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terça-feira, 28 de julho de 2015

"Opinions are like assholes..."

Enquanto não houver futebol a sério ou motivo especial para postar, tanto eu como o Z vamos nos abster de entrar no folclore da Silly Season. E este post é acima de tudo um desabafo meu e um partilhar de sentimentos.

Devo ter sido das únicas pessoas na bluegosfera que viu coisas bem positivas nestes dois jogos na Alemanha. Que convenhamos, foram os primeiros adversários dignos de registo. Análise ao jogo jogado até ao final da semana com bitaites ao modelo táctico, posicionamentos, jogadores, etc.


Um dos principais problemas das redes sociais é o de dar a toda a gente a hipótese de dar a sua opinião desde que haja ligação de Internet. Mas tal facto não faz com que alguém se interesse por muito do que "vocês" querem dizer. E uma das minhas máximas de vida nas redes sociais é esta:

"Opinions are like assholes. Everyone has one."

O que mais me irrita é o facto de eu ficar incomodado com o que leio aí por todo o lado, seja em blogues, fóruns, Facebook, Twitter... A critica constante e gratuita, a necessidade de ter razão para dizer mais tarde "I told you so". Deixem-se dessas merdas e discutam futebol. Futebol. Jogado. O que se depreende facilmente é que talvez a maior parte dos sócios, adeptos ou simpatizantes que afirma ser Porto, que diz ter a "cultura de exigência" não gosta de futebol. Gosta de ganhar. São como aqueles pais que exigem boas notas aos filhos para comentarem com amigos e colegas no trabalho, sem darem o apoio necessário aos chavalinhos para fazer trabalhos de casa ou o "miminho" quando eles estão em baixo. Coisas vistas até agora (em versão light):

1) Malhar porque veio o Casillas quando Hélton teve as afirmações que teve, Fabiano foi um calafrio constante na época transacta e Gudiño ainda tem muita broa para comer. Veio a "custo zero", com o Real a pagar parte do salário. É sem duvida a maior contratação de sempre do futebol português. O que fazem 60% dos portistas na Internet? Disparam em todas as direcções. Nem nós temos bem noção do impacto mediático desta contratação, pessoal. 

2) Malhar porque veio o Maxi e porque é "cuspir na história do clube" e a SAD é louca. Alguém dúvida que Maxi apesar de já não ser novo é o tipo de jogador que dá tudo o que tem? Que não irá ser um jogador importante no balneário? Que a seguir a Danilo, é o segundo melhor lateral em Portugal e que com isso enfraquecemos, também, um rival directo? Calai-vos pa.

3) Amar o Tello porque pôs hashtags castiças como #SOMOSPORTOCARALHO e #VAMOSPORTOCARALHO mas começar a criticá-lo porque não jogou bem na pré-época e considerar tal facto "inadmissível". Acho que não estarei errado se disser que o Espanhol foi o primeiro do plantel a chegar ao Olival para debelar uma lesão que ainda vinha na temporada passada. Querem maior profissionalismo que este?

4) Malhar porque "falta mística e jogadores portugueses no balneário", mas criticar porque Sérgio Oliveira, André André e Danilo Pereira não são jogadores para serem titulares. Querem quem? Herrera? Quintero? Ganhem juízo...

5) Malhar na SAD e em Lopetegui porque Quaresma saiu. Really? Not this again... Não bastou o que o menino fez e disse? Enough is enough.

E nem vou falar da perseguição constante a Julen Lopetegui...

Coloco apenas uma questão: Digam-me uma, uma única contratação que não foi acertada até agora.

Tem sido demasiado ruído, numa altura que devia ser de união e de crença em quem dirige. Já dizia Roger Waters no final do Hey You: "Together we stand. Divided we fall".

Pensem nisso,
Abraço

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Benfica vs Porto e outras coisas mais...

Dada a sucessão de jogos (e o abanão de Munique) não houve tempo para mim e para o Z de fazer uma crónica pós-Munique e pré-Luz. Até a comecei a escrever na sexta-feira no trabalho mas não deu para mais. Há várias ideias que ficam de Munique mas deixo para esta semana onde (infelizmente) teremos mais tempo. 

Depois do que se passou em Munique era importante ir à Luz dar outra imagem e, sendo um jogo de tudo ou nada, era necessário ganhar fosse por que diferença fosse. Não foi possível. Lopetegui mudou muito mas a mudança mais significativa foi para mim a entrada de Hélton para o onze. Suponho que Fabiano acaba assim o (curto) reinado no Dragão. Não tem estofo, pés, mãos, braços, cabeça, calma ou concentração para ser titular. Helton entrou e a segurança/confiança na defesa aumentou 500%. Evandro e Ruben Neves também foram titulares.

O jogo foi todo ele horrível. Mas o pouco futebol jogado foi praticado por nós. Porto com meio-campo hiper povoado para asfixiar as trocas de bola do Benfica, procurou demasiadas vezes jogar em bola longa para um Jackson deixado ao abandono no ataque azul e branco.  "Retranca Vermelha" era o esperado e aí não houve surpresas. Ah, houve também a preparação do costume para performances dignas de Óscar da Academia. Quantos jogadores do Benfica caíram em choro compulsivo e berro constante ao mínimo toque? Talisca foi o De Niro das quedas. Não entendo e mete-me nojo esta constante tentativa de enganar, xingar o adversário, provocar, intimidar por parte do Benfica.

Porque o futebol foi muito curto resumo o jogo tão simplesmente assim: Primeira-parte estivemos melhor, controlámos o jogo e estivemos sempre por cima. Segunda-parte, Benfica melhorou posicionamentos e equilibrou a partida. Não houve chuveirinho, não houve massacre no fim com toda a gente na área. É assim com Lopetegui. Goste-se ou não. Fiel aos seus princípios. Mas se isso acontecesse e o Porto perdesse num contra-ataque... 

É importante dizer que o super-Benfica a jogar em casa, com 60 mil adeptos nas bancadas acabou com 3 laterais em campo e 2 trincos. Não é médio defensivos, é trincos. Também conhecidos como "tranqueiros", porque Samaris e Fejsa são apenas uns Flávios Meireles ou uns Felipes Anunciação com sotaque. Não é catenaccio, é autocarro.

Uma palavra também para Jorge Sousa. Arbitragem ridícula. Não foi por aí que não ganhámos, mas a forma como assinalou faltas inexistentes, a forma como matou qualquer ameaça de intensidade no jogo foi absurda. O critério nos amarelos? Absurdo. Fejsa entra em campo e em 3 faltas violentas não é expulso porque...? Luisão agarra a camisola de Jackson e mete-lhe a mão na cara e nada acontecesse. REPITO, não foi por aí que não ganhámos mas é desta forma que se condiciona um jogo. Controlar a intensidade.
Luisão a "tirar a febre a Jackson" na área

Não vou destacar ninguém porque há coisas mais importantes para falar.
Vejo grande parte da Bluegosfera a atirar-se a Lopetegui. E apesar de tentar ler tudo o que se escreve de modo a compreender a opinião de quem está revoltado, fico desiludido e de braços caídos quando a argumentação é "não ganhar" e ter memória selectiva. Uma coisa se percebeu bem na época anterior e nesta. São poucos os portistas que sabem perder e perceber o que aconteceu de errado. É ver tudo a cair em cima de Julen, esquecendo-se de muitas partes dessa equação. Não vale a pena voltar a pisar a tecla da revolução, 17 jogadores novos, nova ideia de jogo, alguma inexperiência/desconhecimento do campeonato Português e as suas "teias", porque isso é óbvio e já foi mais que debatido. Falemos do que é (selectivamente) esquecido. O rendimento de Danilo, Maicon, Alex Sandro, Jackson e Quaresma, por exemplo. Algum deles se mostrou a melhor nível em alguma das anteriores épocas? A resposta é não. Desde o inicio da época - e que época foi ao nível da arbitragem - sempre foi Lopetegui, sozinho contra o mundo. NINGUÉM "lá em cima" saiu em defesa do treinador. Lopetegui errou? Certamente que sim, em diferentes momentos da época. Errou, na sua época de estreia num clube de topo. Mas este Lopetegui é o mesmo que obrigou Guardiola a tirar um médio para por um defesa quando estava a perder por 3-1. Nem antes era tão bom, nem agora é tão mau. Haja clareza de pensamento e honestidade nessas opiniões, gente.

Quaresma. Se ao intervalo (de Munique) as imagens televisivas davam a sensação de que algo se teria passado no balneário entre Lopetegui e Quaresma, o jogo da Luz deixou isso bem claro. E RQ7 mostrou uma vez mais que não cresce. Vê um amarelo ridículo e mal mostrado logo depois de ter entrado porque é... pouco inteligente. E foi a única acção de relevo que teve no jogo desde que entrou. E querem muitos que ele seja titular. Se ele entrou na segunda-parte e não conseguiu fazer o badocha do Eliseu suar, querem vocês criticar Julen por pô-lo no banco? Não muda e não mudará. E no final do jogo, fica a fotografia de que toda a gente fala... 


Como pode um jogador que se diz do Porto, que passa metade do tempo a fazer juras de amor eterno, que beija o brasão abençoado, estar abraçado e aos beijos ao treinador do maior rival, que passa a vida a menosprezar-nos, a achincalhar-nos, quando não há qualquer história entre eles. Nem Jesus treinou Quaresma, nem Quaresma foi treinado por Jesus. Como se sentirão Casemiro, Óliver, Brahimi, Marcano e etc quando olham e vêem um dos jogadores mais antigos do plantel, um dos favoritos dos (poucos espero) adeptos, nestas "tristes figuras" com o treinador do Benfica? Alguém que lhes roubou um campeonato com arbitragens vergonhosas e anti-jogo? Digam-me! Honestamente como é que vocês se sentiriam nas mesmas condições? 

A este respeito, Vila Pouca do blog Dragão até à Morte diz tudo aqui: "Não queremos beijos no emblema, hoje beijam um, amanhã beijam outro, queremos respeito, profissionalismo, compromisso, atitudes correctas, sempre e não quando as coisas correm de feição. Queremos vontade, determinação e não amuos e azias, comportamentos de prima-donna. Foi assim, com estes valores que se construiu um F.C.Porto ganhador, até para além do sonho."

Cito Tomislav Ivic a respeito de Fernando Gomes para terminar o post dizendo: Para mim, Quaresma "é finito".

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Champions League - Porto vs Bayern





























Perfeito.


Há momentos, em que todo o vocabulário que pensamos conhecer se torna pequenino, insignificante, para podermos descrever algo que, de tão único, tão belo, tão sublime, nos transcende. Na 4ª feira, dia 15 de Abril de 2015, um novo degrau se construiu na escadaria de vitórias sem igual do clube que amamos. Na 4ª feira, aquele relvado milimetricamente cortado teve a honra de ser o palco dum dos momentos mais incríveis a que pude assistir desde que vejo futebol. Há pouco mais de 24h, Basileia, Viena, Tóquio, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin sorriram entre si, e aplaudiram de pé os heróis de azul-e-branco que, de queixo bem levantado e com a crença inabalável no poder dos sonhadores, bateram o pé a uma das melhores equipas do Mundo, orientada pelo melhor treinador do Mundo.

Ainda tentava adaptar-me ao lugar "oferecido" pelo meu irmão (companheiro de batalha em alguns jogos), e já Neuer derrubava Jackson dentro da grande-área (por esta altura,Xabi Alonso ainda deve estar à procura do tanque que o atropelou quando pensava o que ia fazer com a bola). 1-0, num início que dificilmente poderia ser melhor. Seria mesmo assim?

Decorria o 10º minuto do jogo, e as minhas sinapses entraram em curto-circuito. Por instantes, enquanto via Quaresma a correr de braços abertos em direcção ao mar de portistas que explodia em êxtase, como se naqueles braços quisesse tomar todas as milhares de almas que se beliscavam para terem a certeza de que tudo aquilo que os olhos viam era mesmo real, não consegui festejar. Nem um som, nem um gesto, nada. Olhei em volta... Caras felizes, sorrisos rasgados e lágrimas a rolar em catadupa; abraços entre estranhos, e pais e filhos, e avôs e netos, e maridos e mulheres. Tudo unido. Tudo em êxtase. Tudo Porto.

Ah e Quaresma, se leres este texto, considera aquela agonizante eliminatória com o Schalke absolutamente perdoada!

10 minutos de jogo: F.C.Porto 2 - 0 F.C. Bayern - sejam honestos, alguma vez sonharam com um início tão prometedor?

Depois veio o tempo de regressar à Terra. De roer as unhas, enquanto aquele futebol magníficamente rendilhado dos bávaros punha alguma calma no jogo. Foi tempo de ser paciente, aguentando bem os momentos de pressão ofensiva, evitando abrir buracos no corredor central (onde se sabe que os alemães são mortíferos). No primeiro "erro" do jogo, um 2-1 demasiado penalizador para o que foi o domínio territorial e para as reais ocasiões de perigo da 1ª parte. 

O intervalo, sendo obrigatório, devia ser banido de alguns jogos. Pelo menos, para nós, doentes incorrigiveis (em concreto para mim, pessimista irredutível), devia haver um botão que fizesse "fast-forward" naqueles intermináveis 15 minutos. Na minha mente, poderia vir aí uma 2ª parte de muitos nervos, fosse porque Pep Guardiola iria sacar da sua varinha mágica e encontrar-nos algum ponto fraco, fosse pela dúvida acerca da capacidade de ver a nossa equipa ter pernas e pulmões para aguentar outros 45 minutos jogados com aquela intensidade.

Felizmente, para gajos como eu - sempre um pouco pessimistas, mesmo que o resultado nos seja favorável, por 5-0, e faltem 10 minutos para terminar o jogo - há bofetadas que vêm com a força certa, na dose certa, no momento certo. Foi um esbofeteamento saboroso, emocionante, merecido, aquele que o meu Porto me deu durante os 45 minutos da 2ª parte, onde por momentos, o peso-pesado alemão mais não fez do que encostar-se às cordas e proteger-se como pôde. Guardiola acabou por dar credibilidade a esta análise, quando decidiu trocar Gotze por Rode ainda com 2-1 no marcador, como que procurando segurar a desvantagem mínima e minimizar danos.

Depois de Neuer ter provado que, de vez em quando, há milagres a acontecer em campos de futebol, ao desviar aquele remate de Herrera praticamente por instinto (após uma jogada colectiva que foi um hino ao futebol), foi Jackson, o nosso Monstro, o nosso herói "cafetero", que numa demonstração de poder físico, classe e frieza, conseguiu materializar em golos os 45 minutos mais admiráveis que me lembro de ver uma equipa de azul-e-branco fazer desde o Porto-Lázio em 2003. Não me contive desta feita. Para além de quase ter arrancado as cabeças dos desgraçados dos "vizinhos do lado", enquanto me abraçava aos dois metros de pessoa que constituem o meu irmão, chorei, muito de alegria mas principalmente de orgulho. Aquele orgulho que nos deixa com pele de galinha, como quando Derlei empurrou a bola naquele fim de tarde em Sevilha, ou quando Juary apareceu como um foguete a finalizar outra obra-prima de Madjer. Aquele orgulho imenso, enorme, incrível, que sentimos quando se ouve a voz imcomparável da Maria Amélia Canossa antes de cada jogo, levando-nos a segurar os cachecóis ao alto até os músculos dos braços começarem a ceder. Aquela certeza de que somos o que somos, somos como somos, e para sempre assim seremos, porque somos portistas. Porque somos Porto. Porque sabemos o que é ser Porto.

Após o golo, veio o estouro fisico, como seria de prever. Jogar contra os Gil Vicentes e Moreirenses desta vida durante 2/3 da época tem as suas desvantagens. É que jogos assim, tem o Bayern aos montes durante uma temporada, e talvez por isso não tenha estranhado que alguns dos nossos rapazes tivessem festejado o 3º golo deitados no relvado, ou agarrados aos joelhos, porque já pouco oxigénio havia a chegar aos músculos por essa altura. 

Até final, para além de ir refrescando quem já não aguentava mais (menos Herrera que, segundo o meu irmão, leva uma mochila com um pulmão suplente para dentro de campo), foi tempo de cerrar fileiras, tapar caminhos, dobrar a língua, e ver a nossa versão "muro intransponível" ser posta em prática. Incrível a forma como a equipa se uniu nesta fase do jogo. Incrível também a maneira tranquila como o Bayern vai tentando "asfixiar" aos poucos quando consegue estacionar no meio-campo adversário (como aconteceu nos últimos 10 minutos), como se o jogo estivesse empatado e tudo estivesse controlado. 

Hoje, como podem compreender, não há notas para ninguém, porque seria ridículo querer destacar uns em detrimento de outros. Falarei apenas dum jogador que praticamente não vi a figurar nos destaques de outras "casas": Alex Sandro. Para mim, fez o melhor jogo com a nossa camisola vestida, e foi um elemento duma enorme preponderância em praticamente todos os momentos do jogo, especialmente quando a quebra física foi mais notória. Alex Sandro foi, durante 90 minutos, um dos melhores laterais esquerdos da Europa. E aquela assistência para Jackson... Bra-fucking-vo!

Não resisto a destacar também Lopetegui, o grande obreiro desta noite de sonho. Preparou o jogo de forma sublime, jogando com as ausências do lado dos alemães (concerteza que os jogadores que ficaram de fora lhes fazem falta, deixemo-nos de merdas), procurando montar uma teia de pressão ofensiva sobre as linhas de passe, deixando o início de construção para um lento, trapalhão e perfeitamente mediano Dante (só ultrapassado em mediania pelo seu compatriota do cabelinho loiro e encaracolado do PSG). Depois, na 2ª parte, percebendo que Xabi Alonso e Lahm (principalmente estes dois), não transpiravam robustez fisica para aguentar grandes correrias, lançou um ataque impiedoso em termos de pressão colectiva, de organização e cobertura de espaços, que deixou por várias vezes os bávaros a passar bolas... para fora! Muito bem também na gestão física dos últimos minutos, onde foi segurando as pontas até ao limite. Se no final desta época não houver nenhum título a figurar nas nossas vitrines, acreditem, não será por falta de trabalho, de capacidade de leitura táctica, por falta de exigência do nosso treinador. Foi, seguramente, a melhor contratação do F.C.Porto para esta época.

Falta um jogo, é certo. Falta ir ao covil da besta alemã. Falta um combate de 90 minutos, uma batalha na qual só estamos porque, foda-se, somos mesmo bons, e trabalhamos como uns cães para lá estar. Faltam 5400 segundos de unhas roídas, de muito suor, muita fé, muita luta, muito sofrimento. E a verdade, é que nos encontramos em vantagem. Assumamos isso: estamos em vantagem. E se fomos capazes duma exibição como a de 4ª feira... porquê ter vergonha em acreditar?

15 de Abril de 2015: Perfeito!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porto vs Estoril

Fonte: zerozero.pt
Resultado e exibição. É nesta dicotomia que reside grande parte do equilíbrio do desporto, sendo certo que queremos sempre que o primeiro factor seja o positivo, não é menos verdade que uma época de grandes resultados e exibições magníficas enche-nos mais a alma do que uma época de grandes resultados e exibições q.b., ou vice-versa. Evidentemente, todos os tipos de combinação podem acontecer no decorrer duma época, e embora fosse excelente que o F.C.Porto estivesse a ganhar 5-0 aos 20 minutos da 1ª parte de grande parte dos jogos, há sempre aquela "coisa" que se chama "adversário" do outro lado que - espantem-se - também tem objectivos para cumprir (independentemente da qualidade dos intervenientes).

Ora, neste jogo, penso que se conseguiu um resultado óptimo, numa boa exibição. Não foi excelente. Não foi q.b.. Foi boa.

E se a considero "só" boa, em nada se deve a alguns sinais de nervosismo que - especialmente durante os primeiros 20/25 minutos - a equipa denotou, especialmente no capítulo do passe. O que mais me preocupou, independentemente do resultado obtido, foram alguns sinais de "regressão" no capítulo da reacção á perda de bola, e na constante sensação de faltar alguém a aparecer entre linhas no meio campo efensivo. Foi nesse capítulo que mais evoluímos entre os meses de Fevereiro e Março, mas penso que foi isso que mais faltou nas 2 últimas partidas. E acredito que isso também terá que ver com a quebra de rendimento de Herrera, e com a ausência de Jackson.

Também me tem preocupado algum cansaço em algumas pernas da zona do meio-campo. O que será normal, tendo em conta as exigências dos últimos meses, mas não deixa de ser algo preocupante.

Fica na retina a forma alegre como a equipa jogou, especialmente depois de ultrapassada a barreira mental do 1º golo. E também o facto de nunca se ter tirado o pé do acelerador, apesar do jogo estar decidido ao intervalo.

Vamos a notas.

Positivo (+)

Post-match meeting - A vida bluegosférica trouxe-me muitas boas surpresas. Duas dessas surpresas, transformaram-se em saudáveis, seguras, saborosas amizades. Falo, obviamente, do Miguel Lima e do Jorge Vassalo, brilhantes escribas dos não menos brilhantes Tomo III e Porto Universal, que já há muito tempo fazem parte da minha consulta diária. Desta vez, a cereja no topo do bolo, com a presença dos ilustres companheiros de luta do Jorge, Ana e João, de quem já muito ouvira falar. Muito embora o tempo tenha sido curto para tanto que havia (e há) para conversar, é também por isto que vale sempre a pena uma deslocação ao Dragão, numa 2ª ou num Sábado, com chuva ou com sol. Para mim, o "6º golo do jogo". 

Quaresma - MVP, sem margem para qualquer dúvida. Quaresma foi hoje um jogador de 90 minutos, incansável na forma como aparecia a dar linhas de passe, sublime nas combinações ofensivas com Danilo, mágico sempre que optou pelo 1x1, tirando aqueles cruzamentos com veneno que só ele sabe tirar. Um Quaresma batalhador e sempre ligado á corrente (ainda que, especialmente na transição defensiva, nem sempre o tenha feito da melhor forma, como direi à frente), como se deve esperar dum jogador com a sua experiência e "estatuto" no seio duma jovem equipa. Chapeau!

Dupla M&M Renovada - Decorriam os 10 primeiros minutos e já Alex Sandro levava mais bolas ganhas pelo ar do que Indi. Já pensava mentalmente que teria de "cascar" no rapaz outra vez, sempre devido ao mesmo problema. Mas Indi provou ao longo dos 90 minutos que a noite de 2ª Feira era uma noite de segurança lá atrás. Quanto a Marcano, tirando alguns passes longos muuuuito mal medidos, presentou-nos com a sua habitual qualidade. E sobreviveu a nova tentativa de homicídio de Fabiano. Neste momento, pelo menos com Marcano presente, as duplas M&M que podemos ter em campo dão todas as garantias de segurança.

Brahimi - Concedo que o argelino pode abusar um pouco nas tentativas de lance individual. Ainda assim, não temos qualquer outro jogador que consiga prender e fixar 1, 2, 3 ou 4 adversários junto à linha, soltando nos colegas na zona mais central, e criando inúmeras situações de desequilibrio/superioridade numérica noutras zonas. Na 1ª parte, Quaresma e Danilo tiveram quase sempre grande parte do corredor direito em modo "auto-estrada" e em muito o devem ao argelino. Uma pena aquele lance em que a categoria que revelou ao aparecer em zona frontal e retirar 2/3 defesas do caminho, tivesse faltado na finalização.

Danilo - Não conheço muitos jogadores com a força mental para fazer um jogo tão bom, dias depois de se saber que seguirá para um colosso Mundial como o Real Madrid. Danilo foi... Danilo. Como sempre nos habituou, mesmo nos jogos menos conseguidos. Incansável a defender, a atacar, a comandar (como um verdadeiro capitão deve fazer), não desistindo de nenhum lance, nunca virando a cara à luta, coroando a exibição com um golo sublime, em jogada por si iniciada. Danilo vai deixar MUITAS saudades.

O 4º golo - Uma jogada de futebol absolutamente maravilhosa. Como é que se diz? Um golo a transbordar de "nota artística"!


Negativo (-)

Herrera - Está de rastos o nosso mexicano. E quando Herrera está de rastos, a equipa ressente-se (especialmente Óliver, forçado a correr o dobro e sempre sem apoios frontais seguros, também por não haver Jackson, mas muito por haver um fantasma no lugar de Herrera). Na Choupana já tinha sido dos primeiros a ficar com os "bofes de fora". Na 2ª Feira, foi por demais evidente que está num delicado momento de forma.

Quintero - Quando foi chamado a jogo, pensei que fosse a noite em que ia regressar em grande. Que íamos ver um Quintero com atitude competitiva adequada a um clube como o F.C.Porto. Quando Hernâni decidiu arriscar o remate em vez de lhe endossar a bola (que, sem dúvida, seria a melhor opção), consegui ver as "trombas" que colocou, lá do alto, da fila 21 da Arquibancada. E percebeu-se que o amuo se manteve, principalmente porque Hernâni, uns minutos depois, voltou a preferir o remate, ao invés do passe (aqui, duvido que o passe fosse a melhor opção. Para meninos como Quintero tenho pouca paciência, confesso. Muito pouca, por sinal. Se o menino quer jogar mais, tem semanas após semanas de treinos para o demonstrar. E tem os jogos, seja durante 90, 120, 45 ou 5 minutos. E se Quintero prefere andar de beicinho em vez de jogar futebol, porque o colega do lado foi mau e feio e não lhe passou a bola, então mais vale ir para o Bursaspor desperdiçar o seu talento. Aqui, tenham paciência, não quero disso.

A reacção à perda de bola - Péssima, desorganizada, quase sempre com um péssimo timing, e com péssima harmonia colectiva. Vou dar aqui um exemplo, dum jogador que está nos +, e este exemplo em nada belisca o que disse do mesmo jogador: Quaresma. Todo o Mundo delirou com a sua recuperação de bola já perto do final, sobretudo pela forma como correu desalmadamente, quando o jogo estava "feito" e poderia já convidar a gestão de esforço. Eu digo, e espero que não levem a mal, que foi preciso chegar quase aos 90 minutos para ver uma situação de pressão defensiva de Quaresma a ser relativamente bem feita. Isto porque o nosso rapaz (e não só, mas como peguei nele para dar o exemplo, assim continuarei) passou grande parte do jogo a fazer sprints enormes, chegando à bola sempre tarde, desequilibrado, sendo quase sempre facilmente ultrapassado com um simples toque para o lado. Ora, o que é isso de "reacção à perda de bola"? É aquilo que a equipa deve fazer, colectivamente, sempre que perde a posse da bola, para a reconquistar o mais rápido possivel. Para que tal aconteça, é necessário que todos os sectores estejam próximos, que todos os jogadores estejam bem posicionados e, sobretudo, posicionados em relação à zona onde está a bola. E isso nem sempre acontece; ou se acontece, é apenas de forma parcial, porque há um maluco qualquer que decide desatar em correrias perfeitamente escusadas atrás duma bola que não traz perigo (como quando é passada ao guarda-redes adversário, e o Aboubakar, que está a 40 metros, acha que consegue pressioná-lo se correr na sua direcção), e apanha os restantes companheiros em contra-pé (ou contra-mão, como preferirem). Pressão alta não é ter jogadores a correr desalmadamente na direcção da bola, ou do adversário. Agressividade não é ter os jogadores a fazer carrinhos de dentes cerrados. Defender tem tudo que ver com posicionamento. E só quando a equipa funciona em bloco, tornando muito difícil que um sector seja ultrapassado sem que o sector seguinte esteja pronto a recuperar a bola logo a seguir, em que os jogadores estão próximos e, para além de pressionar o portador, pressionam também as linhas de passe mais próximas, só aí se pode considerar que a tal reacção à perda da bola está a ser bem feita. A nossa, não foi boa, não foi competente, e contra um Bayern ou Benfica, TEM de ser MUITO melhor. Mas muito!

3 pontos de diferença para o 1º classificado, numa jornada a anteceder uma difícil desclocação a Vila do Conde. Manter o bafo quente a bater no pescoço, orelhas e costas do Benfica, até ao jogo da Luz é o mínimo que se "exige". Sempre com bons resultados e... que se fodam as exibições, que nesta altura da época, já não há espaço para "floreados".



   

segunda-feira, 16 de março de 2015

Porto vs Arouca


Imagem retirada do site do FC Porto

Quando aos 10 minutos de jogo o vermelho saiu do bolso do "árbitro" , para expulsar Fabiano, senti-me recuar uns meses, a um jogo que teve circunstâncias semelhantes, e o coração apertou um pouco. Jogar com menos 1 jogador nunca é facil, seja contra Boavista, Arouca ou Barcelona, e o facto de sabermos que havia ali pernas cansadas, e a pressão de ter de ganhar para seguir na perseguição ao líder do campeonato poderiam começar a pesar na nossa exibição. Tal não aconteceu, especialmente devido a dois factores: primeiro, a forma como Lopotegui decidiu reformular a equipa para o que restou da 1ª parte; depois o facto de termos mantido a calma (especialmente após os 20 minutos), não perdendo a nossa identidade em campo, e de termos chegado ao golo com muito jogo para jogar.

Obviamente, na 2ª parte, foi necessário reequilibrar a equipa tacticamente - até porque o Arouca, bem ou mal, quis disputar o jogo e não se ficou pelos 11 homens atrás da linha de meio-campo. O que ganhámos a nível de posicionamentos defensivos (retorno a uma linha de 4 mais atrás), acabámos por perder no meio-campo, tendo ficado muito mais complicada a nossa transição ofensiva. Hoje, tinha dado um jeitaço ter Jackson em campo, pelo menos para a 2ª parte, de forma a que pudéssemos ganhar metros e qualidade de circulação e de jogo entre linhas que Aboubakar (ainda) não nos consegue dar. Por tudo isto, fomos menos capazes de conseguir reter a bola, de jogar como gostamos, e penso que com mais alguma paciência, frescura física e capacidade de decisão, poderíamos ter explorado melhor o espaço que havia nas costas da defensiva contrária.

Apesar da notória quebra física de metade da nossa equipa, bastante evidente nos últimos 20 minutos, foi bom perceber que a equipa soube sofrer, resolver os problemas que trouxe a inferioridade numérica. Foi também bom rever Hélton na baliza, sobretudo pela tranquilidade que nos traz, seja a sair dos postes, seja a jogar com os pés, ou até na monumental defesa que assinou, após venenoso remate de cabeça.

Uma boa vitória, em novo jogo atípico (este ano, estranhamente, tem havido muitos jogos assim), contra uma equipa que quis competir por algo mais do que um empate. E quando assim é, os 3 pontos são ainda mais saborosos.

Positivo (+)

Brahimi - Foi hoje importantíssimo sempre que tentávamos sair para o ataque. Brahimi tem uma característica que poderá irritar alguns, mas que o torna num jogador acima da média. Raramente aquele homem solta a bola por soltar; primeiro tenta fixar adversários, e só depois solta em quem está próximo ou melhor colocado. E isto faz toooooda a diferença. Passes, todos fazem. Mas fixar defesas, nem todos o conseguem. Pode haver quem confunda isto com "agarrar-se demasiado à bola". E tal não passará disso mesmo, confusão. Brahimi é fundamental neste tipo de jogo, e para mim mereceria o prémio MVP juntamente com Marcano.

Marcano - Começa a ser difícil definir a qualidade deste jogador. Como qualquer jogador proveniente do país vizinho, Marcano foi imediatamente rotulado de "flop", até porque Reyes é "Muuuuuito melhor". Começa a perceber-se que 2,5M€ por um defesa central desta categoria foi uma pechincha. Hoje voltou a estar soberbo, quer no número de bolas que ganhou pelo ar, quer pela qualidade na saída em posse, quer na quantidade de vezes em que teve de ir em modo "bombeiro-sapador" compensar erros dos colegas. Qualidade, qualidade, qualidade, qualidade! Marcano é isto.

Óliver - Ter-se-à notado em determinada altura uma forte quebra física, mas foi mais um belíssimo jogo do nosso "baixinho". Óliver recebe, cola a bola no pé, rodopia, faz jogar toda a equipa, com uma simplicidade desarmante. Enquanto houve oxigénio (principalmente durante a 1ª parte, foi determinante para mantermos o controlo da partida. Apesar de achar que Evandro esteve igualmente muito bem enquanto Óliver recuperava, já pensaram no luxo que é tê-los no mesmo plantel?

Quaresma - Hoje Ricardo Quaresma está nos +, especialmente porque era o tipo de jogo ideal para si. Um jogo em que teria de correr mais riscos, para tentar desorganizar a defensiva contrária, podendo por isso fazer uso da sua qualidade técnica para abrir espaços. E foi precisamente isso que Quaresma fez. O defesa-esquerdo do Arouca deve estar nesta altura ainda à procura dos rins, tantas foram as vezes em que Quaresma conseguiu trocar-lhe as voltas. E aquele cruzamento para a cabeça de Aboubakar, foi precioso. Uma pena que Quaresma, tenha tentado por 2 ou 3 vezes marcar golos quase da linha final, em vez de tirar mais cruzamentos perfeitos como aquele... Mas, se não fosse isso, não seria Quaresma! 

Aboubakar - Este jogo deixou mais claro que Aboubakar tem ainda muito para trabalhar. Principalmente no capítulo da recepção de bola, e no capítulo do passe. Contudo, foi preciosa a forma como surgiu por mais de uma vez em posição de finalizar, e fantástica a forma como apareceu ao 2º poste a finalizar um cruzamento açucarado de Quaresma.

Lopetegui - Quando seria expectável que retirasse, por exemplo, Quaresma, ou até mesmo Herrera, mantendo o esquema de 4 defesas, Lopetegui preferiu ficar apenas com Indi, Marcano e Alex Sandro (mais evidente em organização ofensiva, e na saída em posse), deixando nas mãos de Casemiro e Herrera as devidas compensações do lado direito da defesa sempre que tal era exigido. Durante 35 minutos da 1ª parte, praticamente não se sentiu que estávamos com menos 1 jogador. Obtido o primeiro golo, e com a necessidade de segurar o jogo, refrescou o meio-campo com a entrada de Rúben Neves, e segurou ao máximo a saída de Quaresma, para que Tello pudesse ajudar a tapar espaços, e pudesse eventualmente semear o pânico na defensiva arouquense com as suas diagonais. Percebeu-se que queria mais calma, mais posse, que ia pedindo energicamente do banco, mas penso que todos compreenderam que a equipa estava fisicamente de rastos, e que o melhor que havia a fazer seria abdicar da bola e defender o melhor possível.

Negativo (-)

Indi - Indi tem  alguns predicados que me fazem gostar imenso dele. É inteligente a usar o físico para ganhar posição aos adversários, e não compromete nas saídas em posse. Agora vamos fazer um exercício: quantas bolas pelo ar conseguiu ganhar a qualquer dos avançados arouquenses? Uma? Duas? Nenhuma? Não nos podemos dar ao luxo de ter um defesa central que não consegue ganhar 90% destes lances, sendo que está de frente para a bola, e não tem pela frente nenhum Ibrahimovic.

Fabiano - Fabiano é um guarda-redes normal. O próprio Fabiano sabe-o, Lopetegui também, bem como o resto da equipa. Se todos ficamos com o coração nas mãos quando tem de sair aos cruzamentos, ou quando tem de sair dos postes com aquela velocidade paquidérmica, cheio de hesitações, de dúvidas, imaginem como se sentirão os colegas de equipa. E isso pesa em certos momentos do jogo. Nota-se que os próprios defesas hesitam muito. Quantas vezes por jogo vemos um dos defesas a esperar até à ultima que Fabiano saia para recolher a bola, acabando por pontapeá-la para a bancada? Eu senti a diferença monstruosa de ter Hélton na baliza durante 80 minutos no jogo de hoje. A defesa respira muito mais confiança, a bola flui com maior rapidez sempre que há um atraso, há maior velocidade e segurança nas reposições de bola em jogo a partir da baliza. Porra, até os pontapés de baliza ganham qualidade. Detesto "cascar" em alguns jogadores, e tenho um respeito imenso por Fabiano, mas quando se diz que "há males que vêm por bem", penso que será para situações semelhantes a esta. Se a expulsão (e ausência do próximo jogo) de Fabiano significa ter Hélton até ao final da temporada, não ficaremos mal servidos.


Não sei se repararam mas ali a meio da 1ª parte houve um penalty do tamanho duma galáxia sobre Quaresma. Também não sei se repararam na quantidade de faltas e faltinhas que o "artista de serviço" marcou pertinho da nossa área, mesmo que nenhuma falta houvesse para marcar em grande parte das situações. Está-lhes na massa do sangue... Ah, o primeiro amarelo para o Arouca saiu aos 70 minutos... Por essa altura, já os arouquenses nos goleavam em número de faltas. Mais um jogo, mais uma arbitragem fraca, mais lances de prejuízo para os do costume.  




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

F.C.Porto vs Belenenses


Há jogos assim, em que saímos com os 3 pontos, uma vitória clara por números esclarecedores, mas não saímos do Estádio refastelados como quando vimos duma festa de casamento dum qualquer amigo ou primo afastado, em que tentamos enfardar praticamente tudo o que põem na mesa, mais metade da mesa de queijos e de sobremesas.

Será defeito nosso? Demasiada exigência? Neste caso concreto, não acho. Fizemos uns bons 25 minutos iniciais, mas depois entregámo-nos a um marasmo colectivo - em grande parte motivado pela inoperância, a roçar a "falta de comparência" do nosso adversário - que parece ser imagem de marca nestes jogos em casa, nas noites geladas do Porto, salvando-se um ou outro lampejo de futebol que geralmente é suficiente para embrulhar os 3 pontos.

Contra um rival tão tenro, tão psicologicamente abalado e tão retraído em campo, poderíamos ter feito um pouquinho mais. Compreendo que, também nestes jogos, é necessário ir gerindo o esforço (de forma equilibrada, obviamente), até porque os próximos dois meses são longos, e a margem de manobra quase inexistente. Mas ficou a ideia de, mais uma vez, ter sido possível um resultado "à antiga" apenas com mais alguma vontade e concentração.

Não aconteceu, "ficámo-nos" por um 3-0, sólido e sem margem para dúvidas, mas que merecia mais "sal".

Nota para um sempre agradável "warm-up" para o jogo, na companhia do Jorge Vassalo (do Porto Universal), do Nuno (seu companheiro de luta) e da agradável conversa mantida com o Sr. Vila Pouca (ilustre autor do Dragão Até á Morte). Mais uma vez, umas pintalgadas de portismo "saudavelmente doente", partilhado por 4 dos 20 e tal milhares que ousaram enfrentar nova noite gelada da nossa magnífica cidade do Porto.


(+) Positivo

Óliver - Embora um bocadinho abaixo do que fez no jogo em Barcelos, uma vez mais o maestro da equipa. Dá linhas de passe, pressiona alto e de forma inteligente, é dos poucos que procura jogo interior e mostrou de forma cabal - com o pé mais fraco - como marcar golos na zona frontal, à entrada da grande área, até não é dificil, nem precisa de grandes floreados. Percebi que tivesse saído, por causa do amarelo, mas estava a ser o melhor em campo até ser substituído. 

Jackson - Por vezes leio que "parece uma ilha" no meio da defensiva adversária. Talvez um continente inteiro... Recebe, temporiza, impõe o físico e solta num colega. Repitam isto por dezenas de vezes, em dezenas de locais diferentes do campo. É "só" o que Jackson nos dá durante o jogo. Ah, e golos. Muitos.

Quaresma - Retire-se da equação os cantos e os livres - que não entendo como lhe continuam a ser entregues - e tivemos uma boa exibição de Quaresma. Penso que já percebeu que a sua dimensão física está a decair, e então opta por um jogo mais paciente e de apoios. Combinou bem com Danilo ou Angel, e penso que não mereceu ter saído antes de Tello. Quiçá para proteger pernas e pulmões? De qualquer forma, perfeitamente evitável o habitual teatro na altura da saída. Compreendo a frustração mas... É muuuuuito irritante ter um jogador a fazer sempre a mesma cena.

Angel - Poderá não ter a técnica ou a velocidade de Alex Sandro, mas tem um posicionamento muito mais seguro e acompanhou bem Tello ou Quaresma quando solicitado. Gostei da sua exibição, e deixa-me descansado quanto à possibilidade de Alex Sandro ficar de fora num ou noutro jogo. Temos um substituto que não destoa, no lado esquerdo da defesa (onde ja tivemos Lucas Mareques e Benitez's...).

(-) Negativo

Tello - Esteve em campo? Não me recordo de o ver.  

Maicon - Num jogo sem praticamente trabalho para o sector defensivo, tentou borrar a pintura numa das suas paragens cerebrais: uma tentativa de passe de calcanhar numa zona arriscada. Se o objectivo é continuar a adiar o seu "eterno" aparecimento como um central fiável, penso que vai sendo conseguido. Continuo a preferir ter lá Marcano...

Herrera - Uma assistência para golo e muitas tentativas de tentar penetrar na zona entre central e lateral do adversário durante 25 minutos. Uma amálgama de péssimas recepções de bola, de passes horríveis, de má condução de bola, e de mau posicionamento durante o resto de jogo. Em "dia não", Herrera faz ainda pior tudo aquilo em que já não é um craque.  

Fabiano - Teve de fazer duas defesas durante todo o jogo, já os jogadores pensavam no duche de água quente final e, na segunda, conseguiu colocar um remate ridiculamente fácil de segurar nos pés dum avançado belenense que só por manifesta tosquice (e por um corte impossível de Maicon) não se transformou num golo. Não é guarda-redes para uma equipa grande, lamento. Por momentos revi o remate do Talisca e a recarga de Lima... Volta rápido Hélton!  

Cruzamentos para o joelho do defesa central que está no primeiro poste - Alguém se deu ao trabalho de contar a quantidade absurda de cruzamentos que fizemos? Sabem quantos chegaram a alguém da nossa equipa? Dois. Quantos cruzamentos mal feitos? Quantas vezes só com Jackson na área? Quantos cruzamentos bons consegue Danilo fazer? E Tello? Caramba, até Herrera cruza melhor... E sempre, sempre, sempre (SEMPRE CARALHO!) feitos para o 1º poste, a meia altura. Esses até o Abdoulaye cortava pessoal... Aliás, para ver como estamos em termos de qualidade de cruzamentos, basta ver aquele exercício que fazemos no aquecimento para o jogo e acho que fica tudo dito.

Reacções Estúpidas sempre que Adrián entra - O acéfalo e intolerante público que ironiza, ostraciza, goza com Adrián é o mesmo que tolera as agressões técnicas e tácticas de Herrera, os maus comportamentos de Quaresma, a sonolência de Alex Sandro, as paregens cerebrais de Maicon. O mesmo público que em tempos tolerava e até sentia carinho pela exasperante inoperência de Mariano. Os mesmos que sonham com o regresso dum traidor de primeira água como aquele ruivinho que treina o Zénit. Portanto, nada de novo... Mas irrita, oh se irrita. Muito! Uma falta de respeito sem perdão possível, quase a roçar a xenofobia. Eu chamo-lhes "Estúpidos de Merda", assim, com todas as letras. Temos muitos no Dragão.

Continua a perseguição ao líder (quanto custa ter de dizer isto...), sem margem para adormecimentos. Não me importava que todos os jogos fossem assim até ao final da época, amorfos, gelados, mas com sempre com vitórias inequívocas.

Segue-se a Taça da Liga, espero que com muito juventude em campo! E com Adrián!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estoril vs F.C.Porto

Não será novidade para ninguém, mas confesso que gosto de Lopetegui. Porque sim. E ainda me dá mais gozo gostar de Lopetegui quando o vejo ser saco de pancada um pouco por todo o lado; admiro que (até agora) vá resistindo firmemente à vergonhosa perseguição que lhe tem sido montada, quer pela CS, quer pelos adeptos (?) do próprio clube. Mas devo confessar que no passado Domingo o MEU treinador me desiludiu. MEU treinador, leram bem, porque é MEU quando ganha de forma categórica em Bilbao, da mesma forma que é MEU quando perde em casa com Sporting ou perde pontos no Estoril. 


Depois de uma fase de crescendo exibicional, muito à custa da estabilização do meio-campo com Casemiro, Herrera e Óliver/Quintero, surpreendeu Julen ao colocar Adrian no apoio a Jackson, num 4-4-2 que, na prática, evoluía para um 4-2-4, bem largo mas com falta de poder de pressão e recuperação rápida da bola. O Estoril é uma equipa mediana, orientada por um treinador mediano, mas já se sabe que é com um recuar das linhas e povoamento do corredor central que este tipo de equipas nos tenta resistir; foi precisamente por aí, na minha óptica, que acabamos por não ter o controlo absoluto das operações. Acredito que a ideia fosse ter Adrian ou Jackson a recuar um pouco e funcionar como ponto de ligação entre meio-campo e ataque, permitindo assim chamar jogadores do Estoril para a zona central, libertando Quaresma, Brahimi, Danilo e Alex. Mas o que se viu foi que os dois avançados pareciam estar a ver-se pela primeira vez, sem saber muito bem que espaços ocupar nem definir bem as jogadas. Aqui, batam-me (!) sobressairam pela negativa Jackson, sem bola e Adrián, com bola. 

De qualquer forma, foi um F.C.Porto dominador que esteve em campo, e só no período pós-golo se viu algum vislumbre da equipa contrária. Havia, por exemplo, quem pensasse que tínhamos ido sem guarda-redes, tamanho o tempo que passeávamos no meio campo ofensivo. Obviamente que, como sempre tem acontecido, as equipas que jogam contra nós têm um aproveitamento absolutamente esmagador das raras jogadas de ataque que conseguem organizar, e a injustiça do 1-1 ao intervalo talvez castigasse em demasia um período de 10 minutos de perda de controlo das operações. 

Pensei mesmo que o meu caro Lopetegui fosse resgatar Oliver ou Quintero do banco, procurando dar algum suporte a Herrera e Casemiro nos momentos de posse, e dar mais algum trabalho ao duplo-pivot montado por Couceiro para tapar a zona central. Para meu espanto, não se vislumbrou qualquer alteração ao intervalo, e prosseguimos até aos 60' com um duo avançado a atrapalhar-se mutuamente, e com um jogo extremamente ofensivo mas, quiçá, demasiado lateralizado. Ainda assim, nesta altura, Maicon e Indi jogavam na linha de meio-campo, estando todos os 11 jogadores do Estoril remetidos para uns 30, 40m de terreno. Foi um período dum sufoco incrível! Conseguíamos furar o bloco, conseguíamos espaço para cruzar, mas o desacerto nos cruzamentos ou a inenarrável hesitação na hora de desferir um filho-da-puta-dum-pontapé-que-furasse-as-putas-das-redes-e-que-rebentasse-com-as-mãos-do-Kieszeck-pelo-caminho foram deixando o resultado na mesma. Lopetegui mexeu, desta feita mal, retirando Casemiro e recuando Herrera para jogar ao lado de Quintero. Perdeu-se assim a nossa melhor referência posicional (Casemiro), obrigou-se Herrera a fazer o que (ainda) não domina (Bom posicionamento, sobretudo, defensivo), e Quintero viu-se obrigado a "pegar" no jogo demasiado de trás. No ataque, o mal-amado (e desinspirado) Adrián deu lugar a Jackson. Num período de adaptação ao novo meio campo, o Estoril conseguiu sair por duas vezes do seu meio campo (a sério, duas vezes durante 45 minutos...); como sempre acontece nos jogos contra o Porto, da 2ª vez, o 1º remate à baliza de Fabiano durante a 2ª parte deu origem a uma grande penalidade (para mim, clara) que Tozé converteu num impensável, injusto, exasperante 2-1. Até ao fim, tivemos ainda Óliver em campo (para o lugar dum central) e arriscou-se tudo o que havia e não havia na tentativa de salvar, pelo menos, um ponto. Tal foi conseguido, fruto do físico de Aboubakar e da genialidade de Óliver (e duma vista grossa sobre um penalty escandaloso - mais um - que não foi marcado a nosso favor).

No final, Kieszeck fez a defesa da sua vida, impedindo Jackson de dar justiça ao marcador. E aposto convosco que esse cabrão desse guarda-redes não volta a fazer uma defesa daquelas na vida, a não ser que seja contra o Porto. O que quiserem.

Let's go to the notes:

(+) Positivo

Casemiro e Herrera - entendem-se bem estes dois. Embora reféns do elemento criativo da ordem (Óliver, Quintero ou Evandro - suspiro!) foram chegando para as encomendas. Gostei de os ver a baixar, à vez, para iniciarem a construção, e de os ver a pressionar, cortar, ou dar umas traulitadas nas canelas adversárias sem grande azo a hesitações. São os indiscutíveis - neste momento, atente-se - do nosso meio-campo, muito por culpa da forma como têm vindo a entender-se.

Aboubakar - Há qualquer coisa neste rapaz que me faz acreditar SEMPRE que com ele em campo vamos conseguir marcar. Ou que vai conseguir enfiar bola, defesa e guarda-redes dentro da baliza num qualquer remate, ao mesmo tempo que segura dois adversários debaixo dos braços. Entendeu-se melhor com Jackson do que Adrián e a capacidade de combate deste gigante valeu-nos meio-golo.

Óliver - Classe, pura classe. Ter a frieza de marcar um golo (depois duma mão do adversário, que deu para ver da Lua), com aquela tranquilidade e facilidade não é para qualquer um. Depois, ir a correr buscar o esférico para se conseguir marcar outro golo é dum jogador "à Porto". Gosto deste miúdo! 

Equipa que nunca desiste - Há coisa de meio ano atrás, perdíamos uma meia final da Taça, depois de estar em vantagem, jogando contra 10 durante uma enormidade de tempo. Perdemos de forma inapelável em Sevilha, sem sequer um esboço de reacção, depois de levarmos uma vantagem de 1 golo de casa. Este ano, já vamos no segundo empate obtido no limite... Duma coisa os rapazes (e Julen) não podem ser acusados: falta de atitude competitiva.


(-) Negativo

Julen - Mal na abordagem à partida, do ponto de vista táctico, e mal a mexer nas peças durante o jogo. Julen teve um jogo para esquecer. Critico-o, porque merece, da mesma forma que o elogiei quando fez por isso. Acredito que a ideia fosse muito boa, ao obrigar a equipa adversária a levar com Jackson e outro avançado móvel em cima, mas a falta de entendimento entre os avançados foi demasiado má para que pudesse resultar. Quando ainda tinha tempo de corrigir, mexeu mal, coisa que raramente faz... Gosto da postura de Julen (a sério que gosto), sempre muito confiante nas suas escolhas e decisões, não permitindo veleidades a quem gosta de colocar TUDO (até a forma como respira), em causa. Mas mexer num sistema que estava a ganhar força, dinâmica, entrosamento foi já algo a roçar a teimosia e, por conseguinte, pouca inteligência. Não fez sentido mudar, não resultou, e lá se foram 2 pontos... Assim, caro Julen, pões-te um bocado "a jeito" dos críticos! 
Nota: Ainda assim, continuo a achar que dominámos o jogo de forma tão clara que é anedótico que tenhamos saído com um empate da Amoreira.

Maicon - Jogada do 1º golo do Estoril: a defesa sobe de forma desorganizada e deixamos Emidio Rafael em jogo; toda a gente desata a correr para trás, na tentativa de cortar linhas de passe (com sucesso), esperando que Maicon faça a contenção, e obrigue o Emídio a rematar de ângulo apertado, ou a tentar um cruzamento quase impossível para o meio do barulho. O que faz Maicon? Entra de carrinho (não se sabe bem sobre quem), dá tempo a Emídio de parar, pensar, tomar um café, e escolher para quem passar a bola. 5 épocas depois da sua chegada, continuamos à espera do Maicon-patrão-da-defesa-em-todas-as-pré-épocas-e-nas-4-primeiras-jornadas. Nunca aparece! Onde anda Reyes?

Adrián - Bom sem bola e fraco com ela. Demasiado hesitante. Muito pouco "intenso". Passa a ideia dum homem que está marcado á nascença para morrer, enforcado, em praça pública, e que quando lhe dão a oportunidade de fugir, prefere ficar dentro da sua cela, a escrever cartas à sua amada, afundado na mais profunda depressão. Tenho-o defendido com unhas e dentes mas... fica dificil. Ainda assim, gostava que dessem uma vista de olhos ao fantástico artigo do nosso amigo Jorge Vassalo. Adrián é dos meus, e vou estar com ele até ao fim (tal como o Jorge e mais meia dúzia de portistas).

Fabiano e as suas saídas, vá, estúpidas - Naquilo que Fabiano mais nos assustava, jogo de pés, tem tido uma evolução notável. (Claro que, importa dizer, essa evolução em nada se deve ao trabalho do treinador... Fabiano tem andado a treinar passes contra uma parede, em casa). Nas saídas da baliza, tem paragens cerebrais. E se nas bolas aéreas, a envergadura e poder físico vão fazendo com que consiga socar a bola e derrubar 3 colegas de equipa e 2 adversários no mesmo movimento, nas bolas em profundidade a coisa fica complicada. Já em Alvalade a sua saída da baliza foi, vá, estúpida e custou-nos um golo. Desta feita não foi diferente... Parecia um Elefante a "correr" em direcção a uma Lebre, que corria como se fosse perseguida por um Jacaré. Ainda Fabiano lançava o seu ar esgazeado à sua presa e já o meu estômago se contorcia! 

Quaresma - Roubar a bola aos colegas para marcar os cantos e os livres todos (sem qualquer resultado...). Começar a entrar em picardias com todos os adversários que lhe apareçam à frente. protestar com ar ameaçador toda e qualquer decisão do árbitro, pondo-se a jeito para cartões. O "velho" Quaresma de volta! Se conseguirem demonstrar o que de positivo podemos retirar desta atitude, força, carreguem nessa caixa de comentários.



2 pontos perdidos. Ponto final.

Sendo verdade que a exibição foi mais esforçada do que conseguida, não deixa de ser verdade que tudo fizemos (e só nós fizemos), para sair do Estoril com os 3 pontos. Arrisco-me a dizer que, num dia normal do Estoril (sem aquela eficácia ofensiva a roçar os 100%) teríamos ganho 3-0, facilmente. Mais do dobro dos ataques, dos remates, de situações de golo e quase o dobro da posse de bola deveriam ter chegado para as encomendas. Não chegaram... (E olhem que  no Domingo juro que vi quem tenha feito bem menos, tenha jogado bastante pior e mesmo assim tenha ganho). Sonho com o dia, em que também nós vamos poder jogar mal e porcamente e, ainda assim, ganhar. Também sonho com o dia em que todos os adversários, para além do Braga, se lembrem de jogar com tanto ímpeto, tanta vontade e tanta eficácia ofensiva contra os nossos rivais.  

Que Julen passe esta paragem para Selecções a pensar bem sobre as suas responsabilidades neste "desaire". Que se contrate uma psicóloga loira e boazona para cuidar de Adrián. Que se trabalhe até à exaustão aquele 4-3-3 e todas as possíveis combinações de meio-campo. Que ninguém se lesione nas selecções. Que se ponha Indi a dar porrada no Maicon de cada vez que lhe para o cérebro. 

Que se chegue ao jogo com o Benfica em novo crescendo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A Frustração dos "Laterais Esquerdos" deste Mundo

Confesso, que gostava bastante do blog Lateral Esquerdo até há poucos meses. Aliás comecei por ir ao Posse de Bola há já alguns anos mas entretanto acabou por fechar no mês passado. Era um sitio onde se falava de futebol jogado. O meu futebol. Tácticas, posicionamentos ou até quem era realmente determinante no jogo X, ao invés de passar horas a discutir aquele lance ou aquela jogada em que o árbitro Y foi larápio. Mas de algum tempo a esta parte existe uma certa arrogância na forma de ver o jogo que me fez afastar e deixar para trás uma página que seguia com bastante frequência e prazer. Há fenómenos na natureza humana que às vezes não compreendo. Se o típico adepto de futebol é cego em relação à sua equipa (e isso por vezes faz-me não ter paciência para alguns portistas...), este espaço deveria ser acima de tudo educativo. Porque eles sabem a teoria do jogo e como tal podiam mostrar ao adepto comum que o jogo vai muito para além das decisões do árbitro, do jogador que finta muitos adversários e de meter mais avançados na área para ganhar um jogo. Mas o que têm feito por lá? Bater constantemente em 3 jogadores do nosso clube de uma forma incessante. Quaresma, Herrera e Indi. 


Quaresma sempre foi um jogador que me causou mixed feelings, mesmo aquando da sua primeira passagem. Sabia que podia confiar nele para resolver um jogo numa trivela de génio, mas sempre fui mais adepto de Lucho ou Lisandro Lopez, principalmente pela atitude deixada em campo ou pela inteligência no seu jogo (Por exemplo, sempre me fez muita confusão o "Licha" não ter ido para um grande euroepeu. Foi dos avançados mais inteligentes de que me lembro, mas adiante...) O mustang nunca foi um jogador de equilibrios ou de procurar ajudar a equipa defensivamente. Sempre foi um jogador de "passa para cá a bola que eu tento resolver isto sozinho". A mim sempre me causou alguma urticária a sua atitude com o jogo. Não tanto o querer decidir, mas sim o ar gingão com que encolhia os ombros quando alguém o chamava à atenção, era esse ar de indiferença que transparecia para fora que me deixava de cabelos em pé. E se grande parte das vezes (principalmente agora que está mais velhinho) as coisas não saem bem quando procura a jogada individual, há sempre aquela possibilidade de um jogo ficar resolvido assim. Numa jogada, que para o Administradores do Lateral Esquerdo, é egoísta. Mas ver estas ultimas aparições de Quaresma, a defender e a preocupar-se com espaços vazios, e a receber, passa um adversário e espera pelo apoio para passar, deve estar a por aquela malta em brasa. 


A mesma coisa com o desgraçado do Herrera. Vocês até sabem o que eu "bati" no mexicano. Mas ao contrário deles, não tenho qualquer problema em reconhecer a importância de Herrera neste momento na nossa equipa. É horrível a sua percepção de sentido táctico? Sim. Os seus pés por vezes assemelham-se a duas bigornas? Por vezes sim. Mas a verdade é que está a ser um elemento determinante no onze de Lopetegui esta época. É o elemento de equilibrio, o "carregador de piano" e o patinho feio desta equipa. No Lateral Esquerdo até dedicaram um vídeo inteiro a gozar com ele. Isto tudo só para não dizerem que o rapaz até tem surpreendido. Mas claro, os entendidos de futebol não podem dar o braço a torcer...


E por ultimo Martins Indi. É um jogador com algumas limitações. Mas Mangala também o era. Vitor Pereira viu isso e adaptou-se. Lopetegui certamente também verá, mas desta vez não tem um Otamendi do outro lado... O Holandês é um jogador muito ciente das suas limitações e procura jogar curto, prático e sem complicar. No capitulo do passe não inventa. Não o vão ver a fazer um passe de 40 metros, com a delicadeza de quem coloca gentilmente a chuteira por baixo da bola para esta sair num movimento longo mas delicado até ao extremo direito na outra ponta, que consegue receber sem dificuldades tal a qualidade técnica de Indi. Não me parece também que o Holandês seja muito bom a perceber o jogo nas suas costas, onde procura sempre garantir coberturas impossibilitando assim a defesa em linha ou o controlo de espaço nas costas. Mas comprometeu de forma óbvia a equipa em algum jogo?

Amigos, o futebol tem muita lógica. Há coisas que de facto não são para o adepto comum. A qualidade na decisão, a inteligência táctica, aquele treinador que substitui um extremo para meter um médio quando está a perder, ou se o modelo de jogo é adequado para os jogadores em questão. Mas o futebol não é uma ciência exacta. Não é, nem nunca vai ser. E é por isso que este estúpido jogo é tão emocionante. É por isso que o Manchester United virou uma final europeia num minuto. É por isso que Ronaldo (o verdadeiro) se calhar não tomou a decisão correcta ao não passar a um qualquer colega quando marcou este célebre golo ao Compostela (até estava a aparecer do lado direito um jogador mais enquadrado com a baliza...). No futebol, há uma série de equações necessárias para tomar vários tipos de decisões para atingir o sucesso. Mas não é matemática malta. E não há nenhum problema nisso! Tal como critico os programas desportivos que passam HOOOOORAS a falar do filha da mãe do penalty que o árbitro não marcou, critico esta malta que, atenção sabe de futebol, mas torna isso em arrogância quando a realidade vai contra a lógica deles. 

Just enjoy this beautiful game, guys!  

PS: Para não dizerem que sou estou a mandar vir por ser só com o Porto, lá pelo Lateral Esquerdo também se tem malhado no Sálvio, por ser muito cabeça no chão e "correr, correr, correr" e decidir muitas vezes mal. Ou com o Tiago (the player formerly known as Bébé) e a sua forma de jogar o jogo. Ou com o Slimani por ser um jogador mais de área e não tanto de baixar e tabelar com colegas... Mas se fossem completos e perfeitos em todas as acções de jogo não estavam cá certamente.  

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Champions: F.C.Porto vs Athletic Bilbao

Numa jornada fora do comum, tendo em conta o anormal número de golos marcados só na 3ª feira, os nossos rapazes deram um passo importantíssimo rumo aos 1/8 final da mais importante prova mundial de clubes. 


Depois do desaire amargo contra o Sporting no passado Sábado, urgia uma resposta clara e firme de todos - jogadores, treinador e adeptos. Era preciso demonstrar que a derrota tinha deixado marcas e que o orgulho estava ferido. Era importante ganhar acima de tudo o resto, e demonstrar uma atitude de combate, de vitória, que tanta falta nos fez durante larguíssimos períodos do ano transacto. Era necessário perceber se Lopetegui poderia ou não ter acusado o "toque" das críticas pós-Taça - deixou bem claro que não. Era fundamental perceber se estamos todos mesmo a remar na mesma direcção que a equipa e o treinador e a resposta foi inequívoca - não! Tivemos por isso uma noite em que ganhámos, e bem, no relvado e banco de suplentes mas onde nos cobrimos de vergonha nas bancadas, pelas razões que invoquei aqui . 

Num Dragão ainda longe de casa cheia, mas bem preenchido e colorido de incansáveis adeptos bascos, foi um F.C.Porto agressivo, acutilante, rápido e mandão que entrou em campo. Com Brahimi no meio, Quintero na ala, íamos conseguindo chegar com perigo ao último terço do campo, mas faltava sempre algum acerto na definição e conclusão das jogadas. Lopetegui, que costuma ler bem o jogo e altera quase sempre bem, percebeu que precisava de Quintero por dentro, entre linhas, e isso - e um Tello e Danilo endiabrados - foi contribuindo para muitos espaços no último reduto dos bascos. Fomos encostando o Athletic às cordas e podíamos (com mais alguma tranquilidade, a tal que decerto não cresce com assobios constantes) ter chegado com alguma naturalidade ao intervalo com 2-0.  Foi simples, bonita, eficaz e finalizada com classe a jogada que deu origem ao primeiro golo, colocando asism alguma justiça no marcador.

No regresso do intervalo, para além de trocar peças, os bascos alteraram a atitude na transição defensiva. Muito mais agressivos na nossa saída de bola, (aqui, continuamos a pecar, como falarei mais adiante), fomos obrigados a cometer mais erros, surgiram os idiotas do costume a assobiar cada toque na bola, e dum novo erro (desta feita repartido entre Herrera e Casemiro) surgiu o inevitável golo basco. Esta fase do jogo foi muito complicada, e ficou demonstrado o porquê de Quintero não jogar mais vezes numa posição central - tem muuuuito para evoluir a nível de posicionamento. Lopetegui percebeu, mais uma vez, do que a equipa necessitava e lançou Rúben Neves no lugar do colombiano, numa tentativa de nos dar mais qualidade na saída, e maior capacidade de ter bola, retirando alguma iniciativa ao Athletic. Uma vez estabilizado o meio-campo, trocou (com toda a lógica) Casemiro por Quaresma, que veio dar nova alma ao nosso jogo ofensivo. Resultou tudo na perfeição, num lance em que Quaresma aproveitou da melhor forma uma jogada simples mas brilhante de Brahimi, que lhe estendeu uma passadeira para o golo. Depois, com a entrada de Oliver, e mais alguma coesão entre sectores, conseguimos "congelar" o jogo. Mas ainda tivemos oportunidade de perceber se os nossos miocárdios estão em forma, com um perigosíssimo cabeceamento após um livre lateral, que Fabiano segurou com algum aperto. Até final poderíamos ter aumentado a contagem mas Jackson esteve em dia não no capítulo da finalização.

Vamos a notas:

(+) Positivo

  • Entrada em jogo -  Esta foi umas das coisas que mais me agradou, após alguns jogos em que entrámos um pouco "amorfos" na partida: um início a todo o gás, com vontade de "matar" veleidades logo à partida. Entrar à Porto. Gostei!
  • Aliança Tello - Danilo - Se o segundo está num momento assombroso de forma, respirando e transpirando saúde e confiança por todos os poros, muito se deve ao primeiro, cada vez mais uma peça fundamental na manobra ofensiva. O lado esquerdo dos bascos deve ter acabado a primeira parte perto dum ataque de nervos tantas foram as combinações que ambos conseguiram. Duas peças fundamentais do Porto neste momento.
  • Jogada do 1º golo - Ma-ra-vi-lho-sa! Tomada rápida de decisão, aproveitamento dos espaços, jogo interior, Herrera a aparecer no sítio certo e um hino ao futebol. Porque não aproveitar ainda mais vezes o corredor central gente?
  • Brahimi - Muito negeligenciado este rapaz quando não "aparece" mais sobre os holofotes. Mas a capacidade de drible dele é estonteante, a forma como atrai 2 e 3 jogadores e solta a bola, criando desequilíbrios é incrível. No golo de Quaresma, a sua acção é fundamental, tanto na forma como foge ao lateral, como obriga a uma compensação e liberta Quaresma numa zona mais central, com mais hipóteses de ter sucesso. Bravo! 
  • Quaresma - Lançado quando devia, a fazer o que lhe é pedido - arriscar e decidir, sem amuos, sem cara feia, com atitude e vontade. Consigo compreender que todos gostem de jogar de início, mas relembro que Solskjaer (por exemplo), foi dos jogadores mais decisivos da História do United e raramente jogava de início. Uma questão de egos, right?
  • Lopetegui - Apesar da loucura anti-Lopetegui que grassa por essa nação portista, mais uma vez esteve sublime nas mexidas. Em todas alterou o jogo e em todas nos deixou mais próximo de o ganhar. A troca posicional de Quintero e Brahimi. A entrada de Rúben, Quaresma e Óliver... Tudo decisões de alguém que percebe o jogo, lê bem o que o jogo pede, e mexe bem. Quase sempre bem, quase sempre com notórias melhorias na nossa forma de jogar. Mas decerto haverá quem critique isto. Habitua-te a estes desmiolados Lope... E manda-os foder! Assim mesmo, com f. Não é joder; é foder!

(-) Negativo

  • A saída de bola - Já muito foi escrito, dentro e fora da Bluegosfera, acerca desta questão. Continuo a ser da opinião que esta é uma das fases do jogo na qual precisamos de mais trabalho e de correcções. Sabemos que os nossos centrais não são grande espingarda com bola? Então um dos médios tem de baixar para dar apoio, e os laterais têm de estar mais subidos no terreno. Estamos continuamente numa linha de 4 jogadores, sendo facilmente anulados neste processo, O início da 2ª parte deste jogo foi uma clara demonstração da nossa incapacidade de sair perante equipas mais pressionantes, não sobre o portador de bola, mas sobre as linhas de passe mais próximas. Se se quer que sejam os centrais a sair, então eles devem ir progredindo no terreno até surgir um adversário a "fechar portas", e aí soltam num colega que, inevitavelmente estará sozinho. Perdemos mesmo muito tempo a trocar a bola lateralmente entre os 4 defesas, e o pior é que qualquer equipa (mesmo mediana ou até medíocre) já percebeu que pode anular facilmente a nossa saída. Demasiadas vezes incorremos no pontapé longo á custa deste facto. Urge corrigir isto, com alguma celeridade.
  • A "pressão alta" - Poderei estar enganado, mas a nossa capacidade de pressionar tem vindo a piorar nos últimos jogos. Alguma desorganização, gente a pisar os mesmos terrenos e algumas auto-estradas abertas em zonas absolutamente proibidas. Uma dessas fases de desnorte deu aos bascos a única situação de perigo durante a 1ª parte. Não compreendo se tal aconteceu maioritariamente pelo deficiente posicionamento defensivo de Herrera e Quintero, ou à excessiva lentidão de Casemiro, mas a verdade é que aconteceu mais do que uma vez. Também noto que Maicon e Indi nem sempre acertam nas saídas ao portador e nas coberturas. 
  • Novo erro, novo golo sofrido - Passe errado de Herrera, lentidão de Casemiro na reacção, e deficiente leitura de Maicon, que foi batido com uma facilidade inacreditável -  com uma finta que consistiu em trocar a bola de pé, com a maior das calmas. Continuem a tentar corrigir isto rapazes, senão vamos tornar os nossos cardiologistas em bilionários! Nota: mais incrível do que a nossa incpacidade única a nível Mundial de marcar penalties, só a % de eficácia de aproveitamento dos nossos erros por parte dos nossos adversários. Um erro, um golo! Tiro e queda!
  • Casemiro - Lamento colocar-te aqui, logo agora que foste seleccionado para o escrete , mas tenho de ser honesto: não tenho gostado. Bem sei que vem de lesão, e por isso dou-lhe algum benefício, mas tem de se reencontrar. Casemiro parece estar a jogar sempre sob brasas, sempre com uma sofreguidão demasiado elevada, que o leva a falhar a abordagem a incontáveis lances, o que se constata na quantidade de faltas e no número de maus passes que faz. Não sabemos bem como (nem ele sabe, decerto), conseguiu terminar sem ver amarelo. Rúben é, neste momento, um 6 muito mais completo e não consigo ver Casemiro com pernas para ser um 8.
  • Assobios do público - Pura estupidez! É só isso...


Menção Honrosa: Herrera - Inauguro esta nota porque estive aqui numa dúvida enorme sobre se colocava Herrera no + ou no - . Ora, se tivemos hoje alguns fogachos do "Herrera Bom", com participação activa nas jogadas ofensivas, na forma decidida com que colocou a bola na baliza, e com uma abnegação, espírito de combate, resistência, que me fizeram imaginar que terá 3 ou 4 pulmões, aquele gémeo terrível dele, o "Herrera Mau", persiste em não o deixar voar. Continua a ser má demais (malta, má demais mesmo!) a falta de posicionamento defensivo, a forma como desequilibra o meio campo nessas situações e a fraca capacidade de recuperação de bolas (que Oliver e Ruben Neves, correndo bem menos, conseguem com maior facilidade, fruto dum muito melhor posicionamento). E um passe lateral errado numa zona em que não podemos falhar, que deu em golo do Athletic... Estou dividido gringo! 


Resumindo, 3 jogos na Champions, ZERO derrotas, ZERO pontos perdidos em casa, SETE pontos ao todo e um pézito na próxima fase. A uma equipa totalmente nova, pede-se que vá trabalhando para melhorar. Ajuda - oh! se ajuda - construir a equipa numa base de vitórias. Gostei da resposta dos nossos rapazes neste jogo. Gostei deste jogo. Gostei. Mas aquele nó no estômago antes de ir a Arouca já vai fazendo das suas... Vamos lá "engatar" numa série de vitórias? 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Fernando Santos... e os magníficos sub-21

Agora que tivemos a 2ª paragem nas competições nacionais em praticamente 2 meses (sonho com o dia em que FIFA e UEFA vão gizar um plano competitivo que não prejudique os clubes desta forma), falemos um pouquinho sobre as Selecções.



Os sub-21 alcançaram um feito inédito, diga-se. Não obstante o talento que por ali anda, há que reconhecer que Rui Jorge soube retirar máxima vantagem desse facto. Não chega haver talento, é preciso pô-lo ao serviço da equipa e isso, não é para todos. Se já durante a fase de grupos os miúdos fizeram exibições portentosas, o jogo em Alkmaar foi fantástico. Estratégia bem montada, jogadores todos muito próximos, abnegados e extremamente pressionantes, belos intérpretes e, sobretudo, um hino ao futebol colectivo. Gostei imenso de ver este jogo, e fiquei ainda mais entusiasmado com Rúben e, principalmente, com Ricardo. Se no primeiro impressiona a facilidade com que se integra numa equipa já com 8 jogos de "andamento" e ocupa aquela posição "6" com uma classe e tranquilidade assustadoras, Ricardo continua a demonstrar uma polivalência inacreditável. Já o vi a jogar como Lateral (esquerdo e direito), Médio Ofensivo (no Vitória), Extremo (esquerdo ou direito), Central (durante uns minutos na época passada em casa com o Belenenses), e agora como Avançado mais móvel no 4-4-2 dos sub-21. E o mais curioso é que foram raras as vezes que não me surpreendeu. Alia uma belíssima capacidade técnica a uma velocidade notável mas parece-me que a sua maior arma é a inteligência posicional que demonstra em qualquer posição em que joga. Bem sei que tem rivais à altura no plantel principal do Porto mas vejo o rapaz como uma certeza para um futuro muito breve. Não acompanhei o festival de golos de Paços de Ferreira, na 2ª mão do play-off, mas ver os nomes de Rúben e Ricardo na lista de marcadores encheu-me de alegria. Menção honrosa para Sérgio Oliveira e um grande destaque para Bernardo Silva - é, efectivamente, um jogador que tem tudo para ser fabuloso. 



Falemos agora dos AA, comandados agora pelo nosso querido Engenheiro. Gosto de Fernando Santos, tenho de admitir. É fácil gostar dele: parece-me um indivíduo inteligente, ponderado, bom comunicador, sério e trabalhador mas, acima de tudo, coerente. Recordo-me de ver as suas equipas sempre bem trabalhadas no plano ofensivo, e com um sistema defensivo de referências individuais pouco "moderno". Era também pouco acutilante (corajoso, se preferirem) na abordagem a alguns jogos, mas não esqueço que com ele derrotámos um Super Real Madrid, e só um tristemente célebre Hugh Dallas nos impediu de eliminar o colosso Bayern na Champions. Mesmo depois de ter deixado o clube para outras aventuras, onde se contam passagens pelos nossos rivais, penso que não há uma alma que não simpatize com o Engenheiro. Sendo assim, parece-me que estão criadas as condições ideais para que haja alguma harmonia em torno da selecção, no que à liderança técnica diz respeito.

Não vi o jogo de Sábado, excepto os últimos 10 minutos, e gostei da sensação de ver um colectivo mais organizado, mais crente nas suas capacidades e com capacidade de luta. Vi também Quaresma a fazer o gosto ao pé (confesso que teria tremido se fosse marcar um penalty pelo Porto...) e um João Mário a deixar água na boca. 
No jogo de ontem, podemos destacar a coragem de Fernando Santos em avançar com a "remodelação" do modelo de jogo. Um meio campo com maior propensão para ter, e saber ter bola - pese embora a fraca forma de Moutinho - com o nosso mais forte trio de avançados à frente, com bastante mobilidade e velocidade. Na defesa, voltámos a ter dois defesas-centrais competentes (jogaço de Ricardo Carvalho), e só as anedotas que jogam como laterais destoaram. Sendo certo que foi um jogo com pouco sabor, é também verdade que Portugal criou mais oportunidades e fez mais por merecer a vitória. Não gostei muito de alguma desorganização entre os 20-35min da 1ª parte, e também com o facto de Tiago e Moutinho se terem desgastado tanto com coberturas defensivas. Sendo eles os cérebros da construção ofensiva, ficaram com poucas pernas para a parte final do jogo. Santos leu bem, ao colocar Quaresma e João Mário e foi uma maravilha ver aquele cruzamento genial de Quaresma chegar direitinho à cabeça de Ronaldo. Quanto a Quaresma, no pouco tempo que esteve em campo demonstrou tudo aquilo que é: tentou por 2,3 vezes fintar 2,3 adversários em zonas impossíveis, perdendo a bola com facilidade, e depois foi capaz de ir à linha "sacar" um cruzamento perfeito, que valeu 3 pontos. Assim, fácil. Tudo isto do tal jogador que dá mau ambiente se não joga e que é muito individualista (argumento de acéfalo, numa selecção que tem Ronaldo...). Doeu muito Paulo Bento?


Venha a Taça!


sábado, 23 de agosto de 2014

Porto vs Lille e Tweetolândia

Não estava fácil a publicação desta crónica sobre o jogo de quarta-feira. Primeiro, o "capitalista" do Z encontra-se de férias, provavelmente em frente a uma qualquer piscina de água aquecida com um Mojito na mão direita e um charuto cubano na outra. Como dizia o Herman José num sketch bem conhecido "se não tá deitado, tá estendido..." e desse modo não tenho o "suporte" do costume na gestão do blogue. Segundo, depois de em Junho me ter falecido um computador de marca Japonesa (para evitar problemas de copyright vou usar o seu nome completo - António Shiba) desta vez foi o carregador da maçã ruída a dar problemas, deixando me sem computador durante uns dias. Tudo resolvido, passemos ao futebol. 


Estreia do Porto na Europa este ano contra um Lille que não metia medo, mas impunha respeito. Um 4ª lugar no ano passado, alguns jogadores interessantes e um treinador que já foi campeão francês. Lopetegui deixava Quaresma no banco e avançava com Casemiro para o 11 como eu tinha pedido (Obrigado Mister, eu sei que me tem sempre em conta antes de fazer o onze). Confesso que quando vi quem ia jogar, estranhei a opção por tantos médios, mas o que é facto é que este Porto deixa cada vez mais água na boca pela qualidade individual que tem. E essa qualidade individual está a ser cada vez mais usada de forma colectiva. Foi um dos onzes mais jovens de sempre da história do clube com uma média de 23,48 anos. Incrível. O Porto entrou bem no jogo, teve bola e não acusou estar a jogar fora. O Lille esteve sempre expectante e deixando Jaime Pacheco com uma lágrima no canto do olho, optou pela táctica do "distribuir lenha a torto e a direito". Com a permissão do holandês Bjorn Kuipers (que ódio que eu te tenho desde a Supertaça Europeia com o Barça...) a equipa francesa foi deixando marcas nas canelas dos homens de azul-e-branco. Apesar do controlo total do Porto não existiram muitas ocasiões de perigo até ao intervalo. Na cobrança de um livre lateral, ficou por marcar um pénalti contra o Lille por puxão em Jackson Martinez. O único remate perigoso do Lille na primeira-parte foi feito já com esta a terminar, com a bola a passar ligeiramente por cima da barra da baliza de Fabiano. Sorte do nosso lado e... intervalo. 

A segunda-parte começava e trouxe um Porto mais seguro e mais decidido, Brahimi não estava a fazer um grande jogo (desta vez ocupou o lado direito do ataque) e acabou por dar lugar a Tello que na primeira vez que toca na bola assiste Jackson, e Herrera na recarga faz o 1-0. Muito boa a jogada iniciada (e concluída) pelo mexicano antes do meio-campo, Ruben Neves temporiza e serve Tello que aguarda o momento certo para colocar a bola na área. Nota 20 para todos na decisão! O Lille procurou responder metendo em campo os "putos" rápidos e talentosos Rony Lopes e Ryan Mendes. E criou algumas dificuldades ao Porto. Mas apesar do caudal ofensivo dos franceses, a equipa de Lopetegui pareceu melhor defensivamente do que no fim-de-semana. A equipa parecia mais compacta, com mais unidades a ajudar a defender quando na verdade era apenas e só (uma melhor) organização. Casemiro dá à equipa mais consistência a defender e mais qualidade no passe longo. Fabiano ainda nos fez suar pelo menos duas vezes, mas o resultado manteve-se inalterado. Uma vitória que dá segurança e nos deixa a sonhar por mais.


(+) Positivo


Oliver Torres - Vou passar o ano inteiro a chorar por ele porque sei que este "metro e meio" de jogador nos vai abandonar no final do ano. Que qualidade tens tu, puto. Pés de craque, inteligência táctica que lhe permite jogar numa ala sem perder grande qualidade exibicional. Deve ser um jogador "chato" de defrontar tal é facilidade com que roda sobre adversários, pela raça que demonstra a recuperar bolas e por ainda ter qualidade para pormenores técnicos deliciosos. Vai ser um monstro!

Ruben Neves - Mais um recorde do nosso puto-maravilha. Gosto da postura "and not a single f*ck was given" que aparenta ter em resposta a todo o ruído à sua volta. Vendo este jogo fica a ideia que será mais um 8 do que um 6 tal é a sua percepção de onde deve estar para receber passes, o seu jogo simples, o seu remate fácil e a forma enérgica como mantém o meio-campo em rotação. Chegou a ter 85% de passes certos. Na Champions. Com 17 anos. Fantástico.

A dupla dos centrais - Estiveram em grande. Houve erros? Sim. Maicon teve um (talvez o único em toda a partida) que podia ter originado golo do Lille no final da primeira-parte. Mas tanto ele como Indi foram certinhos, no passe, na marcação, na premissa "Tá apertado, joga prá arquibancada!". Não são os melhores do Mundo, mas noites como a de quarta-feira dão-nos segurança. Venham mais jogos assim. 

(-) Negativo


Herrera - Héctor, juro que não é nada pessoal, mas tu estás a dar tudo para eu ter razão. E eu gostava de não a ter. Marcaste o golo da vitória, eu sei. Mas a quantidade de bolas perdidas e de passes falhados que saíram dos teus pés foi ridícula. 69% de passes certos numa equipa que gosta de posse é uma estatística muito má. Vê lá isso pá. É que até simpatizo contigo e com as tuas orelhas, moço.

Fabiano - Tanta tremedeira. Não deu segurança nenhuma quando a equipa mais precisava. Teve duas falhas demasiado graves para o nosso nível. Aquela bola que não agarra num livre é absolutamente ridícula. Tal como aquela saída até à marca de penalty. Duas jogadas que nos podiam ter custado a eliminatória...

Não saber gerir a bola e o excesso passe longo - Demos demasiadas bolas ao adversário com mudanças de flanco desnecessárias quando estávamos em vantagem. Para quê? Não seria melhor ir trocando a bola, mantendo a posse evitando dar a bola ao Lille? E os livres mais recuados com Maicon a despejar lá para a frente sem grande critério. Para quê? A rever. 


Faltam 90 minutos para estarmos de volta à Liga dos Campeões. Com seriedade e sem complacência no jogo da 2ª mão iremos ganhar na nossa casa, no nosso estádio, com os nossos adeptos sempre a apoiar. Ainda há muito para crescer, mas esta equipa já demonstra muita qualidade. Quando os automatismo começarem a existir podemos ser um "caso sério"! 

VAMOS LÁ EQUIPA! 

Ah, eu nem sou de chorar com árbitros mas cuidado com os homens do apito. É que este holandês...


Tweetolândia


















PS: O "pseudo-caso" Quaresma - Disse aqui a 11 de Maio que Quaresma seria a minha 1ª dispensa para esta época. Não acredito que deva ser o nosso capitão por não ser propriamente um exemplo na forma de estar dentro e fora de campo, e o jogo de Lille veio-me dar razão. Se Lopetegui o colocou no banco, o jogador (seja ele quem for!) só tem de aceitar a decisão e esperar uma oportunidade para mostrar ao treinador que estava enganado. Antes de entrar já estava com cara de quem não estava com grande vontade de ir a jogo. Esteve 3 ou 4 minutos em campo, e a primeira acção que teve foi cometer uma falta completamente desnecessária junto à nossa área que poderia ter tido outras consequências. Fala-se em castigo, possível saída até ao final do mês mas o que eu quero verdadeiramente é que isto não afecte o grupo. É que hoje o "Palminhas" Fonseca vai querer ser o ultimo a rir.