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domingo, 18 de janeiro de 2015

Penafiel vs Porto

Três pontos arrancados numa espécie de jogo de futebol.

Como disse Lopetegui: "não foi futebol, foi outra coisa, foi intuição". Num terreno impraticável que mais se assemelhava às trincheiras nazis no desembarque da Normandia, o Porto encontrou capacidade para ter, ainda assim, momentos de classe. Oliver e Jackson foram dois gigantes no lamaçal. Continuo a não perceber o ódiozinho de estimação que muitos adeptos têm a Lopetegui. Este jogo provou mais uma vez que estamos num bom caminho e que estamos em boas mãos. Foi um Porto de garra e de entrega que ganhou o jogo. E quando foi preciso trocar Quaresma por Marcano, não houve vergonha, porque o que era realmente necessário era combatividade e não classe. Se na primeira-parte houve ainda algum futebol, na segunda foi ter capacidade para segurar a bola quando ela caía na lama e deixar o tempo passar. Vitória importante com esperança de que amanhã na Madeira os "outros" tropecem e caiam de nariz no chão.

(+) Positivo 


Óliver - É um prazer vê-lo jogar. Seja no nosso relvadinho fofinho do Dragão, seja nesta espécie de relvado que o Penafiel possui. Dos emprestados é claramente o mais forte e o que mais gostava que permanecesse no plantel na próxima época.  É completamente determinante neste Porto de Lopetegui. Quem alinha numa vaquinha para pagar a clausula ao Atlético?

Jackson - O colombiano é um jogador tremendo. Marca golos atrás de golos mas para mim é no que trabalha sem bola/para a equipa que me faz gostar dele. E hoje consegui ter pormenores técnicos absolutamente deliciosos. Comecem a preparar os lenços malta. Este, vai deixar saudades no final da época quando embarcar no Sá Carneiro...

Garra e vontade de ganhar - Para todos aqueles que atacam diariamente Lopetegui por todas as razões que a lógica desconhece, revejam o jogo e ponham a mão na consciência.

Lopetegui - A substituição de Quaresma por Marcano pareceu à primeira vista algo descabido. Mas foi meter a tranca na porta porque o dia não era para manter a posse de bola no meio-campo adversário. Gostei mister. Não houve vergonha em querer ganhar de outra maneira.

(-) Negativo 


Casemiro - É o jogador que menos simpatizo do plantel. Sim, até menos que o Adrian Lopez. Porque até o espanhol no meio de tanta atrapalhação consegue ter alguma classe. Seja nas recepções ou nos passes. Agora o brasileiro é simplesmente alguém que gosta muito de bater e tentar ser mauzinho a defender. O amarelo que viu hoje, sem necessidade nenhuma, num lance ainda cedo na primeira-parte era coisa para me fazer tirá-lo do campo com uma única questão: para quê?

Relvado do Penafiel - Como é que é possível ser permitido jogar nestas condições?


PS: É incrível como numa questão de minutos criou-se a ideia entre noticias e redes sociais de que o Porto foi beneficiado neste jogo. Depois do que tem sido este campeonato, irrita-me, enoja-me, revolta-me que a teoria de Goebbels impere. E todos menos Lopetegui permanecem em silêncio... 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

BATE vs F.C.Porto - Champions

Nada me dá mais gozo do que ver um jogador mal-amado de alguma da massa adepta do nosso clube (e de tantos entendidos em futebol que vou lendo por essa bluegosfera fora) fazer uma exibição como a que Herrera realizou hoje. Soberbo! Só isto, por mim, valeu todo o jogo.

Imagem retirada do site d'O Jogo.

Confesso que não consegui acompanhar toda a 1ª parte mas, do pouco que consegui ver e aquilo que fui ouvindo no relato, parece-me que foi tudo muito morno. Quiçá "congelados" pela temperatura fresquinha de Borisov, os nossos jogadores sentiam dificuldades em ligar jogadas, provocar desequilibrios, frente a um adversário que parecia apenas querer evitar repetir a goleada da 1ª volta. Embora tenhamos, sensivelmente a partir dos 25', "estacionado" no meio campo advsersário, esacassearam as oportunidades de golo (o nosso primeiro remate, que não foi á baliza, foi aos 34') e o nulo ao intervalo premiava o a táctica de contenção do BATE e a nossa incapacidade de provocar desequilíbrios no último terço do campo.

A 2ª parte foi bastante diferente, principalmente pela capacidade da nossa linha média de pressionar mais à frente, aproximando-se mais da linha ofensiva, oferecendo linhas de passe por dentro, que obrigavam os bielorussos a cometer mais erros. Com Herrera absolutamente endiabrado, Óliver sempre agressivo nas recuperações e inteligente na leitura ofensiva, e Casemiro a "varrer" tudo cá atrás foi sem surpresa que conseguimos chegar mais vezes perto da área contrária. O golaço de Herrera abriu as hostilidades, perto dos 10' da 2ª parte, e teve o condão de obrigar a equipa contrária a abrir mais espaços. O 2º golo, de Jackson (após primoroso trabalho e assistência de Herrera), decidiu o jogo.  De forma atabalhoada, o BATE tentava chegar mais à frente, permitindo-nos inúmeras recuperações de bola e consequentes contra-ataques que deixavam a defensiva contrária em "frangalhos". O último golo, de Tello, foi o corolário de uma 2ª parte de nível de Champions: segurança e eficácia de um nível a roçar a perfeição.

Sigamos para las notas.


(+) Positivo

Herrera - De forma incontestável, o MVP. Eu próprio devo confessar que este homem já me tirou do sério uma ou outra vez. Mas a verdade é que o mexicano tem dado provas de crescimento, melhora de jogo para jogo, e vem provando que é capaz de ser um elemento fundamental para o equilíbrio do nosso meio-campo. Herrera corre quilómetros, tanto em apoio ao ataque como em funções defensivas. Neste momento erra muito menos passes e, melhor ainda, é capaz de efectuar aberturas primorosas com um à-vontade desarmante. Hoje, marcou um golaço, num movimento que raramente vemos jogadores nossos arriscar (e com sucesso), num remate portentoso, cruzado, a resultar num tento de belo efeito. Mas as assistências então foram sulbimes. Na primeira, uma demonstração de técnica individual, na forma como fez a recepção de bola, temporizou e virou simples para Jackson. Na segunda, um passe "a la Xavi", a rasgar completamente a defensiva contrária, apanhando Tello no momento perfeito da veloz diagonal que desenhou a partir do flanco direito. Herrera está em grande. Herrera, o tal "feio", "orelhudo", "tacticamente pouco inteligente", "picareta", "mau jogador", demonstrou hoje que, no futebol, não há verdades absolutas nem são justos os "julgamentos sumários" que se fazem aos jogadores. Ainda tem muito por onde melhorar, mas acredito que tem a mentalidade certa (e a orientação técnica adequada) para o fazer. Parabéns!

Casemiro - Outro jogador bastante criticado desde o início, que vem demonstrando francas melhorias. Neste momento aquela linha mais recuada do meio-campo é toda dele. Parece mais rápido, mais controlado nos confrontos físicos, inteligente na forma como protege a bola e ganha faltas quando precisamos de "respirar" e um verdadeiro organizador de jogo, de cada vez que baixa para receber a bola dos centrais.

Indi/Marcano - Há um lance na 2ª parte em que somos apanhados em contra-pé, e a forma como Indi e Marcano abordam o lance, sem se desposicionarem, obrigando o avançado a ir lateralizando o movimento, deixando-o à mercê dum desarme simples, e dando tempo a Danilo de ajudar a fechar, deixou-me estranhamente descansado. São portentos de jogadores? Não, longe disso. Mas cometem poucos erros, e dão-me uma sensação maior de segurança do que qualquer outra "dupla" até agora. 

Óliver - Uma carraça em busca da bola; um génio na forma como dá linha de passe e toma, quase sempre as melhores decisões. Jogadorzaço este piqueno! Fazemos uma "baquinha" para comprar o rapaz no final da época?

Nível de Champions - Exibição sólida, eficácia tremenda, vitória incontestável. Na Champions não há espaço para contemplações, não há meias-vitórias - joga-se, ganha-se, period.




(-) Negativo

Quaresma - Não quero que pareça que estou sempre a bater no rapaz (até porque hoje é uma meia critica). Quando colocado a jogar desde início, raramente vemos o melhor Quaresma. É um facto! Não é perseguição nenhuma! Hoje tivemos mais uma demonstração desta versão Quaresma 90', menos fulgurante do que a versão Quaresma 20 ou 25'. É preciso arriscar, concedo isso, e Quaresma é um jogador de riscos. Mas arriscar remates de pé esquerdo, com um defesa mesmo ao lado, ainda longe da baliza, com colegas melhor posicionados talvez seja de mais, não? Se a isso juntarmos que quase nenhum cruzamento saiu em condições, conclui-se que o nosso "ciganito" teve uma noite não. E Tello, em bem menos tempo, fez bastante mais...

Fabiano - Tenho elogiado o trabalho que a equipa técnica tem feita com o brasileiro, como se constata na melhoria do jogo de pés. Hoje não gostei de o ver a facilitar, por duas vezes. Num jogo mais do que controlado, poderia ter dado origem a calafrios que tantas amarguras nos têm trazido nos tempos mais recentes. Olha para o Marcano caro Fabiano, e quando vires que estás apertado, "chuta para onde estiveres virado".

BATE - Não serve como justificação para nada, porque nada retira mérito a nova vitória na Champions, mas esta equipa é, sejamos justos, fraquita. Inoperante em termos ofensivos, limitada técnica e tacticamente, com um nível muito abaixo daquilo que se pode esperar numa competição desta envergadura. Não facilitámos um milimetro que fosse, o que foi óptimo e diz muito do espírito competitivo da nossa equipa (e Deus sabe que esta época, uma equipa que joga de xadrez e que talvez seja um tudo ou nada mais fraca do que o BATE já nos deixou a 0), mas constato só o facto de termos defrontado uma equipa com demasiadas limitações. 


E aí está -  5º jogo, 4ª vitória, 13 pontos e 1º lugar do grupo garantido, após a derrota do fraquíssimo Shakhtar contra o fraquíssimo Athletic. Mais 1M€ no bolso, e a certeza de que na última ronda podemos aproveitar para dar minutos de jogo a rapazes que ainda não tiveram oportunidade nesta competição. A certeza de também estarmos sólidos, funcionarmos cada vez mais como um colectivo e aquela esperança de finalmente encetarmos uma série de jogos com vitórias e exibições que não deixem sequer espaço para dúvidas.

Termino com uma observação, que acho pertinente e honesta. O BATE é fraquito, mas também o eram o Artmedia, que nos limpou o sebo na era Adriaanse, o APOEL, que conseguiu anular o "futebol tacticamente perfeito do recém-promovido Mestre da Táctica II/Conselheiro de Guardiola", Vítor Pereira, ou até o Wrexham, Molde ou Anderlecht. Convém não esquecer que outros treinadores, tão amados pela nossa exigente massa adepta, com plantéis igualmente bons, cheios de soluções e muito superiores a alguns destes adversários, tombaram com estrondo. Depois duma época de recordes negativos, convém começar a dar algum mérito ao Julen por estes resultados. É que desconfio que o rapaz já não estaria por cá, tivessem os resultados dele nestes jogos sido semelhantes aos de outros.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estoril vs F.C.Porto

Não será novidade para ninguém, mas confesso que gosto de Lopetegui. Porque sim. E ainda me dá mais gozo gostar de Lopetegui quando o vejo ser saco de pancada um pouco por todo o lado; admiro que (até agora) vá resistindo firmemente à vergonhosa perseguição que lhe tem sido montada, quer pela CS, quer pelos adeptos (?) do próprio clube. Mas devo confessar que no passado Domingo o MEU treinador me desiludiu. MEU treinador, leram bem, porque é MEU quando ganha de forma categórica em Bilbao, da mesma forma que é MEU quando perde em casa com Sporting ou perde pontos no Estoril. 


Depois de uma fase de crescendo exibicional, muito à custa da estabilização do meio-campo com Casemiro, Herrera e Óliver/Quintero, surpreendeu Julen ao colocar Adrian no apoio a Jackson, num 4-4-2 que, na prática, evoluía para um 4-2-4, bem largo mas com falta de poder de pressão e recuperação rápida da bola. O Estoril é uma equipa mediana, orientada por um treinador mediano, mas já se sabe que é com um recuar das linhas e povoamento do corredor central que este tipo de equipas nos tenta resistir; foi precisamente por aí, na minha óptica, que acabamos por não ter o controlo absoluto das operações. Acredito que a ideia fosse ter Adrian ou Jackson a recuar um pouco e funcionar como ponto de ligação entre meio-campo e ataque, permitindo assim chamar jogadores do Estoril para a zona central, libertando Quaresma, Brahimi, Danilo e Alex. Mas o que se viu foi que os dois avançados pareciam estar a ver-se pela primeira vez, sem saber muito bem que espaços ocupar nem definir bem as jogadas. Aqui, batam-me (!) sobressairam pela negativa Jackson, sem bola e Adrián, com bola. 

De qualquer forma, foi um F.C.Porto dominador que esteve em campo, e só no período pós-golo se viu algum vislumbre da equipa contrária. Havia, por exemplo, quem pensasse que tínhamos ido sem guarda-redes, tamanho o tempo que passeávamos no meio campo ofensivo. Obviamente que, como sempre tem acontecido, as equipas que jogam contra nós têm um aproveitamento absolutamente esmagador das raras jogadas de ataque que conseguem organizar, e a injustiça do 1-1 ao intervalo talvez castigasse em demasia um período de 10 minutos de perda de controlo das operações. 

Pensei mesmo que o meu caro Lopetegui fosse resgatar Oliver ou Quintero do banco, procurando dar algum suporte a Herrera e Casemiro nos momentos de posse, e dar mais algum trabalho ao duplo-pivot montado por Couceiro para tapar a zona central. Para meu espanto, não se vislumbrou qualquer alteração ao intervalo, e prosseguimos até aos 60' com um duo avançado a atrapalhar-se mutuamente, e com um jogo extremamente ofensivo mas, quiçá, demasiado lateralizado. Ainda assim, nesta altura, Maicon e Indi jogavam na linha de meio-campo, estando todos os 11 jogadores do Estoril remetidos para uns 30, 40m de terreno. Foi um período dum sufoco incrível! Conseguíamos furar o bloco, conseguíamos espaço para cruzar, mas o desacerto nos cruzamentos ou a inenarrável hesitação na hora de desferir um filho-da-puta-dum-pontapé-que-furasse-as-putas-das-redes-e-que-rebentasse-com-as-mãos-do-Kieszeck-pelo-caminho foram deixando o resultado na mesma. Lopetegui mexeu, desta feita mal, retirando Casemiro e recuando Herrera para jogar ao lado de Quintero. Perdeu-se assim a nossa melhor referência posicional (Casemiro), obrigou-se Herrera a fazer o que (ainda) não domina (Bom posicionamento, sobretudo, defensivo), e Quintero viu-se obrigado a "pegar" no jogo demasiado de trás. No ataque, o mal-amado (e desinspirado) Adrián deu lugar a Jackson. Num período de adaptação ao novo meio campo, o Estoril conseguiu sair por duas vezes do seu meio campo (a sério, duas vezes durante 45 minutos...); como sempre acontece nos jogos contra o Porto, da 2ª vez, o 1º remate à baliza de Fabiano durante a 2ª parte deu origem a uma grande penalidade (para mim, clara) que Tozé converteu num impensável, injusto, exasperante 2-1. Até ao fim, tivemos ainda Óliver em campo (para o lugar dum central) e arriscou-se tudo o que havia e não havia na tentativa de salvar, pelo menos, um ponto. Tal foi conseguido, fruto do físico de Aboubakar e da genialidade de Óliver (e duma vista grossa sobre um penalty escandaloso - mais um - que não foi marcado a nosso favor).

No final, Kieszeck fez a defesa da sua vida, impedindo Jackson de dar justiça ao marcador. E aposto convosco que esse cabrão desse guarda-redes não volta a fazer uma defesa daquelas na vida, a não ser que seja contra o Porto. O que quiserem.

Let's go to the notes:

(+) Positivo

Casemiro e Herrera - entendem-se bem estes dois. Embora reféns do elemento criativo da ordem (Óliver, Quintero ou Evandro - suspiro!) foram chegando para as encomendas. Gostei de os ver a baixar, à vez, para iniciarem a construção, e de os ver a pressionar, cortar, ou dar umas traulitadas nas canelas adversárias sem grande azo a hesitações. São os indiscutíveis - neste momento, atente-se - do nosso meio-campo, muito por culpa da forma como têm vindo a entender-se.

Aboubakar - Há qualquer coisa neste rapaz que me faz acreditar SEMPRE que com ele em campo vamos conseguir marcar. Ou que vai conseguir enfiar bola, defesa e guarda-redes dentro da baliza num qualquer remate, ao mesmo tempo que segura dois adversários debaixo dos braços. Entendeu-se melhor com Jackson do que Adrián e a capacidade de combate deste gigante valeu-nos meio-golo.

Óliver - Classe, pura classe. Ter a frieza de marcar um golo (depois duma mão do adversário, que deu para ver da Lua), com aquela tranquilidade e facilidade não é para qualquer um. Depois, ir a correr buscar o esférico para se conseguir marcar outro golo é dum jogador "à Porto". Gosto deste miúdo! 

Equipa que nunca desiste - Há coisa de meio ano atrás, perdíamos uma meia final da Taça, depois de estar em vantagem, jogando contra 10 durante uma enormidade de tempo. Perdemos de forma inapelável em Sevilha, sem sequer um esboço de reacção, depois de levarmos uma vantagem de 1 golo de casa. Este ano, já vamos no segundo empate obtido no limite... Duma coisa os rapazes (e Julen) não podem ser acusados: falta de atitude competitiva.


(-) Negativo

Julen - Mal na abordagem à partida, do ponto de vista táctico, e mal a mexer nas peças durante o jogo. Julen teve um jogo para esquecer. Critico-o, porque merece, da mesma forma que o elogiei quando fez por isso. Acredito que a ideia fosse muito boa, ao obrigar a equipa adversária a levar com Jackson e outro avançado móvel em cima, mas a falta de entendimento entre os avançados foi demasiado má para que pudesse resultar. Quando ainda tinha tempo de corrigir, mexeu mal, coisa que raramente faz... Gosto da postura de Julen (a sério que gosto), sempre muito confiante nas suas escolhas e decisões, não permitindo veleidades a quem gosta de colocar TUDO (até a forma como respira), em causa. Mas mexer num sistema que estava a ganhar força, dinâmica, entrosamento foi já algo a roçar a teimosia e, por conseguinte, pouca inteligência. Não fez sentido mudar, não resultou, e lá se foram 2 pontos... Assim, caro Julen, pões-te um bocado "a jeito" dos críticos! 
Nota: Ainda assim, continuo a achar que dominámos o jogo de forma tão clara que é anedótico que tenhamos saído com um empate da Amoreira.

Maicon - Jogada do 1º golo do Estoril: a defesa sobe de forma desorganizada e deixamos Emidio Rafael em jogo; toda a gente desata a correr para trás, na tentativa de cortar linhas de passe (com sucesso), esperando que Maicon faça a contenção, e obrigue o Emídio a rematar de ângulo apertado, ou a tentar um cruzamento quase impossível para o meio do barulho. O que faz Maicon? Entra de carrinho (não se sabe bem sobre quem), dá tempo a Emídio de parar, pensar, tomar um café, e escolher para quem passar a bola. 5 épocas depois da sua chegada, continuamos à espera do Maicon-patrão-da-defesa-em-todas-as-pré-épocas-e-nas-4-primeiras-jornadas. Nunca aparece! Onde anda Reyes?

Adrián - Bom sem bola e fraco com ela. Demasiado hesitante. Muito pouco "intenso". Passa a ideia dum homem que está marcado á nascença para morrer, enforcado, em praça pública, e que quando lhe dão a oportunidade de fugir, prefere ficar dentro da sua cela, a escrever cartas à sua amada, afundado na mais profunda depressão. Tenho-o defendido com unhas e dentes mas... fica dificil. Ainda assim, gostava que dessem uma vista de olhos ao fantástico artigo do nosso amigo Jorge Vassalo. Adrián é dos meus, e vou estar com ele até ao fim (tal como o Jorge e mais meia dúzia de portistas).

Fabiano e as suas saídas, vá, estúpidas - Naquilo que Fabiano mais nos assustava, jogo de pés, tem tido uma evolução notável. (Claro que, importa dizer, essa evolução em nada se deve ao trabalho do treinador... Fabiano tem andado a treinar passes contra uma parede, em casa). Nas saídas da baliza, tem paragens cerebrais. E se nas bolas aéreas, a envergadura e poder físico vão fazendo com que consiga socar a bola e derrubar 3 colegas de equipa e 2 adversários no mesmo movimento, nas bolas em profundidade a coisa fica complicada. Já em Alvalade a sua saída da baliza foi, vá, estúpida e custou-nos um golo. Desta feita não foi diferente... Parecia um Elefante a "correr" em direcção a uma Lebre, que corria como se fosse perseguida por um Jacaré. Ainda Fabiano lançava o seu ar esgazeado à sua presa e já o meu estômago se contorcia! 

Quaresma - Roubar a bola aos colegas para marcar os cantos e os livres todos (sem qualquer resultado...). Começar a entrar em picardias com todos os adversários que lhe apareçam à frente. protestar com ar ameaçador toda e qualquer decisão do árbitro, pondo-se a jeito para cartões. O "velho" Quaresma de volta! Se conseguirem demonstrar o que de positivo podemos retirar desta atitude, força, carreguem nessa caixa de comentários.



2 pontos perdidos. Ponto final.

Sendo verdade que a exibição foi mais esforçada do que conseguida, não deixa de ser verdade que tudo fizemos (e só nós fizemos), para sair do Estoril com os 3 pontos. Arrisco-me a dizer que, num dia normal do Estoril (sem aquela eficácia ofensiva a roçar os 100%) teríamos ganho 3-0, facilmente. Mais do dobro dos ataques, dos remates, de situações de golo e quase o dobro da posse de bola deveriam ter chegado para as encomendas. Não chegaram... (E olhem que  no Domingo juro que vi quem tenha feito bem menos, tenha jogado bastante pior e mesmo assim tenha ganho). Sonho com o dia, em que também nós vamos poder jogar mal e porcamente e, ainda assim, ganhar. Também sonho com o dia em que todos os adversários, para além do Braga, se lembrem de jogar com tanto ímpeto, tanta vontade e tanta eficácia ofensiva contra os nossos rivais.  

Que Julen passe esta paragem para Selecções a pensar bem sobre as suas responsabilidades neste "desaire". Que se contrate uma psicóloga loira e boazona para cuidar de Adrián. Que se trabalhe até à exaustão aquele 4-3-3 e todas as possíveis combinações de meio-campo. Que ninguém se lesione nas selecções. Que se ponha Indi a dar porrada no Maicon de cada vez que lhe para o cérebro. 

Que se chegue ao jogo com o Benfica em novo crescendo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Athletic Bilbao vs Porto

Mais um dia. Mais uma alegria. Mais uma vitória. E terá sido provavelmente o melhor jogo do Porto esta época. Talvez não na qualidade do futebol jogado mas como equipa, em organização, em espirito de sacrifício e em entrega. Maicon e Óliver eram titulares num jogo que prometia ser combativo dadas as condições do relvado no San Mamés. E foi um Porto mandão durante toda a primeira parte. Mais qualidade na troca de bola, mais segurança e mais um par de oportunidades desperdiçadas por Jackson. E mais um penalty falhado... 


Era uma injustiça tremenda chegar ao intervalo com 0-0. Fabiano nem suou, e o Athletic o mais perto que chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que saiu pela... linha lateral. A segunda parte começava e o Athletic com duas mexidas conseguiu equilibrar a coisa, até que Brahimi em mais um momento de génio, foi pondo adversários no bolso e cruza para Jackson marcar o primeiro. Impressionante a cavalgada do argelino em modo "Epá que chaaaaatos, deixem nos lá marcar um golo". 1-0 mais que merecido, seguido pouco tempo depois de uma oferta basca, a fazer lembrar alguns golos sofridos no ano passado, que dava a Brahimi o segundo golo do jogo. 2-0 e a vitória parecia certa. Até ao final o mais perto que o Athletic chegou da nossa baliza foi num cabeceamento que ganhou um efeito esquisito e acabou por ao poste da baliza de Fabiano. Apuramento garantido com dois jogos por jogar e quase 18 Milhões garantidos. Onde andam os "profetas da desgraça"? 

(+) Positivo

Trio de meio-campo - CA JOGATANA MALTA! Casemiro a limpar (sem dispensar a habitual trolitada numa canela adversária), Herrera com o pulmão do costume e alguns passes muito interessantes (estás a dar tudo para me calar a boca, não estás Héctor? Na boa, continua!) e Óliver é mais completo que Quintero para jogos deste tipo. Foi o primeiro jogo em que senti haver realmente entendimento, equilibrios, compensações e muita vontade. Parece ser esta o trio certo para os jogos a sério. Talvez Quintero para jogos em casa muito fechados, mas SEMPRE com Casemiro e Herrera.

Brahimi - O "abre-latas" azul e branco. Aquela jogada é de classe mundial meus caros. São jogadas como aquela que me fazem acreditar que este mago vai cá estar muito pouco tempo... Esperemos que não carago! Ah, é também, depois de Deco, Quaresma e Hulk (por ordem cronológica) o saco de porrada dos adversários. Dass, que até irrita às vezes.

Jackson - Falhou duas ou três oportunidades de golo que não devia, mas a quantidade de porradinha que levou e a quantidade de bolas (ou melhor mísseis) lançadas desde a defesa que dominou, segurou, aguentando as cargas de Laporte e Gurpegui, para dar a um companheiro foi absurda. Grande exibição do capitão apesar do penalty falhado. 


(-) Negativo

Alex Sandro - Está a precisar de parar um joguinho, ir até à praia, beber uma caipirinha, almoçar uma picanha e... GANHAR JUIZO! José Angel merece a titularidade na Amoreira.

Jackson e os penaltys - Num lance que até me parece nem ser penalty (podem-me insultar na caixa de comentários mas aqueles lances são... meh) o capitão colombiano desperdiçou, YET AGAIN, uma grande penalidade. A qualidade técnica está toda lá mas parece faltar capacidade mental para aquele momento. Em conversa com o Z ontem dizia que Maicon (puxando da biqueira para assassinar guarda-redes) ou Danilo (com mais qualidade técnica) deviam ser os mais fortes candidatos a bater as grandes penalidades. 

Relvado do San Mamés - Ridículo para um jogo de Champions. Só isso. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sporting vs Porto

Mais um jogo sem vencer em Alvalade, mais um empate, mais alguns equívocos na equipa inicial e na batalha táctica do jogo (principalmente a meio-campo) e mais um jogo recheado de polémicas.



Jogar em casa dum adversário directo e entrar da forma desastrada como entramos, com um erro individual (mau passe de Rúben) e um descalabro colectivo na forma como fomos apanhados desequilibrados e ninguém soube compensar ninguém, aliado à saída fora de tempo e desnecessária de Fabiano, tornou o nosso início de jogo num pesadelo, do qual não conseguimos "acordar" até praticamente meio da 1ª parte. Raramente conseguimos subir com critério, houve demasiados passes sem nexo (há lá um de Casemiro que é uma aberração) mas, acima de tudo, uma falta de organização colectiva assustadora. Rúben e Casemiro raramente sabiam que espaços ocupar, e Herrera foi-se desgastando em demasia para tentar fechar portas a meio-campo. Os nossos laterais foram sendo "massacrados" com inúmeras situações de desvantagem numérica por deficiente ajuda por parte dos extremos e aqui destacou-se Alex Sandro pela negativa, a revelar as deficiências de posicionamento que não lhe víamos desde o ano passado, e sem pernas nem pulmão para aguentar com Carrillo. O Sporting pressionava de forma agressiva e inteligente, nunca deixando que os nossos jogadores tivessem tempo de rodar e encontrar apoios mais frontais, e o nosso jogo foi-se arrastando assim pela 1ª parte fora. Rematar pela primeira vez aos 20 minutos para a bancada e pela primeira vez com relativo perigo quase à meia hora de jogo é manifestamente pouco para um candidato ao título.

Lopetegui percebeu o erro e trocou quem deveria trocar ao intervalo. Um Rúben perdido em campo e um Quaresma praticamente inofensivo, e já com um amarelo após inqualificável entrada sobre Nani, só "porque sim" (começa a ficar complicado arranjar forma de te defender Ciganito...). Oliver e Tello vieram dar uma nova "alma" à equipa; soubemos ter mais bola, soubemos construir com maior critério (mesmo que a construção a partir dos centrais nos faça tremer tanto em algumas alturas), houve maior capacidade de pressão mas, acima de tudo, houve mais capacidade de jogar entre linhas, e de desequilibrar por completo a frágil defensiva leonina. Primeiro foi Jackson que, isolado tentou algo que pode ser considerado como "tiro ao boneco", mas uma sucessão de jogadas pela direita do nosso ataque culminou com o cruzamento que Sarr desviou para a própria baliza. Foi pena a lesão de Casemiro, que obrigou Lopetegui a improvisar com Reyes, e que nos retirou algum domínio enquanto nos readaptávamos à troca. Capel fez-nos congelar com uma "bomba" à barra, mas conseguimos terminar o jogo por cima, e Herrera ou Tello (jogada que devia dar direito a levar uns bons tabefes do Indi no balneário) poderiam ter dado um desfecho diferente ao jogo.

Empate que, tendo em conta a nossa 1ª parte, acaba por ser um resultado menos mau, mas que deixa aquele sabor amargo de voltarmos a não conseguir ganhar em Alvalade. E de termos o 4º empate consecutivo. E de estarmos a 4 pontos daquele lugar de que tanto gostamos.


(+) Positivo 

Oliver -  Bem-vindo de volta rapaz! Um jogador com a capacidade de virar um jogo do avesso mal pisa o terreno de jogo tem de ser de topo. Este menino é fabuloso. Joga muito, faz jogar, dá linhas de passe entre linhas e ajuda a desmontar defesas, abre espaços para que outros (Brahimi, Jackson, Tello, Herrera) possam decidir, mas é no momento de transição defensiva que este puto me tira do sério. A capacidade de pressionar bem, sem faltas desnecessárias e com roubos de bola em zonas perigosíssimas é algo que impressiona. Será muito pedir Oliver, Evandro e Rúben a 6 já em Lviv?

Reyes - Quando entrou para aquele lugar, temi um pouco pela nossa capacidade de resposta, mas o mexicano adaptou-se muito bem. Seguro no passe e bem a ocupar espaços, foi uma agradável surpresa vê-lo actuar com tamanha serenidade num jogo destes. Continuo a pensar que pode ser um jogador incrível, assim consiga estabilizar a parte psicológica.

Centrais - Tirando o lance do golo do Sporting, em que todos andaram aos papéis, uma exibição segura de ambos. Indi demonstrou um posicionamento impecável em certas situações, embora ache que perde demasiados lances aéreos. Marcano é daqueles jogadores que não inventa, mas precisa de trabalhar o passe. Em suma, boa exibição.

(-) Negativo 

A 1ª parte - Com que então não ganhamos aqui há não sei quantos anos? Vamos lá então entrar todos a "dormir" e permitir um golo logo aos 2', para ser mais interessante. Depois vamos lá esquecer de como se pressiona, de como se troca a bola e de como nos temos de posicionar até ao intervalo. O Mister depois corrige... Inqualificável a entrada no jogo e consequente 1ª parte da nossa equipa, a fazer lembrar alguns dos jogos do ano passado. Ano passado... Que arrepio na espinha! 

Alex Sandro - Quando Carrillo saiu, um amigo que via o jogo ao meu lado disse "O Alex Sandro acaba de respirar de alívio...". Um Alex trapalhão, lento, complicativo, desamparado (principalmente  na 1ª parte) e de volta às paragens cerebrais de um passado demasiado fresco na nossa memória. Cheguei a suspirar por Angel!

Quaresma - Começa a ficar complicado compreender como Quaresma pode encaixar-se neste F.C.Porto. Na 1ª parte, zero de apoio defensivo (a Danilo ou a Alex Sandro), poucas boas decisões quando em posse, um remate desastrado e absurdo na primeira vez que conseguimos um esboço duma jogada ofensiva, uma entrada violenta de menino amuado sobre Nani... Um suposto capitão de equipa, com muito mais anos de experiência do que muitos dos colegas, com muitos mais anos de casa, não pode ter esta postura. Lamento, Quaresma! Sou dos que procura defender-te ao máximo, mesmo quando se observa que não dás tanto ao colectivo como qualquer outro dos teus colegas - e até considero que tens andado esforçado para demonstrar que és capaz de ser trabalhador e humilde - mas és daqueles casos crónicos que, à primeira oportunidade, deita tudo a perder. És um Fábio Paim que conseguiu continuar a jogar futebol a um nível aceitável. Achas que vais ter sempre muito talento nos pés e hás de ter 40 anos e continuar a achar o mesmo, sem perceber que isso só não chega para a EQUIPA obter os 3 pontos. 

O trio do meio-campo - Lopetegui... Casemiro e Ruben ao mesmo tempo, não funciona! Se lhes juntares Oliver, talvez dê. Se lhes juntares Herrera, fica impossível. Casemiro é 6. Rúben é 6. Não sabem ser 8 (para já)! Já chega de cometer sempre o mesmo erro, para depois corrigir ao intervalo. Queima-se uma alteração e dá-se uma parte de avanço ao adversário. Nunca te chateei com o "não-caso" Quaresma e com a falsa questão da rotatividade. Até consegui perceber que tenhas evitado colocar Aboubakar contra o Boavista e que tenhas mexido tão tarde em Guimarães. Chegar a Alvalade e arriscar ir a jogo sem meio-campo já começa a soar perigoso. Espero que o regresso de Oliver te venha dar mais certezas.


Como já se disse antes, sou da opinião que o Porto tem de ganhar sempre, independentemente de contingências como relvados impraticáveis (Académica 2011/2012), roubos descarados (Alvalade 2002/2003) ou qualquer ataque alienígena ou desastre natural que possa acontecer. O Porto não ganhou em Alvalade muito por culpa do que se disse acima. Agora, é indesmentível que houve casos, que houve polémicas, que houve mais uma diferença de critérios gritante, e que no final de contas, já é o 3º jogo consecutivo em que tal acontece. Slimani afinal, pode apertar pescoços como e quando quiser. Adrien pode entrar de sola como e quando quiser. Jackson não pode conquistar uma bola a nenhum defesa quando quiser. E nem falo do lance da mão de Maurício, porque nesse lance até consigo dar benefício da dúvida à equipa de arbitragem. Já fomos beneficiados por árbitros e já fomos prejudicados, e vai ser sempre assim com os "grandes" enquanto forem "grandes". O mais curioso é observar o peso que tem um erro a favor do Porto e um erro contra. Erro a favor é corrupção. Contra é acidente. A favor é escândalo. Contra é perfeitamente normal. A favor é parangona de jornal. Contra é "esquecido".  A favor é o "Sistema". Contra é humano. Erro a favor é a justificação de vermelhos e verde e brancos para anos e anos de derrotas que aquelas vísceras não souberam digerir. Erro contra é o alinhamento perfeito dos planetas numa tentativa de "castigar" a malta do Porto porque "só" ganha com roubos. Nem vou falar do artista da cabeleira branca, o tal que disse que o árbitro "Não marcou porque não quis", e que achou que aquela arbitragem miserável contra o Sporting foi "Limpinha, limpinha!", que agora até manda piadolas porque o nosso treinador se queixou de nova arbitragem miserável  -  embora reforçando que não servia de justificação para não ganhar. Podia tentar, mas seria difícil explicar conceitos de honestidade intelectual aos dois solitários neurónios que habitam aquela cabecinha.

Escrito pelo Z

sábado, 23 de agosto de 2014

Porto vs Lille e Tweetolândia

Não estava fácil a publicação desta crónica sobre o jogo de quarta-feira. Primeiro, o "capitalista" do Z encontra-se de férias, provavelmente em frente a uma qualquer piscina de água aquecida com um Mojito na mão direita e um charuto cubano na outra. Como dizia o Herman José num sketch bem conhecido "se não tá deitado, tá estendido..." e desse modo não tenho o "suporte" do costume na gestão do blogue. Segundo, depois de em Junho me ter falecido um computador de marca Japonesa (para evitar problemas de copyright vou usar o seu nome completo - António Shiba) desta vez foi o carregador da maçã ruída a dar problemas, deixando me sem computador durante uns dias. Tudo resolvido, passemos ao futebol. 


Estreia do Porto na Europa este ano contra um Lille que não metia medo, mas impunha respeito. Um 4ª lugar no ano passado, alguns jogadores interessantes e um treinador que já foi campeão francês. Lopetegui deixava Quaresma no banco e avançava com Casemiro para o 11 como eu tinha pedido (Obrigado Mister, eu sei que me tem sempre em conta antes de fazer o onze). Confesso que quando vi quem ia jogar, estranhei a opção por tantos médios, mas o que é facto é que este Porto deixa cada vez mais água na boca pela qualidade individual que tem. E essa qualidade individual está a ser cada vez mais usada de forma colectiva. Foi um dos onzes mais jovens de sempre da história do clube com uma média de 23,48 anos. Incrível. O Porto entrou bem no jogo, teve bola e não acusou estar a jogar fora. O Lille esteve sempre expectante e deixando Jaime Pacheco com uma lágrima no canto do olho, optou pela táctica do "distribuir lenha a torto e a direito". Com a permissão do holandês Bjorn Kuipers (que ódio que eu te tenho desde a Supertaça Europeia com o Barça...) a equipa francesa foi deixando marcas nas canelas dos homens de azul-e-branco. Apesar do controlo total do Porto não existiram muitas ocasiões de perigo até ao intervalo. Na cobrança de um livre lateral, ficou por marcar um pénalti contra o Lille por puxão em Jackson Martinez. O único remate perigoso do Lille na primeira-parte foi feito já com esta a terminar, com a bola a passar ligeiramente por cima da barra da baliza de Fabiano. Sorte do nosso lado e... intervalo. 

A segunda-parte começava e trouxe um Porto mais seguro e mais decidido, Brahimi não estava a fazer um grande jogo (desta vez ocupou o lado direito do ataque) e acabou por dar lugar a Tello que na primeira vez que toca na bola assiste Jackson, e Herrera na recarga faz o 1-0. Muito boa a jogada iniciada (e concluída) pelo mexicano antes do meio-campo, Ruben Neves temporiza e serve Tello que aguarda o momento certo para colocar a bola na área. Nota 20 para todos na decisão! O Lille procurou responder metendo em campo os "putos" rápidos e talentosos Rony Lopes e Ryan Mendes. E criou algumas dificuldades ao Porto. Mas apesar do caudal ofensivo dos franceses, a equipa de Lopetegui pareceu melhor defensivamente do que no fim-de-semana. A equipa parecia mais compacta, com mais unidades a ajudar a defender quando na verdade era apenas e só (uma melhor) organização. Casemiro dá à equipa mais consistência a defender e mais qualidade no passe longo. Fabiano ainda nos fez suar pelo menos duas vezes, mas o resultado manteve-se inalterado. Uma vitória que dá segurança e nos deixa a sonhar por mais.


(+) Positivo


Oliver Torres - Vou passar o ano inteiro a chorar por ele porque sei que este "metro e meio" de jogador nos vai abandonar no final do ano. Que qualidade tens tu, puto. Pés de craque, inteligência táctica que lhe permite jogar numa ala sem perder grande qualidade exibicional. Deve ser um jogador "chato" de defrontar tal é facilidade com que roda sobre adversários, pela raça que demonstra a recuperar bolas e por ainda ter qualidade para pormenores técnicos deliciosos. Vai ser um monstro!

Ruben Neves - Mais um recorde do nosso puto-maravilha. Gosto da postura "and not a single f*ck was given" que aparenta ter em resposta a todo o ruído à sua volta. Vendo este jogo fica a ideia que será mais um 8 do que um 6 tal é a sua percepção de onde deve estar para receber passes, o seu jogo simples, o seu remate fácil e a forma enérgica como mantém o meio-campo em rotação. Chegou a ter 85% de passes certos. Na Champions. Com 17 anos. Fantástico.

A dupla dos centrais - Estiveram em grande. Houve erros? Sim. Maicon teve um (talvez o único em toda a partida) que podia ter originado golo do Lille no final da primeira-parte. Mas tanto ele como Indi foram certinhos, no passe, na marcação, na premissa "Tá apertado, joga prá arquibancada!". Não são os melhores do Mundo, mas noites como a de quarta-feira dão-nos segurança. Venham mais jogos assim. 

(-) Negativo


Herrera - Héctor, juro que não é nada pessoal, mas tu estás a dar tudo para eu ter razão. E eu gostava de não a ter. Marcaste o golo da vitória, eu sei. Mas a quantidade de bolas perdidas e de passes falhados que saíram dos teus pés foi ridícula. 69% de passes certos numa equipa que gosta de posse é uma estatística muito má. Vê lá isso pá. É que até simpatizo contigo e com as tuas orelhas, moço.

Fabiano - Tanta tremedeira. Não deu segurança nenhuma quando a equipa mais precisava. Teve duas falhas demasiado graves para o nosso nível. Aquela bola que não agarra num livre é absolutamente ridícula. Tal como aquela saída até à marca de penalty. Duas jogadas que nos podiam ter custado a eliminatória...

Não saber gerir a bola e o excesso passe longo - Demos demasiadas bolas ao adversário com mudanças de flanco desnecessárias quando estávamos em vantagem. Para quê? Não seria melhor ir trocando a bola, mantendo a posse evitando dar a bola ao Lille? E os livres mais recuados com Maicon a despejar lá para a frente sem grande critério. Para quê? A rever. 


Faltam 90 minutos para estarmos de volta à Liga dos Campeões. Com seriedade e sem complacência no jogo da 2ª mão iremos ganhar na nossa casa, no nosso estádio, com os nossos adeptos sempre a apoiar. Ainda há muito para crescer, mas esta equipa já demonstra muita qualidade. Quando os automatismo começarem a existir podemos ser um "caso sério"! 

VAMOS LÁ EQUIPA! 

Ah, eu nem sou de chorar com árbitros mas cuidado com os homens do apito. É que este holandês...


Tweetolândia


















PS: O "pseudo-caso" Quaresma - Disse aqui a 11 de Maio que Quaresma seria a minha 1ª dispensa para esta época. Não acredito que deva ser o nosso capitão por não ser propriamente um exemplo na forma de estar dentro e fora de campo, e o jogo de Lille veio-me dar razão. Se Lopetegui o colocou no banco, o jogador (seja ele quem for!) só tem de aceitar a decisão e esperar uma oportunidade para mostrar ao treinador que estava enganado. Antes de entrar já estava com cara de quem não estava com grande vontade de ir a jogo. Esteve 3 ou 4 minutos em campo, e a primeira acção que teve foi cometer uma falta completamente desnecessária junto à nossa área que poderia ter tido outras consequências. Fala-se em castigo, possível saída até ao final do mês mas o que eu quero verdadeiramente é que isto não afecte o grupo. É que hoje o "Palminhas" Fonseca vai querer ser o ultimo a rir.