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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Champions League - Porto vs Bayern





























Perfeito.


Há momentos, em que todo o vocabulário que pensamos conhecer se torna pequenino, insignificante, para podermos descrever algo que, de tão único, tão belo, tão sublime, nos transcende. Na 4ª feira, dia 15 de Abril de 2015, um novo degrau se construiu na escadaria de vitórias sem igual do clube que amamos. Na 4ª feira, aquele relvado milimetricamente cortado teve a honra de ser o palco dum dos momentos mais incríveis a que pude assistir desde que vejo futebol. Há pouco mais de 24h, Basileia, Viena, Tóquio, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin sorriram entre si, e aplaudiram de pé os heróis de azul-e-branco que, de queixo bem levantado e com a crença inabalável no poder dos sonhadores, bateram o pé a uma das melhores equipas do Mundo, orientada pelo melhor treinador do Mundo.

Ainda tentava adaptar-me ao lugar "oferecido" pelo meu irmão (companheiro de batalha em alguns jogos), e já Neuer derrubava Jackson dentro da grande-área (por esta altura,Xabi Alonso ainda deve estar à procura do tanque que o atropelou quando pensava o que ia fazer com a bola). 1-0, num início que dificilmente poderia ser melhor. Seria mesmo assim?

Decorria o 10º minuto do jogo, e as minhas sinapses entraram em curto-circuito. Por instantes, enquanto via Quaresma a correr de braços abertos em direcção ao mar de portistas que explodia em êxtase, como se naqueles braços quisesse tomar todas as milhares de almas que se beliscavam para terem a certeza de que tudo aquilo que os olhos viam era mesmo real, não consegui festejar. Nem um som, nem um gesto, nada. Olhei em volta... Caras felizes, sorrisos rasgados e lágrimas a rolar em catadupa; abraços entre estranhos, e pais e filhos, e avôs e netos, e maridos e mulheres. Tudo unido. Tudo em êxtase. Tudo Porto.

Ah e Quaresma, se leres este texto, considera aquela agonizante eliminatória com o Schalke absolutamente perdoada!

10 minutos de jogo: F.C.Porto 2 - 0 F.C. Bayern - sejam honestos, alguma vez sonharam com um início tão prometedor?

Depois veio o tempo de regressar à Terra. De roer as unhas, enquanto aquele futebol magníficamente rendilhado dos bávaros punha alguma calma no jogo. Foi tempo de ser paciente, aguentando bem os momentos de pressão ofensiva, evitando abrir buracos no corredor central (onde se sabe que os alemães são mortíferos). No primeiro "erro" do jogo, um 2-1 demasiado penalizador para o que foi o domínio territorial e para as reais ocasiões de perigo da 1ª parte. 

O intervalo, sendo obrigatório, devia ser banido de alguns jogos. Pelo menos, para nós, doentes incorrigiveis (em concreto para mim, pessimista irredutível), devia haver um botão que fizesse "fast-forward" naqueles intermináveis 15 minutos. Na minha mente, poderia vir aí uma 2ª parte de muitos nervos, fosse porque Pep Guardiola iria sacar da sua varinha mágica e encontrar-nos algum ponto fraco, fosse pela dúvida acerca da capacidade de ver a nossa equipa ter pernas e pulmões para aguentar outros 45 minutos jogados com aquela intensidade.

Felizmente, para gajos como eu - sempre um pouco pessimistas, mesmo que o resultado nos seja favorável, por 5-0, e faltem 10 minutos para terminar o jogo - há bofetadas que vêm com a força certa, na dose certa, no momento certo. Foi um esbofeteamento saboroso, emocionante, merecido, aquele que o meu Porto me deu durante os 45 minutos da 2ª parte, onde por momentos, o peso-pesado alemão mais não fez do que encostar-se às cordas e proteger-se como pôde. Guardiola acabou por dar credibilidade a esta análise, quando decidiu trocar Gotze por Rode ainda com 2-1 no marcador, como que procurando segurar a desvantagem mínima e minimizar danos.

Depois de Neuer ter provado que, de vez em quando, há milagres a acontecer em campos de futebol, ao desviar aquele remate de Herrera praticamente por instinto (após uma jogada colectiva que foi um hino ao futebol), foi Jackson, o nosso Monstro, o nosso herói "cafetero", que numa demonstração de poder físico, classe e frieza, conseguiu materializar em golos os 45 minutos mais admiráveis que me lembro de ver uma equipa de azul-e-branco fazer desde o Porto-Lázio em 2003. Não me contive desta feita. Para além de quase ter arrancado as cabeças dos desgraçados dos "vizinhos do lado", enquanto me abraçava aos dois metros de pessoa que constituem o meu irmão, chorei, muito de alegria mas principalmente de orgulho. Aquele orgulho que nos deixa com pele de galinha, como quando Derlei empurrou a bola naquele fim de tarde em Sevilha, ou quando Juary apareceu como um foguete a finalizar outra obra-prima de Madjer. Aquele orgulho imenso, enorme, incrível, que sentimos quando se ouve a voz imcomparável da Maria Amélia Canossa antes de cada jogo, levando-nos a segurar os cachecóis ao alto até os músculos dos braços começarem a ceder. Aquela certeza de que somos o que somos, somos como somos, e para sempre assim seremos, porque somos portistas. Porque somos Porto. Porque sabemos o que é ser Porto.

Após o golo, veio o estouro fisico, como seria de prever. Jogar contra os Gil Vicentes e Moreirenses desta vida durante 2/3 da época tem as suas desvantagens. É que jogos assim, tem o Bayern aos montes durante uma temporada, e talvez por isso não tenha estranhado que alguns dos nossos rapazes tivessem festejado o 3º golo deitados no relvado, ou agarrados aos joelhos, porque já pouco oxigénio havia a chegar aos músculos por essa altura. 

Até final, para além de ir refrescando quem já não aguentava mais (menos Herrera que, segundo o meu irmão, leva uma mochila com um pulmão suplente para dentro de campo), foi tempo de cerrar fileiras, tapar caminhos, dobrar a língua, e ver a nossa versão "muro intransponível" ser posta em prática. Incrível a forma como a equipa se uniu nesta fase do jogo. Incrível também a maneira tranquila como o Bayern vai tentando "asfixiar" aos poucos quando consegue estacionar no meio-campo adversário (como aconteceu nos últimos 10 minutos), como se o jogo estivesse empatado e tudo estivesse controlado. 

Hoje, como podem compreender, não há notas para ninguém, porque seria ridículo querer destacar uns em detrimento de outros. Falarei apenas dum jogador que praticamente não vi a figurar nos destaques de outras "casas": Alex Sandro. Para mim, fez o melhor jogo com a nossa camisola vestida, e foi um elemento duma enorme preponderância em praticamente todos os momentos do jogo, especialmente quando a quebra física foi mais notória. Alex Sandro foi, durante 90 minutos, um dos melhores laterais esquerdos da Europa. E aquela assistência para Jackson... Bra-fucking-vo!

Não resisto a destacar também Lopetegui, o grande obreiro desta noite de sonho. Preparou o jogo de forma sublime, jogando com as ausências do lado dos alemães (concerteza que os jogadores que ficaram de fora lhes fazem falta, deixemo-nos de merdas), procurando montar uma teia de pressão ofensiva sobre as linhas de passe, deixando o início de construção para um lento, trapalhão e perfeitamente mediano Dante (só ultrapassado em mediania pelo seu compatriota do cabelinho loiro e encaracolado do PSG). Depois, na 2ª parte, percebendo que Xabi Alonso e Lahm (principalmente estes dois), não transpiravam robustez fisica para aguentar grandes correrias, lançou um ataque impiedoso em termos de pressão colectiva, de organização e cobertura de espaços, que deixou por várias vezes os bávaros a passar bolas... para fora! Muito bem também na gestão física dos últimos minutos, onde foi segurando as pontas até ao limite. Se no final desta época não houver nenhum título a figurar nas nossas vitrines, acreditem, não será por falta de trabalho, de capacidade de leitura táctica, por falta de exigência do nosso treinador. Foi, seguramente, a melhor contratação do F.C.Porto para esta época.

Falta um jogo, é certo. Falta ir ao covil da besta alemã. Falta um combate de 90 minutos, uma batalha na qual só estamos porque, foda-se, somos mesmo bons, e trabalhamos como uns cães para lá estar. Faltam 5400 segundos de unhas roídas, de muito suor, muita fé, muita luta, muito sofrimento. E a verdade, é que nos encontramos em vantagem. Assumamos isso: estamos em vantagem. E se fomos capazes duma exibição como a de 4ª feira... porquê ter vergonha em acreditar?

15 de Abril de 2015: Perfeito!


segunda-feira, 2 de março de 2015

FC Porto x Sporting

Julen Lopetegui ao colocar Evandro a titular revela ao mundo o que já se sabia. Vem ao Blue Overlap para saber o que fazer quando tem dúvidas. E faz bem, mister. Eu e o Z cá estaremos para o esclarecer sempre que necessário.

Exibição avassaladora do Porto. Organizados, pressionantes, agressivos, com qualidade, com bola, a impor-se na sua casa e a mostrar que quer continuar a perseguir o Benfica. Controlámos o jogo de uma forma absoluta. Aliás, Fabiano terá certamente a esta hora um processo disciplinar movido pela estrutura do FC Porto por falta de comparência. Mais a sério, foi uma noite de trabalho mas também de magia. Grandes golos em grande jogadas. Mas vamos por partes. Primeira-parte até aos 20 minutos equilibrada mas daí em diante só deu Porto. Mais um jogo onde as oportunidades se multiplicaram. E o que dizer do passe de Jackson? Consegui ouvir o sorriso de Zlatan orgulhoso do colombiano. Mas a noite foi da nossa "motinha". Tello deu uma lição de como finalizar em 1x1. 3 golos sempre na cara de Rui Patricio. Que este jogo o liberte da (hipotética) pressão que existia na sua cabeça. Na segunda-parte o domínio manteve-se. Brahimi algo apagado saiu para entrar Quaresma, mas a pareceria Jackson-Tello voltava a fazer moça na defesa sportinguista. 2-0 e o Porto começava a respirar melhor. Até ao final do jogo muita cabecinha em deixar o Sporting (tentar) criar perigo mas o desgaste do jogo com o Wolfsburgo fez se notar.  Resultado final 3-0 que reflecte a total superioridade da equipa azul e branca motivada acima de tudo por um Tello matador, um meio-campo muito forte em termos de pressão e agressividade e numa gestão inteligente dos momentos do jogo.
Por ultimo há que dizer que o  Sporting não jogou um pinTello (desculpem...)

(+) Positivo


Tello - Estão dissipadas as dúvidas sobre a qualidade do espanhol?! Que jogão. Na pressão aos jogadores do Sporting quando queriam começar a construir, na forma como foi procurar as diagonais tão comuns aos extremos produzidos em La Masia, a calma como finalizou os 3 golos sem ser sôfrego. Até a nível defensivo esteve impecável! Ter Brahimi, Tello e Quaresma (e Hernâni!) é um luxo meus amigos. 

Jackson - Que estupidez de passe, moço. Nem no FIFA ou no PES dá para fazer aquilo. Com mais a estupidez de golos que leva, menos de 35 milhões no final da época é uma má venda. Será certamente um dos avançados mais completos do Mundo. Para além de continuar a ser um saco de porrada em TODOS os jogos. 

Evandro - Um jogador que me enche as medidas. Juro que festejei ao saber que estava incluído no 11 titular. Sim, sou maluquinho a esse ponto. Com Óliver de baixa é o jogador que torna a sua ausência suportável. É agressivo sem bola, tem muita qualidade com ela nos pés, sabe posicionar-se e equilibrar a equipa, sabe aparecer na ajuda a Jackson. Trouxe a solidez ao meio-campo que não existiu no Bessa e com a falta de minutos nas pernas foi bem substituído. Enfim, é um médio muito completo e tem de continuar no 11. 

Lopetegui - Acreditem se quiserem mas o basco fez as duas substituições que queria quando eu estava a falar nelas. A de Quaresma por Brahimi e mais tarde a entrada de Rúben Neves por Evandro. Está cada vez mais identificado com o clube e a sua leitura do jogo do banco é fantástica. Ah, e está imparável a nível de comunicação. Vê-lo no fim a festejar com os jogadores foi fofinho e sintomático de que se respira confiança naquele balneário.

Herrera - Podia ter marcado um golo de levantar o estádio não fosse aquela coisa parva da finalização. Foi muito importante na intensidade que deu ao meio-campo com a sua habitual disponibilidade física de um gajo todo mamado em Red Bull. Esteve muito bem no passe (muito melhor que no Bessa) e na forma como aproximou as linhas da equipa entre transições. Não vamos baixar a forma agora, pois não Héctor?

( - ) Negativo 

Brahimi - Não está bem. A qualidade continua lá mas parece ainda procurar a melhor forma. Agarrou-se demasiado à bola e continua pouco objectivo. 

O efeito "50 Shades of Grey" no Futebol - Vitória de Guimarães, Basileia, Boavista e Sporting. Têm todos fetiche por pancadinhas, cara!#@? É que são jogos inteiros a distribuir pancada pá.

Artur Soares Dias - O que dizer daquele critério de faltas? Sim, o Casemiro deu muita lenha e podia ter visto um amarelo. Mas quando o William pegou com duas mãos no Tello e o arrastou até ao chão e o menino de amarelo marca canto estamos conversados. A estupidez de faltas ofensivas marcadas tirou todo o adepto portista do sério. A não expulsão de Cedric, o William a distribuir lenha... Absolutamente ridículo. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Boavista vs F.C.Porto


Foto retirada do site do F.C.Porto
Odeio o Boavista com cada centímetro de alma que me é permitido utilizar para odiar outro clube. Fui atleta dessa agremiação durante 8 anos e juro, juro mesmo, que se juntássemos as claques todas de Benfica e Sporting num mesmo espaço, não íamos conseguir reunir tamanha concentração de fanatismo "anti-Porto" e "anti-Pinto da Costa" como ali. Tudo bem que derby é derby, que é natural haver ódio de estimação entre clubes da mesma cidade, mas tal não se verifica neste caso: para a maioria dos portistas, o Boavista é um clubezito que anda por aí. Também ajudaria se eles lutassem, de forma consistente (historicamente falando, é claro) por títulos, coisa que aconteceu uma vez em 100 anos. E claro que o facto de no banco estar sentado aquele carniceiro sob forma de "coisa" disfarçado de pessoa, de seu nome Armando, não ajuda a aumentar o meu amor pelos axadrezados. Eles que, curiosamente, tanto respeito e admiração possuem por quem tentou destruí-los, e tanto ódio vomitam por quem lhes tem de dar a mão de tempos a tempos para que se mantenham vivos. Juro-vos que anseio ardentemente por nova descida de divisão, e que terminem a discutir títulos com o Folgosa... e que mesmo assim, percam! Mas não quero que acabem... Quero que os "panterinhas" tenham de passar pela humilhação de passar décadas numa divisão condizente com a sua grandeza e com o seu futebol.

Vamos ao jogo!

Será sempre complicado jogar contra equipinhas destas, fechadas em 30 metros de terreno, a acertar nas canelas de tudo o que mexe (com a conivência do homem do apito, como já vem sendo costume no decorrer desta época), e sem grandes preocupações em jogar futebol. Isto, aliado a uma espécie de tapete de lama, borracha e relva sintético-natural, de fazer corar os campos das divisões distritais da Guiné-Conacri, pode tornar-se na receita para um potencial desastre.
Tal não aconteceu, muito graças à paciência com que o F.C.Porto abordou o jogo, mas tambem muito devido à entrada em campo de Brahimi e , principalmente, Tello, para o lugar dum esforçado mas inconsequente Hernâni, e dum Quintero absolutamente patético.
Valeu pela vontade férrea dos nossos rapazes em trazer dali os 3 pontos, conseguindo assim recolocar a diferença para o 3º classificado. Sim, leram bem, o 3º. Porque já há algumas jornadas que deu para perceber que, dê por onde der, o máximo a que poderemos almejar será o 2º lugar.

(+) Positivo

Quaresma - Facilmente se constata que muitas das características de Quaresma nunca vão mudar. Como quando roubou aquela bola, e decidiu partir para o remate numa situação de superioridade numérica, de 3x2. Mas nota-se um Quaresma diferente nesta altura da época. Um Quaresma que defende, que corre, pressiona, rouba bolas, joga um pouco mais simples, combina com qualquer dos laterais. Um Quaresma que não perde 100% do tempo a tentar fintas e fintinhas que raramente dão certo. E, acima de tudo, um Quaresma melhor fisicamente, mais cumpridor tacticamente. Um Quaresma mais consistente. E assim, vale a pena tê-lo em campo.

Marcano e Maicon - Facto: desde que os dois assumiram a titularidade, temos sofrido muito pouco, temos tido muito menos sobressaltos, e a nossa saída de bola (não sendo perfeita, nem sequer perto disso), ganhou segurança. Destaco Marcano, visto com a desconfiança do costume pelos "anti" que por aí pululam, fosse pela idade ou por ser espanhol, que tem vindo a revelar-se uma óptima surpresa. Como central, tem feito tudo aquilo que se pode pedir. Bom posicionamento, fortíssimo no jogo aéreo e muito seguro com os pés. Quanto a Maicon (bater três vezes na madeira), parece ter deixado de parte as suas paragens cerebrais.

Jackson - "Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!" - foi o que o v.a.s.c.o. escreveu no jogo de Basileia, e penso que se adapta ao jogo de ontem, e à grande maioria dos jogos desta época. Mais um golo, mais um jogo de combate. Muito bem!

Tello - Meia hora de qualidade do mal amado espanhol. Mais duas assistências para golo e, mais do que isso, a capacidade de "mexer" com o jogo. Tem defeitos? Muitos, ou emtão não teria saído de Barcelona para cá (mesmo que por empréstimo). Mas pode pedir-se muito mais?

Brahimi - O argelino veio "apagado" da CAN, e isso ficou bem provado em Basileia. Daí que tenha entendido que começasse no banco ontem. Mas a sua entrada para uma zona mais central foi fundamental para a vitória. E aquele golo é duma classe...

As alternativas - O facto de se ter dado minutos de jogo a diferentes jogadores em diferentes alturas da época, está a revelar-se agora de extrema importância. É certo que o jogo não foi brilhante, mas tal em nada se deveu a Ángel, Ricardo ou Rúben. Não caíram no 11 de "para-quedas". Têm minutos nas pernas, em jogos a "doer", e isso faz toda a diferença. O mesmo serve para Quintero, Evandro, Aboubakar e por aí fora. Saem 4 titulares indiscutiveis e o modelo do nosso jogo não se altera.

Lopetegui - De novo com "dedo" nos golos que nos deram a vitória. Gosto da forma como Lopetegui está "ligado" ao jogo a partir do banco, mas também da forma como percebe aquilo que o jogo pede. E se a nossa forma de jogar é em posse, devemos "morrer" agarrados à nossa identidade, por isso nada de "bombear" para a área adversária, à espera que um qualquer Maxi bloqueie um defesa, e que um Jonas domine com a mão e que um Jardel despeje um "chouriço" lá para dentro. Isso resultará 1 em cada 20 vezes. Nas outras, é preciso jogar como se sabe e como se treina. De novo, magistral na conferência de imprensa. No ano passado, Paulo Fonseca sempre foi "querido" pela CS, porque era "mansinho", porque foi incompetente e porque nos fragilizou. É sempre bom sinal ler e ouvir críticas a um nosso treinador por parte duma muito ofendida CS. Principalmente havendo um atrasado mental á solta nos bancos desse país como JJ. Se bem se recordam, também Mourinho só deixou de ser "arrogante" depois de sair do FCP.
  

(-) Negativo 

Quintero - Pa-té-ti-co! Gostava de ouvir todos os experts de futebol, que tanto criticam, criticaram e criticarão qualquer treinador que passe pelo Porto e que não coloque a jogar Quintero, explicar como é possível jogar tão pouco sempre que surge a oportunidade. Ou é porque está amuado, ou porque está frio, ou porque o terreno está em mau estado, ou porque os outros dão muita cacetada... Foda-se Quintero! Joga à bola mas é, caralho!

Herrera - O mexicano voltou à sua versão "jogador de distrital" a uma velocidade estonteante. Incapaz e incompetente em tantos, tantos, tantos momentos do jogo, que chega a doer. Sabendo que vai jogar, fica a questão: que Herrera teremos contra o Sporting?

Falhar golos cantados - Uma característica muito própria do nosso Porto, que em jogos de poucas oportunidades de golo já nos custou caro, e que poderá custar-nos caro mais para a frente. Hoje foi Jackson a falhar de forma inacreditável um 1xGR, na primeira e melhor oportunidade do jogo durante a 1ª parte. Pode ser pedir muito, mas a realidade é que temos mesmo de ser mais eficazes!

Critérios e coerências - Decorria a 2ª parte do jogo, quando Jackson elevou a perna mais do que devia e, escusadamente, acertou de sola na coxa dum boavisteiro. Devia ter visto amarelo, no mínimo, mas confesso que já vi vermelhos serem dados por bem menos. A questão é que nessa altura, já 3 axadrezados deveriam estar de banho tomado, desde a 1ª parte. E um desses jogadores, por acaso até foi o que esteve na jogada com Jackson. Ora, o Sr. Árbitro demonstrou coerência, porque ajuizou todos os lances da mesma forma, ainda que erradamente. Ao intervalo, repito, deveríamos estar a jogar contra 8 ou 9. E tudo isto ganha contornos de ridículo se pensarmos que praticamente todas as "cargas de ombro" feitas por jogadores nossos, foram transformadas em falta; várias dessas faltas, pertíssimo da nossa área, ou a cortar jogadas potencialmente perigosas. E depois há "o" penalty. Não sei se sabem, mas um dos tripulantes da Apollo 8 ligou cá para baixo a dizer que, da nave, se tinha visto aquele escândalo. Depois disseram-lhe que foi um jogador do Porto e que o jogo não era da Champions e ele pediu desculpa de imediato. Os tais... critérios!


A única resposta possível para quem passa tanto tempo com a cabeça enfiado dentro do próprio cú. E acreditem, felizmente, não e só Moniz a merecer essa resposta.

Já agora, porque conheço a pessoa em questão, um miminho do grande André Simões:







sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Basileia vs Porto

No regresso às noites europeias o Porto empatou em Basileia a uma bola. Resultado que nos deixa em vantagem (golo fora) para a segunda mão no Dragão. Exibição de gala dos comandados de Lopetegui. Uma superioridade tão grande que até nos valeu elogios do adversário, tanto de Paulo Sousa como Frei.

A primeira-parte é facilmente resumida. O Basileia fez um/dois ataques e um remate à baliza e marcou contra a corrente do jogo. Um golo em que a culpa estará algures entre Alex Sandro e Fabiano, mas para mim a fatia maior de responsabilidade será de Fabiano e o seu "síndrome de equipa pequena". Um guarda-redes do Porto não pode ter medo de sair da pequena área ou de fazer "manchas" de risco. Lembram-se do Baía? Enfim. Um golo sofrido na primeira parte da primeira-mão dos Oitavos de final da Champions sem que nada o indicasse. Apesar da equipa acusar o golo durante alguns minutos e/ou andarmos um bocadinho perdidos (muito por causa das hesitações no capitulo do passe/recepção) a partida continuou de sentido único. Walter Samuel, jogador que sempre foi leal (sim, é sarcasmo) consegue cometer um penalty tão óbvio sobre o Jackson que o filho de uma cabra manca, obesa e bastarda do Mark Clattenburg deve ter achado que era dança contemporânea e mandou seguir. Perante vários contratempos seria fácil lamentar-nos da sorte e chorar no fim. Mas não é dessa fibra que Lopetegui é feito. E isso viu-se na equipa. Final da primeira parte chegava com o Porto a ser tãããão melhor que o Basileia. Brahimi muito apagado e com algumas asneiras no passe e Casemiro algo desastrado no capitulo do passe.

A segunda-parte começava e... GOLO!!! "Não estava a brincar pa! Sorry guys, we're pranksters! You should see your faces!" dizia a equipa de arbitragem. Depois de quase 1 minuto depois da bola ter entrado, de se ter feito a festa, da bola voltar ao meio-campo alguém se lembrou (diz-se que foi o quarto árbitro através da TV) de dizer que o golo era irregular. Até admito que sim, apesar de não achar que os jogadores em causa condicionassem a acção do guarda redes. Mas esperar TANTO tempo para tomar uma decisão destas? Na Liga dos Campeões? Enfim. O Basileia ao melhor estilo de José Mourinho, estacionava o autocarro ali em cima da grande área e nós continuávamos a controlar a partida. Sempre com personalidade, sempre com bola, sempre no chão. Sempre melhores. O inolvidável Walter Samuel dava uma mãozinha (literalmente) ao Porto e Danilo, de penalty, volta a equilibrar o marcador. Um golo fora numa eliminatória de Champions vale por 2. Até ao final foi mais do mesmo. Controlo total nosso, Basileia a ver jogar. Terminou empatado e nós trazemos boas perspectivas de continuação na prova. Mas estes suíços são ratos, e só precisaram de fazer um, um único rematezinho à baliza para marcar um golo. Incrível a sua agressividade. Fizeram o Vitória de Guimarães parecer um bando de meninos do coro.

(+) Positivo

Danilo - Jogaço do camisola nº 2. Ninguém discute agora o seu valor. Ninguém põe em causa a sua dedicação e raça pelo clube. Numa altura em que o adeus parece certo, toca a saborear estes últimos meses de um dos melhores laterais direitos que o nosso clube já teve.

Chegar a casa dos outros e mandar - Pode parecer falta de educação mas é um atestado de competência a Lopetegui. É por isso que tenho confiança no Basco e na sua visão para o clube. Há coisas a melhorar no nosso futebol? Há. Mas tendo em conta a revolução operada é notável a época que estamos a fazer e quase tão importante, a qualidade e personalidade que o nosso jogo tem. Não está ao alcance de muitos...

Jackson - Mais uma exibição monstruosa do colombiano. É um prazer ver Jackson a jogar. Tanta qualidade. Quando não aparecia ninguém no meio/entre linhas para receber os passes, lá vinha o colombiano dominando a "redondinha" enquanto levava lenha do Samuel e companhia. É o saco de porrada de todas as equipas adversárias. E consegue sempre manter aquele ar calmo e relaxado com o seu "queixo em fora de jogo". Quem diria depois de uma época em que parecia não ter a cabeça aqui. Grande capitão!

A conferência de Lopetegui - Incomodado com perguntas que só procuravam denegrir a exibição e em retirar mérito à equipa, reagiu. Disse o espanhol: "Dei quatro entrevistas antes de vir aqui e os únicos que não destacaram a boa exibição do FC Porto, que rematou quinze vezes à baliza, contra uma equipa que marcou num único remate que fez, foram os jornalistas que falam português". Quem não sente...
  

(-) Negativo 

O lance do golo sofrido - O Z cascou no Alex Sandro. Eu atribuo maior culpa a Fabiano. Um guarda redes de equipa grande não pode ter receio de sair da PEQUENA ÁREA caral#@!!!!

Brahimi - Muito mal hoje. Com alguns passes errados e perdas de bola que poderiam ter sido arrasadoras para o Porto. Acredito que ainda esteja à procura da melhor forma depois da CAN mas é bom que a encontre depressa porque a equipa precisa da magia dele.

Falhar golos na Champions - Lances como aquele do Jackson em que tenta picar por cima do guarda redes não podem ser falhado a este nível. Contra equipas que se limitam a defender, quando há hipótese de marcar temos de... marcar. No way around it.

Árbitros ingleses na Champions - Se bem se lembram o "queridinho" da UEFA, Howard Webb, teve algumas arbitragens vergonhosas contra nós (no Vicente Calderon e em casa com o Zenit). Mark Clattenburg é a herança deixada. Exibição quase ao nível de um Bruno Paixão. Critério ridículo de amarelos e faltas assinaladas. Complacente com a o Wrestling da equipa do Basileia. E não assinalar 2 (sim, foram os dois na primeira parte) penaltys na "nata" do futebol é um bocado demais...

A lesão de Óliver - Não é uma tragédia mas quase. Sem ele a equipa perde mesmo muito... O jogador mais parecido será talvez Evandro e depois Rúben Neves. Espero que Quintero continue no banco porque não tem a qualidade que o ex-Estoril. É a minha opinião e posso fundamentá-la se quiserem...



Entretanto, o "wishful thinking" continua...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Moreirense x Porto

Jogo no sempre difícil campo de Moreira de Cónegos e em véspera dum derby Lisboeta que se correr para o nosso lado, pode irá pôr o Benfica sobre brasas. Estando obrigados a ganhar todos os jogos até ao final do campeonato (e esperar que o SLB vá largando pontos), Lopetegui repetia o onze deixando os "titulares" Indi e Brahimi no banco. Moreirense bem organizado (tem pinta o mister Miguel Leal).

Uma primeira parte bem definida pelo Z ao intervalo por "meh". Um relvado em mau estado acabou por obrigar Cardozo e André Marques a sair lesionados. Porto controlador mas pouco incisivo. Acabou por chegar à vantagem através de who else but Jackson Martinez. Herrera descobre Jackson e o colombiano num remate forte, ainda que batendo num defesa, acaba por fazer o 1-0. Até ao intervalo foi um bocejo geral, apesar do Moreirense sempre que tinha bola (e espaço) criava perigo.
A segunda-parte iniciava-se nos mesmos moldes da primeira. Porto controlava, Moreirense aguentava. Casemiro fez o 2-0 aos 58' depois de um bom cruzamento de Herrera novamente. Tello ainda teve 2 excelentes oportunidades mas não conseguiu repetir o golo da jornada anterior. Fabiano ao contrário da primeira-parte (onde tem uma defesa ridícula a um remate fácil) foi decisivo ao aguentar o 2-0 algures pelos 60 minutos. Com uma saída à Helton, impede o remate de José Pedro. Se Moreirense marcava ali... Até ao fim controlo absoluto do Porto com algumas situações de contra ataque que sempre soubemos resolver da melhor forma. E houve ainda tempo para os regressos de Brahimi e Aboubakar. Vitória incontestável. 3 pontos e vamos desejar que o derby traga boas noticias.

(+) Positivo

Jackson - Fez o golo 5000 da história do clube. Marcar simbólica de um avançado que nunca foi completamente consensual entre os adeptos mas... É um avançado completo. Quando faz aqueles movimentos fora da área de costas para a baliza. aguenta cargas, segura, temporiza e a dá a bola aos companheiros... Meu Deus. É um animal físico, um animal técnico, um animal finalizador. Jogaço.   

Marcano - O espanhol é sinónimo de segurança. A leveza com que limpou tudo pelo ar ou pelo chão foi incrível. Muito mais consistente e seguro que Maicon esta época. Não complica passes, não complica alívios e parece sempre muito concentrado durante o jogo. Titularíssimo para mim. 

Casemiro - Jogaço! Tanto eu como o Z temos deixado o brasileiro com as orelhas quentes nos pós jogo desta época. Mas ontem Casemiro apareceu em todo o lado a recuperar bolas. E as dobras? Ui! Um bom jogo do brasileiro a dar muita consistência ao meio campo defensivo.

O lado bom de Herrera - Se se abrisse o crânio de Héctor, iamos ver que existem 2 chips. O bom e o mau. O chip bom faz com que Herrera descubra Jackson em lances como o primeiro golo, meta a bola pronta para Casemiro encostar no 2-0 ou que apareça sempre junto das alas a oferecer soluções de passe. O chip mau... é tratado mais abaixo. Herrera foi determinante mesmo no meio de algumas cagadas.

(-) Negativo

O lado mau de Herrera - "As diarreias mentais de Héctor" daria uma boa tese de futebol. Provavelmente um dia teremos de arranjar uma categoria "mais ou menos" para o Mexicano. Aquele seu jeito atabalhoado quando sem bola em transição defensiva em que parece não fazer ideia de onde se deve posicionar, é angustiante. Depois de uma falta parva de Quaresma, quando a equipa saia para o ataque, o Mexicano decide colocar o braço esquerdo para receber a bola numa zona perigosa relativamente perto da área portista. What the fuck Héctor?!

Os passes longos/mudanças de flanco - Passes de 30/40 metros de um lado ao outro do campo. São bonitos de se ver quando são bem executados e podem apanhar o adversário descompensado. Mas quando há Maicon e Herrera como executantes é desesperante ver a quantidade de bolas perdidas dessa forma. Até quando vamos insistir nisto? 

Xistra a ser Xistra - Horrível durante os 90 minutos. Um penalty por marcar sobre Maicon na primeira-parte. Faltas ridículas assinaladas aos jogadores do Porto onde o mínimo toque, mesmo que no mindinho, eram motivo para apitar. E ainda conseguiu uma coisa fantástica que foi travar um ataque portista ao deitar Óliver ao chão... 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Penafiel vs Porto

Três pontos arrancados numa espécie de jogo de futebol.

Como disse Lopetegui: "não foi futebol, foi outra coisa, foi intuição". Num terreno impraticável que mais se assemelhava às trincheiras nazis no desembarque da Normandia, o Porto encontrou capacidade para ter, ainda assim, momentos de classe. Oliver e Jackson foram dois gigantes no lamaçal. Continuo a não perceber o ódiozinho de estimação que muitos adeptos têm a Lopetegui. Este jogo provou mais uma vez que estamos num bom caminho e que estamos em boas mãos. Foi um Porto de garra e de entrega que ganhou o jogo. E quando foi preciso trocar Quaresma por Marcano, não houve vergonha, porque o que era realmente necessário era combatividade e não classe. Se na primeira-parte houve ainda algum futebol, na segunda foi ter capacidade para segurar a bola quando ela caía na lama e deixar o tempo passar. Vitória importante com esperança de que amanhã na Madeira os "outros" tropecem e caiam de nariz no chão.

(+) Positivo 


Óliver - É um prazer vê-lo jogar. Seja no nosso relvadinho fofinho do Dragão, seja nesta espécie de relvado que o Penafiel possui. Dos emprestados é claramente o mais forte e o que mais gostava que permanecesse no plantel na próxima época.  É completamente determinante neste Porto de Lopetegui. Quem alinha numa vaquinha para pagar a clausula ao Atlético?

Jackson - O colombiano é um jogador tremendo. Marca golos atrás de golos mas para mim é no que trabalha sem bola/para a equipa que me faz gostar dele. E hoje consegui ter pormenores técnicos absolutamente deliciosos. Comecem a preparar os lenços malta. Este, vai deixar saudades no final da época quando embarcar no Sá Carneiro...

Garra e vontade de ganhar - Para todos aqueles que atacam diariamente Lopetegui por todas as razões que a lógica desconhece, revejam o jogo e ponham a mão na consciência.

Lopetegui - A substituição de Quaresma por Marcano pareceu à primeira vista algo descabido. Mas foi meter a tranca na porta porque o dia não era para manter a posse de bola no meio-campo adversário. Gostei mister. Não houve vergonha em querer ganhar de outra maneira.

(-) Negativo 


Casemiro - É o jogador que menos simpatizo do plantel. Sim, até menos que o Adrian Lopez. Porque até o espanhol no meio de tanta atrapalhação consegue ter alguma classe. Seja nas recepções ou nos passes. Agora o brasileiro é simplesmente alguém que gosta muito de bater e tentar ser mauzinho a defender. O amarelo que viu hoje, sem necessidade nenhuma, num lance ainda cedo na primeira-parte era coisa para me fazer tirá-lo do campo com uma única questão: para quê?

Relvado do Penafiel - Como é que é possível ser permitido jogar nestas condições?


PS: É incrível como numa questão de minutos criou-se a ideia entre noticias e redes sociais de que o Porto foi beneficiado neste jogo. Depois do que tem sido este campeonato, irrita-me, enoja-me, revolta-me que a teoria de Goebbels impere. E todos menos Lopetegui permanecem em silêncio... 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Gil Vicente vs Porto

Já passaram muitos dias do jogo mas não tem sido fácil escrever a crónica quando computadores cometem suicídio e pulsos incham sem razão lógica. Foi um jogo que não se avizinhava fácil e que nós tornámos num festival de golos bonitos. É verdade que até o Jander decidir que era tempo de ver o segundo amarelo, o jogo estava algo empenado. Mas dada a "estratégia" da equipa de José Mota, e por estratégia entenda-se "bater em tudo o que mexa e bola na frente à espera de uma ajuda divina", era de esperar que mais tarde ou mais cedo a qualidade da equipa de Lopetegui acabasse por se impor em Barcelos. Casemiro que até ao estouro de fora da área estava a realizar uma exibição cinzenta, pegou na bola e "cá vai disto". Um grande golo que abria caminho para uma noite tranquila. Na segunda-parte houve tanto Porto que poderíamos estar aqui a falar de um resultado histórico. Tantas oportunidades e tanto domínio acabaram por ficar bem expressivos nos números finais. 1-5, mais uma vitória com grandes golos e futebol bonito praticado numa noite gélida. 3 pontos preciosos numa altura em que convém mostrar ao Benfica que estamos prontos e que não vamos desarmar. 

(+) Positivo

Óliver - Pequeno maestro. Tem tanto futebol nos pés, cabeça, costas, ombros, joelhos... que até faz confusão. Num meio campo sem grande mobilidade é SEMPRE este anãozinho que procura criar linhas de passe. Aquela finalização com a bola picadinha por cima do Adriano, hmmm, repleta de classe, Podemos já ficar com ele please? 

Jackson - Que bestinha. Marca golos com pé esquerdo, pé direito, cabeça e ainda tem aquele toque de bola delicioso. Quando a equipa está a dominar como dominou neste jogo, Jackson brilha ainda mais. Mais um grande jogo e aquele quinto golo... Meu Deus!

Quaresma - Entrou bem e começa a dar razão a Lopetegui porque rende muuuuito mais quando entra na segunda parte frequinho pronto para dar cabo dos rins dos laterais adversários. 

Lopetegui - Mandar aquecer Quaresma ainda na primeira parte foi um claro sinal para quem não estava a render em campo. Gostei. 

(-) Negativo

Casemiro - Demasiado lento. Com bola, sem ela, Tarda em acordar quando a equipa está a ser pressionada. 

Tello - Muita correria e pouco discernimento. Será que voltando ao lado esquerdo (com Brahimi na CAN) vai voltar a brilhar? 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Athletic Bilbao vs Porto

Mais um dia. Mais uma alegria. Mais uma vitória. E terá sido provavelmente o melhor jogo do Porto esta época. Talvez não na qualidade do futebol jogado mas como equipa, em organização, em espirito de sacrifício e em entrega. Maicon e Óliver eram titulares num jogo que prometia ser combativo dadas as condições do relvado no San Mamés. E foi um Porto mandão durante toda a primeira parte. Mais qualidade na troca de bola, mais segurança e mais um par de oportunidades desperdiçadas por Jackson. E mais um penalty falhado... 


Era uma injustiça tremenda chegar ao intervalo com 0-0. Fabiano nem suou, e o Athletic o mais perto que chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que saiu pela... linha lateral. A segunda parte começava e o Athletic com duas mexidas conseguiu equilibrar a coisa, até que Brahimi em mais um momento de génio, foi pondo adversários no bolso e cruza para Jackson marcar o primeiro. Impressionante a cavalgada do argelino em modo "Epá que chaaaaatos, deixem nos lá marcar um golo". 1-0 mais que merecido, seguido pouco tempo depois de uma oferta basca, a fazer lembrar alguns golos sofridos no ano passado, que dava a Brahimi o segundo golo do jogo. 2-0 e a vitória parecia certa. Até ao final o mais perto que o Athletic chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que ganhou um efeito esquisito e acabou por ao poste da baliza de Fabiano. Apuramento garantido com dois jogos por jogar e quase 18 Milhões garantidos. Onde andam os "profetas da desgraça"? 

(+) Positivo

Trio de meio-campo - CA JOGATANA MALTA! Casemiro a limpar (sem dispensar a habitual trolitada numa canela adversária), Herrera com o pulmão do costume e alguns passes muito interessantes (estás a dar tudo para me calar a boca, não estás Héctor? Na boa, continua!) e Óliver é mais completo que Quintero para jogos deste tipo. Foi o primeiro jogo em que senti haver realmente entendimento, equilibrios, compensações e muita vontade. Parece ser esta o trio certo para os jogos a sério. Talvez Quintero para jogos em casa muito fechados, mas SEMPRE com Casemiro e Herrera.

Brahimi - O "abre-latas" azul e branco. Aquela jogada é de classe mundial meus caros. São jogadas como aquela que me fazem acreditar que este mago vai cá estar muito pouco tempo... Esperemos que não carago! Ah, é também, depois de Deco, Quaresma e Hulk (por ordem cronológica) o saco de porrada dos adversários. Dass, que até irrita às vezes.

Jackson - Falhou duas ou três oportunidades de golo que não devia, mas a quantidade de porradinha que levou e a quantidade de bolas (ou melhor mísseis) lançadas desde a defesa que dominou, segurou, aguentando as cargas de Laporte e Gurpegui, para dar a um companheiro foi absurda. Grande exibição do capitão apesar do penalty falhado. 


(-) Negativo

Alex Sandro - Está a precisar de parar um joguinho, ir até à praia, beber uma caipirinha, almoçar uma picanha e... GANHAR JUIZO! José Angel merece a titularidade na Amoreira.

Jackson e os penaltys - Num lance que até me parece nem ser penalty (podem-me insultar na caixa de comentários mas aqueles lances são... meh) o capitão colombiano desperdiçou, YET AGAIN, uma grande penalidade. A qualidade técnica está toda lá mas parece faltar capacidade mental para aquele momento. Em conversa com o Z ontem dizia que Maicon (puxando da biqueira para assassinar guarda-redes) ou Danilo (com mais qualidade técnica) deviam ser os mais fortes candidatos a bater as grandes penalidades. 

Relvado do San Mamés - Ridículo para um jogo de Champions. Só isso. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Arouca vs F.C.Porto

Caros amigos do Blue Overlap, esta vai ser uma crónica diferente visto que tanto eu como o v.a.s.c.o. nos vimos impossibilitados de acompanhar o jogo do F.C.Porto em directo, pela primeira vez esta época. E o resultado não podia ter sido melhor e mais esclarecedor: 0-5, uma goleada (num jogo fora) das que "já não se usa".
Ora, como sabem, temos por hábito deixar correr alguma tinta até que apresentemos a nossa análise ao jogo. Desta vez, admito que toda a análise se baseia no que se escreveu e disse pela CS, Bluegosfera e resumos (curtinhos!) do jogo.

Segundo parece, os primeiros 20 minutos foram disputados, repartidos e ansiosos da parte dos nossos rapazes, tendo inclusive o Arouca tido um remate muito perigoso após nova falha (outra... really?), desta feita de Marcano. A verdade é que em apenas 2 minutos, Quintero numa bomba de fora da área e Jackson, após nova "partidela de rins" de Brahimi e nova assistência, conseguimos colocar-nos numa situação privilegiada no jogo. Dois golos de vantagem, contra uma equipa que provavelmente se iria fechar a 7 chaves durante o 2º tempo. Isto tudo ainda a meio da 1ª parte! Casemiro, outro dos nossos mal amados, de cabeça, colocou o resultado num 0-3 que, segundo pude ler, premiou a equipa mais acutilante, mais eficaz e, porra!, mais forte em campo. Por esta altura, segundo rezam as crónicas, já um penalty nos havia sido sonegado.


Da 2ª parte tenho poucas informações, mas gostei de ver Tello a fazer nova assistência, e Quaresma a oferecer um golo de bandeja a Aboubakar, ambos saídos do banco. Pena aquela outra bomba de Quintero não ter entrado... Ah, e mais um penalty que o homem do apito não descortinou (na sempre insuspeita Liga da Verdade do geloso Rui Santos devemos ser já campeões de Inverno...).

Sigamos para as notas (possíveis):

(+) Positivo


Chegar ao intervalo a vencer... e por 0-3 - Até agora, uma das críticas apontadas ao F.C.Porto era o tempo que demorávamos a "entrar" em jogo - sendo o jogo com o BATE a grande excepção. Desta feita, o jogo estava resolvido e embrulhado em 45 minutos, não dando azo a que o adversário pudesse acreditar sequer em reagir e devolvendo a tranquilidade necessária para se ir crescendo, ganhando e dando confiança a todos os intérpretes (e alguns, bem precisam e merecem). E, já agora, para dar algum descanso às nossas válvulas cardíacas...

Quintero - Está numa daquelas fases deslumbrantes este rapaz. Um golo belíssimo e (de acordo com o que li), um verdadeiro "10", a distribuir jogo, a assistir companheiros, a finalizar jogadas e a espalhar qualidade técnica (que tem, em grande quantidade). Que continue a crescer!

Brahimi e Tello - Havendo mais jogo interior, haverá menos homens para tentar parar estes dois senhores. E em duelos de 1x1, há poucos que os possam/saibam parar. E uma vez criado o desequilíbrio, meio golo está já feito. Simples!

Jackson e Aboubakar - Falo apenas deste jogo, apenas dos golos, mas são os tipicos golos de avançado que sabe onde deve atacar, como se movimentar, e finalizar de forma simples. O primeiro é um tanque de bom futebol, o segundo, um porta-aviões que nos deixa mais repousados quanto à necessidade de alternativas.

Quaresma - Neste momento, os titulares TÊM de ser Tello e Brahimi. Como não alinho na histeria "Quaresmista" (no fundo, o subterfúgio para todos os que odeiam o nosso Lopetegui), falo perfeitamente à vontade. É assim que Ricardo nos pode ser útil - entrando como verdadeira arma de arremesso em momentos mais avançados do jogo, disponível para ajudar, disposto a correr, assistir ou marcar. E se assim se mantiver, que continue a iniciar jogos no banco!

A saída de bola - Não falo do que (não) vi, mas li em diversos locais que a nossa saída de bola esteve diferente (para melhor!) nesta partida. Que houve um médio a recuar para iniciar a construção e que os laterais já estavam mais adiantados nessa fase. Coincidência ou não (com toda a honestidade), tudo culminou num saboroso 0-5... 

(-) Negativo


Outro erro... Outro erro... Outro erro... - Lá está, o jogo de futebol é feito de sucessos e falhas. Se o F.C.Porto marcou 5 golos, foi porque provavelmente obrigou o Arouca a errar mais vezes, fruto também das diferenças de qualidade técnica entre os intervenientes dum lado e do outro. Mas é sabido que, no geral, ganha quem comete menos falhas. Aos jogadores do Porto pede-se que errem menos do que os outros, como é óbvio. Ou pelo menos que, quando errarem, seja numa zona em que podemos ainda remediar. Penso que na última época e em alguns momentos desta, tem havido uma relação quase patológica entre os sucessos dos adversários e os nossos erros (alguns deles, imperdoáveis, está claro!). Escrevia no último post que era impressionante a eficácia tremenda das restantes equipas aquando das nossas falhas mais "clamorosas", por assim dizer. Tal acontece porque temos tido erros em zonas onde não podemos (mesmo) inventar. Penso que isto é muito claro! Temos, portanto, de continuar a trabalhar para corrigir estas situações, trabalhar para errar menos e ainda mais longe de zonas de perigo. E quando tal acontecer, que esteja lá aquele gigante, estilo desengonçado (de quem pouca gente gosta... mais outro) a safar-nos dessas situações, como Barrigana, Mlynarczyk, Zé Beto, Baía e Hélton fizeram durante décadas. 



Quem diria, hein? Goleada fora de casa, por números tais que o último treinador a vê-los do banco tinha sido um Senhor chamado Jesualdo (e penso que tal deve contar como um record positivo para Lopetegui, não?). Uma exibição segura, mais alguma serenidade e a diminuição da desvantagem "louca", "brutal", "irrecuperável", "imperdoável", "inadmissível" de 4 pontos, para apenas 1. Boas exibições de alguns mal amados, e a confirmação de alguma estabilidade nas peças escolhidas (e quem sabe, a puta da conversa da rotatividade poderá amainar por uns tempos...).

Obviamente que, como ouvi num ou noutro programa, ou li em diversos comentários de portistas que sabem mais de bola do que Guardiola, Ancelloti, Mourinho e Guus Hidink juntos, há quem não concorde com esta análise. "O Arouca facilitou", "a nossa linha defensiva é uma merda", "o Quaresma devia jogar sempre", blá, blá, blá... Ganhemos por 1, 2, 5, 6 ou 10-0, nunca vai ser suficiente. Já o disse antes: Lopetegui está marcado à partida e não tem como escapar. Inimigos fora e dentro de portas, todos prontos a minimizar os sucessos e a salivar pelas derrotas para rematarem com o cobarde (assim, com "b", como na minha Terra se diz) "Eu bem avisei...", da ordem. A minha paciência para essa gente está esgotada há muito tempo... 


Tal como antes do jogo iniciar, estamos ainda muito longe do que quer que seja. Não éramos péssimos antes, não somos excelentes agora. Somos uma equipa a crescer, a tentar estabilizar, a ganhar ritmo e entrosamento. Haverá decerto alturas melhores do que a de Sábado, mas também vai haver piores e, sobretudo, mais difíceis de ultrapassar. Essas são as alturas que definem campeonatos, como bem sabemos. E, meus amigos, apenas as verdadeiras EQUIPAS conseguem ultrapassar esse tipo de obstáculo. E esta equipa, que tem tido o "seu" público como principal obstáculo antes de qualquer outro, pela forma como tem vindo a batalhar e a querer corresponder, tem tudo para ser uma das "verdadeiras". 

P.S.: Foi o primeiro jogo da época em que os co-autores deste blog não puderam seguir as incidências do jogo em directo (meu caso), ou pela TV (caso do v.a.s.c.o., que desencantou um rádio lá no fim do mundo em que esteve durante uns tempos). Resultado: goleada! Rezamos todos os dias para que tal não tenha passado duma coincidência... Caso contrário, dedicar-nos-emos a acompanhar pesca desportiva para o que resta da temporada!
 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bitaites Mundial - Mundial 2014 - Fase de Grupos

Tudo o que é bom acaba rápido, passa rápido, e esta emocionante fase de grupos passou a correr.

A sério... Foi. De. Loucos!



Num Grupo com Inglaterra, Itália e Uruguai, passa a Costa Rica em primeiro. A Nigéria bate o pé à Bósnia e coloca a Argentina em sentido. O Irão quase conquista um empate (e até merecia a vitória) contra a Argentina. Grécia apura-se a segundos do fim depois de dois jogos fraquinhos (Euro 2012 anyone?). EUA avançam para a fase seguinte deixando Portugal e Gana de fora. Espanha e uma renovada Inglaterra são eliminadas logo na 2ª ronda. México ombreia com Brasil e massacra Croácia. Colômbia encanta o mundo! França e Suíça "salvam a honra" europeia. Argélia elimina Rússia, com Halliche e Slimani como figuras de proa. Suárez morde um colega de profissão. Quintero, Jackson e Varela marcam. Herrera espalha classe a cada jogo! James começa a mostrar que é um jogador de topo (finalmente, na minha opinião), e justifica outros voos para longe do principado! Defour, depois de passar o ano aflito com o Mundial, não joga a titular e quando tem hipótese, é expulso.

Ufa! Até fiquei cansado! Nesta 3ª jornada, o mais difícil foi escolher os jogos a acompanhar!




( + ) Positivo
  • Sempre na luta: tem sido algo que me tem deliciado! Grande parte das equipas (Portugal está, obviamente, fora deste grupo), demonstra uma capacidade de luta fora do normal. Dou o exemplo do Equador que, mesmo praticamente eliminado (precisava de 2 golos) e com menos 1 jogador, terminou o jogo encostado à área francesa e com todos jogadores a correr como doidos já para lá dos 90'. A FIFA desconfia de doping? Eu acho que é boa preparação física! E mental... E táctica...
  • Tudo doido: não me canso de dizer: está a ser uma maravilha este Mundial! Pode haver muitos erros individuais, por vezes desorganização táctica, mas há golos (alguns fabulosos), ritmo frenético, parada e resposta, defesas incríveis. Quem poderia pensar que um Equador-Honduras poderia ser um regalo para a vista?
  • Equipas Americanas: agressivas, lutadoras, organizadas, bem orientadas. Em suma, tudo o que é necessário para se ter sucesso.
  • Surpresas: Costa Rica. Los Ticos. Bem organizados, com um meio campo extremamente trabalhador e competente (apaixonei-me por Tejeda, que ainda joga pelas Américas...), uma linha avançada supersónica, um seguríssimo Navas na baliza e uma determinação férrea. Jogam para ganhar, sabendo das suas limitações. Quando se pensava que seriam o "bombo da festa", foram os primeiros. Não perderam um jogo e apenas sofreram um golo. Bravo! Saliento também o México, com o nosso Herrera a "explodir" (especialmente contra a Croácia!!). Defesa serena, liderada pelo veterano Rafa Marquez, um Super Ochoa na baliza (aquele jogo com o Brasil é memorável), Herrera como maestro e Giovanni dos Santos e Peralta, duas setas apontadas á baliza adversária. E ver aquele louco Miguel Herrera no banco é priceless. Uma palavra para o Chile e Argélia apurados em grupos terríveis!
  • Holanda, Colômbia e França: os primeiros guiados por um audaz Van Gaal, conseguiram anular completamente a concorrência. 9 pontos em 3 jogos! A Colômbia, com um James sublime ao comando colhe frutos da exportação de jogadores e dá-se ao luxo de ter Guarin, Jackson, Bacca e Quintero no banco. Uma mistura entre experiência e a geração de ouro do Mundial de sub-20 que promete imenso para a próxima fase! Já tinha confidenciado a amigos que achava que os franceses tinham uma bela selecção e, partindo como outsiders, poderiam chegar longe. Gostei imenso de os ver contra Suíça e Equador. 
  • Figuras: James, Messi, Fernando Santos, Klinsmann. Queria escolher muitos mais mas não pode ser! Já falei de James; Messi tem alternado 89 minutos de desaparecimento dos jogos com assistências impossíveis (mal aproveitadas) e golos geniais (leva 4/5 dos golos da Argentina). Fernando Santos conseguiu um feito heróico - conseguiu levar uma selecção envelhecida, descrente, lenta, a um apuramento que tem tanto de heróico como de merecido. Depois de dois jogos péssimos, belíssima exibição contra Costa do Marfim. Defensivamente quase perfeitos, rapidíssimos e mortíferos nas saídas para contra-ataque. Karagounis, com 37 anos, um farol em campo, e um Samaras cheio de classe na frente. Holebas tem-me enchido as medidas, na lateral esquerda. Cuidado com eles! Klinsmann revelou ter feito trabalho de casa. Montou uma equipa equilibrada, que já sofreu o revés de perder Altidore (lesionou-se contra o Gana), e conseguiu um apuramento mais do que merecido, frente a adversários com obrigação de fazer muito mais.
( - ) Negativo
  • Relvados: sem servir de desculpa, porque ao fim e ao cabo temos assistido a jogos fenomenais, mas são uma merda (pardon my french). Buracos e mais buracos, sinto-me a ver jogos no Estádio de Barcelos!
  • Entradas assassinas: tudo bem que a malta tem lutado. Mas tem havido cada entrada mais descabida... Vermelhos desnecessários, jogadores que ficam em risco de se lesionar gravemente... Lutar, tudo bem, mas com modos, sim?
  • Arbitragens: Continua a haver demasiados casos. Não consigo conceber que não se marque aqueles penalties a favor de Costa Rica e Irão, frente a Itália e Argentina, respectivamente. Escandalosos!!
  • Equipas europeias: (Espanha, Inglaterra, Itália, Portugal e Rússia). Começa a ser altura de cada clube e cada Federação de cada país começar a pensar seriamente em desenvolver jovens de qualidade, que não acabem emprestados em qualquer Desp. Aves -  tapados por "Luquinhas", "Rodriguinhos" e "Rodriguez", que muitas vezes não têm metade da qualidade. A culpa é de todos mas, acima de tudo, é do Negócio em que se transformou o futebol europeu. As Colômbias, Méxicos e Chiles agradecem!
  • Equipas Africanas: o episódio do "avião de dinheiro" do Gana é sintomático da desorganização que grassa nas Federações destes países. Não basta ter estrelas a jogar na Europa. É preciso bons treinadores e boa organização. Ah! E explicar aos meninos que representar o país vale mais do que qualquer prémio de jogo. E que quem não estiver de acordo, bem pode esquecer a Selecção... Sou um romântico...
  • Brasil e Argentina: colectivamente (não pude ver o jogo do Brasil contra os Camarões) , continuam a não me convencer. Possuem das melhores individualidades, mas toda a fase de construção e transição ofensiva parece pobre e a defesa passa por demasiados sobressaltos. Continuo a achar David Luiz um jogador banal e Marcelo e Dani Alves desequilibram imenso a equipa. Ramires não joga porquê? E Fred tem lugar cativo? Quanto à Argentina, está anos-luz à frente da Argentina de 2010 (Maradona, como treinador, não dá...), mas ainda assim parece-me demasiado insegura a meio campo (não consigo entender como Enzo Perez não joga em detrimento de Gago) e demasiado dependente de flashes individuais na frente. Messi tem servido, mas...
  • Suarez: irradiem-no do desporto, por favor! Cretino!
  • Portugal: ridículo. Em breve, análise detalhada.




Seguem-se os oitavos de final. Preparem esses corações, escolham os vossos favoritos, comprem as pipocas e deleitem-se com futebol espectáculo!
Aqui vai a tabela de jogos.



P.S.: A nossa habitual tweetolândia, autoria do meu caríssimo companheiro e amigo v.a.s.c.o., reúne os tweets mais engraçados que se lê no decorrer dos jogos. Neste Mundial fiquei viciado. Criem conta no Twitter, adicionem @portadezanove, o bem conhecido Jorge do Porta 19, e deleitem-se com as análises aos jogos deste magnífico Mundial. O Homem é genial!


quarta-feira, 7 de maio de 2014

O jogo de Olhão visto a frio

Analisar o jogo com o Olhanense a frio foi, para mim, o equivalente a rastejar nú sobre vidro partido embebido em álcool etílico, fazendo os últimos metros de costas. Mas talvez ajude a entender algumas das coisas que foram correndo terrivelmente mal durante esta época no F.C.Porto. Dizer que fomos fracos em todos os capítulos do jogo será um eufemismo (para ser simpático). Mas vou destacar dois momentos (duas fases do jogo, se quiserem), que me pareceram bastante chocantes, não só para a qualidade de jogo que se espera de uma equipa grande (no domínio mais colectivo), mas também inadmissíveis em jogadores profissionais da 1ª divisão (dimensão individual).

Primeiro, destacar que a reposta individual e, consequentemente, colectiva à perda da bola roçou o ridículo (como aconteceu em tantos jogos durante esta época). Enquanto 3 ou 4 malucos saem na pressão (quase sempre a linha avançada e um ou dois médios interiores), invariavelmente num timing errado, e sem grande coordenação entre si na ocupação de espaços, os restantes 6 ou 7 ficam a olhar, aumentando para uma auto-estrada o espaço entre linha defensiva e linha intermédia. Deste modo, a equipa adversária, sempre com uma motivação, determinação, garra, vontade a milhas das dos nossos jogadores (a tal dimensão individual), pode até nem ganhar as primeiras bolas, mas consegue muitas vezes (demasiadas) conquistar as segundas bolas, e aproveitar as falhas de posicionamento para, de forma simples e objectiva, criar oportunidades de golo.  Aliás, a facilidade com que as equipas adversárias vão encontrando esses espaços, tem sido assustadora.

Na fase de construção ofensiva, a movimentação sem bola é inexistente, seja qual for o jogador que transporta a bola. Dou como exemplo os momentos em que a bola cai num dos extremos: se o extremo recebe a bola com um defesa na pressão, alguém tem de aparecer a dar linha de passe, seja ela uma linha segura, seja uma desmarcação do lateral nas costas (o tal overlap), que obrigue o defesa a ter de tomar uma decisão de seguir extremo ou lateral, criando uma possível vantagem. Mas no F.C.Porto actual, parece que todos os jogadores ficam petrificados a ver o que decide o colega com bola. E surgem inúmeras tentativas de 1x1 falhadas (e não é só Quaresma que o faz). Foi assim durante a quase totalidade dos 90 minutos com a Olhanense. A nível de movimentação colectiva, este jogo foi dos piores que já vi esta época. Pensava que tínhamos ficado com esse rótulo no jogo em Coimbra, mas afinal conseguimos ser piores durante a época. E aqui, não posso culpar o posicionamento das pedras em campo (com ou sem triângulo invertido), mas sim o comportamento dessas pedras durante o jogo. O bê-a-bá dos desportos colectivos é sempre, SEMPRE, a movimentação colectiva, com e sem bola. O "passa-e-vai" que aprendemos nas aulas de Educação Física não é mais do que o princípio base dum jogo de futebol (por exemplo), repetido vezes e vezes sem conta durante 90 minutos, nos diferentes espaços do terreno. Se uma equipa não o consegue fazer de todo (!), fica sempre mais longe de ganhar, independentemente da qualidade individual dos intérpretes.
Deixo-vos agora com um pequeno clip do primeiro jogo oficial da época (Supertaça) e convido-vos a observarem algumas das jogadas que criámos nesse jogo:


Parece-vos a mesma equipa de que vos falo mais atrás?
Os contantes overlaps entre Fucile e Varela (nesse jogo diabolizaram o defesa esquerdo do Vitória), criaram constantes vantagens no flanco direito.
Na área, aparecem quase sempre Jackson, Licá e Lucho em zona de finalização, e os 3 golos nascem precisamente destes 3 jogadores, e no seguimento de jogadas pelo corredor direito.
Licá, jogando com mais espaço e explorando os movimentos em velocidade até parece um jogador com qualidade (que continuo a achar que é, nessas movimentações específicas).
O lateral a jogar em 2x1 com o extremo, ou o extremo com o avançado, ou o médio interior, e a conseguir ganhar vantagens.
Linha defensiva muito subida, ganhando as segundas bolas após corte da defensiva adversária.
Velocidade na circulação, e acima de tudo MOVIMENTAÇÃO SEM BOLA!

Obviamente não podemos retirar a dimensão psicológica de um e outro jogo mas não deixa de ser curioso questionarmo-nos como, a mesma equipa, jogando em esquemas tácticos distintos, consegue fazer dois jogos tão antagónicos.
Preparação física deficiente? Deficiente preparação mental? Erros crassos a nível da orientação técnica? Falta de profissionalismo dos jogadores?
Tudo isto é válido, e está aberto a debate (a caixa de comentários está à vossa disposição).
Mas é incrível como estes dois jogos podem pertencer á mesma época desportiva.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

F.C.Porto vs Benfica (Taça da Liga)

Por volta dos 60 minutos da 2ª parte deste jogo, virei-me para o amigo sentado ao meu lado no Estádio e disse "Vamos a penalties e perdemos...". Torna-se num exercício de paciência, de capacidade de encaixe, de sanidade mental, ver o Porto jogar esta época. A equipa consegue ser incompetente em tantos capítulos do jogo que começa a ser complicado não terminar o jogo com dois princípios de ataque cardíaco. Fomos melhores? Fomos. Fizemos muito mais para conseguir ganhar o jogo? Sem dúvida. Mas o futebol está recheado de jogos como o de hoje, e a verdade é que fomos muito, MUITO incompetentes no capítulo da finalização. De novo. E voltámos a sucumbir, a ser perfeitamente incapazes, ridículos até, jogando uma enormidade de tempo contra 10. De novo. 


Desde cedo se percebeu que o Benfica vinha ao Dragão apostado em defender e contra-atacar (com menos intensidade do que noutros jogos, evidentemente) e conseguir, acima de tudo, poupar as principais pedras para o jogo de próxima 5ª feira. O Porto jogou na sua "máxima" força, e fez uma 1ª parte agradável, criando oportunidades suficientes para estar a ganhar por 2-0 ao intervalo. Embora com alguns dos erros costumeiros neste Porto 13/14 - quantidade estúpida de passes errados, lentidão na circulação de bola, pouca mobilidade sem bola - e aproveitando o facto de Steven Vitória ser um jogador lento, fomos conseguindo explorar algum espaço do lado direito da defensiva encarnada, que só por uma miserável capacidade de finalização do melhor marcador (!) da nossa equipa na presente época não resultaram em golo. 


Aos 32 minutos Steven Vitória foi expulso (parece-me que correctamente) e talvez tenha sido isso o pior que nos aconteceu, visto que entrou Garay para o lugar de Lima (aqui Jesus foi bonzinho, ao deixar-nos com Cardozo sozinho na frente), e a defesa encarnada estabilizou. 
Na 2ª parte assistimos a uma repetição do que se passou há uns tempos na Luz: muita posse de bola, muita lateralização do jogo, mas pouco volume ofensivo, poucos movimentos de ruptura, muitos passes em profundidade ridículos e ... incapacidade de finalizar ou de aproximação à área adversária. Nunca conseguimos aproximar-nos sequer de fazer uma jogada de real perigo e se é verdade que Fabiano foi um espectador durante todo o jogo, Oblak, na 2ª parte, viu sempre a bola longe da sua área. Quintero entrou para dar mais alguma capacidade de destruir a organização defensiva do Benfica (fortíssima, por sinal), e esteve bem (consegue fazer passes em profundidade certinhos, ao contrário de TODOS os outros companheiros) mas confesso que não entendi a entrada de Ghilas para aquela posição - nem a saída de Quaresma - ou até a entrada de Ricardo naquela altura do jogo. 
Nos penalties, como já temia, veio ao de cima o momento psicológico de cada equipa. Ainda assim, continuo a não achar admissível que uma equipa profissional, mantenha um registo tão miserável nos pontapés dos 11m. 
Perdemos. De novo. Desta vez, uma das poucas em que fomos superiores ao adversário. E lá fomos nós, cabisbaixos, tristes, humilhados. De novo. A rezar para que Agosto chegue rápido... 

( + ) Positivo

  • Herrera - principalmente pela 1ª parte que fez. Soube explorar o espaço do lado esquerdo do ataque, e foi ele o grande dinamizador das jogadas ofensivas construídas nesse período. Soube subir com critério e fazer as tais rupturas nas costas da defensiva encarnada. Esteve também muito bem na pressão e recuperou bastantes bolas em zonas importantes. Na 2ª parte perdeu algum fulgor - e quando se apaga, é a qualidade do passe que mais se ressente -, mas continuo a achar que, com um treinador adequado, pode ser um belíssimo jogador. O potencial está lá.



  • Maicon e Mangala - é certo que se tratou dum jogo em que tiveram menos trabalho, devido ao facto de terem jogado grande parte do tempo em clara superioridade numérica face ao ataque encarnado, mas defensivamente estiveram irrepreensíveis. Continuam a ter as paragens cerebrais que tanto nos assustam, e parece sempre que a qualquer momento podem perder a bola em zonas fatais. Quando estão sob pressão tendem a fazer passes que raramente chegam a alguém da mesma equipa, mas pelo menos nenhum deles se chama Abdoulaye, o que esta época já é um factor positivo. 


( - ) Negativo

  • Jackson - ABSOLUTAMENTE MISERÁVEL. Posso ainda estar a escrever um pouco a quente mas, para mim, a carreira deste menino no Porto acabava aqui, hoje, já! Dava-lhe o bilhete de avião, e desejava-lhe toda a sorte para o clube para onde o vendermos. Jackson é dos jogadores que vai falando muito e decidindo pouco. Registo que nos jogos mais importantes que tivemos nestas 2 épocas, fez sempre muito pouco. Recordo que, no ano passado, já a brincadeira das grandes penalidades nos podia ter custado o título. Um avançado não pode nunca desperdiçar 3 oportunidades daquelas, no decorrer do mesmo jogo, e ainda ir a tempo de atirar um penalty para a Superior Sul, numa altura em que nos podia dar a vantagem. Provavelmente este menino mimado vai para casa, vai dormir em paz, pensar que já falta pouco para o Mundial e para assinar um contrato chorudo por um qualquer clube grande dessa Europa, enquanto nós temos de ultrapassar nova humilhação. Facilitem-lhe a vida. Boas férias, Jackson!



  • Luís Castro - já havia achado isso no jogo na Luz, e volto a achar hoje. Aquilo que corrigiu ao fazer entrar Quintero mais cedo, desfez depois com a alteração de Ghilas por Quaresma - que nem estava num dia de nota 20, mas também não estava o Quaresma complicativo e brincalhão de outras alturas. Que sinal terá passado à equipa quando fez troca por troca, deixando Danilo a assumir o corredor todo até rebentar? Não Conseguiu ver que nos faltava - como faltou na Luz - um elemento que pudesse dar outras soluções de passe entre as duas linhas defensivas encarnadas? E Ghilas, tem sempre de ser extremo porquê? Para dar profundidade?? Ghilas?? Porque não arriscar dois avançados, quando temos mais um jogador e a equipa adversária abdicou de atacar? E aquela entrada de Ricardo, com tão pouco tempo para jogar? Nao entendi caro Professor.



  • Falta de "cojones" - numa época igualmente miserável, 04/05, estávamos nós a viver uma crise de resultados e exibições, com um dos plantéis mais caros de sempre do futebol português, e quem tem a grande penalidade decisiva é Pedro Emanuel, conhecido por tudo menos pelas qualidades de goleador. Mas quem encara daquela forma a bola e a baliza (tenho em mente que ele nem quis saber se havia ou não guarda-redes do outro lado), sabemos que não pode - não vai! -  falhar. E antes disso já tinha sido Ricardo Costa - outro mago goleador - a pôr a redondinha no fundo da rede. Bons tempos esses... Hoje, meus caros, na altura de marcar penalties, virados para a imensa claque azul e branca, os de vermelho não tremeram. Encararam a nossa baliza e o mar de adeptos visitados como Pedro Emanuel encarou a baliza dos colombianos, há 10 anos atrás. Os nossos tremeram tanto que dava para ouvir os ossos a bater uns nos outros. Mesmo com os dois falhanços dos adversários, conseguimos não aproveitar para passar para a frente. Incompetência. Ponto final!

  • Contra 10 - a maior expressão da incompetência duma equipa. Incapacidade total para aproveitar a superioridade numérica, em casa, contra um adversário que só queria sair daqui sem lesões e sem se cansar muito. Bravo Rapazes!


Os nossos jogadores têm, neste momento, medo da própria sombra. Medo que o céu lhes caia em cima. Medo de acertar, de errar, de arriscar, de ganhar ou de perder. Têm medo! João Pinto, Paulinho Santos, Jorge Costa perderiam mais de meio jogo a berrar e a esbofetear alguns dos artistas que envergam (muitas vezes tão mal) o nosso manto azul e branco. Precisamos que isto termine rápido. Precisamos que o recomeço venha ainda mais rápido. Precisamos de nem ouvir falar de futebol, treinadores, contratações até ao 1º jogo da próxima época. E precisávamos deste banho de humildade. O Porto (jogadores, dirigentes e adeptos), ficou perdido em festejos algures na época passada. Tornámo-nos naquilo que mais nos enojava: arrogantes. Gozámos com as finais perdidas pelo nosso maior adversário, que esteve em 3 delas, contra 1 nossa. Este ano podem ainda ganhar 4. Nós sabemos desde já que vamos ficar a zero. Foi uma época que começou por ser de alguma esperança, passou para ser medíocre, depois evoluiu para má e termina como a mais humilhante de que me recordo. Hoje fomos humilhados, de novo, pelos nossos maiores rivais. Merecidíssimo caros portistas. Que nos sirva de lição.