Duelo de líderes, em Guimarães, nesta 4ª Jornada da Liga Portuguesa. Face à longa paragem nas competições domésticas para jogos das selecções - algo que, nesta fase inicial dos campeonatos, me parece absolutamente ridículo - havia alguma expectativa face ao que poderia produzir o nosso F.C.Porto, desta vez sem a magia de Oliver no meio-campo. Não fomos péssimos mas também não fomos totalmente competentes, e perdemos pontos contra uma bem orientada e "espremida" equipa de Rui Vitória.

Os primeiros 30 minutos foram... um bocejo. Do nosso lado, jogo lento e previsível, muito por culpa dum meio-campo desorganizado e sem ideias, com demasiados maus passes e falhas de posicionamento que chegaram a enervar. Terminámos a 1ª parte com uma quantidade anormalmente baixa de ataques e permitimos quase o mesmo número ao adversário. Não fosse Brahimi (a demonstrar mais credenciais a cada jogo que passa), a desequilibrar nas suas diagonais venenosas, e a solidez defensiva demonstrada e dir-se-ia que não estivemos em campo. Depois da paragem devido aos lamentáveis incidentes registados na bancada dos adeptos da casa notou-se uma clara melhoria na produção. Fez-nos bem o "time-out"! Nesses últimos 15 minutos conseguimos ter mais bola, chegar mais vezes com perigo e podíamos até ter marcado por Brahimi. O resultado ao intervalo espelhava o equilibrio que se registou, e castigava o nosso aparecimento tardio no jogo.
A 2ª parte foi claramente melhor, houve mais velocidade na circulação e mais bola, mas o ponto de viragem na partida foi a entrada da Evandro, que veio dar um elemento de ligação ao ataque ate então, inexistente. Brahimi e Ángel - que desta feita fez um jogo bastante positivo - fizeram a cabeça em água ao lado direito da equipa vitoriana, e duma das arrancadas de Brahimi resultou o penalty que deu a Jackson o golo. Confesso que dada a serenidade evidenciada nos processos defensivos, não pensei que os da casa fossem capazes de chegar ao empate. Acabaram por chegar num erro individual clamoroso (que ingénuo foi Jackson...) e, pese embora as jogadas que criámos até final, que deixaram uma clara ideia de que poderíamos ter ganho com facilidade, acelerando um pouco o jogo, o resultado não mais se alterou. Um castigo justo para a forma amorfa como, mais uma vez, entrámos no jogo, e para a inoperância do nosso meio-campo durante largos períodos.
Repito, a ideia geral com que fiquei foi que com mais alguma velocidade na circulação e com um elemento como Evandro como titular, a comandar o meio-campo e a criar linhas de passe seguras para subirmos no terreno sempre bem apoiados, poderíamos e deveríamos ter saído de Guimarães com os 3 pontos. Saímos com 1... Foi como pedir um fino e darem-nos Sagres em garrafa. Ou como comer francesinha sem linguiça e com bife de perú. Meh...
(+) Positivo
Maicon e Indi - Um belo jogo destes senhores. Sempre seguros nas coberturas, e impecáveis na marcação ao irrequieto Tomané. Sendo certo que continuam a evidenciar não serem "Iniestas" na fase de construção, nota-se já algum trabalho na nossa dupla. Mais jogo simples quando é necessário (evitando aqueles 10 minutos de calafrios como contra o Marítimo, por exemplo), e alguns passes mais verticais que ajudaram a abrir espaços lá na frente. Acima de tudo, muita segurança (especialmente Maicon). Gostei!
Brahimi - Que jogador incrível! Foi o grande motor da nossa equipa, mais uma vez. Quando joga na esquerda, revela ter uma capacidade técnica apurada e uma velocidade de execução estonteante. É capaz de desmontar teias de adversários com uma facilidade desarmante e, mais importante, nunca perde o sentido colectivo do jogo, procurando sempre jogar e tabelar com os companheiros. MVP deste jogo!
Jackson pelo golo - Outro golo do nosso renovado goleador. E de penalty!! Será desta que a nossa "diarreia mental" dos penalties termina?
Evandro - Começa a ficar complicado perceber a razão pela qual o nosso médio mais inteligente não é titular. A diferença abismal de qualidade de jogo após a sua entrada diz tudo. Joga bem, joga simples, faz jogar, equilibra a equipa, define quase sempre muito bem e tem uma tranquilidade que chateia. Parece Herrera... Ou Casemiro... (suspiro...)
Solidez Defensiva - Já na 2ª parte perdemos uma bola ainda no meio-campo defensivo. O estômago, ainda em ressaca da época passada, de imediato se encolhe até ficar do tamanho duma avelã. A equipa reage rápido e consegue de imediato colocar ganhar superioridade numérica e obriga o adversário a falhar. Bola nossa de novo... Que saudades de sentir segurança. Relembro que, fora um canto que Fabiano podia ter defendido com o cordão da chuteira e um livre mais perigoso, não me recordo de ver - neste jogo e em vários anteriores - o adversário a ter ocasiões claríssimas para marcar, ou a jogar com à vontade no nosso meio campo. 20 remates de longe? Venham eles...
(-) Negativo
Quintero - Já se percebeu que Quintero é um 10 à antiga. Gosta muito de ter bola e tem uma técnica acima da média. Percebe-se que aquele pé esquerdo é um tratado. Mas o futebol joga-se em muitas outras vertentes. Não tem cultura táctica para jogar a meio-campo, mas também não consegue assumir de forma competente o posto de avançado interior. Muitos "rodriguinhos", uma incapacidade alarmante de jogar "por fora", com o pé menos dotado, muita preocupação em querer decidir tudo a cada lance e muito pouco futebol. Cheguei a desejar que fosse Adrián daquele lado...
Casemiro - Demasiado lento, demasiado complicativo e com péssimos timings de abordagem aos lances. Nota-se que sem uma referência segura a meio-campo, tanto ele como Rúben parecem perdidos e desposicionam-se bastantes vezes na fase de transição defensiva. Tem um físico portentoso mas demora muito a perceber qual a melhor opção. Precisa de jogar simples e, vá, quando estiver em posição frontal arriscar um remate à baliza, que não lhe faz mal nenhum. E já agora, procurar não abusar das "faltas tácticas". E emagrecer. Ok?
Herrera - Podemos deixá-lo jogar com a camisola do México? Herrera dá a ideia de ser um óptimo médio box-to-box, com boa capacidade de transportar a bola e confortável com um jogo mais vertical. Parece perdido na nossa teia de "segurança" na construção, errando um número ridículo de passes (alguns deles em zonas de morte), raramente conseguindo desequilibrar as densamente povoadas zonas intermédias de 99% das equipas do nosso campeonato. Foi doloroso ver a quantidade de péssimas decisões que tomou sempre que conseguiu chegar com bola ao último sector do Vitória. Um desespero! Muitos furos abaixo de Evandro, seria a minha escolha para dar o lugar ao brasileiro.
Lopetegui - Mister, adoro ver a forma incansável como segue as incidências do jogo. Tem dado para perceber que a malta tem trabalhado para evitar certos erros que evidenciámos nos jogos de preparação e no primeiro ciclo de jogos desta época. Mas, porra! Se houve coragem para apostar no Rúben, e para confrontar o vedetismo do Quaresma, também tem de haver "cojones" para sentar o Herrera e/ou o Casemiro e ver como funciona com o Evandro! Não podemos continuar a dar primeiras partes de avanço aos adversários. Se a ideia é ter bola e construir com segurança, construamos, mas com mil raios, ganhemos facilmente este tipo de jogos... Ah, e aquela substituição aos 89 minutos teve laivos de Paulo Fonseca. Não sei se ouviu que o rapaz passou mal aqui...
Jackson no penalty cometido - Numa palavra: menino! Desculpa mas foste mesmo "anjinho". Tínhamos o jogo na mão. Ah, e aquele falhanço aos 84 minutos não pode acontecer. Parecias um avançado da Selecção Nacional.
Consegui fazer toda esta crónica sem analisar o trabalho das bestas quadradas que nos apitaram. Curiosamente, enquanto todo o mundo brada aos céus o fora-de-jogo mal tirado ou o(s) penalty(ies) que ficou(aram) por assinalar, deixo aqui uma opinião diferente. Se calhar nem foi a parte pior, vá... Perto dos 20 minutos, o Porto ganhava 11-2 em faltas. 11!! Cheguei a pensar que íamos terminar o jogo só com Fabiano em campo. Ao fim e ao cabo, é assim que se controla jogos. Com dualidade de critérios. Com a marcação persistente de faltas que não o são, na tentativa de bloquear e irritar a equipa com melhores intérpretes. Foi um desses jogos.
Não sou mau rapaz mas confesso que não me importava se o senhor tivesse qualquer tipo de azar, como por exemplo tropeçar enquanto atravessa o tabuleiro superior da Ponte D.Luis e, na queda, ainda acertar no tabuleiro de baixo com os queixos. E sobreviver. E viver com dores para o resto da vida. Lá está, todos têm direito de errar. Se o homem erra em 2 lances - mesmo que capitais -, um gajo deseja-lhe coisas más na mesma mas acaba por compreender. Assim é feio de mais.
Continuo, porém, a considerar que deveríamos ter ganho o jogo facilmente, mesmo aqueles bandalhos a fazer tudo para nos complicar a vida.
P.S.: A acompanhar a queda da ponte, bem podia ir o João "Obeso Mórbido e Prestes a ter um AVC" Gobern. Quebrei a promessa de nunca mais ver programas televisivos de futebol por uns segundos e fiquei logo assim!