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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

segunda-feira, 16 de março de 2015

Porto vs Arouca


Imagem retirada do site do FC Porto

Quando aos 10 minutos de jogo o vermelho saiu do bolso do "árbitro" , para expulsar Fabiano, senti-me recuar uns meses, a um jogo que teve circunstâncias semelhantes, e o coração apertou um pouco. Jogar com menos 1 jogador nunca é facil, seja contra Boavista, Arouca ou Barcelona, e o facto de sabermos que havia ali pernas cansadas, e a pressão de ter de ganhar para seguir na perseguição ao líder do campeonato poderiam começar a pesar na nossa exibição. Tal não aconteceu, especialmente devido a dois factores: primeiro, a forma como Lopotegui decidiu reformular a equipa para o que restou da 1ª parte; depois o facto de termos mantido a calma (especialmente após os 20 minutos), não perdendo a nossa identidade em campo, e de termos chegado ao golo com muito jogo para jogar.

Obviamente, na 2ª parte, foi necessário reequilibrar a equipa tacticamente - até porque o Arouca, bem ou mal, quis disputar o jogo e não se ficou pelos 11 homens atrás da linha de meio-campo. O que ganhámos a nível de posicionamentos defensivos (retorno a uma linha de 4 mais atrás), acabámos por perder no meio-campo, tendo ficado muito mais complicada a nossa transição ofensiva. Hoje, tinha dado um jeitaço ter Jackson em campo, pelo menos para a 2ª parte, de forma a que pudéssemos ganhar metros e qualidade de circulação e de jogo entre linhas que Aboubakar (ainda) não nos consegue dar. Por tudo isto, fomos menos capazes de conseguir reter a bola, de jogar como gostamos, e penso que com mais alguma paciência, frescura física e capacidade de decisão, poderíamos ter explorado melhor o espaço que havia nas costas da defensiva contrária.

Apesar da notória quebra física de metade da nossa equipa, bastante evidente nos últimos 20 minutos, foi bom perceber que a equipa soube sofrer, resolver os problemas que trouxe a inferioridade numérica. Foi também bom rever Hélton na baliza, sobretudo pela tranquilidade que nos traz, seja a sair dos postes, seja a jogar com os pés, ou até na monumental defesa que assinou, após venenoso remate de cabeça.

Uma boa vitória, em novo jogo atípico (este ano, estranhamente, tem havido muitos jogos assim), contra uma equipa que quis competir por algo mais do que um empate. E quando assim é, os 3 pontos são ainda mais saborosos.

Positivo (+)

Brahimi - Foi hoje importantíssimo sempre que tentávamos sair para o ataque. Brahimi tem uma característica que poderá irritar alguns, mas que o torna num jogador acima da média. Raramente aquele homem solta a bola por soltar; primeiro tenta fixar adversários, e só depois solta em quem está próximo ou melhor colocado. E isto faz toooooda a diferença. Passes, todos fazem. Mas fixar defesas, nem todos o conseguem. Pode haver quem confunda isto com "agarrar-se demasiado à bola". E tal não passará disso mesmo, confusão. Brahimi é fundamental neste tipo de jogo, e para mim mereceria o prémio MVP juntamente com Marcano.

Marcano - Começa a ser difícil definir a qualidade deste jogador. Como qualquer jogador proveniente do país vizinho, Marcano foi imediatamente rotulado de "flop", até porque Reyes é "Muuuuuito melhor". Começa a perceber-se que 2,5M€ por um defesa central desta categoria foi uma pechincha. Hoje voltou a estar soberbo, quer no número de bolas que ganhou pelo ar, quer pela qualidade na saída em posse, quer na quantidade de vezes em que teve de ir em modo "bombeiro-sapador" compensar erros dos colegas. Qualidade, qualidade, qualidade, qualidade! Marcano é isto.

Óliver - Ter-se-à notado em determinada altura uma forte quebra física, mas foi mais um belíssimo jogo do nosso "baixinho". Óliver recebe, cola a bola no pé, rodopia, faz jogar toda a equipa, com uma simplicidade desarmante. Enquanto houve oxigénio (principalmente durante a 1ª parte, foi determinante para mantermos o controlo da partida. Apesar de achar que Evandro esteve igualmente muito bem enquanto Óliver recuperava, já pensaram no luxo que é tê-los no mesmo plantel?

Quaresma - Hoje Ricardo Quaresma está nos +, especialmente porque era o tipo de jogo ideal para si. Um jogo em que teria de correr mais riscos, para tentar desorganizar a defensiva contrária, podendo por isso fazer uso da sua qualidade técnica para abrir espaços. E foi precisamente isso que Quaresma fez. O defesa-esquerdo do Arouca deve estar nesta altura ainda à procura dos rins, tantas foram as vezes em que Quaresma conseguiu trocar-lhe as voltas. E aquele cruzamento para a cabeça de Aboubakar, foi precioso. Uma pena que Quaresma, tenha tentado por 2 ou 3 vezes marcar golos quase da linha final, em vez de tirar mais cruzamentos perfeitos como aquele... Mas, se não fosse isso, não seria Quaresma! 

Aboubakar - Este jogo deixou mais claro que Aboubakar tem ainda muito para trabalhar. Principalmente no capítulo da recepção de bola, e no capítulo do passe. Contudo, foi preciosa a forma como surgiu por mais de uma vez em posição de finalizar, e fantástica a forma como apareceu ao 2º poste a finalizar um cruzamento açucarado de Quaresma.

Lopetegui - Quando seria expectável que retirasse, por exemplo, Quaresma, ou até mesmo Herrera, mantendo o esquema de 4 defesas, Lopetegui preferiu ficar apenas com Indi, Marcano e Alex Sandro (mais evidente em organização ofensiva, e na saída em posse), deixando nas mãos de Casemiro e Herrera as devidas compensações do lado direito da defesa sempre que tal era exigido. Durante 35 minutos da 1ª parte, praticamente não se sentiu que estávamos com menos 1 jogador. Obtido o primeiro golo, e com a necessidade de segurar o jogo, refrescou o meio-campo com a entrada de Rúben Neves, e segurou ao máximo a saída de Quaresma, para que Tello pudesse ajudar a tapar espaços, e pudesse eventualmente semear o pânico na defensiva arouquense com as suas diagonais. Percebeu-se que queria mais calma, mais posse, que ia pedindo energicamente do banco, mas penso que todos compreenderam que a equipa estava fisicamente de rastos, e que o melhor que havia a fazer seria abdicar da bola e defender o melhor possível.

Negativo (-)

Indi - Indi tem  alguns predicados que me fazem gostar imenso dele. É inteligente a usar o físico para ganhar posição aos adversários, e não compromete nas saídas em posse. Agora vamos fazer um exercício: quantas bolas pelo ar conseguiu ganhar a qualquer dos avançados arouquenses? Uma? Duas? Nenhuma? Não nos podemos dar ao luxo de ter um defesa central que não consegue ganhar 90% destes lances, sendo que está de frente para a bola, e não tem pela frente nenhum Ibrahimovic.

Fabiano - Fabiano é um guarda-redes normal. O próprio Fabiano sabe-o, Lopetegui também, bem como o resto da equipa. Se todos ficamos com o coração nas mãos quando tem de sair aos cruzamentos, ou quando tem de sair dos postes com aquela velocidade paquidérmica, cheio de hesitações, de dúvidas, imaginem como se sentirão os colegas de equipa. E isso pesa em certos momentos do jogo. Nota-se que os próprios defesas hesitam muito. Quantas vezes por jogo vemos um dos defesas a esperar até à ultima que Fabiano saia para recolher a bola, acabando por pontapeá-la para a bancada? Eu senti a diferença monstruosa de ter Hélton na baliza durante 80 minutos no jogo de hoje. A defesa respira muito mais confiança, a bola flui com maior rapidez sempre que há um atraso, há maior velocidade e segurança nas reposições de bola em jogo a partir da baliza. Porra, até os pontapés de baliza ganham qualidade. Detesto "cascar" em alguns jogadores, e tenho um respeito imenso por Fabiano, mas quando se diz que "há males que vêm por bem", penso que será para situações semelhantes a esta. Se a expulsão (e ausência do próximo jogo) de Fabiano significa ter Hélton até ao final da temporada, não ficaremos mal servidos.


Não sei se repararam mas ali a meio da 1ª parte houve um penalty do tamanho duma galáxia sobre Quaresma. Também não sei se repararam na quantidade de faltas e faltinhas que o "artista de serviço" marcou pertinho da nossa área, mesmo que nenhuma falta houvesse para marcar em grande parte das situações. Está-lhes na massa do sangue... Ah, o primeiro amarelo para o Arouca saiu aos 70 minutos... Por essa altura, já os arouquenses nos goleavam em número de faltas. Mais um jogo, mais uma arbitragem fraca, mais lances de prejuízo para os do costume.  




terça-feira, 25 de novembro de 2014

BATE vs F.C.Porto - Champions

Nada me dá mais gozo do que ver um jogador mal-amado de alguma da massa adepta do nosso clube (e de tantos entendidos em futebol que vou lendo por essa bluegosfera fora) fazer uma exibição como a que Herrera realizou hoje. Soberbo! Só isto, por mim, valeu todo o jogo.

Imagem retirada do site d'O Jogo.

Confesso que não consegui acompanhar toda a 1ª parte mas, do pouco que consegui ver e aquilo que fui ouvindo no relato, parece-me que foi tudo muito morno. Quiçá "congelados" pela temperatura fresquinha de Borisov, os nossos jogadores sentiam dificuldades em ligar jogadas, provocar desequilibrios, frente a um adversário que parecia apenas querer evitar repetir a goleada da 1ª volta. Embora tenhamos, sensivelmente a partir dos 25', "estacionado" no meio campo advsersário, esacassearam as oportunidades de golo (o nosso primeiro remate, que não foi á baliza, foi aos 34') e o nulo ao intervalo premiava o a táctica de contenção do BATE e a nossa incapacidade de provocar desequilíbrios no último terço do campo.

A 2ª parte foi bastante diferente, principalmente pela capacidade da nossa linha média de pressionar mais à frente, aproximando-se mais da linha ofensiva, oferecendo linhas de passe por dentro, que obrigavam os bielorussos a cometer mais erros. Com Herrera absolutamente endiabrado, Óliver sempre agressivo nas recuperações e inteligente na leitura ofensiva, e Casemiro a "varrer" tudo cá atrás foi sem surpresa que conseguimos chegar mais vezes perto da área contrária. O golaço de Herrera abriu as hostilidades, perto dos 10' da 2ª parte, e teve o condão de obrigar a equipa contrária a abrir mais espaços. O 2º golo, de Jackson (após primoroso trabalho e assistência de Herrera), decidiu o jogo.  De forma atabalhoada, o BATE tentava chegar mais à frente, permitindo-nos inúmeras recuperações de bola e consequentes contra-ataques que deixavam a defensiva contrária em "frangalhos". O último golo, de Tello, foi o corolário de uma 2ª parte de nível de Champions: segurança e eficácia de um nível a roçar a perfeição.

Sigamos para las notas.


(+) Positivo

Herrera - De forma incontestável, o MVP. Eu próprio devo confessar que este homem já me tirou do sério uma ou outra vez. Mas a verdade é que o mexicano tem dado provas de crescimento, melhora de jogo para jogo, e vem provando que é capaz de ser um elemento fundamental para o equilíbrio do nosso meio-campo. Herrera corre quilómetros, tanto em apoio ao ataque como em funções defensivas. Neste momento erra muito menos passes e, melhor ainda, é capaz de efectuar aberturas primorosas com um à-vontade desarmante. Hoje, marcou um golaço, num movimento que raramente vemos jogadores nossos arriscar (e com sucesso), num remate portentoso, cruzado, a resultar num tento de belo efeito. Mas as assistências então foram sulbimes. Na primeira, uma demonstração de técnica individual, na forma como fez a recepção de bola, temporizou e virou simples para Jackson. Na segunda, um passe "a la Xavi", a rasgar completamente a defensiva contrária, apanhando Tello no momento perfeito da veloz diagonal que desenhou a partir do flanco direito. Herrera está em grande. Herrera, o tal "feio", "orelhudo", "tacticamente pouco inteligente", "picareta", "mau jogador", demonstrou hoje que, no futebol, não há verdades absolutas nem são justos os "julgamentos sumários" que se fazem aos jogadores. Ainda tem muito por onde melhorar, mas acredito que tem a mentalidade certa (e a orientação técnica adequada) para o fazer. Parabéns!

Casemiro - Outro jogador bastante criticado desde o início, que vem demonstrando francas melhorias. Neste momento aquela linha mais recuada do meio-campo é toda dele. Parece mais rápido, mais controlado nos confrontos físicos, inteligente na forma como protege a bola e ganha faltas quando precisamos de "respirar" e um verdadeiro organizador de jogo, de cada vez que baixa para receber a bola dos centrais.

Indi/Marcano - Há um lance na 2ª parte em que somos apanhados em contra-pé, e a forma como Indi e Marcano abordam o lance, sem se desposicionarem, obrigando o avançado a ir lateralizando o movimento, deixando-o à mercê dum desarme simples, e dando tempo a Danilo de ajudar a fechar, deixou-me estranhamente descansado. São portentos de jogadores? Não, longe disso. Mas cometem poucos erros, e dão-me uma sensação maior de segurança do que qualquer outra "dupla" até agora. 

Óliver - Uma carraça em busca da bola; um génio na forma como dá linha de passe e toma, quase sempre as melhores decisões. Jogadorzaço este piqueno! Fazemos uma "baquinha" para comprar o rapaz no final da época?

Nível de Champions - Exibição sólida, eficácia tremenda, vitória incontestável. Na Champions não há espaço para contemplações, não há meias-vitórias - joga-se, ganha-se, period.




(-) Negativo

Quaresma - Não quero que pareça que estou sempre a bater no rapaz (até porque hoje é uma meia critica). Quando colocado a jogar desde início, raramente vemos o melhor Quaresma. É um facto! Não é perseguição nenhuma! Hoje tivemos mais uma demonstração desta versão Quaresma 90', menos fulgurante do que a versão Quaresma 20 ou 25'. É preciso arriscar, concedo isso, e Quaresma é um jogador de riscos. Mas arriscar remates de pé esquerdo, com um defesa mesmo ao lado, ainda longe da baliza, com colegas melhor posicionados talvez seja de mais, não? Se a isso juntarmos que quase nenhum cruzamento saiu em condições, conclui-se que o nosso "ciganito" teve uma noite não. E Tello, em bem menos tempo, fez bastante mais...

Fabiano - Tenho elogiado o trabalho que a equipa técnica tem feita com o brasileiro, como se constata na melhoria do jogo de pés. Hoje não gostei de o ver a facilitar, por duas vezes. Num jogo mais do que controlado, poderia ter dado origem a calafrios que tantas amarguras nos têm trazido nos tempos mais recentes. Olha para o Marcano caro Fabiano, e quando vires que estás apertado, "chuta para onde estiveres virado".

BATE - Não serve como justificação para nada, porque nada retira mérito a nova vitória na Champions, mas esta equipa é, sejamos justos, fraquita. Inoperante em termos ofensivos, limitada técnica e tacticamente, com um nível muito abaixo daquilo que se pode esperar numa competição desta envergadura. Não facilitámos um milimetro que fosse, o que foi óptimo e diz muito do espírito competitivo da nossa equipa (e Deus sabe que esta época, uma equipa que joga de xadrez e que talvez seja um tudo ou nada mais fraca do que o BATE já nos deixou a 0), mas constato só o facto de termos defrontado uma equipa com demasiadas limitações. 


E aí está -  5º jogo, 4ª vitória, 13 pontos e 1º lugar do grupo garantido, após a derrota do fraquíssimo Shakhtar contra o fraquíssimo Athletic. Mais 1M€ no bolso, e a certeza de que na última ronda podemos aproveitar para dar minutos de jogo a rapazes que ainda não tiveram oportunidade nesta competição. A certeza de também estarmos sólidos, funcionarmos cada vez mais como um colectivo e aquela esperança de finalmente encetarmos uma série de jogos com vitórias e exibições que não deixem sequer espaço para dúvidas.

Termino com uma observação, que acho pertinente e honesta. O BATE é fraquito, mas também o eram o Artmedia, que nos limpou o sebo na era Adriaanse, o APOEL, que conseguiu anular o "futebol tacticamente perfeito do recém-promovido Mestre da Táctica II/Conselheiro de Guardiola", Vítor Pereira, ou até o Wrexham, Molde ou Anderlecht. Convém não esquecer que outros treinadores, tão amados pela nossa exigente massa adepta, com plantéis igualmente bons, cheios de soluções e muito superiores a alguns destes adversários, tombaram com estrondo. Depois duma época de recordes negativos, convém começar a dar algum mérito ao Julen por estes resultados. É que desconfio que o rapaz já não estaria por cá, tivessem os resultados dele nestes jogos sido semelhantes aos de outros.