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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Champions - F.C.Porto vs Shakhtar

Foi pena a lesão de Rúben. Seria pena uma lesão potencialmente grave fosse de quem fosse, mas ver aquele joelho a ceder ao nosso puto-maravilha foi o semelhante a um punhal gelado e cruel a penetrar o nosso corpo pela região posterior do tronco. Assim, a sangue-frio! Logo ele, que constitui um dos nossos melhores médios e que acabara de fazer uma belíssima exibição em Coimbra...

Imagem surripiada ao zerozero

Foi, de resto, o principal aspecto negativo do jogo. Esse e os apagões de Alex Sandro no decorrer na 2ª parte - embora tenha gostado de o ver mais activo e agressivo durante uma boa parte do jogo. Ou a forma aparentemente fácil como os "ucranianos" foram encontrando espaço para jogar em velocidade e muitas vezes em superioridade numérica, valendo os cortes in extremis de Ricardo e Indi em 3 ou 4 ocasiões. 

Gostei da tentativa de jogar sempre com a bola a rolar pela magnífica relva do Dragão, e até considero que houve momentos bastante agradáveis no nosso jogo ofensivo. Geralmente pecávamos no último passe, algo que facilmente se compreende pela inclusão de tantos jogadores com menos minutos nas pernas. E de Quaresma, sempre a complicar o mais fácil.

Evandro provou que é, efectivamente, um enorme jogador, Ricardo que pode ser alternativa a praticamente toda a gente no flanco (Tello, Quaresma, Danilo, Alex Sandro ou Brahimi) tamanha a qualidade que brota daquelas pernas e Aboubakar deixa sempre água na boca.

Quando parecia que era desta que sofreríamos a primeira derrota desta edição da Champions (e vão 8 jogos seguidos sem perder), um balázio de Aboubakar devolveu justiça ao resultado.


(+) Positivo

Evandro - Tenho uma paixoneta pelo brasileiro há já algum tempo. Penso que se trata dum jogador extraordinário, que não teve a felicidade que outros tiveram (e com menos qualidade) de jogar logo em grandes palcos. Dou os parabéns à equipa de Scouting do Estoril por ter descoberto esta pérola "perdida" pelo pobre futebol sérvio. Ontem foi, para mim, o melhor em campo do nosso lado. Capacidade de pressão e de posicionamento (discordo de quem pensa que andou mal posicionado. Tal só aconteceu após saída de Rúben, onde Evandro passou a ter de atacar por 2 e a defender por 2, porque Marcano não sai da posição e Quintero, defensivamente é.... patético), sempre a jogar de cabeça levantada, demonstrando uma capacidade técnica admirável (a forma como recebe a bola é uma delícia) e uma inteligência sublime. Subir com bola, fixar e soltar para outro colega melhor posicionado, abrindo sempre brechas na defensiva contrária - parece fácil, mas não são muitos os que o conseguem fazer com aquela classe. Inquestionavelmente, e embora continue a achar que Herrera tem imensa importância no equilíbrio táctico do meio-campo, continuo a achar que Rúben-Óliver-Evandro será o nosso meio-campo potencialmente mais forte.

Ricardo Pereira - Este rapaz pode ser um jogador de qualidade em 4 posições diferentes - dentro do nosso esquema táctico - e, como já demonstrou nos sub-21, pode também ser um 2º avançado letal, num 4-4-2. Isto é uma prova de qualidade que muito poucos podem apresentar. Ricardo é um jogador fantástico. Não sendo lateral de raíz, joga com uma desenvoltura que nos deixa estarrecidos. Tem técnica, velocidade, cruza muito bem, e consegue sempre perceber se é melhor jogar por dentro, deixando espaço para o extremo, ou por fora, para conseguir "esticar" o nosso jogo. Já li por aí:  "Ricardo provou que não consegue ser alternativa a Danilo". Ridículo!!

Aboubakar - Notou-se que teve dificuldades em entender-se com os colegas (principalmente os médios que surgiam mais próximos), mas desengane-se quem pense que aquela estampa física é sinónimo de pouca qualidade técnica! Ficaram na retina algumas recepções incríveis, com adversários encavalitados nas suas costas, e movimentações interessantes (como naquela bola que Quintero lhe mete para remate de primeira) e aquele golo foi qualquer coisa de especial. Um bocado diferente de ter lá Kléber, Walter ou Janko, não acham?

Nunca desistir - Mais uma vez, equipa em desvantagem e nunca se desiste. Marca-se golo e não há tempo para festejos - bola no meio-campo para tentar chegar ao 2º. Aprecio!

Rúben Neves - "Olá, sou o Rúben Neves, tenho 17 anos e quando saí lesionado a equipa pareceu ter mamado dois Xanax misturados com whisky até certo período da 2ª parte." - um belo cartão de visita.

Sem Derrotas - Seria da mais elementar justiça que houvesse honestidade, já não digo na CS, mas no mundo bluegosférico. Se no ano passado, quebrados alguns recordes tão negativos (principalmente na Champions), Paulo Fonseca foi justamente chamado aos cabeçalhos pelos piores motivos, esperar-se-ia que Julen Lopetegui o fizesse pelos melhores motivos. São 8 jogos, 2 empates e 6 vitórias, 19 golos marcados e 4 golos sofridos... Enfim, alguns "tascos" que foram tão lestos a massacrar o anterior treinador, poderiam ser igualmente lestos a felicitar o actual. Percebo que cada local tem a sua "agenda", e que textos miseráveis publicados no decorrer desta época possam explicar o porquê de haver tão pouco "Lopetegui" nas parangonas, mas ficava-lhes bem. da minha parte, parabéns Julen!


(-) Negativo

Alex Sandro - Coloco-o aqui porque ontem, no decorrer da 2ª parte, iniciou o seu periodo trapalhão, displicente, patético, desmiolado, em que conseguiu, sozinho dar cabo de 6 jogadas potencialmente perigosas. Numa dessas perdas, demorou uma eternidade a baixar e foi Indi quem safou a situação, lançando-lhe um olhar que, tivesse sido comigo, me faria ter cavado um buraco e não mais sair de lá até ao final do jogo. Ainda assim, é o nosso melhor lateral-esquerdo... 

Quintero - Se se pudesse fazer no futebol uma substitituição "defesa-ataque" como no andebol, em que ha jogadores que só defendem ou só atacam, Quintero seria um forte candidato a só atacar. Aí, com bola nos pés, é capaz de fazer coisas extraordinariamente simples e extraordinariamente belas. Como também é necessário defender, torna-se num jogador bonzito, porque é um mago na manobra ofensiva e um ZERO absoluto na manobra defensiva. E começa a tornar-se complicado arranjar argumentos para defender a sua titularidade. É defender com menos 1!

Lesão de Rúben - Uma tragédia... Junto-me ao coro de vozes portistas e grito um sentido: VOLTA RÁPIDO MIÚDO!!


Em suma, foi cumprido aquilo que se nos exigia. Dar descanso a algumas pedras que vinham revelando alguns sinais de fadiga, dar tempo de jogo a gente cheia de qualidade que ainda não teve tempo para o mostrar, ver um jogo entretido e, acima de tudo, não perder. 

A partir de agora é pensar SÓ em jogo com o Benfica. Não admito mais nada! Nem que uma qualquer super-modelo vos receba em casa, semi-nua em cima da cama,e vos alicie para uma "aventura". Ponham,-na porta fora aos pontapés, imaginando que ela é o Gaitán ou o Enzo a ousar entrar no nosso meio-campo. Levem os relatórios dos jogos deles para casa. Saibam tudo sobre eles, inclusive a que horas dão a 1ª coçadela de tomates e qual a chuteira que calçam primeiro. Decorem tudo o que se tem dito durante esta época sobre vocês e sobre eles. Vejam os jogos memoráveis que já fizemos, na nossa casa, cotnra eles. Ganhem a jogar com menos 1. Com menos 2. Com o Marcano a avançado e o Oliver na baliza, mas ganhem!  Ganhem! Foda-se, rebentem com eles! Ou morram a tentar...

P.S.: Estou a cagar-me para "sorteios simpáticos". Quero o Barcelona ou o Bayern nos 1/8. A sério que quero! 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Fernando Santos... e os magníficos sub-21

Agora que tivemos a 2ª paragem nas competições nacionais em praticamente 2 meses (sonho com o dia em que FIFA e UEFA vão gizar um plano competitivo que não prejudique os clubes desta forma), falemos um pouquinho sobre as Selecções.



Os sub-21 alcançaram um feito inédito, diga-se. Não obstante o talento que por ali anda, há que reconhecer que Rui Jorge soube retirar máxima vantagem desse facto. Não chega haver talento, é preciso pô-lo ao serviço da equipa e isso, não é para todos. Se já durante a fase de grupos os miúdos fizeram exibições portentosas, o jogo em Alkmaar foi fantástico. Estratégia bem montada, jogadores todos muito próximos, abnegados e extremamente pressionantes, belos intérpretes e, sobretudo, um hino ao futebol colectivo. Gostei imenso de ver este jogo, e fiquei ainda mais entusiasmado com Rúben e, principalmente, com Ricardo. Se no primeiro impressiona a facilidade com que se integra numa equipa já com 8 jogos de "andamento" e ocupa aquela posição "6" com uma classe e tranquilidade assustadoras, Ricardo continua a demonstrar uma polivalência inacreditável. Já o vi a jogar como Lateral (esquerdo e direito), Médio Ofensivo (no Vitória), Extremo (esquerdo ou direito), Central (durante uns minutos na época passada em casa com o Belenenses), e agora como Avançado mais móvel no 4-4-2 dos sub-21. E o mais curioso é que foram raras as vezes que não me surpreendeu. Alia uma belíssima capacidade técnica a uma velocidade notável mas parece-me que a sua maior arma é a inteligência posicional que demonstra em qualquer posição em que joga. Bem sei que tem rivais à altura no plantel principal do Porto mas vejo o rapaz como uma certeza para um futuro muito breve. Não acompanhei o festival de golos de Paços de Ferreira, na 2ª mão do play-off, mas ver os nomes de Rúben e Ricardo na lista de marcadores encheu-me de alegria. Menção honrosa para Sérgio Oliveira e um grande destaque para Bernardo Silva - é, efectivamente, um jogador que tem tudo para ser fabuloso. 



Falemos agora dos AA, comandados agora pelo nosso querido Engenheiro. Gosto de Fernando Santos, tenho de admitir. É fácil gostar dele: parece-me um indivíduo inteligente, ponderado, bom comunicador, sério e trabalhador mas, acima de tudo, coerente. Recordo-me de ver as suas equipas sempre bem trabalhadas no plano ofensivo, e com um sistema defensivo de referências individuais pouco "moderno". Era também pouco acutilante (corajoso, se preferirem) na abordagem a alguns jogos, mas não esqueço que com ele derrotámos um Super Real Madrid, e só um tristemente célebre Hugh Dallas nos impediu de eliminar o colosso Bayern na Champions. Mesmo depois de ter deixado o clube para outras aventuras, onde se contam passagens pelos nossos rivais, penso que não há uma alma que não simpatize com o Engenheiro. Sendo assim, parece-me que estão criadas as condições ideais para que haja alguma harmonia em torno da selecção, no que à liderança técnica diz respeito.

Não vi o jogo de Sábado, excepto os últimos 10 minutos, e gostei da sensação de ver um colectivo mais organizado, mais crente nas suas capacidades e com capacidade de luta. Vi também Quaresma a fazer o gosto ao pé (confesso que teria tremido se fosse marcar um penalty pelo Porto...) e um João Mário a deixar água na boca. 
No jogo de ontem, podemos destacar a coragem de Fernando Santos em avançar com a "remodelação" do modelo de jogo. Um meio campo com maior propensão para ter, e saber ter bola - pese embora a fraca forma de Moutinho - com o nosso mais forte trio de avançados à frente, com bastante mobilidade e velocidade. Na defesa, voltámos a ter dois defesas-centrais competentes (jogaço de Ricardo Carvalho), e só as anedotas que jogam como laterais destoaram. Sendo certo que foi um jogo com pouco sabor, é também verdade que Portugal criou mais oportunidades e fez mais por merecer a vitória. Não gostei muito de alguma desorganização entre os 20-35min da 1ª parte, e também com o facto de Tiago e Moutinho se terem desgastado tanto com coberturas defensivas. Sendo eles os cérebros da construção ofensiva, ficaram com poucas pernas para a parte final do jogo. Santos leu bem, ao colocar Quaresma e João Mário e foi uma maravilha ver aquele cruzamento genial de Quaresma chegar direitinho à cabeça de Ronaldo. Quanto a Quaresma, no pouco tempo que esteve em campo demonstrou tudo aquilo que é: tentou por 2,3 vezes fintar 2,3 adversários em zonas impossíveis, perdendo a bola com facilidade, e depois foi capaz de ir à linha "sacar" um cruzamento perfeito, que valeu 3 pontos. Assim, fácil. Tudo isto do tal jogador que dá mau ambiente se não joga e que é muito individualista (argumento de acéfalo, numa selecção que tem Ronaldo...). Doeu muito Paulo Bento?


Venha a Taça!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Porto vs Moreirense

Em dia de derby lisboeta, o Porto recebia o Moreirense, de regresso à 1ª Liga, no Estádio do Dragão. Uma boa casa com de 35509 adeptos recebia um Porto com algumas novidades no 11, a começar pela defesa. Face à lesão de Alex Sandro, José Angel foi titular (e é tão bom não adaptar jogadores) Oliver e Brahimi acompanhavam Casemiro no meio-campo, enquanto Adrian e Quaresma compunham as asas do ataque liderados pelo capitão Jackson Martinez.



Com uma primeira-parte muita fraca em termos de velocidade, foram poucas (ou mesmo nulas) as oportunidades de golo. Dominámos as estatisticas com muita posse, muitos ataques mas... faltava o resto. O Moreirense jogava com 11 homens atrás da bola e com duas linhas (defesa e médios) praticamente juntas. A lentidão do nosso jogo não ajudava a desmontar o xadrez que a equipa de Miguel Leal trouxe até ao Dragão. Jose Angel fez uma primeira-parte fraca. Quaresma idem. Adrián ninguém sabe se chegou verdadeiramente a sair do balneário ou se o fecharam lá dentro sem querer.

Mas uma segunda-parte melhor, onde todos pareciam melhorar a nível individual foi o suficiente para ganhar a uma equipa do Moreirense que vinha para perder por poucos. Só que as dores nas pernas atacam ambas as equipas... Casemiro por exemplo, foi o primeiro que se sentiu estar sem gás e imaginação para continuar em campo. Hoje Lopetegui demorou um bocadinho a mexer na equipa mas... mexeu bem. Ruben Neves entrou e a bola passou a circular com mais rapidez. Numa jogada interessante pela direita com Quaresma e Brahimi como intervenientes, a bola acaba a passar em frente à linha de golo com 4 jogadores azuis e brancos pronto para finalizar. Foi Oliver Torres quem acabou por empurrar a bola para o fundo das redes de Marafona, inaugurando assim o marcador. E como diria esse poeta do futebol Cristiano Ronaldo: "os golos são como o Ketchup" e saindo o primeiro vinham mais a caminho. O segundo nasce de uma saída épica de Marafona da baliza que acaba por lesionar Oliver no ombro numa bola dividida, a bola acaba por sobrar para Jose Angel (muito melhor na 2ª parte) que cruza para Jackson marcar. 2-0 e o resultado estava feito. Entrou Quintero para o lugar do nosso anãozinho espanhol, ainda a tempo de falhar um penalty e de estar na jogada do terceiro golo. Movimento tipico da direita para o meio, bola em Adrian e Jackson com um remate seco e colocado a fazer o 3-0 e arrumar de vez com o jogo. 5 jogos, 5 vitórias 0 golos sofridos são numero muito bons neste inicio de época. Vamos a notas...

(+) Positivo


Ruben Neves - Veio dar a velocidade que Casemiro não conseguia. Ou por estar cansado ou por ter comido demasiada picanha ao almoço. Enquanto o Brasileiro parecia muito preso de movimentos e demorava muito tempo a entregar a bola, o nosso puto entrou e veio dar velocidade na circulação de bola e rotatividade. Aparecia sempre do lado a oferecer linhas de passe mais recuadas. Muita qualidade nos seus pés. 

Danilo - Um dos melhores. Tentou sempre levar a equipa para a frente. Movimentações interessantes no meio (como ele tanto gosta) a ocupar espaço interior quando estávamos sem bola e a confundir marcações quando estávamos em posse. Rematou, correu, sempre insatisfeito. Estou a gostar muito do seu inicio de época.

Jackson - Mais um jogo, mais dois golos. Foi uma autêntica ilha na primeira-parte, no meio dos centrais do Moreirense. E como a equipa melhorou na segunda-parte, Jackson marcou. Quando é bem servido o colombiano faz golos. Fechada a época de transferências, está aqui uma bela "manutenção" !

(-) Negativo


Adrián - Uma "barata tonta" na primeira parte, ficando seguramente com as orelhas bem quentes. Aqueles 45' iniciais, parecia que o Porto jogou sempre com 10. Estivesse onde estivesse era sempre menos um. Muito fraco. Alguém dizia e bem no Twitter que parece o Torres à procura do seu espaço no Chelsea. No segundo-tempo melhorou aos poucos e ainda assistiu Jackson para o ultimo golo. A qualidade está lá, falta a Lopetegui saber tirar o melhor do espanhol.

Lopetegui - Mister, eu sei que temos tido um bromance ultimamente mas hoje não fiquei contente. Muito tempo para mexer na equipa quando era óbvio o que estava a correr mal e quem não estava a jogar bem. A insistência na largura mesmo quando o Porto estava em vantagem (ainda 1-0) é algo que não consigo entender pois era dado espaço ao Moreirense para progredir com a bola. Mexeu bem, é um facto. Ganhámos? Sim. Mas arriscou-se demasiado com o "deixar passar o relógio".

Quintero - Entrou para o lugar do lesionado Oliver e entrou com cara de quem estava obstipado há já vários dias. Jackson e Brahimi deram-lhe a bola para marcar o penalty e o colombiano falha de forma... muito denunciada to say the least. Esta malta quer toda jogar mas quando lhes são dadas oportunidades (parece que) dão tudo para não voltarem a calçar.


TWEETOLÂNDIA 

sábado, 23 de agosto de 2014

Porto vs Lille e Tweetolândia

Não estava fácil a publicação desta crónica sobre o jogo de quarta-feira. Primeiro, o "capitalista" do Z encontra-se de férias, provavelmente em frente a uma qualquer piscina de água aquecida com um Mojito na mão direita e um charuto cubano na outra. Como dizia o Herman José num sketch bem conhecido "se não tá deitado, tá estendido..." e desse modo não tenho o "suporte" do costume na gestão do blogue. Segundo, depois de em Junho me ter falecido um computador de marca Japonesa (para evitar problemas de copyright vou usar o seu nome completo - António Shiba) desta vez foi o carregador da maçã ruída a dar problemas, deixando me sem computador durante uns dias. Tudo resolvido, passemos ao futebol. 


Estreia do Porto na Europa este ano contra um Lille que não metia medo, mas impunha respeito. Um 4ª lugar no ano passado, alguns jogadores interessantes e um treinador que já foi campeão francês. Lopetegui deixava Quaresma no banco e avançava com Casemiro para o 11 como eu tinha pedido (Obrigado Mister, eu sei que me tem sempre em conta antes de fazer o onze). Confesso que quando vi quem ia jogar, estranhei a opção por tantos médios, mas o que é facto é que este Porto deixa cada vez mais água na boca pela qualidade individual que tem. E essa qualidade individual está a ser cada vez mais usada de forma colectiva. Foi um dos onzes mais jovens de sempre da história do clube com uma média de 23,48 anos. Incrível. O Porto entrou bem no jogo, teve bola e não acusou estar a jogar fora. O Lille esteve sempre expectante e deixando Jaime Pacheco com uma lágrima no canto do olho, optou pela táctica do "distribuir lenha a torto e a direito". Com a permissão do holandês Bjorn Kuipers (que ódio que eu te tenho desde a Supertaça Europeia com o Barça...) a equipa francesa foi deixando marcas nas canelas dos homens de azul-e-branco. Apesar do controlo total do Porto não existiram muitas ocasiões de perigo até ao intervalo. Na cobrança de um livre lateral, ficou por marcar um pénalti contra o Lille por puxão em Jackson Martinez. O único remate perigoso do Lille na primeira-parte foi feito já com esta a terminar, com a bola a passar ligeiramente por cima da barra da baliza de Fabiano. Sorte do nosso lado e... intervalo. 

A segunda-parte começava e trouxe um Porto mais seguro e mais decidido, Brahimi não estava a fazer um grande jogo (desta vez ocupou o lado direito do ataque) e acabou por dar lugar a Tello que na primeira vez que toca na bola assiste Jackson, e Herrera na recarga faz o 1-0. Muito boa a jogada iniciada (e concluída) pelo mexicano antes do meio-campo, Ruben Neves temporiza e serve Tello que aguarda o momento certo para colocar a bola na área. Nota 20 para todos na decisão! O Lille procurou responder metendo em campo os "putos" rápidos e talentosos Rony Lopes e Ryan Mendes. E criou algumas dificuldades ao Porto. Mas apesar do caudal ofensivo dos franceses, a equipa de Lopetegui pareceu melhor defensivamente do que no fim-de-semana. A equipa parecia mais compacta, com mais unidades a ajudar a defender quando na verdade era apenas e só (uma melhor) organização. Casemiro dá à equipa mais consistência a defender e mais qualidade no passe longo. Fabiano ainda nos fez suar pelo menos duas vezes, mas o resultado manteve-se inalterado. Uma vitória que dá segurança e nos deixa a sonhar por mais.


(+) Positivo


Oliver Torres - Vou passar o ano inteiro a chorar por ele porque sei que este "metro e meio" de jogador nos vai abandonar no final do ano. Que qualidade tens tu, puto. Pés de craque, inteligência táctica que lhe permite jogar numa ala sem perder grande qualidade exibicional. Deve ser um jogador "chato" de defrontar tal é facilidade com que roda sobre adversários, pela raça que demonstra a recuperar bolas e por ainda ter qualidade para pormenores técnicos deliciosos. Vai ser um monstro!

Ruben Neves - Mais um recorde do nosso puto-maravilha. Gosto da postura "and not a single f*ck was given" que aparenta ter em resposta a todo o ruído à sua volta. Vendo este jogo fica a ideia que será mais um 8 do que um 6 tal é a sua percepção de onde deve estar para receber passes, o seu jogo simples, o seu remate fácil e a forma enérgica como mantém o meio-campo em rotação. Chegou a ter 85% de passes certos. Na Champions. Com 17 anos. Fantástico.

A dupla dos centrais - Estiveram em grande. Houve erros? Sim. Maicon teve um (talvez o único em toda a partida) que podia ter originado golo do Lille no final da primeira-parte. Mas tanto ele como Indi foram certinhos, no passe, na marcação, na premissa "Tá apertado, joga prá arquibancada!". Não são os melhores do Mundo, mas noites como a de quarta-feira dão-nos segurança. Venham mais jogos assim. 

(-) Negativo


Herrera - Héctor, juro que não é nada pessoal, mas tu estás a dar tudo para eu ter razão. E eu gostava de não a ter. Marcaste o golo da vitória, eu sei. Mas a quantidade de bolas perdidas e de passes falhados que saíram dos teus pés foi ridícula. 69% de passes certos numa equipa que gosta de posse é uma estatística muito má. Vê lá isso pá. É que até simpatizo contigo e com as tuas orelhas, moço.

Fabiano - Tanta tremedeira. Não deu segurança nenhuma quando a equipa mais precisava. Teve duas falhas demasiado graves para o nosso nível. Aquela bola que não agarra num livre é absolutamente ridícula. Tal como aquela saída até à marca de penalty. Duas jogadas que nos podiam ter custado a eliminatória...

Não saber gerir a bola e o excesso passe longo - Demos demasiadas bolas ao adversário com mudanças de flanco desnecessárias quando estávamos em vantagem. Para quê? Não seria melhor ir trocando a bola, mantendo a posse evitando dar a bola ao Lille? E os livres mais recuados com Maicon a despejar lá para a frente sem grande critério. Para quê? A rever. 


Faltam 90 minutos para estarmos de volta à Liga dos Campeões. Com seriedade e sem complacência no jogo da 2ª mão iremos ganhar na nossa casa, no nosso estádio, com os nossos adeptos sempre a apoiar. Ainda há muito para crescer, mas esta equipa já demonstra muita qualidade. Quando os automatismo começarem a existir podemos ser um "caso sério"! 

VAMOS LÁ EQUIPA! 

Ah, eu nem sou de chorar com árbitros mas cuidado com os homens do apito. É que este holandês...


Tweetolândia


















PS: O "pseudo-caso" Quaresma - Disse aqui a 11 de Maio que Quaresma seria a minha 1ª dispensa para esta época. Não acredito que deva ser o nosso capitão por não ser propriamente um exemplo na forma de estar dentro e fora de campo, e o jogo de Lille veio-me dar razão. Se Lopetegui o colocou no banco, o jogador (seja ele quem for!) só tem de aceitar a decisão e esperar uma oportunidade para mostrar ao treinador que estava enganado. Antes de entrar já estava com cara de quem não estava com grande vontade de ir a jogo. Esteve 3 ou 4 minutos em campo, e a primeira acção que teve foi cometer uma falta completamente desnecessária junto à nossa área que poderia ter tido outras consequências. Fala-se em castigo, possível saída até ao final do mês mas o que eu quero verdadeiramente é que isto não afecte o grupo. É que hoje o "Palminhas" Fonseca vai querer ser o ultimo a rir.

sábado, 16 de agosto de 2014

Porto vs Marítimo - 1ª Jornada

Foi um Dragão cheio que recebeu pela primeira vez Lopetegui e sus muchachos num jogo oficial. Não foi uma estreia perfeita, mas é uma estreia que nos dá garantias que as coisas estão num bom caminho. O Porto foi muito superior ao Marítimo durante toda a partida e mereceu a vitória. Mas isso não impediu que sofrêssemos um pouco até Jackson conseguir o segundo golo. O "fantasma" da ultima época pairou na cabeça de quem estava no estádio, com algumas trocas de bola arriscadas e alguns automatismos que ainda não estão bem assimilados. Aos 32' o Marítimo podia ter marcado, Maicon sai a pressionar de forma pouco pensada e cria um buraco que Edgar Costa aproveitou. Valeu-nos São Alex Sandro.


Há muita coisa a melhorar obviamente mas nem tudo foi mau. Brahimi e Oliver dão outro perfume ao nosso futebol, fazem recepções daquelas que a bola pára literalmente no pé (lembrei-me de Varela e das suas recepções em que a bola avançava 5 metros depois de este a "receber") e prometem crescer muito juntamente com esta equipa. Julen Lopetegui não teve medo de apostar em Ruben Neves de inicio e revelou com isso não haver lugares cativos. Mexeu bem do banco quando se apercebeu que Herrera estava mal e que o meio-campo precisava de intensidade e alguém mais fixo. Casemiro que me deixou de pé atrás na pré-época, entrou muito bem para a posição 6. Impôs o físico e ganhou os duelos naquela zona que estavam a ser perdidos. Parece-me ainda meio preso de movimentos (demasiado rodízio?!) mas contra o Lille apostava nele. Tello veio trazer mais velocidade e foi dos pés dele que saiu a assistência para Jackson marcar o golo da tranquilidade. Bons sinais deixados ontem no Dragão mas há ainda muita coisa a melhorar. Mas (usem este momento estilo Maya para mandar vir comigo daqui a uns meses) tenho a certeza que esta equipa e este treinador se souberem crescer nos vão dar muitas alegrias.

(+) Positivo

Ruben Neves - Não podia pedir melhor estreia. Lopetegui deu-lhe a titularidade e o miúdo acabou por corresponder com um golo e uma exibição muito positiva. O mais novo de sempre a titular, a marcar e um dos mais novos de sempre a jogar pelo nosso clube. Não entro no histerismo todo à sua volta porque acho que ainda tem muito para crescer e nesta idade nos erros podem pesar muito, mas acredito que com cabecinha, se souber crescer, vai ser uma referência do clube. E que saudades temos nós de jogadores da formação!

Brahimi - É daqueles que não engana. Não engana os que de futebol percebem pouco, vendo nele a óbvia qualidade técnica na recepção, na finta ou no passe, e não engana aqueles que avaliam em coisas como "a decisão". E o argelino ontem é capaz de não ter tomado uma má decisão quando teve a bola nos pés. Com movimentos "à la James" mas do lado oposto, pegando na bola do lado esquerdo, movimento interior para o meio e incendiava a defesa insular. Absolutamente incrível a sua calma, a elegância com que ultrapassa adversários e como entrega a bola "redondinha" para quem a quiser. Já não estava entusiasmado com um jogador como ele há algum tempo...

Lopetegui - Soube mexer com o jogo. Portanto, sabe ler o jogo a partir do banco e isso por si só é uma melhoria em relação a um passado recente. Festejou o segundo golo de punho cerrado. Tal como eu. LIKE! Tem o discurso certo e esperemos que não troque as capitais europeias. E viu o (quase) mesmo jogo que eu. Bom começo mister.

(-) Negativo 

Herrera - Disse ainda na pré-época ao Z e a outro amigo em comum que o mexicano não vai encaixar neste Porto de Lopetegui. E ontem foi mau de mais... Alguém que lhe ofereça uma bússola para ele tentar perceber onde se deve posicionar. Não pareceu ajudar nem a defender nem a atacar. Sem bola é muito fraco. E com a bola nos pés é simples: a transportá-la é muito bom, a entregá-la é a roleta russa do costume. Se Classie vier, Herrera não tem lugar neste meio-campo. É uma questão de estilo. É um jogador diferente daquilo que se pede este ano aos médios do Porto. Evandro, jogador que eu e o Z apreciamos bastante, compreende melhor onde deve estar, quando deve ter a bola, e quando deve soltá-la. Herrera é um transportador de bola, como se viu no Mundial, é bom para futebol de correrias. No Porto de Lopetegui tenho sérias duvidas.

Os "assobiadores" - Aiiiiiii. Começa a ser difícil aturar esta gente. Se estádio cheio significa ter de levar com esta malta, é preferível estar mais vazio. Lá para os 30 minutos, já em vantagem, a saída de bola do Porto começou a encravar e claro: "Ai, vocês estão a trocar a bola na defesa?! Eu vim aqui para ver goleada!" Uma equipa (é bom lembrar isto!) que num ano perdeu Hélton, Otamendi, Mangala, Fernando, Moutinho, Lucho, James e (sim) até Varela, está a tentar reerguer-se após uma época que foi bastante traumática para nós mas também para eles e vocês estão no primeiro jogo da época, a assobiar a meio da primeira-parte quando já estamos a ganhar?! Ide assobiar a vossa mãe, pá. Faço-vos daqui um apelo. Levai uma chucha no próximo jogo e quando acharem que devem assobiar, ponham-na boca.

As entropias do modelo de jogo (até agora) - 1) Olho para Fabiano (e os seus pés-picareta) e fico com tantas saudades do nosso Hélton, e penso no quão perfeito seria neste Porto. Rápido a ocupar o espaço atrás da defesa e com melhores pés que muito jogador profissional. Vejo Maicon e Indi e lembro-me de Otamendi. A nossa saída de bola não pode ser feita pelo centrais, com estes... centrais. Recordo que com Otamendi, Vitor Pereira dava liberdade para iniciar jogo e que com Mangala era Moutinho que baixava para iniciar a construção. 2) Não podemos querer pressionar no nosso meio-campo como pressionamos no meio-campo adversário. Fica a promessa de que vamos ser uma equipa muita chata para os adversários este ano, dado que a nossa mentalidade é muito simples: "Ai tens a bola?! Então dá-a cá que ela é minha e dos meus amigos!" Mas já que quando estamos sem bola, e não baixam todos (há que rever compensações) é preciso também não ir pressionar ao meio-campo com os centrais... 3) Precisamos de uma referencia a 6, e não pode ser (para já) Ruben Neves.


Reconhecer erros é a melhor maneira de crescer. E dessa forma acho que é necessário identificá-los o mais cedo possível. Agora, não quero com isto ser pessimista. De maneira nenhuma. Até porque não me parecem haver motivos para tal. Se estamos assim na primeira jornada... temos um potencial infinito!