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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Liga Sagres - Porto vs Vitória S.C.

Finalmente!


Finalmente a bola rolou a sério no impecável relvado do "nosso" Dragão, e os artistas tiveram a palavra. Finalmente terminou este "defeso" empolgante, histérico, absurdo, estranho, fantástico que, como é habitual, deixou a massa adepta portista dividida em dois grupos: os eternos "velhos do Restelo", de súbito transformados em grandes sumidades das áreas da Economia e do Alto Rendimento em Futebol, críticos de todo e qualquer investimento por nós feito, e de toda e qualquer venda por nós somada, teimando em querer terminar à força o ciclo pejado de vitórias de Pinto da Costa e Antero Henriques; do outro lado, a facção mais entusiasta, para quem o campeonato já se tornou numa formalidade, tamanha a qualidade suprema que temos à disposição. 
Como nunca fui fã de extremismos, e não morro de amores pelo 8 ou pelo 80 (talvez por sempre ter tido dificuldades em escrever o 8 à mão), a minha pre-época foi passada a rir à gargalhada com a quantidade avassaladora de idiotices que se foi escrevendo por aí, tanto em posts como em comentários. No fundo, consigo compreender. Há fome de títulos e, quando tal acontece, a lucidez esfuma-se e as hormonas entram em polvorosa.

A época começou mal para os meus lados. Por motivos familiares, acabei por dar entrada no Estádio com o jogo a decorrer - coisa que terá acontecido uma vez em toda a minha vida, e foi por culpa do meu avô que tinha deixado os cartões de sócio em casa - e foi por pura sorte que vi, de joelhos no chão para não ser chacinado pela fila que tentava atravessar, o primeiro golo desta época.

O jogo transmitiu-me boas sensações, tal como alguns dos jogos da pre-época o fizeram, na medida em que me pareceu haver uma tentativa da parte de Lopetegui para corrigir alguns dos problemas que afectaram alguns dos nossos jogos na época transacta. Mais jogo interior, ainda que o uso das alas continue a ser o caminho preferido para os desequilíbrios; os nossos 8 a aparecerem com mais regularidade em zonas de finalização e entre linhas; uma melhor reacção á perda da bola e de forma mais organizada (embora não tão compacta como acho que poderia e deveria ser); trabalho de casa nas bolas paradas ofensivas; redução das oportunidades clarasde golo do adversário a 0; faltas tácticas em catadupa sempre que alguém da formação contrária ousava sequer pensar em criar um desequilibrio. 

Foi o primeiro jogo da época, contra um adversário que - sejamos honestos - procura ainda descobrir uma identidade (ou não tivesse sido goleado há pouco tempo, em casa, por uma equipa pouco mais do que fraca), mas as sensações foram boas. Nesta fase, mais importante do que produzir ópera, é ir ganhando, porque um início de temporada construido sobre vitórias pode ser muito mais importante do que deslumbrar em todos os jogos.

É também bom que os rapazes vão ganhando mas que não embandeirem em arco. Que Imbula perceba que tem imenso por onde melhorar, que Danilo comece a perceber melhor os posicionamentos defensivos, que Aboubakar continue a trabalhar como um touro, que Maxi e Varela continuem a emprestar eperiência à equipa e que alguém espete 4 tabefes no Herrera sempre que ele fizer asneiras.

(+) Positivo


A importância de ter um GR que saiba jogar com os pés - Uma afirmação válida para Casillas ou para Helton (não conheço tão bem Gudiño). Se repararem com atenção, o nosso início de construção modificou imenso do início do ano passado para o início deste ano. Centrais abertos com o jogador 6 a baixar, e os laterais bem subidos. Obviamente, tal não será alheio ao facto de termos na baliza dois GR que funcionam muito bem como líberos. É na velocidade com que a bola sai daquela zona, e se ultrapassa a primeira fase de pressão adversária que se nota uma grande melhoria em relação ao ano passado. Ah e, foda-se, era o Casillas na nossa baliza. O Casillas!! Foda-se!

Maxi Pereira/Varela - Vou agora dizer algo que poderá ser muuuuito polémico: ter uma ala direita formada por Maxi e Varela dá-me mais conforto do que se fosse formada por Danilo e Quaresma. E o tempo, estou certo, dar-me-à razão. E porquê? Danilo é um excelente jogador e Quaresma um excelente artista. Tacticamente, o primeiro tinha de passar o jogo todo ao "sabor" das pinceladas do outro. Varela e Maxi têm um grande defeito, que é ao mesmo tempo uma qualidade. São limitados, mas sabem-no melhor do que ninguém. Como tal, colectivamente, dão um equilibrio muito maior ao jogo do Porto. Quando Varela começar a escorregar a cada drible que tentar fazer, e quando Maxi levar o seu inevitável cartão vermelho, decerto muitos irão pedir cabeças, chamar-lhes-âo velhos, dirão que um é lampião infiltrado e caceteiro e o outro estava bem era no Parma. Mas enquanto os temos ali, olhem com atenção. Vejam bem a forma como Varela fecha por dentro quando a bola está no outro corredor, e a forma como isso aproxima a equipa e nos deixa melhor colocados para recuperar a bola. Ou como Maxi apoia o ataque, quase sempre sem perdas de bola perigosas e com a intenção clara de dar apoios aos colegas. Vejam bem aquele último golo e digam se não concordam. Muito honestamente, que se foda de onde vêm um e outro. Se se baterem sempre assim pelo meu símbolo, tanto melhor.

Aboubakar - De repente, uma bofetada de luva branca mesmo no meio do meu focinho, que é para aprender a não ser impaciente. Num ápice, toda uma alteração no comportamento táctico e técnico deste rapaz, como se nos quisesse dar oe melhor de dois mundos: por um lado, a capacidade de jogar entre linhas, de receber, rodar, fixar e dar a bola a um colega (como naquela assistência primorosa desperdiçada estupidamente por Herrera); por outro lado, a força, o ímpeto, a aceleração, a capacidade de choque, e o violento remate. Sem entrar em grandes euforias, porque ainda me lembro da época em que Maazou marcou um hat-trick no primeiro jogo e assim ficou até... ao final da época, foi um assombro ver o bom do Bouba a jogar. Desejo que tal se mantenha, e que haja sempre paciência para os nossos avançados. Incluo também Osvaldo e André Silva neste pacote. Cada vez mais, no futebol moderno, um avançado é um jogador de equipa, que aparece mais vezes em zona de finalização, ao invés do "matador". Agora, não me venham com merdas: ele não tem 22 ou 23 anos. Nem eu, com quase 30, tenho tantas rugas pá...


(-) Negativo

Herrera - eu e o v.a.s.c.o. não gostamos do Herrera. Ponto final. Não é nada pessoal porém. Meramente uma constatação de factos. Herrera tem 4 pulmões e 3 pares de pernas. Herrera parece-me ser um gajo porreiro, que empresta a casa para churrascadas. Será capaz de fazer umas coisas interessantes de vez em quando, porque foda-se, ás vezes lá calha bem. Mas é, na minha perspectiva, um jogador perfeitamente banal. Porque decide muitas vezes mal, estragando um sem número de jogadas de potencial perigo, ou porque por vezes e incapaz de fazer um passe de 3 metros sem parecer que está a tentar agredir o pé do colega de equipa com a bola, mas principalmente porque NÃO SABE POSICIONAR-SE! Não sabe malta! Passa o tempo todo perdido, ora escondendo-se quando deveria dar linha de passe, ora pressionando o jogador errado e abrindo crateras na nossa transição defensiva. Se Herrera corre muito, também é verdade que corre mal. E nestas coisas dos desportos colectivos com bola, correr muito é tão espectacular como ter boa voz e trabalhar numa carpintaria. Essencialmente, deve correr-se bem, ocupar bem os espaços porque quem deve correr muito e, se possível, de forma veloz, deve ser a bola. Ainda assim, acreditem que aprecio o esforço do nosso atleta com menos tempo de descanso desde o final da época passada. Mas, falando a sério, não perderemos qualidade se o vendermos. 

Alex Sandro - antes que me batam, este (-) que aqui está, prende-se com duas razões essenciais: a primeira, fortíssima e totalmente lógica será, porque me apetece. Apetece-me. Ponto. A segunda é porque, ao fim de 3/4 épocas de Alex Sandro no Porto, já enjoa tanta puta de tanta vez que este soneca é "comido" nas costas por estar desatento. De resto, uma jóia de moço. Quando faz estas estupidezes, era colocà-lo a apanhar o sabonete à frente do Danilo, do Imbula e do Cissokho, a ver se ele não aprendia a estar atento ao espaço nas costas...

Idiotice do Público - estou a cagar-me para o que se possa dizer por aí: quem vai a um Estádio de futebol, para ver a sua equipa jogar, e ao fim de 10 minutos dedica uma monumental assobiadela a um jogador que já não é um portento de técnica e que praticamente está a fazer duas temporadas seguidas, por causa dum mau domínio, é idiota. É um perfeito e magnífico idiota. É gente estúpida, que não percebe bolha de desporto, que não faz ideia do que significa estar ali e errar. Não comprendo, nunca vou compreender, ou sequer aceitar, que se assobie um jogador da própria equipa. É mentalidade de gentinha. Comigo essa não cola. Não gosta, fica em casa. Finito!


Primeiro jogo, primeiros três pontos. Primeira jornada, primeiros casos graves de arbitragem. Graças a Deus, nenhum deles teve influência no decorrer das partidas em que ocorreram, Era o que mais faltava, depois de um ano de tanta isenção e de verdade desportiva, termos um campeonato manchado com erros de arbitragem grosseiros, sempre a favor dos mesmos. Deus nos livre. Irony Mode: Off. 

Para a semana, é preciso matar o borrego. É preciso chegar á Madeira e ganhar, ganhar, ganhar! Por meio a zero, não interessa. Se ganharmos, com tudo o que as idas ao arquipélago significaram na época passada, é uma vitória que vale bem mais do que 3 pontos. Se não ganharmos... Vai chover xóriças, como dizia a outra...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Basileia vs Porto

No regresso às noites europeias o Porto empatou em Basileia a uma bola. Resultado que nos deixa em vantagem (golo fora) para a segunda mão no Dragão. Exibição de gala dos comandados de Lopetegui. Uma superioridade tão grande que até nos valeu elogios do adversário, tanto de Paulo Sousa como Frei.

A primeira-parte é facilmente resumida. O Basileia fez um/dois ataques e um remate à baliza e marcou contra a corrente do jogo. Um golo em que a culpa estará algures entre Alex Sandro e Fabiano, mas para mim a fatia maior de responsabilidade será de Fabiano e o seu "síndrome de equipa pequena". Um guarda-redes do Porto não pode ter medo de sair da pequena área ou de fazer "manchas" de risco. Lembram-se do Baía? Enfim. Um golo sofrido na primeira parte da primeira-mão dos Oitavos de final da Champions sem que nada o indicasse. Apesar da equipa acusar o golo durante alguns minutos e/ou andarmos um bocadinho perdidos (muito por causa das hesitações no capitulo do passe/recepção) a partida continuou de sentido único. Walter Samuel, jogador que sempre foi leal (sim, é sarcasmo) consegue cometer um penalty tão óbvio sobre o Jackson que o filho de uma cabra manca, obesa e bastarda do Mark Clattenburg deve ter achado que era dança contemporânea e mandou seguir. Perante vários contratempos seria fácil lamentar-nos da sorte e chorar no fim. Mas não é dessa fibra que Lopetegui é feito. E isso viu-se na equipa. Final da primeira parte chegava com o Porto a ser tãããão melhor que o Basileia. Brahimi muito apagado e com algumas asneiras no passe e Casemiro algo desastrado no capitulo do passe.

A segunda-parte começava e... GOLO!!! "Não estava a brincar pa! Sorry guys, we're pranksters! You should see your faces!" dizia a equipa de arbitragem. Depois de quase 1 minuto depois da bola ter entrado, de se ter feito a festa, da bola voltar ao meio-campo alguém se lembrou (diz-se que foi o quarto árbitro através da TV) de dizer que o golo era irregular. Até admito que sim, apesar de não achar que os jogadores em causa condicionassem a acção do guarda redes. Mas esperar TANTO tempo para tomar uma decisão destas? Na Liga dos Campeões? Enfim. O Basileia ao melhor estilo de José Mourinho, estacionava o autocarro ali em cima da grande área e nós continuávamos a controlar a partida. Sempre com personalidade, sempre com bola, sempre no chão. Sempre melhores. O inolvidável Walter Samuel dava uma mãozinha (literalmente) ao Porto e Danilo, de penalty, volta a equilibrar o marcador. Um golo fora numa eliminatória de Champions vale por 2. Até ao final foi mais do mesmo. Controlo total nosso, Basileia a ver jogar. Terminou empatado e nós trazemos boas perspectivas de continuação na prova. Mas estes suíços são ratos, e só precisaram de fazer um, um único rematezinho à baliza para marcar um golo. Incrível a sua agressividade. Fizeram o Vitória de Guimarães parecer um bando de meninos do coro.

(+) Positivo

Danilo - Jogaço do camisola nº 2. Ninguém discute agora o seu valor. Ninguém põe em causa a sua dedicação e raça pelo clube. Numa altura em que o adeus parece certo, toca a saborear estes últimos meses de um dos melhores laterais direitos que o nosso clube já teve.

Chegar a casa dos outros e mandar - Pode parecer falta de educação mas é um atestado de competência a Lopetegui. É por isso que tenho confiança no Basco e na sua visão para o clube. Há coisas a melhorar no nosso futebol? Há. Mas tendo em conta a revolução operada é notável a época que estamos a fazer e quase tão importante, a qualidade e personalidade que o nosso jogo tem. Não está ao alcance de muitos...

Jackson - Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!

A conferência de Lopetegui - Incomodado com perguntas que só procuravam denegrir a exibição e em retirar mérito à equipa, reagiu. Disse o espanhol: "Dei quatro entrevistas antes de vir aqui e os únicos que não destacaram a boa exibição do FC Porto, que rematou quinze vezes à baliza, contra uma equipa que marcou num único remate que fez, foram os jornalistas que falam português". Quem não sente...
  

(-) Negativo 

O lance do golo sofrido - O Z cascou no Alex Sandro. Eu atribuo maior culpa a Fabiano. Um guarda redes de equipa grande não pode ter receio de sair da PEQUENA ÁREA caral#@!!!!

Brahimi - Muito mal hoje. Com alguns passes errados e perdas de bola que poderiam ter sido arrasadoras para o Porto. Acredito que ainda esteja à procura da melhor forma depois da CAN mas é bom que a encontre depressa porque a equipa precisa da magia dele.

Falhar golos na Champions - Lances como aquele do Jackson em que tenta picar por cima do guarda redes não podem ser falhado a este nível. Contra equipas que se limitam a defender, quando há hipótese de marcar temos de... marcar. No way around it.

Árbitros ingleses na Champions - Se bem se lembram o "queridinho" da UEFA, Howard Webb, teve algumas arbitragens vergonhosas contra nós (no Vicente Calderon e em casa com o Zenit). Mark Clattenburg é a herança deixada. Exibição quase ao nível de um Bruno Paixão. Critério ridículo de amarelos e faltas assinaladas. Complacente com a o Wrestling da equipa do Basileia. E não assinalar 2 (sim, foram os dois na primeira parte) penaltys na "nata" do futebol é um bocado demais...

A lesão de Óliver - Não é uma tragédia mas quase. Sem ele a equipa perde mesmo muito... O jogador mais parecido será talvez Evandro e depois Rúben Neves. Espero que Quintero continue no banco porque não tem a qualidade que o ex-Estoril. É a minha opinião e posso fundamentá-la se quiserem...



Entretanto, o "wishful thinking" continua...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

F.C. Porto vs Rio Ave

Estou absolutamente atónito com algumas das crónicas que tenho lido ao longo do dia, bem como alguns comentários a essas crónicas, por essa Bluegosfera fora. Quase tão atónito como quando o meu "vizinho" de trás no Dragão, por volta dos 30 minutos de jogo, soltou a seguinte pérola: "Este Danilo hoje, não acerta uma...". 


Aos 10 minutos de jogo, pensava para com os meus botões "Isto já podia estar 2 ou 3-0, à vontade.". Ora, poder dizer isto aos 10' dum jogo de futebol, não é pouco. Significava naquela altura que tínhamos entrado na partida em modo de demolição, e que tivesse sido a eficácia nessa fase próxima daquela dos últimos 15', provavelmente não se especularia tanto sobre a qualidade da nossa exibição ou sobre a justiça dos 5 golos marcados . 

Deduzo, portanto, que se os últimos 15 minutos de jogo não contam porque o adversário já estava cansado e começou a cometer erros em catadupa SÓ por causa disso, então em jogos como o de Alvalade, merecíamos ter perdido por 3-0 porque eles tiveram imensas situações antes de nós e só nos lembrámos de jogar na 2ª parte (onde, lá está, já estaríamos a perder por 2 ou 3-0). 

Os primeiros 25' de jogo foram, na minha opinião, excepcionais. Absolutamente demolidores. Jogo rápido, boas combinações ofensivas, sempre com a baliza na mira, com várias chegadas perigosas à área contrária, 3 situações claríssimas de golo, mais umas quantas em que só aquele último passe falhou. Tudo isto aliado a uma constante pressão feita no timing correcto, forçando o adversário (que não é tão manso assim, nem estava assim tão cansado quanto Pedro Martins quis fazer crer) a não conseguir fazer mais do que 3 passes seguidos. Do melhor que tenho visto esta equipa fazer esta época (e com Brahimi e Herrera em noite de apagada). 

A partir desta altura (e não só a seguir ao golo de Tello, como tenho lido por aí), a equipa perdeu algum gás, compreensivelmente (não é possivel jogar naquele ritmo durante tanto tempo seguido, especialmente após jogo de Champions nos confins da Europa) e o Rio Ave conseguiu subir um pouco no terreno. Uma subida perfeitamente inofensiva, visto que até ao intervalo vi Fabiano mais próximo de "chocar" uma constipação do que fazer uma defesa. 

Ao intervalo, portanto, um empate inacreditavelmente injusto para uma primeira parte de tanto domínio e de tanta boa jogada, contra um adversário cuja maior vitória foi... conseguir subir um bocadinho no terreno e trocar mais de 3 passes de forma consecutiva.

A 2ª parte abriu com o tal "golo desbloqueador" seguido dum dos tais "erros" dos jogadores do Rio Ave. Claro que o facto de Jackson ter conseguido pressionar Marcelo de forma a que o rapaz perdesse a bola não teve nada de meritório! Tello, que fabricou uma excelente exibição, tornou fácil um golo de difícil execução. 

O período seguinte, sim, foi confuso. Numa altura em que, repito, fizemos tudo para estar já com uma confortável vantagem de 2 ou 3-0, perdemos o controlo do jogo. Desta fase falarei mais à frente. O Rio Ave, lá está, conseguiu subir uns metros no terreno, ganhando alguns cantos e faltas em zonas potencialmente perigosas. Num desses lances, ao que parece, Herrera levou com uma bola na mão à queima-roupa e parece que o penalty é claríssimo. Confesso que, depois de Alvalade ou do jogo contra o Boavista no Dragão tenho alguma dificuldade em saber bem o que se pode considerar mão na bola ou não, por isso, não serei a pessoa indicada para falar (mas até dou de barato que nesse lance fomos beneficiados).

Lopetegui leu, mais uma vez, muito bem o jogo e deu-nos a estabilidade de que necessitávamos com Ruben Neves e Quintero para o lugar dos fatigados Herrera e Brahimi. Quando, aos 79', Jackson marcou aquele belíssimo golo, penso que toda a gente sentiu que o jogo estava decidido. Pese embora o Rio Ave tenha, pelo meio, conseguido enviar uma bola ao poste e Fabiano tenha sido (finalmente) obrigado a uma defesa, a quebra anímica do lado dos vilacondenses aliada à vontade férrea dos nossos jogadores em marcar mais golos tornaram o resultado mais avolumado. Exagerado? Não concordo...

Vamos a notas:


(+) Positivo

Tello - Coitados dos defesas laterais que o apanham pela frente. Incrível o poder de explosão deste rapaz. Pese embora continue a evidenciar alguma dificuldade na definição das jogadas, é neste momento um jogador absolutamente indiscutível da nossa equipa. Marcou um golo, tentou dar a marcar, correu como um doido (aparentemente só sabe correr assim), e faz brilhar ainda mais os laterais do seu lado, com os quais combina bem (Alex Sandro, por exemplo, consegue dar muito mais à equipa ofensivamente com Tello do que com Brahimi).

Danilo - 93 minutos, 4-0 no marcador e este jovem rouba uma bola, corre meio-campo como um como se a Humanidade dependesse daquele momento, e produz um obra de arte sob a forma de um missíl. De pé esquerdo. Um jogador que não sabe o que é jogar "a brincar". Espero sinceramente que o gajo atrás de mim que disse "Este Danilo hoje não acerta uma...", tenha ficado no Estádio até ao fim, tenha visto o golo monumental do brasileiro, e tenha tido uma cólica intestinal violenta naquele preciso momento.

Óliver - Já o pedi no jogo anterior, e estou disposto a fazer a primeira contribuição para a colecta: comecem a juntar trocos para manter este génio aqui. Não nos equivoquemos: Óliver tem tudo para ser um jogador de topo. Topo mesmo! Topo, numa escala de Pirlo a Iniesta. 

Entrada em jogo - Repito: absolutamente demolidores aqueles primeiros 10 minutos. Juro que vi jogadores adversários agarrados às canetas logo naquela fase. Uma entrada "mandona", como quem diz "Esta é a NOSSA casa, por isso, saínde da frente !!!". 

Lopetegui a ir ao banco - um treinador que olha para o campo, vê o que a equipa necessita, não tem medo de retirar Brahimi do jogo, e com duas substituições volta a ganhar o comando da partida. Não vale nada, pois não?

A ânsia por mais  - Já tinha saudades de ter uma equipa que, com um jogo já arrumado, quisesse marcar mais e mais... 2 anos de controlo soporífero do jogo, ali a segurar o 1-0 com unhas e dentes, seguido dum ano de descontrolo total e agora uma equipa que, não só nunca desiste quando as coisas correm mal, como quando as coisas já correm bastante bem. Aprecio esta atitude.

Qualidade dos golos -  Todos de difícil execução técnica e todos de belo recorte. Destaco a assistência brilhante de Quintero para a recepção e finalização de classe de Óliver e aquele momento de magia que nos proporcionou Danilo. Até o "chouriço" do golo do Alex Sandro foi marcado de calcanhar!

Diego Lopes - por momentos pensei que houvesse 3 Diegos Lopes na equipa do Rio Ave. Deixou-me água na boca este jogador (já tinha deixado antes, quando vi o jogo deles na Roménia para a Liga Europa).


(-) Negativo

Jogo sem bola - Os jogadores adversários têm a bola na defesa e todos os nossos jogadores estão posicionados de forma a que não haja linhas de passe dentro do nosso bloco. Porque caralho há de alguém sair à maluca, correr 30 metros em sprint, sabendo que vai desposicionar todo um sector com a brincadeira e NUNCA na vida vai conseguir ficar com aquela bola? Porquê fazermos a pressão de forma tão atabalhoada em algumas alturas do jogo? Porquê tantas faltas desnecessárias e tantas abordagens erradas aos lances em determinadas fases? A pressão tem de ser organizada e sempre, sempre, colectiva! Muito trabalho que ainda temos pela frente neste capítulo, principalmente porque já nos vi fazer melhor, e porque teremos adversários que vão exigir muito mais de nós na transição defensiva.

Indi e Casemiro "à bica" - Se fosse a Lopetegui, no próximo jogo, não os punha em campo. Tenho a certeza absoluta que, ou jogam de mãos e pernas atadas, ou não estarão em campo contra o Benfica na jornada seguinte. 

Herrera e Brahimi - Nesta altura parece-me que pagam o a factura da fadiga que vêm acumulando. Herrera corre aos 12 km por jogo e isso acaba por cansar. Brahimi não correrá tanto, mas está sempre ligado à corrente, sempre com a função de desequilibrar em TODOS os jogos. Contra o Shakhtar, por favor, nem os quero ver no banco. Mandem-nos para banhos e massagens, mas por favor dêem-lhes algum descanso. Porque muito talento sem oxigénio a chegar ao cérebro, não resulta.

Resultado justo, ponto final.  Retiremos o "golo" de Alex Sandro da Equação. Conto 8 ou 9 remates com bastante perigo, 3 belíssimas intervenções de Cássio, e 4 golos marcados. Do outro lado conto 2. Não entendo como há quem possa dizer que foi muito exagerado! 5 vezes mais lances de golo iminente do que o adversário e é exagerado? Porquê? Porque o adversário subiu uns metros no terreno? Golos a partir dos 80' já não contam para a análise do jogo? Digam isso ao Kelvin...



Deixo para último a melhor parte do jogo de ontem. A convite do nosso mais fiel "seguidor", leitor, comentador, agora também blogger (um excelente blogger, por sinal), e amigo Jorge Vassalo do Porto Universal,  desloquei-me ontem um pouco mais cedo para o Estádio com a singela promessa de "trocarmos um abraço". Registo aqui que, embora a vontade fosse mútua (e deva ser alargada, da minha parte ao Miguel Lima do Tomo II, também um nosso fiel seguidor e amigo e igualmente brilhante blogger, e ao incontornável Vila Pouca do Dragão Até à Morte, que é um blog de referência para todos os portistas e que me abriu as portas deste maravilhoso mundo), foi pela mão do Jorge que tudo se processou. Obviamente que nestas vidas blogosféricas partilha-se ideias, emoções, conforta-se amarguras, e um abraço só não chega para poder prestar in loco a nossa homenagem a quem acaba por estar "aqui ao lado" quase todos os dias. Foi 1h15 (nem contei o tempo, mas confio na palavra do Jorge) que passou demasiado rápido, mas que representou para mim tudo aquilo que, ao fim e ao cabo, nos faz querer pertencer à "família portista e bluegosférica": o sentimento de pertença, de partilha, de amizade e de portismo incondicional. 

Deixo aqui um especial agradecimento ao Jorge, tão afável e bom conversador como sempre desconfiei que fosse, e ao Nuno, um seu amigo que connosco partilhou aquele bom bocado. 

Uma experiência a repetir, sem dúvida alguma!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Porto vs Nacional da Madeira

Foi uma vitória justa mas que deu trabalho. Jogo inteligente da nossa parte com Quaresma, Óliver e Maicon de regresso ao 11. Jogo tipico de equipas de Manuel Machado com 11 jogadores atrás da bola (mais houvesse...) e aposta no contra-ataque. Danilo num lance de insistência fez o 1-0 aos 9 minutos e o jogo foi mais fácil a partir daí. Falou-se muito que o Porto facilitou e/ou quebrou de rendimento depois do golo mas é fácil perceber a razão; Quintero, Óliver, Brahimi e Quaresma estiveram em campo ao mesmo tempo e são jogadores que não garantem qualidade na pressão e no jogo sem bola. Se o pequenino Óliver ainda vai às divididas e sai a pressionar, não tem o pulmão de Herrera para ser box-to-box e vir atrás defender e transportar a bola para o ataque depois. Aliás neste jogo percebeu-se que Herrera é absolutamente fundamental no modelo de Lopetegui. O Porto foi controlando o jogo, passando alguns calafrios (aquela linha defensiva/controlo da profundidade ai, ai...) que assustaram mas não meteram medo. Alguns golos falhados, e algum nervosismo no meio-campo que Lopetegui logo corrigiu e mais um GRANDA GOLO do Brahimi! 2-0, segundo lugar na perseguição ao 1º lugar.   


(+) Positivo 

A melhoria da circulação de bola - Em velocidade e em qualidade. Houve momentos em que deu para ver trabalho nas movimentações sem bola, quando o portador da bola tencionava efectuar um passe, essa zona era "aberta" por nós através de movimentos sem bola. Mas claro foi tudo nos corredores laterais...

A obstipação do assobio - A distribuição de Imodium em formato de comunicação deu resultado. Gostei, mas claro. Ainda se ouviram uns quantos. 

Danilo - Mais um jogaço do brasileiro. Que intensidade brutal têm tido as suas exibições naquele corredor direito. E é fácil perceber que é imprescindível para Lopetegui. Mereceu o golo. Será o nº2 o jogador com mais espirito à Porto no plantel?

Brahimi - Citando o Freitas Lobo: CAGRANDAGOLO! GRANDE GOLO DO BRAHIMI! Fez-me lembrar um golo do Deco ao Maritimo há muitos anos. Vê se páras com isso Yacine! Assim só ficas cá um ano e nós nem tempo temos para te apreciar, rapaz! Vê o que os nosso adeptos têm que fazer  pela Internet fora para manter os adeptos/olheiros dos outros clubes longe daqui! (a sério, cliquem aqui porque vale mesmo a pena.)


(-) Negativo 

A transição defensiva - Irei abordar esta questão num post a sair em breve mas o posicionamento da nossa linha defensiva, ou melhor "linha defensiva" é bastante fraco. A (má) pressão feita a meio-campo pode ser compensada por uma linha defensiva bem posicionada e mais próxima do sector intermediário. Se melhorarmos esta questão estaremos muito perto da perfeição. 

As doacções de Posse ao adversário - Estamos nós instaladinhos no meio-campo adversário a fazer troca de bola boa, a gerir, a adormecer o adversário e PUUUUUM... passe previsível de 40 metros no corredor contrário (e mais exposto) e posse de bola para o adversário. Até quando?

A marcação de Maicon - Se isto fosse Football Manager não lhe dava mais de 11. Já no jogo com o Bilbao no golo sofrido me deu comichão, mas como a principal asneira tinha sido dividida entre o Herrera e o Casemiro, calei-me... Meu caro, caparro não é tudo. Quando o adversário vai para cima de ti e estás ao pele dele, aperta-os até o cérebro deles fizer blue screen. Parecer querer marcar com os olhos nos 1x1. Vamos lá ver isso chavalo! 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Champions: F.C.Porto vs Athletic Bilbao

Numa jornada fora do comum, tendo em conta o anormal número de golos marcados só na 3ª feira, os nossos rapazes deram um passo importantíssimo rumo aos 1/8 final da mais importante prova mundial de clubes. 


Depois do desaire amargo contra o Sporting no passado Sábado, urgia uma resposta clara e firme de todos - jogadores, treinador e adeptos. Era preciso demonstrar que a derrota tinha deixado marcas e que o orgulho estava ferido. Era importante ganhar acima de tudo o resto, e demonstrar uma atitude de combate, de vitória, que tanta falta nos fez durante larguíssimos períodos do ano transacto. Era necessário perceber se Lopetegui poderia ou não ter acusado o "toque" das críticas pós-Taça - deixou bem claro que não. Era fundamental perceber se estamos todos mesmo a remar na mesma direcção que a equipa e o treinador e a resposta foi inequívoca - não! Tivemos por isso uma noite em que ganhámos, e bem, no relvado e banco de suplentes mas onde nos cobrimos de vergonha nas bancadas, pelas razões que invoquei aqui . 

Num Dragão ainda longe de casa cheia, mas bem preenchido e colorido de incansáveis adeptos bascos, foi um F.C.Porto agressivo, acutilante, rápido e mandão que entrou em campo. Com Brahimi no meio, Quintero na ala, íamos conseguindo chegar com perigo ao último terço do campo, mas faltava sempre algum acerto na definição e conclusão das jogadas. Lopetegui, que costuma ler bem o jogo e altera quase sempre bem, percebeu que precisava de Quintero por dentro, entre linhas, e isso - e um Tello e Danilo endiabrados - foi contribuindo para muitos espaços no último reduto dos bascos. Fomos encostando o Athletic às cordas e podíamos (com mais alguma tranquilidade, a tal que decerto não cresce com assobios constantes) ter chegado com alguma naturalidade ao intervalo com 2-0.  Foi simples, bonita, eficaz e finalizada com classe a jogada que deu origem ao primeiro golo, colocando asism alguma justiça no marcador.

No regresso do intervalo, para além de trocar peças, os bascos alteraram a atitude na transição defensiva. Muito mais agressivos na nossa saída de bola, (aqui, continuamos a pecar, como falarei mais adiante), fomos obrigados a cometer mais erros, surgiram os idiotas do costume a assobiar cada toque na bola, e dum novo erro (desta feita repartido entre Herrera e Casemiro) surgiu o inevitável golo basco. Esta fase do jogo foi muito complicada, e ficou demonstrado o porquê de Quintero não jogar mais vezes numa posição central - tem muuuuito para evoluir a nível de posicionamento. Lopetegui percebeu, mais uma vez, do que a equipa necessitava e lançou Rúben Neves no lugar do colombiano, numa tentativa de nos dar mais qualidade na saída, e maior capacidade de ter bola, retirando alguma iniciativa ao Athletic. Uma vez estabilizado o meio-campo, trocou (com toda a lógica) Casemiro por Quaresma, que veio dar nova alma ao nosso jogo ofensivo. Resultou tudo na perfeição, num lance em que Quaresma aproveitou da melhor forma uma jogada simples mas brilhante de Brahimi, que lhe estendeu uma passadeira para o golo. Depois, com a entrada de Oliver, e mais alguma coesão entre sectores, conseguimos "congelar" o jogo. Mas ainda tivemos oportunidade de perceber se os nossos miocárdios estão em forma, com um perigosíssimo cabeceamento após um livre lateral, que Fabiano segurou com algum aperto. Até final poderíamos ter aumentado a contagem mas Jackson esteve em dia não no capítulo da finalização.

Vamos a notas:

(+) Positivo

  • Entrada em jogo -  Esta foi umas das coisas que mais me agradou, após alguns jogos em que entrámos um pouco "amorfos" na partida: um início a todo o gás, com vontade de "matar" veleidades logo à partida. Entrar à Porto. Gostei!
  • Aliança Tello - Danilo - Se o segundo está num momento assombroso de forma, respirando e transpirando saúde e confiança por todos os poros, muito se deve ao primeiro, cada vez mais uma peça fundamental na manobra ofensiva. O lado esquerdo dos bascos deve ter acabado a primeira parte perto dum ataque de nervos tantas foram as combinações que ambos conseguiram. Duas peças fundamentais do Porto neste momento.
  • Jogada do 1º golo - Ma-ra-vi-lho-sa! Tomada rápida de decisão, aproveitamento dos espaços, jogo interior, Herrera a aparecer no sítio certo e um hino ao futebol. Porque não aproveitar ainda mais vezes o corredor central gente?
  • Brahimi - Muito negeligenciado este rapaz quando não "aparece" mais sobre os holofotes. Mas a capacidade de drible dele é estonteante, a forma como atrai 2 e 3 jogadores e solta a bola, criando desequilíbrios é incrível. No golo de Quaresma, a sua acção é fundamental, tanto na forma como foge ao lateral, como obriga a uma compensação e liberta Quaresma numa zona mais central, com mais hipóteses de ter sucesso. Bravo! 
  • Quaresma - Lançado quando devia, a fazer o que lhe é pedido - arriscar e decidir, sem amuos, sem cara feia, com atitude e vontade. Consigo compreender que todos gostem de jogar de início, mas relembro que Solskjaer (por exemplo), foi dos jogadores mais decisivos da História do United e raramente jogava de início. Uma questão de egos, right?
  • Lopetegui - Apesar da loucura anti-Lopetegui que grassa por essa nação portista, mais uma vez esteve sublime nas mexidas. Em todas alterou o jogo e em todas nos deixou mais próximo de o ganhar. A troca posicional de Quintero e Brahimi. A entrada de Rúben, Quaresma e Óliver... Tudo decisões de alguém que percebe o jogo, lê bem o que o jogo pede, e mexe bem. Quase sempre bem, quase sempre com notórias melhorias na nossa forma de jogar. Mas decerto haverá quem critique isto. Habitua-te a estes desmiolados Lope... E manda-os foder! Assim mesmo, com f. Não é joder; é foder!

(-) Negativo

  • A saída de bola - Já muito foi escrito, dentro e fora da Bluegosfera, acerca desta questão. Continuo a ser da opinião que esta é uma das fases do jogo na qual precisamos de mais trabalho e de correcções. Sabemos que os nossos centrais não são grande espingarda com bola? Então um dos médios tem de baixar para dar apoio, e os laterais têm de estar mais subidos no terreno. Estamos continuamente numa linha de 4 jogadores, sendo facilmente anulados neste processo, O início da 2ª parte deste jogo foi uma clara demonstração da nossa incapacidade de sair perante equipas mais pressionantes, não sobre o portador de bola, mas sobre as linhas de passe mais próximas. Se se quer que sejam os centrais a sair, então eles devem ir progredindo no terreno até surgir um adversário a "fechar portas", e aí soltam num colega que, inevitavelmente estará sozinho. Perdemos mesmo muito tempo a trocar a bola lateralmente entre os 4 defesas, e o pior é que qualquer equipa (mesmo mediana ou até medíocre) já percebeu que pode anular facilmente a nossa saída. Demasiadas vezes incorremos no pontapé longo á custa deste facto. Urge corrigir isto, com alguma celeridade.
  • A "pressão alta" - Poderei estar enganado, mas a nossa capacidade de pressionar tem vindo a piorar nos últimos jogos. Alguma desorganização, gente a pisar os mesmos terrenos e algumas auto-estradas abertas em zonas absolutamente proibidas. Uma dessas fases de desnorte deu aos bascos a única situação de perigo durante a 1ª parte. Não compreendo se tal aconteceu maioritariamente pelo deficiente posicionamento defensivo de Herrera e Quintero, ou à excessiva lentidão de Casemiro, mas a verdade é que aconteceu mais do que uma vez. Também noto que Maicon e Indi nem sempre acertam nas saídas ao portador e nas coberturas. 
  • Novo erro, novo golo sofrido - Passe errado de Herrera, lentidão de Casemiro na reacção, e deficiente leitura de Maicon, que foi batido com uma facilidade inacreditável -  com uma finta que consistiu em trocar a bola de pé, com a maior das calmas. Continuem a tentar corrigir isto rapazes, senão vamos tornar os nossos cardiologistas em bilionários! Nota: mais incrível do que a nossa incpacidade única a nível Mundial de marcar penalties, só a % de eficácia de aproveitamento dos nossos erros por parte dos nossos adversários. Um erro, um golo! Tiro e queda!
  • Casemiro - Lamento colocar-te aqui, logo agora que foste seleccionado para o escrete , mas tenho de ser honesto: não tenho gostado. Bem sei que vem de lesão, e por isso dou-lhe algum benefício, mas tem de se reencontrar. Casemiro parece estar a jogar sempre sob brasas, sempre com uma sofreguidão demasiado elevada, que o leva a falhar a abordagem a incontáveis lances, o que se constata na quantidade de faltas e no número de maus passes que faz. Não sabemos bem como (nem ele sabe, decerto), conseguiu terminar sem ver amarelo. Rúben é, neste momento, um 6 muito mais completo e não consigo ver Casemiro com pernas para ser um 8.
  • Assobios do público - Pura estupidez! É só isso...


Menção Honrosa: Herrera - Inauguro esta nota porque estive aqui numa dúvida enorme sobre se colocava Herrera no + ou no - . Ora, se tivemos hoje alguns fogachos do "Herrera Bom", com participação activa nas jogadas ofensivas, na forma decidida com que colocou a bola na baliza, e com uma abnegação, espírito de combate, resistência, que me fizeram imaginar que terá 3 ou 4 pulmões, aquele gémeo terrível dele, o "Herrera Mau", persiste em não o deixar voar. Continua a ser má demais (malta, má demais mesmo!) a falta de posicionamento defensivo, a forma como desequilibra o meio campo nessas situações e a fraca capacidade de recuperação de bolas (que Oliver e Ruben Neves, correndo bem menos, conseguem com maior facilidade, fruto dum muito melhor posicionamento). E um passe lateral errado numa zona em que não podemos falhar, que deu em golo do Athletic... Estou dividido gringo! 


Resumindo, 3 jogos na Champions, ZERO derrotas, ZERO pontos perdidos em casa, SETE pontos ao todo e um pézito na próxima fase. A uma equipa totalmente nova, pede-se que vá trabalhando para melhorar. Ajuda - oh! se ajuda - construir a equipa numa base de vitórias. Gostei da resposta dos nossos rapazes neste jogo. Gostei deste jogo. Gostei. Mas aquele nó no estômago antes de ir a Arouca já vai fazendo das suas... Vamos lá "engatar" numa série de vitórias? 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Porto vs Moreirense

Em dia de derby lisboeta, o Porto recebia o Moreirense, de regresso à 1ª Liga, no Estádio do Dragão. Uma boa casa com de 35509 adeptos recebia um Porto com algumas novidades no 11, a começar pela defesa. Face à lesão de Alex Sandro, José Angel foi titular (e é tão bom não adaptar jogadores) Oliver e Brahimi acompanhavam Casemiro no meio-campo, enquanto Adrian e Quaresma compunham as asas do ataque liderados pelo capitão Jackson Martinez.



Com uma primeira-parte muita fraca em termos de velocidade, foram poucas (ou mesmo nulas) as oportunidades de golo. Dominámos as estatisticas com muita posse, muitos ataques mas... faltava o resto. O Moreirense jogava com 11 homens atrás da bola e com duas linhas (defesa e médios) praticamente juntas. A lentidão do nosso jogo não ajudava a desmontar o xadrez que a equipa de Miguel Leal trouxe até ao Dragão. Jose Angel fez uma primeira-parte fraca. Quaresma idem. Adrián ninguém sabe se chegou verdadeiramente a sair do balneário ou se o fecharam lá dentro sem querer.

Mas uma segunda-parte melhor, onde todos pareciam melhorar a nível individual foi o suficiente para ganhar a uma equipa do Moreirense que vinha para perder por poucos. Só que as dores nas pernas atacam ambas as equipas... Casemiro por exemplo, foi o primeiro que se sentiu estar sem gás e imaginação para continuar em campo. Hoje Lopetegui demorou um bocadinho a mexer na equipa mas... mexeu bem. Ruben Neves entrou e a bola passou a circular com mais rapidez. Numa jogada interessante pela direita com Quaresma e Brahimi como intervenientes, a bola acaba a passar em frente à linha de golo com 4 jogadores azuis e brancos pronto para finalizar. Foi Oliver Torres quem acabou por empurrar a bola para o fundo das redes de Marafona, inaugurando assim o marcador. E como diria esse poeta do futebol Cristiano Ronaldo: "os golos são como o Ketchup" e saindo o primeiro vinham mais a caminho. O segundo nasce de uma saída épica de Marafona da baliza que acaba por lesionar Oliver no ombro numa bola dividida, a bola acaba por sobrar para Jose Angel (muito melhor na 2ª parte) que cruza para Jackson marcar. 2-0 e o resultado estava feito. Entrou Quintero para o lugar do nosso anãozinho espanhol, ainda a tempo de falhar um penalty e de estar na jogada do terceiro golo. Movimento tipico da direita para o meio, bola em Adrian e Jackson com um remate seco e colocado a fazer o 3-0 e arrumar de vez com o jogo. 5 jogos, 5 vitórias 0 golos sofridos são numero muito bons neste inicio de época. Vamos a notas...

(+) Positivo


Ruben Neves - Veio dar a velocidade que Casemiro não conseguia. Ou por estar cansado ou por ter comido demasiada picanha ao almoço. Enquanto o Brasileiro parecia muito preso de movimentos e demorava muito tempo a entregar a bola, o nosso puto entrou e veio dar velocidade na circulação de bola e rotatividade. Aparecia sempre do lado a oferecer linhas de passe mais recuadas. Muita qualidade nos seus pés. 

Danilo - Um dos melhores. Tentou sempre levar a equipa para a frente. Movimentações interessantes no meio (como ele tanto gosta) a ocupar espaço interior quando estávamos sem bola e a confundir marcações quando estávamos em posse. Rematou, correu, sempre insatisfeito. Estou a gostar muito do seu inicio de época.

Jackson - Mais um jogo, mais dois golos. Foi uma autêntica ilha na primeira-parte, no meio dos centrais do Moreirense. E como a equipa melhorou na segunda-parte, Jackson marcou. Quando é bem servido o colombiano faz golos. Fechada a época de transferências, está aqui uma bela "manutenção" !

(-) Negativo


Adrián - Uma "barata tonta" na primeira parte, ficando seguramente com as orelhas bem quentes. Aqueles 45' iniciais, parecia que o Porto jogou sempre com 10. Estivesse onde estivesse era sempre menos um. Muito fraco. Alguém dizia e bem no Twitter que parece o Torres à procura do seu espaço no Chelsea. No segundo-tempo melhorou aos poucos e ainda assistiu Jackson para o ultimo golo. A qualidade está lá, falta a Lopetegui saber tirar o melhor do espanhol.

Lopetegui - Mister, eu sei que temos tido um bromance ultimamente mas hoje não fiquei contente. Muito tempo para mexer na equipa quando era óbvio o que estava a correr mal e quem não estava a jogar bem. A insistência na largura mesmo quando o Porto estava em vantagem (ainda 1-0) é algo que não consigo entender pois era dado espaço ao Moreirense para progredir com a bola. Mexeu bem, é um facto. Ganhámos? Sim. Mas arriscou-se demasiado com o "deixar passar o relógio".

Quintero - Entrou para o lugar do lesionado Oliver e entrou com cara de quem estava obstipado há já vários dias. Jackson e Brahimi deram-lhe a bola para marcar o penalty e o colombiano falha de forma... muito denunciada to say the least. Esta malta quer toda jogar mas quando lhes são dadas oportunidades (parece que) dão tudo para não voltarem a calçar.


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