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sábado, 4 de abril de 2015

Marítimo vs Porto - Taça da Liga


Confesso que não gosto nada do tratamento dado por quase todos nós (clube e adeptos) à Taça da Liga. Será uma competição com todos os defeitos do Mundo e mais algum, e primariamente uma boa forma de dar algum ritmo competitivo a jogadores mais jovens/menos utilizados, mas num clube como o F.C.Porto, até os Troféus das Taças de Pré-epoca, ou da Liga Fertiberia dos Veteranos, são para ganhar. Todo este desdém começa a soar bastante a arrogância; aquela arrogância que tantas vezes apontamos aos nossos rivais pela sua atitude face às nossas conquistas. Neste momento, a Taça da Liga é uma competição com alguns anos de existência, e a verdade é que não temos uma única vitória para poder adicionar à contagem. E não me venham dizer que não foi por não tentar, ou por não lhe dar importância, porque já fomos a finais e meias-finais, e tivemos algumas das derrotas mais ridículas de que me recordo a jogar esta competição (como a goleada em Alvalade, ou a derrota em casa com o Benfica B ou C na época passada). Por tudo isto, chateou-me bastante o jogo da passada quinta-feira na Madeira. Chateou-me e preocupou-me. Especialmente por duas razões:

- Mesmo com as alterações todas que houve na equipa, o 11 inicial tinha qualidade para se debater num jogo de nível de Champions. Desta forma, cai por terra a desculpa habitual de "jogar com as reservas". Não que ache isso sequer "desculpa", mas até pode ajudar a explicar um jogo menos conseguido. O problema é que esta época, com Lopetegui não há "reservas". Ao longo da temporada, o treinador fez com que todos os jogadores do plantel pudessem ser integrados em jogos a doer, e não se pode dizer que Ricardo, Ángel ou Aboubakar não estejam preparados para um jogo destes. Penso que, de todos os jogadores, só Hernâni se pode sentir mais deslocado dentro da equipa. Em suma, não podemos dizer que jogámos na "máxima força", mas o nosso 11 inicial tinha muito melhores soluções do que o do Marítimo.

- A exibição portista foi de uma falta de qualidade técnica e táctica assustadora. Houve momentos em que parecia que tínhamos regressado à temporada passada, tamanha a desorganização em campo. Sectores estupidamente afastados, a pressão sempre mal feita, maus passes em catadupa, um ataque lento e previsível e erros estúpidos na defesa... Foi mau demais para ser verdade. Mas ainda pior do que isto foi perceber, pelo comportamento de grande parte dos intervenientes, pelas expressões faciais, pela forma displicente como foram abordados alguns lances, que o jogo estava perdido mal o árbitro deu o apito inicial. Deu toda a sensação de que os rapazes foram ali à Madeira mostrar os fatos de treino e os auscultadores da moda, em vez de irem tentar ganhar um jogo. Um acesso a uma final.

Se no post anterior me apoiei em números para analisar o que tem sido a nossa temporada em termos globais, analisemos então os nossos jogos na Madeira este ano. 3 jogos, com 1 empate e 2 derrotas, 4 golos sofridos e 2 golos marcados. Estamos perante um "bloqueio mental" igual ao que o Benfica tem com o Braga, ou o que a Holanda tem com Portugal, ou Portugal com a França? 

Acredito piamente que não passou dum péssimo jogo, muito mal preparado e ainda pior conseguido. Sinceramente, custa-me que haja menos uma final, ainda por cima num sempre apetecível Porto-Benfica. Custa-me ainda mais saber que, possivelmente "demos" ao nosso maior rival uma Taça "de borla". Acredito que, já na 2ª feira, a equipa vai saber reagir e jogar aquilo que sabe. Porque só assim poderemos ainda ter alguma hipótese de chegar ao final da época sem um redondo ZERO na vitrine dos troféus.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

De volta aos "palcos"!

Muito tempo passou desde o ultimo texto. Desde que criámos o blog, estabelecemos um pacto acerca da forma como iríamos abordar esta aventura: sempre numa perspectiva de uma saudável e responsável diversão. Acima de tudo, o nosso objectivo sempre passou por termos um espaço para falar de futebol, do nosso Porto, sem agendas, sem datas, sem obrigações, apenas pelo prazer de publicar muito do que partilhamos no nosso dia-a-dia quando falamos sobre o Porto.

Pois bem, ultimamente (sobretudo por razões profissionais), acompanhar sequer os jogos tem sido absolutamente impossível, e se há coisa que ambos abominamos são textos de opinião escritos em cima do joelho. E então, fomos aguardando pacientemente pela próxima oportunidade. Ei-la aqui, finalmente, nesta gelada primeira semana de Fevereiro.

Desde o jogo em Penafiel que não aparecemos e neste tempo muita coisa se passou no Universo Azul e Branco.


Vimos um Braga x Porto que foi tudo menos um jogo de futebol arruinado por um Machado que só cortava para um lado... Vimos um Porto de luta, de raça, de guerra como há muito não se via por aqueles lados. Vimos Marcano e José Angel a parecerem da cantera desde meninos, vimos Ruben Neves a coxear mas a dar tudo naqueles minutos finais, vimos Reyes a desperdiçar (mais) uma oportunidade, vimos Tello mostrar que garra e capacidade de luta não é com ele. E claro, vimos o regresso do melhor guarda redes do plantel. O nosso Hélton defendeu tudo e mais alguma coisa e provou que se calhar mesmo velhinho ainda tem muito para nos dar. Vimos uma massa adepta que não se calou um minuto e apoiou aqueles 9 homens em campo sem qualquer feeling de hesitação, Um sentimento de revolta generalizado e de bater o pé. Todos voltámos a ser um. A direcção acordou e falou! Quando a primeira volta do campeonato termina, alguém sem ser o treinador fala sobre a arbitragem. No jogo em Braga a intenção foi demasiado clara para ser ignorada. Não é só incompetência, é algo mais. Não é suposição, é acusação clara da nossa parte.


Todo o heroísmo justamente conquistado na vergonhosa noite de Braga só faria sentido se fosse capitalizada na Madeira. Lopetegui percebeu a deixa e passou uma mensagem de confiança, de crença inabalável na força e engenho das suas tropas. Mas não foi nada disto que aconteceu... Sejamos honestos - analisando o jogo de forma global, acho ridículo que se diga que o Marítimo fez mais pela vitória. Ridículo. Insultuoso. Desonesto. 
Foi, contudo, de uma eficácia monstruosa (daquelas eficácias que tantas vezes só acontecem em jogos contra o F.C.Porto) e soube defender com alguma astúcia o nosso futebol demasiado previsível e lateralizado. Perdoem-nos a insistência, mas é por demais óbvio que a paixão pelo jogo quase em exclusivo pelas alas deixa esta equipa a anos-luz do que pode fazer. O que é uma pena... 

Ainda assim, com mais alguma eficácia (e alguma sorte, como aquela que teve o Galo, que decerto não volta a marcar um golo assim na sua carreira), poderíamos ter saído dali com mais alguma coisa. Obviamente que não faltou pela Bluegosfera quem vaticinasse o fim. O adeus, O c'est fini. The end. Kaput. Bom... Aquele tipo de adeptos cujos PC's tão rapidamente se ligam ao Universo Bluegosférico nos momentos de derrota, ansiosos pelo orgasmo cibernético de poder escrever "I told you so..." pelas caixas de comentários dos pacientes e brilhantes bloggers dos quais não abdicamos de seguir. "Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra...", dizemos nós. Não somos bestiais porque aguentámos o escândalo de Braga, para passar a ser medíocres na derrota seguinte. Pelo menos para nós, v.a.s.c.o. e Z, portistas-não-aburguesados-nem-com-problemas-com-treinadores-ou-jogadores-espanhóis.
Não aconteceu assim; o futebol provou que não só connosco acontecem jogos como o da Madeira. Pois é, também o melhor-treinador-de-sempre-e-mais-umas-botas comete erros, também os seus jogadores falham penaltis e cometem erros defensivos estúpidos. E nem com nova Calabotada (absolutamente eclipsada de todo e qualquer programa/jornal/site nos dias a seguir) se conseguiu que a diferença entre Porto e Benfica passasse para 9 pontos.


Pelo meio da semana, veio a confirmação da qualificação para a meia-final da Taça da Liga, num agradável jogo contra uma horrivelmente orientada e perdida em campo Académica de Coimbra. Deste jogo, de salientar as belas exibições de Evandro, Campaña, Rúben Neves, e a entrada explosiva de Quintero. Impressionante a facilidade com que, tendo espaço de manobra entre-linhas e, claro está, forçando o jogo interior, conseguiu fazer 4 meios-golos num curtíssimo espaço de tempo. Jackson em mais uma das suas demonstrações de pura classe, ao transformar uma aberração de canto num golo genial. Depois tivemos Gonçalo. O nosso Gonçalo. O nosso menino. O rapaz de berço azul-e-branco, com apelido que rima com golos e classe. E a classe que este miúdo revela. E aquele festejo... Um momento que nos deixou de olhos humedecidos, a pensar naquela tarde perfeita do nosso Paciência sénior no batatal de Alvalade (e, a pensar que estamos a ficar velhos quando quase choramos ao ver o filho dum dos nossos ídolos de infância a brilhar com as mesmas cores).


No passado Domingo tivemos um jogo ideal para responder à vitória dos encarnados de Sábado. Lemos por alguns sítios que o Paços era isto e aquilo, fraquinho e muito manso, coisa que nos deixa absolutamente indignados (principalmente tratando-se duma equipa orientada por Paulo Fonseca - permitam-nos a piadola). Curioso foi também verificar a bem montada estratégia de pressão alta e de "defesa em modo coador" preparada por Petit para o jogo na Luz. Um assomo de coragem para quem veio ao Dragão jogar com 5 autocarros, 2 carrinhas e 1 monovolume, mesmo estando com 10.

Entrando na partida com vontade de resolver rápido e bem, os nossos rapazes conseguiram precisamente isso. Sendo certo que se mantém a nossa crença de que o nosso jogo poderia (e deveria) passar mais pelo... interior do bloco adversário, penso que a vitória e exibição não deixam dúvidas. Quaresma presenteou-nos com um dos seus momentos de magia, mas foram Jackson e Marcano que mais nos deixaram com água na boca. No caso do primeiro, não é tanto pela percentagem de eficácia na finalização (o que é diferente de ser um grande goleador) mas é pela capacidade de trabalho, técnica apurada e inteligência que põe ao serviço do colectivo que nos deixa deste modo. Quanto ao segundo, é neste momento o nosso defesa central mais fiável. Forte no jogo aéreo, bom no posicionamento, seguro com a bola nos pés, tem vindo a ganhar uma preponderância no sector mais recuado que decerto trará saudáveis dores de cabeça a Lopetegui.

Acerca deste jogo, deixamos uma palavra para Tello, também ele alvo duma insatisfação generalizada da nossa massa adepta (principalmente agora que o "patinho feio" Adrián não está em campo). Tello não é um jogador brilhante, embora tenha características muito acima da média. Tello decide muitas vezes de forma pouco acertada e assertiva. Tello joga em constante vertigem e esse tipo de jogo não é fácil de gerir em termos físicos. Se faz dois ou três sprints de 40 metros quase consecutivos, precisará de tempo para recuperar. E disso depende o jogo dele!

Criticar o rapaz porque, após uma sucessão desses piques vertiginosos, achou que as pernas não chegavam para ir buscar um passe (mal executado, diga-se) de Quaresma, tem tanto de ridículo como de preocupante. Recordo a grande maioria da nossa massa adepta que os dedos das mãos e dos pés não me chegam para contar a quantidade de "ídolos da torcida" que nem de mota, patins, carro, chegavam àquela bola. E aposto convosco que a recção seria sempre de desculpabilização de qualquer um desses jogadores. Lá está, o "espanhol" (como carinhosamente são tratados os jogadores da mesma nacionalidade do nosso mister, menos os que são bons, como Óliver, Àngel ou Marcano), não tem margem de manobra. Ponto final. Deixemo-nos de tretas. É este o sentimento generalizado duma boa percentagem da falange de adeptos e sócios que, num Domingo de Inverno, se desloca ao Dragão. Ganhar de forma convincente e "cascar" no "espanhol". Num qualquer. 

Serão esses os mesmos que já vieram criticar a compra dum dos jovens diamantes da nossa Liga, como é o caso de Hernâni. Sobre isso, o Jorge Vassalo e o Miguel Lima disseram tudo o que de lógico e pertinente se pode dissertar.


Bem-vindo caro Hernâni. Dá graças a Deus por não seres espanhol, pá!



Abraços Portistas!!

Z e v.a.s.c.o.

sábado, 17 de janeiro de 2015

F.C.Porto vs União da Madeira - e umas notas soltas...


Jogo "mexido" aquele a que tivemos oportunidade de assistir na passada 3ª feira no Dragão. Houve várias coisas boas, que ganham relevo numa competição completamente desacreditada como esta Taça da Liga, e que vão servindo para dar alguma "rodagem" e testar alternativas. Em primeiro lugar terei de destacar Hélton e, ao contrário do que o sábio MST afirma na sua "Nortada" semanal, senti uma fluidez de circulação, uma segurança e velocidade nas reposições, uma liderança serena mas sólida em campo que me leva a pedir por mais; Fabiano a 100% não me consegue transmitir a mesma segurança que Hélton transmite, mesmo a 80%. E isso é dizer muito...
Foi igualmente bom ver jogar um central que consegue subir no terreno com a bola junto ao pé, sem tentativas constantes de passes de 60 metros, que raramente chegam ao destinatário. Reyes é, indiscutivelmente, o central com mais técnica do nosso plantel, e é uma pena que revele tanta inconsistência a nível mental (que é condição essencial para um jogador duma equipa de topo dar "o salto"). 
Campaña transmite boas sensações, principalmente em jogos destes, em que a posse de bola nos vai pertencer durante 70% do tempo. Ele e Rúben Neves (saúdo também o seu regresso) são jogadores muito inteligentes, muito bons em termos de posicionamento, e que tratam a bola com uma qualidade bastante acima de Casemiro ou Herrera.  Repito o que já antes tinha dito aqui, na posição 6, Rúben Neves e Campaña (por esta ordem) são muito melhores do que Casemiro alguma vez será. Está-lhes no "sangue".
Quintero volta a marcar pontos na manobra ofensiva, com duas deliciosas assistências para Ivo Rodrigues e um belo golo, mesmo jogando numa posição em que muitos insistem não ser a "sua". James, que tem jogado centro numa zona mais central do terreno, brilhou no Porto a jogar na ala, com os seus venenosos movimentos interiores. É uma questão de vontade. E de trabalho sem bola. Aí, Quintero tem de evoluir. Muito! 
Ivo foi uma boa surpresa, e deixa alguma "água na boca" para o futuro. Gosto de o ver na equipa B, e espero vê-lo mais vezes entre os "grandes" num futuro próximo. 
Ricardo não esteve tão bem como nos tem acostumado, e Ángel continua a marcar pontos do lado esquerdo da defesa. Em termos de posicionamento e concentração, bate Alex Sandro aos pontos.
Adrián, por outro lado, tarda em conseguir encontrar-se no nosso sistema de jogo. Nota-se que é inteligente na forma como conduz, fixa defesas e solta nos colegas, deixando-os muita vezes em superioridade numérica. Movimenta-se bem sem bola mas depois de 20 minutos em que pareceu mostrar estes dotes com alguma confiança, eclipsou-se por completo. e a vida começa a ficar difícil. Nem como 9, nem na ala... Lopetegui terá de rever a sua aposta em Adrián. De qualquer forma, para o bem ou para o mal, será sempre MEU jogador. Ponto final.
Em suma, um belíssimo "treino", contra um bem orientado União, que com uma equipa também de segundas linhas conseguiu criar-nos mais dificuldades do que mais de metade das equipas do nosso campeonato.


Não sou grande apreciador dos prémios de "Melhor Jogador" num desporto que conta com 3 sectores distintos e com 11 jogadores em campo. Será sempre muito subjectivo comparar-se Pelé, Maradona, Messi ou Ronaldo. Épocas diferentes, equipas diferentes, velocidades diferentes, competitividade diferente, carga de jogos completamente diferente... Mas todos eles, jogadores fabulosos. Sendo assim, e tentando entrar na lógica da "Bola de Ouro", Ronaldo mereceu a conquista do troféu. Avaliando um ano inteiro (falamos de 12 meses), foi ele quem revelou uma consistência maior, mesmo que mais apagado durante o mês e meio que durou o Mundial. Ronaldo é um monstro do nosso futebol, um super-atleta, que nunca se dá por satisfeito com o que já venceu. E é por aqui que destaco Ronaldo: a sua capacidade de trabalho. É daquele tipo de profissional que sempre lutou muito por tudo o que conquistou, procurando sempre melhorar cada milímetro da sua performance. Um verdadeiro profissional! Como não me comovo com patriotismos bacocos, nem sinta que deva nada ao rapaz, deixo-lhe aqui a homenagem de alguém que ama futebol. E amando futebol, não é honesto não se ver Ronaldo por este prisma.


Por cá, tivemos a cerimónia de Centenário duma instituição que, a mim, me diz pouco. Assim como pouco me dizem as votações de "Melhor Onze" dos novos, antigos, dos do meio, ou dos que ainda jogavam sem balizas. Convidado que foi o maior hipócrita do Futebol Mundial, Platini - o homem da "verdade desportiva" que vestiu a camisola da Juventus, comprovadamente (percebem a diferença?) corrupta e punida por isso, num dos campeonatos mais assolados por jogos de bastidores de toda a Europa, ao serviço da qual nos "roubou" de forma bastante clara e vergonhosa uma Taças das Taças - fico com uma sensação de alívio por não ver premiados ou reconhecidos o Presidente mais titulado da História do Futebol Mundial - Pinto da Costa - , juntamente com um rosto importante e emblemático do nosso F.C.Porto, como foi Pedroto. Estes senhores estão muito acima de qualquer Federaçãozeca dum país alinhado pelo diapasão da 2ª Circular. Estão acima de joguinhos de bastidores, de centralismos, de encolhimento perante os poderes instalados. São nossos, muito nossos, um motivo de orgulho, regozijo e os obreiros de 35 anos de inequívoca superioridade. Se hoje em dia o F.C.Porto é o clube português que mais vezes esteve nas bocas dos amantes de futebol por esse Mundo fora -  porque ir a finais e não as ganhar está fora do nosso ADN -  é a si próprio que o deve. Nunca precisámos de Federações, Jornais, Paineleiros, Comentadores de jogos para chegar onde chegámos... Não é agora que deles vamos necessitar.

E pegando neste ultimo parágrafo, aproveito para dizer que é isto que me faz ter um orgulho imenso, inquebrável em ser portista. Esta sensação de ter trabalhado no duro para ter tudo aquilo que tenho. Esta sensação de ter sempre conquistado tudo, sem precisar do reconhecimento de outros. Esta sede de vitória que só se aguça face à discrepância de tratamento de que somos alvo, mesmo dentro de portas. Esta máquina poderosa, temível e bem oleada que soube colocar o F.C.Porto, a cidade do Porto e, vá, um país que sempre nos desprezou, no topo da Europa e do Mundo. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

F.C.Porto vs Benfica (Taça da Liga)

Por volta dos 60 minutos da 2ª parte deste jogo, virei-me para o amigo sentado ao meu lado no Estádio e disse "Vamos a penalties e perdemos...". Torna-se num exercício de paciência, de capacidade de encaixe, de sanidade mental, ver o Porto jogar esta época. A equipa consegue ser incompetente em tantos capítulos do jogo que começa a ser complicado não terminar o jogo com dois princípios de ataque cardíaco. Fomos melhores? Fomos. Fizemos muito mais para conseguir ganhar o jogo? Sem dúvida. Mas o futebol está recheado de jogos como o de hoje, e a verdade é que fomos muito, MUITO incompetentes no capítulo da finalização. De novo. E voltámos a sucumbir, a ser perfeitamente incapazes, ridículos até, jogando uma enormidade de tempo contra 10. De novo. 


Desde cedo se percebeu que o Benfica vinha ao Dragão apostado em defender e contra-atacar (com menos intensidade do que noutros jogos, evidentemente) e conseguir, acima de tudo, poupar as principais pedras para o jogo de próxima 5ª feira. O Porto jogou na sua "máxima" força, e fez uma 1ª parte agradável, criando oportunidades suficientes para estar a ganhar por 2-0 ao intervalo. Embora com alguns dos erros costumeiros neste Porto 13/14 - quantidade estúpida de passes errados, lentidão na circulação de bola, pouca mobilidade sem bola - e aproveitando o facto de Steven Vitória ser um jogador lento, fomos conseguindo explorar algum espaço do lado direito da defensiva encarnada, que só por uma miserável capacidade de finalização do melhor marcador (!) da nossa equipa na presente época não resultaram em golo. 


Aos 32 minutos Steven Vitória foi expulso (parece-me que correctamente) e talvez tenha sido isso o pior que nos aconteceu, visto que entrou Garay para o lugar de Lima (aqui Jesus foi bonzinho, ao deixar-nos com Cardozo sozinho na frente), e a defesa encarnada estabilizou. 
Na 2ª parte assistimos a uma repetição do que se passou há uns tempos na Luz: muita posse de bola, muita lateralização do jogo, mas pouco volume ofensivo, poucos movimentos de ruptura, muitos passes em profundidade ridículos e ... incapacidade de finalizar ou de aproximação à área adversária. Nunca conseguimos aproximar-nos sequer de fazer uma jogada de real perigo e se é verdade que Fabiano foi um espectador durante todo o jogo, Oblak, na 2ª parte, viu sempre a bola longe da sua área. Quintero entrou para dar mais alguma capacidade de destruir a organização defensiva do Benfica (fortíssima, por sinal), e esteve bem (consegue fazer passes em profundidade certinhos, ao contrário de TODOS os outros companheiros) mas confesso que não entendi a entrada de Ghilas para aquela posição - nem a saída de Quaresma - ou até a entrada de Ricardo naquela altura do jogo. 
Nos penalties, como já temia, veio ao de cima o momento psicológico de cada equipa. Ainda assim, continuo a não achar admissível que uma equipa profissional, mantenha um registo tão miserável nos pontapés dos 11m. 
Perdemos. De novo. Desta vez, uma das poucas em que fomos superiores ao adversário. E lá fomos nós, cabisbaixos, tristes, humilhados. De novo. A rezar para que Agosto chegue rápido... 

( + ) Positivo

  • Herrera - principalmente pela 1ª parte que fez. Soube explorar o espaço do lado esquerdo do ataque, e foi ele o grande dinamizador das jogadas ofensivas construídas nesse período. Soube subir com critério e fazer as tais rupturas nas costas da defensiva encarnada. Esteve também muito bem na pressão e recuperou bastantes bolas em zonas importantes. Na 2ª parte perdeu algum fulgor - e quando se apaga, é a qualidade do passe que mais se ressente -, mas continuo a achar que, com um treinador adequado, pode ser um belíssimo jogador. O potencial está lá.



  • Maicon e Mangala - é certo que se tratou dum jogo em que tiveram menos trabalho, devido ao facto de terem jogado grande parte do tempo em clara superioridade numérica face ao ataque encarnado, mas defensivamente estiveram irrepreensíveis. Continuam a ter as paragens cerebrais que tanto nos assustam, e parece sempre que a qualquer momento podem perder a bola em zonas fatais. Quando estão sob pressão tendem a fazer passes que raramente chegam a alguém da mesma equipa, mas pelo menos nenhum deles se chama Abdoulaye, o que esta época já é um factor positivo. 


( - ) Negativo

  • Jackson - ABSOLUTAMENTE MISERÁVEL. Posso ainda estar a escrever um pouco a quente mas, para mim, a carreira deste menino no Porto acabava aqui, hoje, já! Dava-lhe o bilhete de avião, e desejava-lhe toda a sorte para o clube para onde o vendermos. Jackson é dos jogadores que vai falando muito e decidindo pouco. Registo que nos jogos mais importantes que tivemos nestas 2 épocas, fez sempre muito pouco. Recordo que, no ano passado, já a brincadeira das grandes penalidades nos podia ter custado o título. Um avançado não pode nunca desperdiçar 3 oportunidades daquelas, no decorrer do mesmo jogo, e ainda ir a tempo de atirar um penalty para a Superior Sul, numa altura em que nos podia dar a vantagem. Provavelmente este menino mimado vai para casa, vai dormir em paz, pensar que já falta pouco para o Mundial e para assinar um contrato chorudo por um qualquer clube grande dessa Europa, enquanto nós temos de ultrapassar nova humilhação. Facilitem-lhe a vida. Boas férias, Jackson!



  • Luís Castro - já havia achado isso no jogo na Luz, e volto a achar hoje. Aquilo que corrigiu ao fazer entrar Quintero mais cedo, desfez depois com a alteração de Ghilas por Quaresma - que nem estava num dia de nota 20, mas também não estava o Quaresma complicativo e brincalhão de outras alturas. Que sinal terá passado à equipa quando fez troca por troca, deixando Danilo a assumir o corredor todo até rebentar? Não Conseguiu ver que nos faltava - como faltou na Luz - um elemento que pudesse dar outras soluções de passe entre as duas linhas defensivas encarnadas? E Ghilas, tem sempre de ser extremo porquê? Para dar profundidade?? Ghilas?? Porque não arriscar dois avançados, quando temos mais um jogador e a equipa adversária abdicou de atacar? E aquela entrada de Ricardo, com tão pouco tempo para jogar? Nao entendi caro Professor.



  • Falta de "cojones" - numa época igualmente miserável, 04/05, estávamos nós a viver uma crise de resultados e exibições, com um dos plantéis mais caros de sempre do futebol português, e quem tem a grande penalidade decisiva é Pedro Emanuel, conhecido por tudo menos pelas qualidades de goleador. Mas quem encara daquela forma a bola e a baliza (tenho em mente que ele nem quis saber se havia ou não guarda-redes do outro lado), sabemos que não pode - não vai! -  falhar. E antes disso já tinha sido Ricardo Costa - outro mago goleador - a pôr a redondinha no fundo da rede. Bons tempos esses... Hoje, meus caros, na altura de marcar penalties, virados para a imensa claque azul e branca, os de vermelho não tremeram. Encararam a nossa baliza e o mar de adeptos visitados como Pedro Emanuel encarou a baliza dos colombianos, há 10 anos atrás. Os nossos tremeram tanto que dava para ouvir os ossos a bater uns nos outros. Mesmo com os dois falhanços dos adversários, conseguimos não aproveitar para passar para a frente. Incompetência. Ponto final!

  • Contra 10 - a maior expressão da incompetência duma equipa. Incapacidade total para aproveitar a superioridade numérica, em casa, contra um adversário que só queria sair daqui sem lesões e sem se cansar muito. Bravo Rapazes!


Os nossos jogadores têm, neste momento, medo da própria sombra. Medo que o céu lhes caia em cima. Medo de acertar, de errar, de arriscar, de ganhar ou de perder. Têm medo! João Pinto, Paulinho Santos, Jorge Costa perderiam mais de meio jogo a berrar e a esbofetear alguns dos artistas que envergam (muitas vezes tão mal) o nosso manto azul e branco. Precisamos que isto termine rápido. Precisamos que o recomeço venha ainda mais rápido. Precisamos de nem ouvir falar de futebol, treinadores, contratações até ao 1º jogo da próxima época. E precisávamos deste banho de humildade. O Porto (jogadores, dirigentes e adeptos), ficou perdido em festejos algures na época passada. Tornámo-nos naquilo que mais nos enojava: arrogantes. Gozámos com as finais perdidas pelo nosso maior adversário, que esteve em 3 delas, contra 1 nossa. Este ano podem ainda ganhar 4. Nós sabemos desde já que vamos ficar a zero. Foi uma época que começou por ser de alguma esperança, passou para ser medíocre, depois evoluiu para má e termina como a mais humilhante de que me recordo. Hoje fomos humilhados, de novo, pelos nossos maiores rivais. Merecidíssimo caros portistas. Que nos sirva de lição.


domingo, 27 de abril de 2014

Antevisão Porto vs Benfica

É em clima de "poooorraaaa, que esta época nunca mais acaba" que iremos receber este Domingo o Benfica no Dragão para aquela Taça que não interessa a ninguém (a.k.a.Taça da Liga). Mas que ninguém diga que o jogo de hoje não interessa. Nada disso. Jogo contra "eles" é para ganhar nem que a modalidade seja o berlinde. Como tal pede-se a quem entrar em campo com o nosso manto sagrado que seja PORTO. E ser Porto não é dizer da boca para fora. Não é encher o Twitter e o Facebook com hashtags #SOMOSPORTO. Isso para mim vale zero. Ser Porto é banhar-nos no espirito de João Pinto, Paulinho Santos ou Jorge Costa. Que dignifiquem a camisola que tem vestida, que corram até não conseguirem mais respirar, que levantem um colega que caia no chão esgotado, que berrem com quem não se mexa e acima de tudo, que não desistam nunca. Nem ao minuto 92. No nosso magnifico Estádio do Dragão (ainda?) mandamos nós. 


Lista de convocados: 
Guarda-redes: Fabiano e Kadú; 
Defesas: Danilo, Maicon, Reyes, Mangala, Alex Sandro; 
Médios: Josué, Quintero, Herrera, Carlos Eduardo, Fernando, Defour; 
Avançados: Quaresma, Jackson Martínez, Ghilas, Varela, Ricardo e Kelvin. 


Onze Provável:




ATÉ OS COMEMOS!!!