magníficamente rendilhado dos bávaros punha alguma calma no jogo. Foi tempo de ser paciente, aguentando bem os momentos de pressão ofensiva, evitando abrir buracos no corredor central (onde se sabe que os alemães são mortíferos). No primeiro "erro" do jogo, um 2-1 demasiado penalizador para o que foi o domínio territorial e para as reais ocasiões de perigo da 1ª parte. 

O intervalo, sendo obrigatório, devia ser banido de alguns jogos. Pelo menos, para nós, doentes incorrigiveis (em concreto para mim, pessimista irredutível), devia haver um botão que fizesse "fast-forward" naqueles intermináveis 15 minutos. Na minha mente, poderia vir aí uma 2ª parte de muitos nervos, fosse porque Pep Guardiola iria sacar da sua varinha mágica e encontrar-nos algum ponto fraco, fosse pela dúvida acerca da capacidade de ver a nossa equipa ter pernas e pulmões para aguentar outros 45 minutos jogados com aquela intensidade.

Felizmente, para gajos como eu - sempre um pouco pessimistas, mesmo que o resultado nos seja favorável, por 5-0, e faltem 10 minutos para terminar o jogo - há bofetadas que vêm com a força certa, na dose certa, no momento certo. Foi um esbofeteamento saboroso, emocionante, merecido, aquele que o meu Porto me deu durante os 45 minutos da 2ª parte, onde por momentos, o peso-pesado alemão mais não fez do que encostar-se às cordas e proteger-se como pôde. Guardiola acabou por dar credibilidade a esta análise, quando decidiu trocar Gotze por Rode ainda com 2-1 no marcador, como que procurando segurar a desvantagem mínima e minimizar danos.

Depois de Neuer ter provado que, de vez em quando, há milagres a acontecer em campos de futebol, ao desviar aquele remate de Herrera praticamente por instinto (após uma jogada colectiva que foi um hino ao futebol), foi Jackson, o nosso Monstro, o nosso herói "cafetero", que numa demonstração de poder físico, classe e frieza, conseguiu materializar em golos os 45 minutos mais admiráveis que me lembro de ver uma equipa de azul-e-branco fazer desde o Porto-Lázio em 2003. Não me contive desta feita. Para além de quase ter arrancado as cabeças dos desgraçados dos "vizinhos do lado", enquanto me abraçava aos dois metros de pessoa que constituem o meu irmão, chorei, muito de alegria mas principalmente de orgulho. Aquele orgulho que nos deixa com pele de galinha, como quando Derlei empurrou a bola naquele fim de tarde em Sevilha, ou quando Juary apareceu como um foguete a finalizar outra obra-prima de Madjer. Aquele orgulho imenso, enorme, incrível, que sentimos quando se ouve a voz imcomparável da Maria Amélia Canossa antes de cada jogo, levando-nos a segurar os cachecóis ao alto até os músculos dos braços começarem a ceder. Aquela certeza de que somos o que somos, somos como somos, e para sempre assim seremos, porque somos portistas. Porque somos Porto. Porque sabemos o que é ser Porto.

Após o golo, veio o estouro fisico, como seria de prever. Jogar contra os Gil Vicentes e Moreirenses desta vida durante 2/3 da época tem as suas desvantagens. É que jogos assim, tem o Bayern aos montes durante uma temporada, e talvez por isso não tenha estranhado que alguns dos nossos rapazes tivessem festejado o 3º golo deitados no relvado, ou agarrados aos joelhos, porque já pouco oxigénio havia a chegar aos músculos por essa altura. 

Até final, para além de ir refrescando quem já não aguentava mais (menos Herrera que, segundo o meu irmão, leva uma mochila com um pulmão suplente para dentro de campo), foi tempo de cerrar fileiras, tapar caminhos, dobrar a língua, e ver a nossa versão "muro intransponível" ser posta em prática. Incrível a forma como a equipa se uniu nesta fase do jogo. Incrível também a maneira tranquila como o Bayern vai tentando "asfixiar" aos poucos quando consegue estacionar no meio-campo adversário (como aconteceu nos últimos 10 minutos), como se o jogo estivesse empatado e tudo estivesse controlado. 

Hoje, como podem compreender, não há notas para ninguém, porque seria ridículo querer destacar uns em detrimento de outros. Falarei apenas dum jogador que praticamente não vi a figurar nos destaques de outras "casas": Alex Sandro. Para mim, fez o melhor jogo com a nossa camisola vestida, e foi um elemento duma enorme preponderância em praticamente todos os momentos do jogo, especialmente quando a quebra física foi mais notória. Alex Sandro foi, durante 90 minutos, um dos melhores laterais esquerdos da Europa. E aquela assistência para Jackson... Bra-fucking-vo!

Não resisto a destacar também Lopetegui, o grande obreiro desta noite de sonho. Preparou o jogo de forma sublime, jogando com as ausências do lado dos alemães (concerteza que os jogadores que ficaram de fora lhes fazem falta, deixemo-nos de merdas), procurando montar uma teia de pressão ofensiva sobre as linhas de passe, deixando o início de construção para um lento, trapalhão e perfeitamente mediano Dante (só ultrapassado em mediania pelo seu compatriota do cabelinho loiro e encaracolado do PSG). Depois, na 2ª parte, percebendo que Xabi Alonso e Lahm (principalmente estes dois), não transpiravam robustez fisica para aguentar grandes correrias, lançou um ataque impiedoso em termos de pressão colectiva, de organização e cobertura de espaços, que deixou por várias vezes os bávaros a passar bolas... para fora! Muito bem também na gestão física dos últimos minutos, onde foi segurando as pontas até ao limite. Se no final desta época não houver nenhum título a figurar nas nossas vitrines, acreditem, não será por falta de trabalho, de capacidade de leitura táctica, por falta de exigência do nosso treinador. Foi, seguramente, a melhor contratação do F.C.Porto para esta época.

Falta um jogo, é certo. Falta ir ao covil da besta alemã. Falta um combate de 90 minutos, uma batalha na qual só estamos porque, foda-se, somos mesmo bons, e trabalhamos como uns cães para lá estar. Faltam 5400 segundos de unhas roídas, de muito suor, muita fé, muita luta, muito sofrimento. E a verdade, é que nos encontramos em vantagem. Assumamos isso: estamos em vantagem. E se fomos capazes duma exibição como a de 4ª feira... porquê ter vergonha em acreditar?

15 de Abril de 2015: Perfeito!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

sábado, 4 de abril de 2015

Marítimo vs Porto - Taça da Liga


Confesso que não gosto nada do tratamento dado por quase todos nós (clube e adeptos) à Taça da Liga. Será uma competição com todos os defeitos do Mundo e mais algum, e primariamente uma boa forma de dar algum ritmo competitivo a jogadores mais jovens/menos utilizados, mas num clube como o F.C.Porto, até os Troféus das Taças de Pré-epoca, ou da Liga Fertiberia dos Veteranos, são para ganhar. Todo este desdém começa a soar bastante a arrogância; aquela arrogância que tantas vezes apontamos aos nossos rivais pela sua atitude face às nossas conquistas. Neste momento, a Taça da Liga é uma competição com alguns anos de existência, e a verdade é que não temos uma única vitória para poder adicionar à contagem. E não me venham dizer que não foi por não tentar, ou por não lhe dar importância, porque já fomos a finais e meias-finais, e tivemos algumas das derrotas mais ridículas de que me recordo a jogar esta competição (como a goleada em Alvalade, ou a derrota em casa com o Benfica B ou C na época passada). Por tudo isto, chateou-me bastante o jogo da passada quinta-feira na Madeira. Chateou-me e preocupou-me. Especialmente por duas razões:

- Mesmo com as alterações todas que houve na equipa, o 11 inicial tinha qualidade para se debater num jogo de nível de Champions. Desta forma, cai por terra a desculpa habitual de "jogar com as reservas". Não que ache isso sequer "desculpa", mas até pode ajudar a explicar um jogo menos conseguido. O problema é que esta época, com Lopetegui não há "reservas". Ao longo da temporada, o treinador fez com que todos os jogadores do plantel pudessem ser integrados em jogos a doer, e não se pode dizer que Ricardo, Ángel ou Aboubakar não estejam preparados para um jogo destes. Penso que, de todos os jogadores, só Hernâni se pode sentir mais deslocado dentro da equipa. Em suma, não podemos dizer que jogámos na "máxima força", mas o nosso 11 inicial tinha muito melhores soluções do que o do Marítimo.

- A exibição portista foi de uma falta de qualidade técnica e táctica assustadora. Houve momentos em que parecia que tínhamos regressado à temporada passada, tamanha a desorganização em campo. Sectores estupidamente afastados, a pressão sempre mal feita, maus passes em catadupa, um ataque lento e previsível e erros estúpidos na defesa... Foi mau demais para ser verdade. Mas ainda pior do que isto foi perceber, pelo comportamento de grande parte dos intervenientes, pelas expressões faciais, pela forma displicente como foram abordados alguns lances, que o jogo estava perdido mal o árbitro deu o apito inicial. Deu toda a sensação de que os rapazes foram ali à Madeira mostrar os fatos de treino e os auscultadores da moda, em vez de irem tentar ganhar um jogo. Um acesso a uma final.

Se no post anterior me apoiei em números para analisar o que tem sido a nossa temporada em termos globais, analisemos então os nossos jogos na Madeira este ano. 3 jogos, com 1 empate e 2 derrotas, 4 golos sofridos e 2 golos marcados. Estamos perante um "bloqueio mental" igual ao que o Benfica tem com o Braga, ou o que a Holanda tem com Portugal, ou Portugal com a França? 

Acredito piamente que não passou dum péssimo jogo, muito mal preparado e ainda pior conseguido. Sinceramente, custa-me que haja menos uma final, ainda por cima num sempre apetecível Porto-Benfica. Custa-me ainda mais saber que, possivelmente "demos" ao nosso maior rival uma Taça "de borla". Acredito que, já na 2ª feira, a equipa vai saber reagir e jogar aquilo que sabe. Porque só assim poderemos ainda ter alguma hipótese de chegar ao final da época sem um redondo ZERO na vitrine dos troféus.

sábado, 28 de março de 2015

Choupana e Bayern

Nacional vs Porto - fim dum ciclo diabólico


Começando pelo fim-de-semana passado (e que longe que já vai...), falemos um pouco do jogo na Choupana. Começando pelo óbvio: perdemos uma oportunidade de ouro para "colar" a 1 ponto do Benfica e de os colocar sob uma pressão enorme, numa altura em que o fraco futebol praticado pelos nossos adversários (especialmente em jogos fora) começa a dar sinais de se poder transformar em resultados negativos. Essencialmente, perdeu-se essa boa oportunidade, no final dum ciclo absolutamente infernal de jogos, sempre com a pressão de ter de ganhar bem presente. 

Desde a última derrota da equipa (num total de 3 nesta época, em 41 jogos oficiais), curiosamente também na Madeira, encetámos um total de 11 jogos (2 para a Chapions), com 9 vitórias e 2 empates (Basileia e Choupana), 25 golos marcados e 3 golos sofridos. Este período coincidiu com uma fase de melhoria extraordinária em termos de consolidação do modelo de jogo, de consistência exibicional, de produção ofensiva e desempenho defensivo. Tudo isto alcançado num período de sensivelmente dois meses. 

Por aqui, poderá começar a explicação para algumas das dificuldades sentidas na Choupana: a questão física. Pelo que leio por essa bluegosfera, carregada de "experts" da preparação física, táctica, financeira, etc., "não se compreende como há jogadores cansados nesta altura". Ora, numa época preparado em micro-ciclos de treino e competição, depois de um período de 11 jogos em 2 meses, muitas vezes sem tempo para grandes treinos entre cada jogo, é perfeitamente natural que tenha havido uma quebra física nos 2/3 últimos jogos (especialmente de unidades como Herrera, Casemiro ou Alex Sandro), como será perfeitamente natural que após esta paragem na competição os jogadores regressem de novo com "pernas" e "pulmão". 

Porque para sermos justos, durante a 1ª parte do jogo na Choupana - enquanto todos tiveram pernas - nunca pareceu que o jogo nos escaparia. Estacionados no meio-campo ofensivo, secando qualquer tentativa de saída em transição do adversário (como qualquer equipa de Manuel Machado gosta de fazer), tivemos o controlo absoluto do jogo. Não criámos dezenas de oportunidades de perigo, é certo, mas estávamos na frente, com toda a justiça, e nada indicava que o Nacional pudesse reagir. 
Na 2ª parte houve a tal reacção da equipa da casa, e um conjunto de decisões de Lopetegui durante o jogo que, ao contrário de 90% das vezes, não pareceram surtir o efeito desejado. Especialmente, a saída de Casemiro, que nos retirou consistência ao meio-campo, deixando-nos mais desorganizados e expostos ao jogo mais veloz e agressivo do Nacional. Após o golo do empate, aí sim, sentiu-se que a equipa procurou a vitória sem pensar na melhor forma de a obter. Faltou alguma calma, mas também alguma sorte (2 bolas nos ferros é obra), e penso que o resultado final não traduz na perfeição o "filme" dos 90 minutos.

Um empate fora, na Choupana, é um mau resultado? Digamos que é um mal menor, dadas as circunstâncias. Devíamos ter aproveitado o mau resultado dos encarnados, devíamos conseguir chegar à Luz com maior equilíbrio pontual, devíamos ter conseguido gerir melhor a vantagem no jogo. Mas não haja dúvidas que, até final da temporada, mais pontos vão ser perdidos pelos 2 da frente. 

Percebe-se que é em alguns pormenores que se nota que a equipa ainda tem potencial por lapidar, como foi dito no post anterior, mas não se duvide que numa temporada que conta já com 41 jogos, um saldo de 31 vitórias, 3 derrotas e 7 empates, num total de 92 golos marcados e 22 sofridos, tem de ser vista como uma temporada muito positiva.

Após termos feito 8/9 jogos para o Campeonato com uma pressão incrível sobre o ombros, tendo que ganhar em campos tradicionalmente difíceis como Bessa e Braga, e contra adversários complicados como o Sporting e o Basileia, ainda há quem pense que a equipa não aguenta a pressão. A sério? Não aguenta? 

E também é sempre bom perceber que há coisas que não mudam. Num espaço de horas, a bipolaridade que reina em tantas cabeças portistas (pseudo adeptos dum clube e amantes de desporto) levou a que por essas caixas de comentários dos blogues de que todos gostamos fossem espalhados insultos, atestados de incompetência, e premonições de catástrofes de dimensões bíblicas. O normal portanto! Aliás, quando tal façanha parte logo de alguns escribas (muito conhecedores do futebol e muito "independentes" nas suas análises), está tudo dito. Assim como é também normal observar que a quantidade de comentários triplica após algum desaire.

Prossegue esta animada luta pela liderança, agora com uma diferença de 3 pontos entre Porto e Benfica. E com o clássico à vista... Isto está a aquecer!



Sorteio da Champions


Sejamos honestos: as nossas hipóteses de avançar para as meias-finais da Champions League são reduzidas. Penso que todos estamos de acordo quanto à valia do FC Bayern, em todos os aspectos possíveis de avaliar. O sorteio dificilmente poderia ter sido pior, até porque teremos de jogar a 2ª mão fora de casa. 

Eu, confesso, tinha pedido Bayern ou Barcelona, porque gosto deste tipo de desafio para nós. Penso, muito honestamente, que é bem mais fácil praparar a equipa para um jogo destes (em que grande parte da pressão está do lado do adversário), do que para uma eliminatória com um Mónaco, por exemplo. Como adepto do Porto mas, sobretudo, de bom futebol, estou bastante entusiasmado para ver-nos em acção contra uma das melhores equipas do Mundo, orientada por um dos treinadores que marcou a História do Futebol e por quem nutro uma profunda admiração, com jogadores de estrondosa qualidade em qualquer posição. Estou curioso para ver como vamos adaptar-nos a jogar contra uma "máquina" de futebol de posso como a dos bávaros. E, sinceramente, espero dois jogões de futebol! 

Dizia no início que as nossas hipóteses são reduzidas. Diria o mesmo de qualquer adversário do Bayern em qualquer competição. Mas não é impossível (no Desporto essa palavra não existe) derrotar os alemães! E muito embora saiba que será difícil, acredito nos rapazes! Vi o Bayern soçobrar em casa perante um bem organizado Moenchengladbach ou em casa dum agressivo Wolfsburg e acredito que é possível batê-los.

O meu avô, que nem é nada de antecipar resultados, nem de grandes "caganças" confidenciou-me ontem que acredita piamente que vamos conseguir chegar à final... Tentei fazê-lo prometer que dançará nú pelas ruas do Porto se tal acontecer, mas não tive sucesso. Uma pena, porque apesar dos seus 83 anos, o homem está numa forma física invejável... 

sábado, 21 de março de 2015

Crescimento Sustentado


Se algum portista afimar que em Março de 2014 acreditava que 365 dias volvidos seria possível ver futebol do quilate que tem sido praticado pela nossa equipa, eu digo já que não acredito. Não acredito. Não acredito mesmo.

Há um ano atrás (mais mês, menos mês) a nossa equipa implodia, sob o comando dum débil, limitado, desacreditado e derrotado Paulo Fonseca. As pernas de cada jogador pesavam chumbo, e cada jogo era um forte teste à capacidade de resiliência do mais emperdenidamente optimista adepto. O talento estava ali, pese embora em doses menos generosas do que neste ano, mas o espírito, a garra, a luta, a crença, estavam bem longe. Uma equipa em pedaços, estilhaçada por um deficiente planeamento da época, humilhada em casa e fora com uma frequência nada habitual para os nossos pergaminhos. Consideremos a época passada uma espécie de annus horribilis.

Era mesmo necessário que houvesse uma "limpeza". O presidente antecipou-o. O povo por ela clamou, em uníssono! "Cabeças terão de rolar!!!".

De novo, provou-se que as coisas têm de ser feitas de forma pensada (independentemente do resultado final).

Julen Lopetegui terá sido uma escolha arriscada, argumento que me parece perfeitamente aceitável. Para quem acreditar que os treinadores são escolhidos como no Football Manager, acredito que possa ter parecido estranho apostar num perfeito desconhecido do público. Mas as coisas não funcionam desse modo. Há um trabalho de base que acredito que seja sempre feito, seja na escolha de um jogador ou dum treinador, dependendo o sucesso da "contratação" de variadíssimos factores que penso que todos conseguem compreender.

Não será do conhecimento de muitos, mas Lopetegui ja "mora" no Dragão desde Janeiro de 2014, quando ainda ninguem tinha ouvido sequer falar desse nome. Foi aí que a construção desta "revolução" começou a conquistar pontos. Nesse momento, com tempo e serenidade, foi possivel começar a preparar a tal "revolução" do plantel, equipa técnica e, quem sabe, a provável futura mudança na forma de preparar/gerir o futebol nos próximos anos.

A vida do treinador basco tem sido, como já se previa, tudo menos fácil. Alguns adeptos não "perdoam" absolutamente nada, e vivem na expectativa de ver este tipo de  projecto falhar, para poderem ser os primeiros a dizer "Eu bem avisei!", Recordo, com carinho, o comentário que ouvi vindo da boca dum adepto portista, enquanto caminhava para casa após o jogo de apresentação aos sócios, no longínquo mês de Julho "Com esta defesa subida, isto vai ser uma tragédia...". Após 8 jogos consecutivos com apenas 1 golo sofrido, terá este adepto a mesma visão?

Com um plantel quase totalmente renovado - com 14 caras novas - e tanta juventude misturada, alguém ousou sequer pensar que por esta altura, para além de estarmos com o 1º lugar ali à distância dum deslize, estaríamos nos 1/4 de final da Champions, convivendo com equipas como Bayern, Barcelona ou Real Madrid?

Foram cometidos erros no decorrer desta época? Obviamente que sim, como sempre acontece. Nem mesmo o melhor plantel do Mundo, treinado pelo melhor técnico do Mundo, num dos melhores campeonatos do Mundo - e um dos clubes mais ricos do Mundo - como o Bayern, se livra de apanhar 4-1 do Wolfsburgo... Por isso, sim, foram cometidos erros que nos fragilizaram em determinada altura. A eliminação da Taça de Portugal em casa, pelo Sporting, foi um dos poucos momentos da actual temporada que me fizeram duvidar da real capacidade de Julen Lopetegui (e dos jogadores) de conseguir dar a volta por cima - mais pela pressão e contestação, que aí atingiram um ponto nada recomendável, do que pela margem de crescimento que sempre lhes reconheci. Também não esqueço os empates, em casa com Boavista e fora com o Estoril, que nasceram mais devido às "dúvidas" que nesse momento a equipa apresentava face ao processo/modelo de jogo, e de erros individuais que resultavam dessas mesmas dúvidas, do que pela qualidade dos adversários.

Voltando ao título do post, reflicta-se sobre a melhor forma de, em tudo na vida, construir um "projecto". A meu ver, e penso que muitos partilharão dessa opinião, é sempre preferível que uma "empreitada" como a que o F.C.Porto decidiu projectar para os próximos anos requer seja construida sobre alicerces bem fortes. E penso que tal foi conseguido, independentemente do que possa acontecer até ao final da época. Tudo foi planeado com tempo, serenidade, grande parte dos jogadores que a nós se juntaram elevaram a qualidade do plantel e o próprio Lopetegui, goste-se ou não, conseguiu aos poucos implementar um estilo de jogo muito personalizado, fazendo com que o F.C.Porto possa assumir as despesas do jogo em qualquer lado onde vá. Um F.C.Porto mandão e personalizado. Um F.C.Porto guerreiro e resiliente. Não era isto mesmo que se pretendia?

Analise-se, por exemplo, o jogo da 1ª volta com Boavista e este jogo com o Arouca, e penso que aí estará uma boa "fotografia" que explica o que quero dizer. Jogos com circuntâncias semelhantes, em que passámos cerca de 3/4 do jogo a jogar com menos um jogador, poucos dias após uma excelente vitória europeia. Se na 1ª volta houve pouco discernimento, muito coração e pouca cabeça, se houve uma equipa em campo que sabia o que queria (a vitória), sem saber muito bem como chegar lá (modelo/princípios de jogo), superando as contrariedades (estar com menos 1 jogador) - e incluo treinador e jogadores nestes pontos - vimos agora uma equipa com muito maior arcaboiço físico e táctico, confiante nas suas capacidades, solidária e compacta, que teve o jogo sempre controlado, apesar da boa réplica do adversário. Vimos jogadores que foram "vítimas" da propalada rotatividade (e que jeitão nos tem dado ter tido todas as peças a ser utilizadas em jogos a doer) a jogar como se sempre ali tivessem estado. Uma equipa que, após conquistar uma preciosa vantagem soube sofrer, defender, gerir o jogo, apesar da inferioridade numérica e da enorme fadiga acumulada em alguns pares de pernas. Isto tudo, sem Danilo e Jackson, dois dos melhores jogadores do campeonato português (e, já agora, da Europa, neste momento).

Pegue-se em qualquer jogo da primeira fase desta temporada e compare-se com qualquer jogo a seguir à derrota na Madeira, e faça-se uma análise séria. Analise-se colectiva ou individualmente o comportamento da equipa. As diferenças são tão óbvias, tão claras, tão grandes, que é necessário cumprimentar Lopetegui pelo que tem conseguido fazer com o F.C.Porto. Nota-se trabalho, nota-se evolução (individual e colectiva), nota-se uma melhoria gritante.

Um ano após o nosso futebol passou de medíocre a futebol do mais alto quilate.

Tem sido um ano de crescimento sustentado. Estão lançados os fortes alicerces para o nosso futuro a médio prazo. Porque nestes projectos, que se querem duradouros e sólidos, a firmeza da passada será sempre mais importante do que a sua dimensão ou a velocidade a que caminhamos.

Para mim, um projecto e um modelo que merecem um forte aplauso.... De pé!

Nota: este texto foi escrito antes da nossa deslocação a Braga, e só por impeditivos tecnológicos não foi publicado nessa altura. Defendo todas as ideias deste artigo, mesmo que no final da época não haja qualquer troféu para acrescentar ao nosso Museu.