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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

segunda-feira, 16 de março de 2015

Porto vs Arouca


Imagem retirada do site do FC Porto

Quando aos 10 minutos de jogo o vermelho saiu do bolso do "árbitro" , para expulsar Fabiano, senti-me recuar uns meses, a um jogo que teve circunstâncias semelhantes, e o coração apertou um pouco. Jogar com menos 1 jogador nunca é facil, seja contra Boavista, Arouca ou Barcelona, e o facto de sabermos que havia ali pernas cansadas, e a pressão de ter de ganhar para seguir na perseguição ao líder do campeonato poderiam começar a pesar na nossa exibição. Tal não aconteceu, especialmente devido a dois factores: primeiro, a forma como Lopotegui decidiu reformular a equipa para o que restou da 1ª parte; depois o facto de termos mantido a calma (especialmente após os 20 minutos), não perdendo a nossa identidade em campo, e de termos chegado ao golo com muito jogo para jogar.

Obviamente, na 2ª parte, foi necessário reequilibrar a equipa tacticamente - até porque o Arouca, bem ou mal, quis disputar o jogo e não se ficou pelos 11 homens atrás da linha de meio-campo. O que ganhámos a nível de posicionamentos defensivos (retorno a uma linha de 4 mais atrás), acabámos por perder no meio-campo, tendo ficado muito mais complicada a nossa transição ofensiva. Hoje, tinha dado um jeitaço ter Jackson em campo, pelo menos para a 2ª parte, de forma a que pudéssemos ganhar metros e qualidade de circulação e de jogo entre linhas que Aboubakar (ainda) não nos consegue dar. Por tudo isto, fomos menos capazes de conseguir reter a bola, de jogar como gostamos, e penso que com mais alguma paciência, frescura física e capacidade de decisão, poderíamos ter explorado melhor o espaço que havia nas costas da defensiva contrária.

Apesar da notória quebra física de metade da nossa equipa, bastante evidente nos últimos 20 minutos, foi bom perceber que a equipa soube sofrer, resolver os problemas que trouxe a inferioridade numérica. Foi também bom rever Hélton na baliza, sobretudo pela tranquilidade que nos traz, seja a sair dos postes, seja a jogar com os pés, ou até na monumental defesa que assinou, após venenoso remate de cabeça.

Uma boa vitória, em novo jogo atípico (este ano, estranhamente, tem havido muitos jogos assim), contra uma equipa que quis competir por algo mais do que um empate. E quando assim é, os 3 pontos são ainda mais saborosos.

Positivo (+)

Brahimi - Foi hoje importantíssimo sempre que tentávamos sair para o ataque. Brahimi tem uma característica que poderá irritar alguns, mas que o torna num jogador acima da média. Raramente aquele homem solta a bola por soltar; primeiro tenta fixar adversários, e só depois solta em quem está próximo ou melhor colocado. E isto faz toooooda a diferença. Passes, todos fazem. Mas fixar defesas, nem todos o conseguem. Pode haver quem confunda isto com "agarrar-se demasiado à bola". E tal não passará disso mesmo, confusão. Brahimi é fundamental neste tipo de jogo, e para mim mereceria o prémio MVP juntamente com Marcano.

Marcano - Começa a ser difícil definir a qualidade deste jogador. Como qualquer jogador proveniente do país vizinho, Marcano foi imediatamente rotulado de "flop", até porque Reyes é "Muuuuuito melhor". Começa a perceber-se que 2,5M€ por um defesa central desta categoria foi uma pechincha. Hoje voltou a estar soberbo, quer no número de bolas que ganhou pelo ar, quer pela qualidade na saída em posse, quer na quantidade de vezes em que teve de ir em modo "bombeiro-sapador" compensar erros dos colegas. Qualidade, qualidade, qualidade, qualidade! Marcano é isto.

Óliver - Ter-se-à notado em determinada altura uma forte quebra física, mas foi mais um belíssimo jogo do nosso "baixinho". Óliver recebe, cola a bola no pé, rodopia, faz jogar toda a equipa, com uma simplicidade desarmante. Enquanto houve oxigénio (principalmente durante a 1ª parte, foi determinante para mantermos o controlo da partida. Apesar de achar que Evandro esteve igualmente muito bem enquanto Óliver recuperava, já pensaram no luxo que é tê-los no mesmo plantel?

Quaresma - Hoje Ricardo Quaresma está nos +, especialmente porque era o tipo de jogo ideal para si. Um jogo em que teria de correr mais riscos, para tentar desorganizar a defensiva contrária, podendo por isso fazer uso da sua qualidade técnica para abrir espaços. E foi precisamente isso que Quaresma fez. O defesa-esquerdo do Arouca deve estar nesta altura ainda à procura dos rins, tantas foram as vezes em que Quaresma conseguiu trocar-lhe as voltas. E aquele cruzamento para a cabeça de Aboubakar, foi precioso. Uma pena que Quaresma, tenha tentado por 2 ou 3 vezes marcar golos quase da linha final, em vez de tirar mais cruzamentos perfeitos como aquele... Mas, se não fosse isso, não seria Quaresma! 

Aboubakar - Este jogo deixou mais claro que Aboubakar tem ainda muito para trabalhar. Principalmente no capítulo da recepção de bola, e no capítulo do passe. Contudo, foi preciosa a forma como surgiu por mais de uma vez em posição de finalizar, e fantástica a forma como apareceu ao 2º poste a finalizar um cruzamento açucarado de Quaresma.

Lopetegui - Quando seria expectável que retirasse, por exemplo, Quaresma, ou até mesmo Herrera, mantendo o esquema de 4 defesas, Lopetegui preferiu ficar apenas com Indi, Marcano e Alex Sandro (mais evidente em organização ofensiva, e na saída em posse), deixando nas mãos de Casemiro e Herrera as devidas compensações do lado direito da defesa sempre que tal era exigido. Durante 35 minutos da 1ª parte, praticamente não se sentiu que estávamos com menos 1 jogador. Obtido o primeiro golo, e com a necessidade de segurar o jogo, refrescou o meio-campo com a entrada de Rúben Neves, e segurou ao máximo a saída de Quaresma, para que Tello pudesse ajudar a tapar espaços, e pudesse eventualmente semear o pânico na defensiva arouquense com as suas diagonais. Percebeu-se que queria mais calma, mais posse, que ia pedindo energicamente do banco, mas penso que todos compreenderam que a equipa estava fisicamente de rastos, e que o melhor que havia a fazer seria abdicar da bola e defender o melhor possível.

Negativo (-)

Indi - Indi tem  alguns predicados que me fazem gostar imenso dele. É inteligente a usar o físico para ganhar posição aos adversários, e não compromete nas saídas em posse. Agora vamos fazer um exercício: quantas bolas pelo ar conseguiu ganhar a qualquer dos avançados arouquenses? Uma? Duas? Nenhuma? Não nos podemos dar ao luxo de ter um defesa central que não consegue ganhar 90% destes lances, sendo que está de frente para a bola, e não tem pela frente nenhum Ibrahimovic.

Fabiano - Fabiano é um guarda-redes normal. O próprio Fabiano sabe-o, Lopetegui também, bem como o resto da equipa. Se todos ficamos com o coração nas mãos quando tem de sair aos cruzamentos, ou quando tem de sair dos postes com aquela velocidade paquidérmica, cheio de hesitações, de dúvidas, imaginem como se sentirão os colegas de equipa. E isso pesa em certos momentos do jogo. Nota-se que os próprios defesas hesitam muito. Quantas vezes por jogo vemos um dos defesas a esperar até à ultima que Fabiano saia para recolher a bola, acabando por pontapeá-la para a bancada? Eu senti a diferença monstruosa de ter Hélton na baliza durante 80 minutos no jogo de hoje. A defesa respira muito mais confiança, a bola flui com maior rapidez sempre que há um atraso, há maior velocidade e segurança nas reposições de bola em jogo a partir da baliza. Porra, até os pontapés de baliza ganham qualidade. Detesto "cascar" em alguns jogadores, e tenho um respeito imenso por Fabiano, mas quando se diz que "há males que vêm por bem", penso que será para situações semelhantes a esta. Se a expulsão (e ausência do próximo jogo) de Fabiano significa ter Hélton até ao final da temporada, não ficaremos mal servidos.


Não sei se repararam mas ali a meio da 1ª parte houve um penalty do tamanho duma galáxia sobre Quaresma. Também não sei se repararam na quantidade de faltas e faltinhas que o "artista de serviço" marcou pertinho da nossa área, mesmo que nenhuma falta houvesse para marcar em grande parte das situações. Está-lhes na massa do sangue... Ah, o primeiro amarelo para o Arouca saiu aos 70 minutos... Por essa altura, já os arouquenses nos goleavam em número de faltas. Mais um jogo, mais uma arbitragem fraca, mais lances de prejuízo para os do costume.  




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Boavista vs F.C.Porto


Foto retirada do site do F.C.Porto
Odeio o Boavista com cada centímetro de alma que me é permitido utilizar para odiar outro clube. Fui atleta dessa agremiação durante 8 anos e juro, juro mesmo, que se juntássemos as claques todas de Benfica e Sporting num mesmo espaço, não íamos conseguir reunir tamanha concentração de fanatismo "anti-Porto" e "anti-Pinto da Costa" como ali. Tudo bem que derby é derby, que é natural haver ódio de estimação entre clubes da mesma cidade, mas tal não se verifica neste caso: para a maioria dos portistas, o Boavista é um clubezito que anda por aí. Também ajudaria se eles lutassem, de forma consistente (historicamente falando, é claro) por títulos, coisa que aconteceu uma vez em 100 anos. E claro que o facto de no banco estar sentado aquele carniceiro sob forma de "coisa" disfarçado de pessoa, de seu nome Armando, não ajuda a aumentar o meu amor pelos axadrezados. Eles que, curiosamente, tanto respeito e admiração possuem por quem tentou destruí-los, e tanto ódio vomitam por quem lhes tem de dar a mão de tempos a tempos para que se mantenham vivos. Juro-vos que anseio ardentemente por nova descida de divisão, e que terminem a discutir títulos com o Folgosa... e que mesmo assim, percam! Mas não quero que acabem... Quero que os "panterinhas" tenham de passar pela humilhação de passar décadas numa divisão condizente com a sua grandeza e com o seu futebol.

Vamos ao jogo!

Será sempre complicado jogar contra equipinhas destas, fechadas em 30 metros de terreno, a acertar nas canelas de tudo o que mexe (com a conivência do homem do apito, como já vem sendo costume no decorrer desta época), e sem grandes preocupações em jogar futebol. Isto, aliado a uma espécie de tapete de lama, borracha e relva sintético-natural, de fazer corar os campos das divisões distritais da Guiné-Conacri, pode tornar-se na receita para um potencial desastre.
Tal não aconteceu, muito graças à paciência com que o F.C.Porto abordou o jogo, mas tambem muito devido à entrada em campo de Brahimi e , principalmente, Tello, para o lugar dum esforçado mas inconsequente Hernâni, e dum Quintero absolutamente patético.
Valeu pela vontade férrea dos nossos rapazes em trazer dali os 3 pontos, conseguindo assim recolocar a diferença para o 3º classificado. Sim, leram bem, o 3º. Porque já há algumas jornadas que deu para perceber que, dê por onde der, o máximo a que poderemos almejar será o 2º lugar.

(+) Positivo

Quaresma - Facilmente se constata que muitas das características de Quaresma nunca vão mudar. Como quando roubou aquela bola, e decidiu partir para o remate numa situação de superioridade numérica, de 3x2. Mas nota-se um Quaresma diferente nesta altura da época. Um Quaresma que defende, que corre, pressiona, rouba bolas, joga um pouco mais simples, combina com qualquer dos laterais. Um Quaresma que não perde 100% do tempo a tentar fintas e fintinhas que raramente dão certo. E, acima de tudo, um Quaresma melhor fisicamente, mais cumpridor tacticamente. Um Quaresma mais consistente. E assim, vale a pena tê-lo em campo.

Marcano e Maicon - Facto: desde que os dois assumiram a titularidade, temos sofrido muito pouco, temos tido muito menos sobressaltos, e a nossa saída de bola (não sendo perfeita, nem sequer perto disso), ganhou segurança. Destaco Marcano, visto com a desconfiança do costume pelos "anti" que por aí pululam, fosse pela idade ou por ser espanhol, que tem vindo a revelar-se uma óptima surpresa. Como central, tem feito tudo aquilo que se pode pedir. Bom posicionamento, fortíssimo no jogo aéreo e muito seguro com os pés. Quanto a Maicon (bater três vezes na madeira), parece ter deixado de parte as suas paragens cerebrais.

Jackson - "Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!" - foi o que o v.a.s.c.o. escreveu no jogo de Basileia, e penso que se adapta ao jogo de ontem, e à grande maioria dos jogos desta época. Mais um golo, mais um jogo de combate. Muito bem!

Tello - Meia hora de qualidade do mal amado espanhol. Mais duas assistências para golo e, mais do que isso, a capacidade de "mexer" com o jogo. Tem defeitos? Muitos, ou emtão não teria saído de Barcelona para cá (mesmo que por empréstimo). Mas pode pedir-se muito mais?

Brahimi - O argelino veio "apagado" da CAN, e isso ficou bem provado em Basileia. Daí que tenha entendido que começasse no banco ontem. Mas a sua entrada para uma zona mais central foi fundamental para a vitória. E aquele golo é duma classe...

As alternativas - O facto de se ter dado minutos de jogo a diferentes jogadores em diferentes alturas da época, está a revelar-se agora de extrema importância. É certo que o jogo não foi brilhante, mas tal em nada se deveu a Ángel, Ricardo ou Rúben. Não caíram no 11 de "para-quedas". Têm minutos nas pernas, em jogos a "doer", e isso faz toda a diferença. O mesmo serve para Quintero, Evandro, Aboubakar e por aí fora. Saem 4 titulares indiscutiveis e o modelo do nosso jogo não se altera.

Lopetegui - De novo com "dedo" nos golos que nos deram a vitória. Gosto da forma como Lopetegui está "ligado" ao jogo a partir do banco, mas também da forma como percebe aquilo que o jogo pede. E se a nossa forma de jogar é em posse, devemos "morrer" agarrados à nossa identidade, por isso nada de "bombear" para a área adversária, à espera que um qualquer Maxi bloqueie um defesa, e que um Jonas domine com a mão e que um Jardel despeje um "chouriço" lá para dentro. Isso resultará 1 em cada 20 vezes. Nas outras, é preciso jogar como se sabe e como se treina. De novo, magistral na conferência de imprensa. No ano passado, Paulo Fonseca sempre foi "querido" pela CS, porque era "mansinho", porque foi incompetente e porque nos fragilizou. É sempre bom sinal ler e ouvir críticas a um nosso treinador por parte duma muito ofendida CS. Principalmente havendo um atrasado mental á solta nos bancos desse país como JJ. Se bem se recordam, também Mourinho só deixou de ser "arrogante" depois de sair do FCP.
  

(-) Negativo 

Quintero - Pa-té-ti-co! Gostava de ouvir todos os experts de futebol, que tanto criticam, criticaram e criticarão qualquer treinador que passe pelo Porto e que não coloque a jogar Quintero, explicar como é possível jogar tão pouco sempre que surge a oportunidade. Ou é porque está amuado, ou porque está frio, ou porque o terreno está em mau estado, ou porque os outros dão muita cacetada... Foda-se Quintero! Joga à bola mas é, caralho!

Herrera - O mexicano voltou à sua versão "jogador de distrital" a uma velocidade estonteante. Incapaz e incompetente em tantos, tantos, tantos momentos do jogo, que chega a doer. Sabendo que vai jogar, fica a questão: que Herrera teremos contra o Sporting?

Falhar golos cantados - Uma característica muito própria do nosso Porto, que em jogos de poucas oportunidades de golo já nos custou caro, e que poderá custar-nos caro mais para a frente. Hoje foi Jackson a falhar de forma inacreditável um 1xGR, na primeira e melhor oportunidade do jogo durante a 1ª parte. Pode ser pedir muito, mas a realidade é que temos mesmo de ser mais eficazes!

Critérios e coerências - Decorria a 2ª parte do jogo, quando Jackson elevou a perna mais do que devia e, escusadamente, acertou de sola na coxa dum boavisteiro. Devia ter visto amarelo, no mínimo, mas confesso que já vi vermelhos serem dados por bem menos. A questão é que nessa altura, já 3 axadrezados deveriam estar de banho tomado, desde a 1ª parte. E um desses jogadores, por acaso até foi o que esteve na jogada com Jackson. Ora, o Sr. Árbitro demonstrou coerência, porque ajuizou todos os lances da mesma forma, ainda que erradamente. Ao intervalo, repito, deveríamos estar a jogar contra 8 ou 9. E tudo isto ganha contornos de ridículo se pensarmos que praticamente todas as "cargas de ombro" feitas por jogadores nossos, foram transformadas em falta; várias dessas faltas, pertíssimo da nossa área, ou a cortar jogadas potencialmente perigosas. E depois há "o" penalty. Não sei se sabem, mas um dos tripulantes da Apollo 8 ligou cá para baixo a dizer que, da nave, se tinha visto aquele escândalo. Depois disseram-lhe que foi um jogador do Porto e que o jogo não era da Champions e ele pediu desculpa de imediato. Os tais... critérios!


A única resposta possível para quem passa tanto tempo com a cabeça enfiado dentro do próprio cú. E acreditem, felizmente, não e só Moniz a merecer essa resposta.

Já agora, porque conheço a pessoa em questão, um miminho do grande André Simões:







domingo, 8 de fevereiro de 2015

Moreirense x Porto

Jogo no sempre difícil campo de Moreira de Cónegos e em véspera dum derby Lisboeta que se correr para o nosso lado, pode irá pôr o Benfica sobre brasas. Estando obrigados a ganhar todos os jogos até ao final do campeonato (e esperar que o SLB vá largando pontos), Lopetegui repetia o onze deixando os "titulares" Indi e Brahimi no banco. Moreirense bem organizado (tem pinta o mister Miguel Leal).

Uma primeira parte bem definida pelo Z ao intervalo por "meh". Um relvado em mau estado acabou por obrigar Cardozo e André Marques a sair lesionados. Porto controlador mas pouco incisivo. Acabou por chegar à vantagem através de who else but Jackson Martinez. Herrera descobre Jackson e o colombiano num remate forte, ainda que batendo num defesa, acaba por fazer o 1-0. Até ao intervalo foi um bocejo geral, apesar do Moreirense sempre que tinha bola (e espaço) criava perigo.
A segunda-parte iniciava-se nos mesmos moldes da primeira. Porto controlava, Moreirense aguentava. Casemiro fez o 2-0 aos 58' depois de um bom cruzamento de Herrera novamente. Tello ainda teve 2 excelentes oportunidades mas não conseguiu repetir o golo da jornada anterior. Fabiano ao contrário da primeira-parte (onde tem uma defesa ridícula a um remate fácil) foi decisivo ao aguentar o 2-0 algures pelos 60 minutos. Com uma saída à Helton, impede o remate de José Pedro. Se Moreirense marcava ali... Até ao fim controlo absoluto do Porto com algumas situações de contra ataque que sempre soubemos resolver da melhor forma. E houve ainda tempo para os regressos de Brahimi e Aboubakar. Vitória incontestável. 3 pontos e vamos desejar que o derby traga boas noticias.

(+) Positivo

Jackson - Fez o golo 5000 da história do clube. Marcar simbólica de um avançado que nunca foi completamente consensual entre os adeptos mas... É um avançado completo. Quando faz aqueles movimentos fora da área de costas para a baliza. aguenta cargas, segura, temporiza e a dá a bola aos companheiros... Meu Deus. É um animal físico, um animal técnico, um animal finalizador. Jogaço.   

Marcano - O espanhol é sinónimo de segurança. A leveza com que limpou tudo pelo ar ou pelo chão foi incrível. Muito mais consistente e seguro que Maicon esta época. Não complica passes, não complica alívios e parece sempre muito concentrado durante o jogo. Titularíssimo para mim. 

Casemiro - Jogaço! Tanto eu como o Z temos deixado o brasileiro com as orelhas quentes nos pós jogo desta época. Mas ontem Casemiro apareceu em todo o lado a recuperar bolas. E as dobras? Ui! Um bom jogo do brasileiro a dar muita consistência ao meio campo defensivo.

O lado bom de Herrera - Se se abrisse o crânio de Héctor, iamos ver que existem 2 chips. O bom e o mau. O chip bom faz com que Herrera descubra Jackson em lances como o primeiro golo, meta a bola pronta para Casemiro encostar no 2-0 ou que apareça sempre junto das alas a oferecer soluções de passe. O chip mau... é tratado mais abaixo. Herrera foi determinante mesmo no meio de algumas cagadas.

(-) Negativo

O lado mau de Herrera - "As diarreias mentais de Héctor" daria uma boa tese de futebol. Provavelmente um dia teremos de arranjar uma categoria "mais ou menos" para o Mexicano. Aquele seu jeito atabalhoado quando sem bola em transição defensiva em que parece não fazer ideia de onde se deve posicionar, é angustiante. Depois de uma falta parva de Quaresma, quando a equipa saia para o ataque, o Mexicano decide colocar o braço esquerdo para receber a bola numa zona perigosa relativamente perto da área portista. What the fuck Héctor?!

Os passes longos/mudanças de flanco - Passes de 30/40 metros de um lado ao outro do campo. São bonitos de se ver quando são bem executados e podem apanhar o adversário descompensado. Mas quando há Maicon e Herrera como executantes é desesperante ver a quantidade de bolas perdidas dessa forma. Até quando vamos insistir nisto? 

Xistra a ser Xistra - Horrível durante os 90 minutos. Um penalty por marcar sobre Maicon na primeira-parte. Faltas ridículas assinaladas aos jogadores do Porto onde o mínimo toque, mesmo que no mindinho, eram motivo para apitar. E ainda conseguiu uma coisa fantástica que foi travar um ataque portista ao deitar Óliver ao chão... 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

De volta aos "palcos"!

Muito tempo passou desde o ultimo texto. Desde que criámos o blog, estabelecemos um pacto acerca da forma como iríamos abordar esta aventura: sempre numa perspectiva de uma saudável e responsável diversão. Acima de tudo, o nosso objectivo sempre passou por termos um espaço para falar de futebol, do nosso Porto, sem agendas, sem datas, sem obrigações, apenas pelo prazer de publicar muito do que partilhamos no nosso dia-a-dia quando falamos sobre o Porto.

Pois bem, ultimamente (sobretudo por razões profissionais), acompanhar sequer os jogos tem sido absolutamente impossível, e se há coisa que ambos abominamos são textos de opinião escritos em cima do joelho. E então, fomos aguardando pacientemente pela próxima oportunidade. Ei-la aqui, finalmente, nesta gelada primeira semana de Fevereiro.

Desde o jogo em Penafiel que não aparecemos e neste tempo muita coisa se passou no Universo Azul e Branco.


Vimos um Braga x Porto que foi tudo menos um jogo de futebol arruinado por um Machado que só cortava para um lado... Vimos um Porto de luta, de raça, de guerra como há muito não se via por aqueles lados. Vimos Marcano e José Angel a parecerem da cantera desde meninos, vimos Ruben Neves a coxear mas a dar tudo naqueles minutos finais, vimos Reyes a desperdiçar (mais) uma oportunidade, vimos Tello mostrar que garra e capacidade de luta não é com ele. E claro, vimos o regresso do melhor guarda redes do plantel. O nosso Hélton defendeu tudo e mais alguma coisa e provou que se calhar mesmo velhinho ainda tem muito para nos dar. Vimos uma massa adepta que não se calou um minuto e apoiou aqueles 9 homens em campo sem qualquer feeling de hesitação, Um sentimento de revolta generalizado e de bater o pé. Todos voltámos a ser um. A direcção acordou e falou! Quando a primeira volta do campeonato termina, alguém sem ser o treinador fala sobre a arbitragem. No jogo em Braga a intenção foi demasiado clara para ser ignorada. Não é só incompetência, é algo mais. Não é suposição, é acusação clara da nossa parte.


Todo o heroísmo justamente conquistado na vergonhosa noite de Braga só faria sentido se fosse capitalizada na Madeira. Lopetegui percebeu a deixa e passou uma mensagem de confiança, de crença inabalável na força e engenho das suas tropas. Mas não foi nada disto que aconteceu... Sejamos honestos - analisando o jogo de forma global, acho ridículo que se diga que o Marítimo fez mais pela vitória. Ridículo. Insultuoso. Desonesto. 
Foi, contudo, de uma eficácia monstruosa (daquelas eficácias que tantas vezes só acontecem em jogos contra o F.C.Porto) e soube defender com alguma astúcia o nosso futebol demasiado previsível e lateralizado. Perdoem-nos a insistência, mas é por demais óbvio que a paixão pelo jogo quase em exclusivo pelas alas deixa esta equipa a anos-luz do que pode fazer. O que é uma pena... 

Ainda assim, com mais alguma eficácia (e alguma sorte, como aquela que teve o Galo, que decerto não volta a marcar um golo assim na sua carreira), poderíamos ter saído dali com mais alguma coisa. Obviamente que não faltou pela Bluegosfera quem vaticinasse o fim. O adeus, O c'est fini. The end. Kaput. Bom... Aquele tipo de adeptos cujos PC's tão rapidamente se ligam ao Universo Bluegosférico nos momentos de derrota, ansiosos pelo orgasmo cibernético de poder escrever "I told you so..." pelas caixas de comentários dos pacientes e brilhantes bloggers dos quais não abdicamos de seguir. "Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra...", dizemos nós. Não somos bestiais porque aguentámos o escândalo de Braga, para passar a ser medíocres na derrota seguinte. Pelo menos para nós, v.a.s.c.o. e Z, portistas-não-aburguesados-nem-com-problemas-com-treinadores-ou-jogadores-espanhóis.
Não aconteceu assim; o futebol provou que não só connosco acontecem jogos como o da Madeira. Pois é, também o melhor-treinador-de-sempre-e-mais-umas-botas comete erros, também os seus jogadores falham penaltis e cometem erros defensivos estúpidos. E nem com nova Calabotada (absolutamente eclipsada de todo e qualquer programa/jornal/site nos dias a seguir) se conseguiu que a diferença entre Porto e Benfica passasse para 9 pontos.


Pelo meio da semana, veio a confirmação da qualificação para a meia-final da Taça da Liga, num agradável jogo contra uma horrivelmente orientada e perdida em campo Académica de Coimbra. Deste jogo, de salientar as belas exibições de Evandro, Campaña, Rúben Neves, e a entrada explosiva de Quintero. Impressionante a facilidade com que, tendo espaço de manobra entre-linhas e, claro está, forçando o jogo interior, conseguiu fazer 4 meios-golos num curtíssimo espaço de tempo. Jackson em mais uma das suas demonstrações de pura classe, ao transformar uma aberração de canto num golo genial. Depois tivemos Gonçalo. O nosso Gonçalo. O nosso menino. O rapaz de berço azul-e-branco, com apelido que rima com golos e classe. E a classe que este miúdo revela. E aquele festejo... Um momento que nos deixou de olhos humedecidos, a pensar naquela tarde perfeita do nosso Paciência sénior no batatal de Alvalade (e, a pensar que estamos a ficar velhos quando quase choramos ao ver o filho dum dos nossos ídolos de infância a brilhar com as mesmas cores).


No passado Domingo tivemos um jogo ideal para responder à vitória dos encarnados de Sábado. Lemos por alguns sítios que o Paços era isto e aquilo, fraquinho e muito manso, coisa que nos deixa absolutamente indignados (principalmente tratando-se duma equipa orientada por Paulo Fonseca - permitam-nos a piadola). Curioso foi também verificar a bem montada estratégia de pressão alta e de "defesa em modo coador" preparada por Petit para o jogo na Luz. Um assomo de coragem para quem veio ao Dragão jogar com 5 autocarros, 2 carrinhas e 1 monovolume, mesmo estando com 10.

Entrando na partida com vontade de resolver rápido e bem, os nossos rapazes conseguiram precisamente isso. Sendo certo que se mantém a nossa crença de que o nosso jogo poderia (e deveria) passar mais pelo... interior do bloco adversário, penso que a vitória e exibição não deixam dúvidas. Quaresma presenteou-nos com um dos seus momentos de magia, mas foram Jackson e Marcano que mais nos deixaram com água na boca. No caso do primeiro, não é tanto pela percentagem de eficácia na finalização (o que é diferente de ser um grande goleador) mas é pela capacidade de trabalho, técnica apurada e inteligência que põe ao serviço do colectivo que nos deixa deste modo. Quanto ao segundo, é neste momento o nosso defesa central mais fiável. Forte no jogo aéreo, bom no posicionamento, seguro com a bola nos pés, tem vindo a ganhar uma preponderância no sector mais recuado que decerto trará saudáveis dores de cabeça a Lopetegui.

Acerca deste jogo, deixamos uma palavra para Tello, também ele alvo duma insatisfação generalizada da nossa massa adepta (principalmente agora que o "patinho feio" Adrián não está em campo). Tello não é um jogador brilhante, embora tenha características muito acima da média. Tello decide muitas vezes de forma pouco acertada e assertiva. Tello joga em constante vertigem e esse tipo de jogo não é fácil de gerir em termos físicos. Se faz dois ou três sprints de 40 metros quase consecutivos, precisará de tempo para recuperar. E disso depende o jogo dele!

Criticar o rapaz porque, após uma sucessão desses piques vertiginosos, achou que as pernas não chegavam para ir buscar um passe (mal executado, diga-se) de Quaresma, tem tanto de ridículo como de preocupante. Recordo a grande maioria da nossa massa adepta que os dedos das mãos e dos pés não me chegam para contar a quantidade de "ídolos da torcida" que nem de mota, patins, carro, chegavam àquela bola. E aposto convosco que a recção seria sempre de desculpabilização de qualquer um desses jogadores. Lá está, o "espanhol" (como carinhosamente são tratados os jogadores da mesma nacionalidade do nosso mister, menos os que são bons, como Óliver, Àngel ou Marcano), não tem margem de manobra. Ponto final. Deixemo-nos de tretas. É este o sentimento generalizado duma boa percentagem da falange de adeptos e sócios que, num Domingo de Inverno, se desloca ao Dragão. Ganhar de forma convincente e "cascar" no "espanhol". Num qualquer. 

Serão esses os mesmos que já vieram criticar a compra dum dos jovens diamantes da nossa Liga, como é o caso de Hernâni. Sobre isso, o Jorge Vassalo e o Miguel Lima disseram tudo o que de lógico e pertinente se pode dissertar.


Bem-vindo caro Hernâni. Dá graças a Deus por não seres espanhol, pá!



Abraços Portistas!!

Z e v.a.s.c.o.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

BATE vs F.C.Porto - Champions

Nada me dá mais gozo do que ver um jogador mal-amado de alguma da massa adepta do nosso clube (e de tantos entendidos em futebol que vou lendo por essa bluegosfera fora) fazer uma exibição como a que Herrera realizou hoje. Soberbo! Só isto, por mim, valeu todo o jogo.

Imagem retirada do site d'O Jogo.

Confesso que não consegui acompanhar toda a 1ª parte mas, do pouco que consegui ver e aquilo que fui ouvindo no relato, parece-me que foi tudo muito morno. Quiçá "congelados" pela temperatura fresquinha de Borisov, os nossos jogadores sentiam dificuldades em ligar jogadas, provocar desequilibrios, frente a um adversário que parecia apenas querer evitar repetir a goleada da 1ª volta. Embora tenhamos, sensivelmente a partir dos 25', "estacionado" no meio campo advsersário, esacassearam as oportunidades de golo (o nosso primeiro remate, que não foi á baliza, foi aos 34') e o nulo ao intervalo premiava o a táctica de contenção do BATE e a nossa incapacidade de provocar desequilíbrios no último terço do campo.

A 2ª parte foi bastante diferente, principalmente pela capacidade da nossa linha média de pressionar mais à frente, aproximando-se mais da linha ofensiva, oferecendo linhas de passe por dentro, que obrigavam os bielorussos a cometer mais erros. Com Herrera absolutamente endiabrado, Óliver sempre agressivo nas recuperações e inteligente na leitura ofensiva, e Casemiro a "varrer" tudo cá atrás foi sem surpresa que conseguimos chegar mais vezes perto da área contrária. O golaço de Herrera abriu as hostilidades, perto dos 10' da 2ª parte, e teve o condão de obrigar a equipa contrária a abrir mais espaços. O 2º golo, de Jackson (após primoroso trabalho e assistência de Herrera), decidiu o jogo.  De forma atabalhoada, o BATE tentava chegar mais à frente, permitindo-nos inúmeras recuperações de bola e consequentes contra-ataques que deixavam a defensiva contrária em "frangalhos". O último golo, de Tello, foi o corolário de uma 2ª parte de nível de Champions: segurança e eficácia de um nível a roçar a perfeição.

Sigamos para las notas.


(+) Positivo

Herrera - De forma incontestável, o MVP. Eu próprio devo confessar que este homem já me tirou do sério uma ou outra vez. Mas a verdade é que o mexicano tem dado provas de crescimento, melhora de jogo para jogo, e vem provando que é capaz de ser um elemento fundamental para o equilíbrio do nosso meio-campo. Herrera corre quilómetros, tanto em apoio ao ataque como em funções defensivas. Neste momento erra muito menos passes e, melhor ainda, é capaz de efectuar aberturas primorosas com um à-vontade desarmante. Hoje, marcou um golaço, num movimento que raramente vemos jogadores nossos arriscar (e com sucesso), num remate portentoso, cruzado, a resultar num tento de belo efeito. Mas as assistências então foram sulbimes. Na primeira, uma demonstração de técnica individual, na forma como fez a recepção de bola, temporizou e virou simples para Jackson. Na segunda, um passe "a la Xavi", a rasgar completamente a defensiva contrária, apanhando Tello no momento perfeito da veloz diagonal que desenhou a partir do flanco direito. Herrera está em grande. Herrera, o tal "feio", "orelhudo", "tacticamente pouco inteligente", "picareta", "mau jogador", demonstrou hoje que, no futebol, não há verdades absolutas nem são justos os "julgamentos sumários" que se fazem aos jogadores. Ainda tem muito por onde melhorar, mas acredito que tem a mentalidade certa (e a orientação técnica adequada) para o fazer. Parabéns!

Casemiro - Outro jogador bastante criticado desde o início, que vem demonstrando francas melhorias. Neste momento aquela linha mais recuada do meio-campo é toda dele. Parece mais rápido, mais controlado nos confrontos físicos, inteligente na forma como protege a bola e ganha faltas quando precisamos de "respirar" e um verdadeiro organizador de jogo, de cada vez que baixa para receber a bola dos centrais.

Indi/Marcano - Há um lance na 2ª parte em que somos apanhados em contra-pé, e a forma como Indi e Marcano abordam o lance, sem se desposicionarem, obrigando o avançado a ir lateralizando o movimento, deixando-o à mercê dum desarme simples, e dando tempo a Danilo de ajudar a fechar, deixou-me estranhamente descansado. São portentos de jogadores? Não, longe disso. Mas cometem poucos erros, e dão-me uma sensação maior de segurança do que qualquer outra "dupla" até agora. 

Óliver - Uma carraça em busca da bola; um génio na forma como dá linha de passe e toma, quase sempre as melhores decisões. Jogadorzaço este piqueno! Fazemos uma "baquinha" para comprar o rapaz no final da época?

Nível de Champions - Exibição sólida, eficácia tremenda, vitória incontestável. Na Champions não há espaço para contemplações, não há meias-vitórias - joga-se, ganha-se, period.




(-) Negativo

Quaresma - Não quero que pareça que estou sempre a bater no rapaz (até porque hoje é uma meia critica). Quando colocado a jogar desde início, raramente vemos o melhor Quaresma. É um facto! Não é perseguição nenhuma! Hoje tivemos mais uma demonstração desta versão Quaresma 90', menos fulgurante do que a versão Quaresma 20 ou 25'. É preciso arriscar, concedo isso, e Quaresma é um jogador de riscos. Mas arriscar remates de pé esquerdo, com um defesa mesmo ao lado, ainda longe da baliza, com colegas melhor posicionados talvez seja de mais, não? Se a isso juntarmos que quase nenhum cruzamento saiu em condições, conclui-se que o nosso "ciganito" teve uma noite não. E Tello, em bem menos tempo, fez bastante mais...

Fabiano - Tenho elogiado o trabalho que a equipa técnica tem feita com o brasileiro, como se constata na melhoria do jogo de pés. Hoje não gostei de o ver a facilitar, por duas vezes. Num jogo mais do que controlado, poderia ter dado origem a calafrios que tantas amarguras nos têm trazido nos tempos mais recentes. Olha para o Marcano caro Fabiano, e quando vires que estás apertado, "chuta para onde estiveres virado".

BATE - Não serve como justificação para nada, porque nada retira mérito a nova vitória na Champions, mas esta equipa é, sejamos justos, fraquita. Inoperante em termos ofensivos, limitada técnica e tacticamente, com um nível muito abaixo daquilo que se pode esperar numa competição desta envergadura. Não facilitámos um milimetro que fosse, o que foi óptimo e diz muito do espírito competitivo da nossa equipa (e Deus sabe que esta época, uma equipa que joga de xadrez e que talvez seja um tudo ou nada mais fraca do que o BATE já nos deixou a 0), mas constato só o facto de termos defrontado uma equipa com demasiadas limitações. 


E aí está -  5º jogo, 4ª vitória, 13 pontos e 1º lugar do grupo garantido, após a derrota do fraquíssimo Shakhtar contra o fraquíssimo Athletic. Mais 1M€ no bolso, e a certeza de que na última ronda podemos aproveitar para dar minutos de jogo a rapazes que ainda não tiveram oportunidade nesta competição. A certeza de também estarmos sólidos, funcionarmos cada vez mais como um colectivo e aquela esperança de finalmente encetarmos uma série de jogos com vitórias e exibições que não deixem sequer espaço para dúvidas.

Termino com uma observação, que acho pertinente e honesta. O BATE é fraquito, mas também o eram o Artmedia, que nos limpou o sebo na era Adriaanse, o APOEL, que conseguiu anular o "futebol tacticamente perfeito do recém-promovido Mestre da Táctica II/Conselheiro de Guardiola", Vítor Pereira, ou até o Wrexham, Molde ou Anderlecht. Convém não esquecer que outros treinadores, tão amados pela nossa exigente massa adepta, com plantéis igualmente bons, cheios de soluções e muito superiores a alguns destes adversários, tombaram com estrondo. Depois duma época de recordes negativos, convém começar a dar algum mérito ao Julen por estes resultados. É que desconfio que o rapaz já não estaria por cá, tivessem os resultados dele nestes jogos sido semelhantes aos de outros.