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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Everybody hates Mondays

Confesso que não consegui deixar de libertar uma ou outra lágrima ao ver a despedida dos nossos adeptos à equipa no aeroporto antes da partida para Munique. Loucura absoluta. Os cânticos ensurdecedores, os nomes dos jogadores cantados a uma só voz, os calduços e festinhas na cabeça de toda a comitiva quase sempre brindados com um "VAMOS CARA!#@". Que orgulho em todos nós. Adeptos, equipa técnica, jogadores... Todos. 


É por isso que hoje, segunda-feira, vai ser um dia especialmente doloroso. Não é só o facto de ser o dia de regresso ao trabalho. É o primeiro dia da semana mais importante da época azul e branca. Mas primeiro, Munique. Hoje (e grande parte de amanhã) vão ser horas recheadas de ansiedade. Pensar na forma como Ricardo se vai comportar ao levar com o Ribery pela frente. Pensar na pressão a que vamos estar sujeitos por aqueles alemães que não aceitam a ideia de perder para um PIG (a histeria do departamento médico foi ridícula). Temer que nos possa calhar outro Clattenburg ou Vellasco. Horas a pensar na forma como Julen vai organizar uma defesa sem rotinas que nem teve tempo para treinar junta. Pensar se Julen lança Óliver numa ala para ajudar Ricardo no processo defensivo. Pensar se o Muller já acalmou a patareca desde quarta-feira passada ou se é preciso mandar chamar o Paulinho para lhe enfiar 2 Xanaxes pela traqueia abaixo. 

Uma coisa é certa, aconteça o que acontecer amanhã. Estamos novamente juntos. Das trevas ao sonho europeu em 12 meses. Ver a loucura daquela malta, que podia tão somente passar o Domingo em casa a descansar, ao deslocar-se até ao aeroporto só para dar um abraço em forma de décibeis a toda a comitiva... É continuar a sonhar meus senhores. Até ao apito final da eliminatória!


PS - Partilhem aqui as vossas duvidas, os vossos feelings, as vossas preocupações para amanhã. Temos de nos ajudar uns aos outros senão o coração vai disparar! 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Champions League - Porto vs Bayern





























Perfeito.


Há momentos, em que todo o vocabulário que pensamos conhecer se torna pequenino, insignificante, para podermos descrever algo que, de tão único, tão belo, tão sublime, nos transcende. Na 4ª feira, dia 15 de Abril de 2015, um novo degrau se construiu na escadaria de vitórias sem igual do clube que amamos. Na 4ª feira, aquele relvado milimetricamente cortado teve a honra de ser o palco dum dos momentos mais incríveis a que pude assistir desde que vejo futebol. Há pouco mais de 24h, Basileia, Viena, Tóquio, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin sorriram entre si, e aplaudiram de pé os heróis de azul-e-branco que, de queixo bem levantado e com a crença inabalável no poder dos sonhadores, bateram o pé a uma das melhores equipas do Mundo, orientada pelo melhor treinador do Mundo.

Ainda tentava adaptar-me ao lugar "oferecido" pelo meu irmão (companheiro de batalha em alguns jogos), e já Neuer derrubava Jackson dentro da grande-área (por esta altura,Xabi Alonso ainda deve estar à procura do tanque que o atropelou quando pensava o que ia fazer com a bola). 1-0, num início que dificilmente poderia ser melhor. Seria mesmo assim?

Decorria o 10º minuto do jogo, e as minhas sinapses entraram em curto-circuito. Por instantes, enquanto via Quaresma a correr de braços abertos em direcção ao mar de portistas que explodia em êxtase, como se naqueles braços quisesse tomar todas as milhares de almas que se beliscavam para terem a certeza de que tudo aquilo que os olhos viam era mesmo real, não consegui festejar. Nem um som, nem um gesto, nada. Olhei em volta... Caras felizes, sorrisos rasgados e lágrimas a rolar em catadupa; abraços entre estranhos, e pais e filhos, e avôs e netos, e maridos e mulheres. Tudo unido. Tudo em êxtase. Tudo Porto.

Ah e Quaresma, se leres este texto, considera aquela agonizante eliminatória com o Schalke absolutamente perdoada!

10 minutos de jogo: F.C.Porto 2 - 0 F.C. Bayern - sejam honestos, alguma vez sonharam com um início tão prometedor?

Depois veio o tempo de regressar à Terra. De roer as unhas, enquanto aquele futebol magníficamente rendilhado dos bávaros punha alguma calma no jogo. Foi tempo de ser paciente, aguentando bem os momentos de pressão ofensiva, evitando abrir buracos no corredor central (onde se sabe que os alemães são mortíferos). No primeiro "erro" do jogo, um 2-1 demasiado penalizador para o que foi o domínio territorial e para as reais ocasiões de perigo da 1ª parte. 

O intervalo, sendo obrigatório, devia ser banido de alguns jogos. Pelo menos, para nós, doentes incorrigiveis (em concreto para mim, pessimista irredutível), devia haver um botão que fizesse "fast-forward" naqueles intermináveis 15 minutos. Na minha mente, poderia vir aí uma 2ª parte de muitos nervos, fosse porque Pep Guardiola iria sacar da sua varinha mágica e encontrar-nos algum ponto fraco, fosse pela dúvida acerca da capacidade de ver a nossa equipa ter pernas e pulmões para aguentar outros 45 minutos jogados com aquela intensidade.

Felizmente, para gajos como eu - sempre um pouco pessimistas, mesmo que o resultado nos seja favorável, por 5-0, e faltem 10 minutos para terminar o jogo - há bofetadas que vêm com a força certa, na dose certa, no momento certo. Foi um esbofeteamento saboroso, emocionante, merecido, aquele que o meu Porto me deu durante os 45 minutos da 2ª parte, onde por momentos, o peso-pesado alemão mais não fez do que encostar-se às cordas e proteger-se como pôde. Guardiola acabou por dar credibilidade a esta análise, quando decidiu trocar Gotze por Rode ainda com 2-1 no marcador, como que procurando segurar a desvantagem mínima e minimizar danos.

Depois de Neuer ter provado que, de vez em quando, há milagres a acontecer em campos de futebol, ao desviar aquele remate de Herrera praticamente por instinto (após uma jogada colectiva que foi um hino ao futebol), foi Jackson, o nosso Monstro, o nosso herói "cafetero", que numa demonstração de poder físico, classe e frieza, conseguiu materializar em golos os 45 minutos mais admiráveis que me lembro de ver uma equipa de azul-e-branco fazer desde o Porto-Lázio em 2003. Não me contive desta feita. Para além de quase ter arrancado as cabeças dos desgraçados dos "vizinhos do lado", enquanto me abraçava aos dois metros de pessoa que constituem o meu irmão, chorei, muito de alegria mas principalmente de orgulho. Aquele orgulho que nos deixa com pele de galinha, como quando Derlei empurrou a bola naquele fim de tarde em Sevilha, ou quando Juary apareceu como um foguete a finalizar outra obra-prima de Madjer. Aquele orgulho imenso, enorme, incrível, que sentimos quando se ouve a voz imcomparável da Maria Amélia Canossa antes de cada jogo, levando-nos a segurar os cachecóis ao alto até os músculos dos braços começarem a ceder. Aquela certeza de que somos o que somos, somos como somos, e para sempre assim seremos, porque somos portistas. Porque somos Porto. Porque sabemos o que é ser Porto.

Após o golo, veio o estouro fisico, como seria de prever. Jogar contra os Gil Vicentes e Moreirenses desta vida durante 2/3 da época tem as suas desvantagens. É que jogos assim, tem o Bayern aos montes durante uma temporada, e talvez por isso não tenha estranhado que alguns dos nossos rapazes tivessem festejado o 3º golo deitados no relvado, ou agarrados aos joelhos, porque já pouco oxigénio havia a chegar aos músculos por essa altura. 

Até final, para além de ir refrescando quem já não aguentava mais (menos Herrera que, segundo o meu irmão, leva uma mochila com um pulmão suplente para dentro de campo), foi tempo de cerrar fileiras, tapar caminhos, dobrar a língua, e ver a nossa versão "muro intransponível" ser posta em prática. Incrível a forma como a equipa se uniu nesta fase do jogo. Incrível também a maneira tranquila como o Bayern vai tentando "asfixiar" aos poucos quando consegue estacionar no meio-campo adversário (como aconteceu nos últimos 10 minutos), como se o jogo estivesse empatado e tudo estivesse controlado. 

Hoje, como podem compreender, não há notas para ninguém, porque seria ridículo querer destacar uns em detrimento de outros. Falarei apenas dum jogador que praticamente não vi a figurar nos destaques de outras "casas": Alex Sandro. Para mim, fez o melhor jogo com a nossa camisola vestida, e foi um elemento duma enorme preponderância em praticamente todos os momentos do jogo, especialmente quando a quebra física foi mais notória. Alex Sandro foi, durante 90 minutos, um dos melhores laterais esquerdos da Europa. E aquela assistência para Jackson... Bra-fucking-vo!

Não resisto a destacar também Lopetegui, o grande obreiro desta noite de sonho. Preparou o jogo de forma sublime, jogando com as ausências do lado dos alemães (concerteza que os jogadores que ficaram de fora lhes fazem falta, deixemo-nos de merdas), procurando montar uma teia de pressão ofensiva sobre as linhas de passe, deixando o início de construção para um lento, trapalhão e perfeitamente mediano Dante (só ultrapassado em mediania pelo seu compatriota do cabelinho loiro e encaracolado do PSG). Depois, na 2ª parte, percebendo que Xabi Alonso e Lahm (principalmente estes dois), não transpiravam robustez fisica para aguentar grandes correrias, lançou um ataque impiedoso em termos de pressão colectiva, de organização e cobertura de espaços, que deixou por várias vezes os bávaros a passar bolas... para fora! Muito bem também na gestão física dos últimos minutos, onde foi segurando as pontas até ao limite. Se no final desta época não houver nenhum título a figurar nas nossas vitrines, acreditem, não será por falta de trabalho, de capacidade de leitura táctica, por falta de exigência do nosso treinador. Foi, seguramente, a melhor contratação do F.C.Porto para esta época.

Falta um jogo, é certo. Falta ir ao covil da besta alemã. Falta um combate de 90 minutos, uma batalha na qual só estamos porque, foda-se, somos mesmo bons, e trabalhamos como uns cães para lá estar. Faltam 5400 segundos de unhas roídas, de muito suor, muita fé, muita luta, muito sofrimento. E a verdade, é que nos encontramos em vantagem. Assumamos isso: estamos em vantagem. E se fomos capazes duma exibição como a de 4ª feira... porquê ter vergonha em acreditar?

15 de Abril de 2015: Perfeito!


sábado, 28 de março de 2015

Choupana e Bayern

Nacional vs Porto - fim dum ciclo diabólico


Começando pelo fim-de-semana passado (e que longe que já vai...), falemos um pouco do jogo na Choupana. Começando pelo óbvio: perdemos uma oportunidade de ouro para "colar" a 1 ponto do Benfica e de os colocar sob uma pressão enorme, numa altura em que o fraco futebol praticado pelos nossos adversários (especialmente em jogos fora) começa a dar sinais de se poder transformar em resultados negativos. Essencialmente, perdeu-se essa boa oportunidade, no final dum ciclo absolutamente infernal de jogos, sempre com a pressão de ter de ganhar bem presente. 

Desde a última derrota da equipa (num total de 3 nesta época, em 41 jogos oficiais), curiosamente também na Madeira, encetámos um total de 11 jogos (2 para a Chapions), com 9 vitórias e 2 empates (Basileia e Choupana), 25 golos marcados e 3 golos sofridos. Este período coincidiu com uma fase de melhoria extraordinária em termos de consolidação do modelo de jogo, de consistência exibicional, de produção ofensiva e desempenho defensivo. Tudo isto alcançado num período de sensivelmente dois meses. 

Por aqui, poderá começar a explicação para algumas das dificuldades sentidas na Choupana: a questão física. Pelo que leio por essa bluegosfera, carregada de "experts" da preparação física, táctica, financeira, etc., "não se compreende como há jogadores cansados nesta altura". Ora, numa época preparado em micro-ciclos de treino e competição, depois de um período de 11 jogos em 2 meses, muitas vezes sem tempo para grandes treinos entre cada jogo, é perfeitamente natural que tenha havido uma quebra física nos 2/3 últimos jogos (especialmente de unidades como Herrera, Casemiro ou Alex Sandro), como será perfeitamente natural que após esta paragem na competição os jogadores regressem de novo com "pernas" e "pulmão". 

Porque para sermos justos, durante a 1ª parte do jogo na Choupana - enquanto todos tiveram pernas - nunca pareceu que o jogo nos escaparia. Estacionados no meio-campo ofensivo, secando qualquer tentativa de saída em transição do adversário (como qualquer equipa de Manuel Machado gosta de fazer), tivemos o controlo absoluto do jogo. Não criámos dezenas de oportunidades de perigo, é certo, mas estávamos na frente, com toda a justiça, e nada indicava que o Nacional pudesse reagir. 
Na 2ª parte houve a tal reacção da equipa da casa, e um conjunto de decisões de Lopetegui durante o jogo que, ao contrário de 90% das vezes, não pareceram surtir o efeito desejado. Especialmente, a saída de Casemiro, que nos retirou consistência ao meio-campo, deixando-nos mais desorganizados e expostos ao jogo mais veloz e agressivo do Nacional. Após o golo do empate, aí sim, sentiu-se que a equipa procurou a vitória sem pensar na melhor forma de a obter. Faltou alguma calma, mas também alguma sorte (2 bolas nos ferros é obra), e penso que o resultado final não traduz na perfeição o "filme" dos 90 minutos.

Um empate fora, na Choupana, é um mau resultado? Digamos que é um mal menor, dadas as circunstâncias. Devíamos ter aproveitado o mau resultado dos encarnados, devíamos conseguir chegar à Luz com maior equilíbrio pontual, devíamos ter conseguido gerir melhor a vantagem no jogo. Mas não haja dúvidas que, até final da temporada, mais pontos vão ser perdidos pelos 2 da frente. 

Percebe-se que é em alguns pormenores que se nota que a equipa ainda tem potencial por lapidar, como foi dito no post anterior, mas não se duvide que numa temporada que conta já com 41 jogos, um saldo de 31 vitórias, 3 derrotas e 7 empates, num total de 92 golos marcados e 22 sofridos, tem de ser vista como uma temporada muito positiva.

Após termos feito 8/9 jogos para o Campeonato com uma pressão incrível sobre o ombros, tendo que ganhar em campos tradicionalmente difíceis como Bessa e Braga, e contra adversários complicados como o Sporting e o Basileia, ainda há quem pense que a equipa não aguenta a pressão. A sério? Não aguenta? 

E também é sempre bom perceber que há coisas que não mudam. Num espaço de horas, a bipolaridade que reina em tantas cabeças portistas (pseudo adeptos dum clube e amantes de desporto) levou a que por essas caixas de comentários dos blogues de que todos gostamos fossem espalhados insultos, atestados de incompetência, e premonições de catástrofes de dimensões bíblicas. O normal portanto! Aliás, quando tal façanha parte logo de alguns escribas (muito conhecedores do futebol e muito "independentes" nas suas análises), está tudo dito. Assim como é também normal observar que a quantidade de comentários triplica após algum desaire.

Prossegue esta animada luta pela liderança, agora com uma diferença de 3 pontos entre Porto e Benfica. E com o clássico à vista... Isto está a aquecer!



Sorteio da Champions


Sejamos honestos: as nossas hipóteses de avançar para as meias-finais da Champions League são reduzidas. Penso que todos estamos de acordo quanto à valia do FC Bayern, em todos os aspectos possíveis de avaliar. O sorteio dificilmente poderia ter sido pior, até porque teremos de jogar a 2ª mão fora de casa. 

Eu, confesso, tinha pedido Bayern ou Barcelona, porque gosto deste tipo de desafio para nós. Penso, muito honestamente, que é bem mais fácil praparar a equipa para um jogo destes (em que grande parte da pressão está do lado do adversário), do que para uma eliminatória com um Mónaco, por exemplo. Como adepto do Porto mas, sobretudo, de bom futebol, estou bastante entusiasmado para ver-nos em acção contra uma das melhores equipas do Mundo, orientada por um dos treinadores que marcou a História do Futebol e por quem nutro uma profunda admiração, com jogadores de estrondosa qualidade em qualquer posição. Estou curioso para ver como vamos adaptar-nos a jogar contra uma "máquina" de futebol de posso como a dos bávaros. E, sinceramente, espero dois jogões de futebol! 

Dizia no início que as nossas hipóteses são reduzidas. Diria o mesmo de qualquer adversário do Bayern em qualquer competição. Mas não é impossível (no Desporto essa palavra não existe) derrotar os alemães! E muito embora saiba que será difícil, acredito nos rapazes! Vi o Bayern soçobrar em casa perante um bem organizado Moenchengladbach ou em casa dum agressivo Wolfsburg e acredito que é possível batê-los.

O meu avô, que nem é nada de antecipar resultados, nem de grandes "caganças" confidenciou-me ontem que acredita piamente que vamos conseguir chegar à final... Tentei fazê-lo prometer que dançará nú pelas ruas do Porto se tal acontecer, mas não tive sucesso. Uma pena, porque apesar dos seus 83 anos, o homem está numa forma física invejável... 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Jogos Memoráveis - "Football... Bloody Hell"

Iniciamos hoje no nosso espaço esta rubrica, na qual procuraremos viajar por jogos marcantes a que tivemos oportunidade de assistir, durante a nossa curta existência. Aqui, vamos tentar deixar de parte clubites; vamos sim deixar-nos levar pelo nosso amor a este desporto maravilhoso, capaz de parar o Mundo inteiro por 90 ou 120 minutos, enquanto a bola rola pelo relvado, e os artistas que aprendemos a admirar a fazem girar com toques de magia. 

Hoje, começamos com uma viagem à bela e moderna Barcelona, mais concretamente ao quente fim de tarde de 26 de Maio de 1999.

Em Camp Nou, defrontavam-se dois colossos do futebol europeu e mundial, Manchester United e Bayern Munique, na altura equipas recheadas de estrelas e um degrau acima dos grandes clubes espanhóis (Barcelona e Real Madrid) e italianos (Milan e Juventus).


Do lado do Bayern alinhavam nomes como Kahn, Kuffour, Matthaeus, Mario Basler, Effenberg, Babbel e Jeremies. Do lado dos "Red Devils" moravam Schmeichel, Gary Neville, Beckham, Giggs (sempre Giggs), com a lendária dupla Yorke e Cole na frente. 


O jogo foi dominado quase na totalidade pelo Bayern, que se adiantou no marcador logo aos 6', num livre directo cobrado por Mario Basler,que deixou o gigante dinamarquês Schmeichel pregado ao chão. O poderio físico da defesa e meio-campo dos alemães ditou leis, e conseguiram anular por completo as pedras basilares do United - Giggs, Beckham, Yorke e Cole. Registe-se o facto de os ingleses terem alinhado sem jogadores importantes, como Scholes (lesão) e Roy Keane (castigo), o que levou a que Beckham tivesse de de alinhar como médio, e Giggs no flanco direito.


Se na primeira parte se registou um maior equilíbrio entre ambas as equipas, sem grandes oportunidades de golo a registar, a segunda foi um autêntico recital ofensivo dos bávaros. Com um domínio territorial quase total, não só contrariavam o futebol mais directo do United, como conseguiam criar oportunidades suficientes para aumentar o marcador para 3 ou 4 bolas. Mas em duas ocasiões, o poste (Mehmet Scholl, após um chapéu quase perfeito) e a trave (Jancker, de pontapé acrobático) negaram aos alemães as ocasiões mais flagrantes deste período. Isso e aquele louco e intransponível Peter Schemichel (que fazia a sua despedida de Old Trafford neste jogo).
Aos 67' e aos 82', Alex Ferguson decidiu arriscar tudo o que podia, e colocou em campo Teddy Sheringham e "Baby Face Killer" - Ole Gunnar Solskjaer. Mal ele sabia o que estava para vir...

Chegavamos quase ao final dos 90', e o jogo parecia decidido, apesar da magra vantagem. O Bayern esteve sempre por cima, sempre a controlar as investidas britânicas e tentava, nesta altura, que o tempo corresse veloz.

Pier Luigi Collina, árbitro do encontro, dá ordem para que se levante a placa com o tempo de desconto. 3'. Os fãs do United assobiam! Precisavam de mais tempo...

Com 90 minutos de jogo, e o United completamente balanceado para o ataque, Beckham combina com Neville, na esquerda,  e o lateral cruza rasteiro. Kuffour corta para canto. A bancada por detrás dessa baliza, repleta de adeptos dos "Red Devils" quase desaba. Schmeichel sobe à área adversária. Bekcham marca o canto, Schmeichel ainda tenta cabecear mas a bola é cortada pela defensiva bávara que, contudo, não a consegue afastar o suficiente do limite da grande área. Ali, à espera, está Giggs, que remata de pé direito, torto e fraco. Mas a bola passa caprichosamente por vários pares de pernas e vai ter direitinha com Sheringham que, sem cerimónias, já na pequena área, atira a contar.


A loucura instala-se! O United consegue um pequeno milagre ao empatar nos descontos, depois de levar um banho de bola durante os restantes 89'. 

Bola ao centro e os alemães parecem atordoados com o golo sofrido. Inexplicavelmente tentam jogar longo para Jancker mas Stam (aquela besta de homem) ganha de cabeça. Sai um passe longo para a esquerda do ataque do United, e cola no pé de Solskjaer. O norueguês tenta ganhar a linha, mas Kuffour não desarma e corta para canto. A celebração da conquista desse canto por parte dos adeptos do United é algo que ainda hoje me deixa arrepiado. Eles sentiam que aquele era O momento. Eles sabiam que a noite (e a época) era deles!

O relógio marca 93', e o United tem o último lance do jogo. Canto de Beckham e Sheringham antecipa-se ao primeiro poste, perto do limite da pequena área. Desvia na direcção da baliza, mas a bola vai fraca. Mas alguém se esqueceu de Solskjaer...


 YEAAAAHH!!! 


Aqui, a loucura foi total. O banco de suplentes do United sai disparado em direcção aos marcadores! O United acaba de concluir um dos episódios mais épicos da história do futebol.

Sheringham e Solskjaer, lançados por Ferguson ao longo da 2ª parte, estiveram nos 2 golos ingleses. Se há dias de sorte, este foi com certeza o dia mais feliz de Sir Alex. 

As imagens que se seguiram são muito fortes. Collina quer reatar o jogo mas vários jogadores do Bayern estão caídos do chão. O italiano vai tentar levantá-los para os fazer regressar ao que resta do jogo. Kuffour esmurra o relvado com raiva e chora convulsivamente. Do outro lado, Schemichel celebra com um mortal. Os adeptos do Bayern não querem acreditar no que está a contecer. Beliscam-se para acordar daquele pesadelo. Do lado inglês, lágrimas de alegria e a loucura absoluta.


O jogo termina passados segundos, coroando o United como vencedor da Champions League de 1999.

Em baixo, têm um pequeno resumo dos principais lances do jogo.


O futebol é um jogo que pode ser tão loucamente apaixonante como raivosamente cruel. Neste dia, foi-o para os fãs das duas equipas. Como adepto "Red Devil", amei cada segundo daqueles 3' de compensação. Ali está a génese do que me faz amar este desporto. Um jogo carimbado e resolvido, em que já se colocava o nome de vencedor na Taça, teve uma reviravolta dramática como poucos esperariam. Não sei (e espero nunca vir a saber) o que significará estar do outro lado, mas ainda me comove o desespero evidenciado por Kuffour logo após o 2º golo. Não sei se teria força anímica para continuar a jogar futebol depois daquele golpe de teatro. Os Deuses do Futebol revelaram-se piedosos para com os "Red Devils" naquela noite de Maio, protegendo a baliza de Schmeichel durante o assalto ofensivo dos alemães, e penalizaram em toda a linha a perda de controlo do jogo do Bayern nos minutos finais. Foi injusto? Muito, mesmo muito injusto! Mas foi épico, mágico e certamente continuará a ser um dos marcos do futebol mundial por muitos anos.


No final do jogo, quando questionado sobre o que acabara de se passar, Alex Ferguson, de sorriso de orelha a orelha, soltou:

"Football... Bloody Hell!"





terça-feira, 29 de abril de 2014

Bitaites de Champions

E não é que o Real deu uma tareia nos bávaros? Nossa senhora! Aquela 1ª parte do Real foi avassaladora/assustadora/mágica/ (adicionem os adjectivos que quiserem...). Se já na 1ª mão tínhamos ficado com a ideia de que o Bayern apenas conseguiu controlar a posse de bola durante o jogo, sem conseguir furar a forte linha média/defensiva do Real, perdendo a bola demasiadas vezes, dando azo a contra-ataques venenosos, hoje não houve grande diferença. Aliás, houve. 


Houve a exploração das bolas paradas por parte do Real (péssimo o Bayern a defender estes lances, e sublime Sérgio Ramos na forma como apareceu a finalizar), e sobretudo houve Di Maria no meio campo (joga numa galáxia diferente da de Isco, nesta altura), a pressionar como nunca e a sair veloz como sempre, e houve Bale, Ronaldo e Benzema verdadeiramente endiabrados! Depois, quem tem Modric e Xabi (que crime não jogar a final... que crime!) a temporizar daquela forma a transição ofensiva, a fechar com aquele posicionamento perfeito os caminhos aos médios adversários, a sair quase sempre com critério após recuperação da bola -  em posse quando necessário, ou a lançar contra-ataques explosivos sempre com passes bem medidos, quando vislumbram desequilíbrio no adversário -  fica sempre mais perto de ganhar.
Em suma... Banho de bola do Real em Munique!
E Ronaldo lá continua a bater recordes! Ele que não gaste tudo agora!!!



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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bitaites de Champions

Ontem nós até queríamos ver como seria o 1º jogo da 1ª mão da Meia-final da Liga dos Campeões, mas acabámos por assistir a um treino de finalização de alguma forma inovador por parte de Simeone. Convidou a equipa londrina comandada por José Mourinho e estes apresentaram-se para a peladinha num revolucionário 9x1x0. Foi engraçado ver uma equipa profissional a fazer aquele treino de rua que todos nós fizemos, quando levávamos uma bola e chutávamos contra um muro. O muro leva o melhor resultado porque nem marcou nem sofreu e da próxima é ele que leva a bola para jogar. 


Hoje o Real Madrid recebeu o Bayern de Pep Guardiola. Vimos uma equipa de velocistas sempre a fazer disparar radares contra uma equipa que ia tendo posse de bola mas não chateava ninguém. O Real lá fez o 1-0 com o asno do Coentrão (cuspidela desrespeitosa para o chão) e Ronaldo na jogada, mas quem a meteu lá dentro foi o careca magrebino, Karim Benzema. Grande desilusão a prestação da equipa alemã hoje. Há corpos estranhos nesta equipa para as ideias de Guardiola triunfarem... Rafinha, Boateng, Kroos, Mandzukic com exibições que deixariam Bolatti, Valeri ou até Kazmierczak orgulhosos das suas carreiras.



Para a semana há mais!


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