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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Porto vs Sporting (Taça de Portugal)

Demasiado mau. Tudo. Foi daqueles jogos que me deixou com as mãos a tremer num misto de desespero e frustração. Foram demasiados sinais de que as coisas não estão bem. E a minha lua de mel com Lopetegui terminou. E terminou porque começam a existir muitos indicadores de teimosia. E se há coisa que não suporto num treinador é teimosia, porque só me vêm à cabeça Scolari e Paulo Bento. Compreendo todas as ideias de Lopetegui. Todas mesmo. Seja a ideia de jogo que passa por fixar o adversário a um dos lados e rapidamente mudar o flanco para surpreender o adversário, seja a rotação (constante) de jogadores de modo a deixar o balneário mais feliz, onde todos têm minutos de jogo, seja o ter um Plano B e tentar pô-lo em prática em jogos de carácter mais complicado... Percebo tudo. Mas também já percebi que nenhuma dessas ideias está a resultar. E o pior é que segundo a capa d'O Jogo hoje parece que os (maus) hábitos são para manter.


O jogo é facilmente resumido a um baile táctico por parte de Marco Silva. Não há que ter vergonha de o assumir. E novamente a um par de golos sofridos caricatos, e claro, a mais um penalty falhado. Por muita culpa que Lopetegui tenha em muito do que vai mal neste Porto, quando se sofrem golos como os que temos sofrido e se falham tantos penalties, não há treinador que resista. E esta derrota para mim doeu muito. Muito mesmo. Não pelo resultado em si mas pelos maus sinais deixados pela exibição. Disse ao Z ontem durante o jogo entre mensagens que passei o jogo a lembrar-me de Vitor Pereira. Bateu o saudosismo daquela consistência defensiva e daquela (maldita) frase dita por ele numa entrevista à RTPN há alguns meses:"Saí para dar a hipótese aos adeptos do Futebol Clube do Porto de apreciarem outro tipo de futebol". E juro que vejo nisto um "bruxedo" estilo Bella Guttman no Benfica. Se Vitor Pereira tem conhecimentos do oculto não sei, mas lembrei-me (e muito) da ultima equipa dele onde não havia metade das opções que há hoje, onde Defour (sim, esse) era o 12º jogador e chegou a actuar a extremo esquerdo no Estádio da Luz, e que perdeu Hulk já depois do fecho do mercado e recebeu em Janeiro... Liedson e Izmailov! Mas falemos do presente. Não é o fim do mundo, nem atiro a toalha ao chão mas são muitos sinais a rebentarem o balão de confiança que existia até agora. A ideia de regressão desde o inicio de época é outra coisa que parece existir. E isso, é muito mau sinal... 


(+) Positivo 

Nani - É metade da equipa do Sporting e muito possivelmente o melhor jogador da liga.

O passe de Quintero - E só isso.

(-) Negativo 

Lopetegui - Mister, clássicos são clássicos. São para ganhar sempre. E mexer tanto num jogo destes foi um tiro no pé. Com uma shotgun de canos serrados. Já escrevi aqui N vezes que esta é uma equipa que há um ano atrás jogava com Helton, Otamendi, Mangala, Fernando, Lucho e Varela no onze. Tudo homens experientes com muitos anos de casa (tirando talvez Mangala que "só" cá esteve 3 anos). Que ganharam muito e sabem o que é o clube. Portanto não há "por onde pegar". Olhamos para o Benfica e vemos que Artur, Maxi, Luisão, Jardel, Enzo, Gaitan, Salvio e Lima são a base onde novos jogadores entram. Olhamos para o Sporting e vemos que Rui Patricio, Cedric, Mauricio, Jefferson, William, Adrien, André Martins, Carrillo e Slimani são a base do ano anterior. Lopetegui não pode pegar por aí. Não tem por onde pegar e por isso precisa de ir à procura de estabilidade. E o seu maior inimigo neste momento é ele próprio quando usa e abusa da rotação de jogadores no onze inicial. Se fui critico de quem mandou vir com ele no jogo com o Shakhtar que não fez rotação ao mudar 2 jogadores como Marcano a 6 e Aboubakar no lugar do "tocado" Jackson, agora tenho de concordar com algumas das criticas por aí feitas. Como é que podem existir rotinas entre centrais e PRINCIPALMENTE no meio-campo quando os jogadores estão a entrar e a sair da equipa? E defrontar uma equipa como o Sporting que treme bastante na defesa com extremos que não são extremos e que procuram essencialmente o jogo interior? Foi mau demais. Maicon não pode ser titular quando faz cagada atrás de cagada. Já cá está há tantos anos e devia garantia experiência e calma a uma equipa recheada de miudagem. Herrera parece ser um rapaz simpático mas muito trapalhão e não tem qualquer noção de posicionamento. Casemiro consegue ser mais lento que um caracol com obesidade mórbida. E ter elementos com actuações repetidamente negativas, não pode trazer nada de bom para a equipa, Mister. Estas 3 posições mais a de extremo direito parecem ser outro grande problema nesta equipa.

O modelo de jogo e tudo o resto - É impossível querer ter a bola e ter um jogo assente na posse quando há uma ausência brutal de jogo interior. É impossível iniciar a construção nos centrais quando os médios não se movimentam e não criam linhas de passe, tornando qualquer pontapé de baliza curto num momento de nervosismo completamente desnecessário. É impossível querer defender bem quando não há controlo nenhum da profundidade a defender. Houve momentos em que a nossa linha defensiva fazia uma espécie de Zig-Zag que punha todos os defesas a olhar uns para os outros a tentar perceber quem descia ou quem subia de modo a fazer efectivamente... uma linha. A ausência de colectivo nesta equipa é confrangedora. Nomeadamente a pressionar. Há um remate de Oriol Romeu na segunda parte que nasce num momento absolutamente ridículo. Nani recebe a bola do lado esquerdo do ataque do Sporting e tem 3 (!) jogadores à sua volta numa espécie de pressão. O Português levanta a cabeça e dá a bola para o lado onde o espanhol livre de qualquer marcação recebe, levanta a cabeça e remata para boa defesa de Fernandez. E foram lances assim que me deixaram bem próximo de um enfarte. É impossível querer ganhar jogos, e já nem falo de competições profissionais quando se sofrem golos como os que nós sofremos nos últimos jogos. Dava para fazer um video com a musica do Benny Hill de fundo e ninguém acreditaria que aquilo é o nosso clube. Ah, e é impossível ganhar jogos quando não conseguimos marcar penaltis. É uma patologia ridícula e que tem remédio fácil. Ponham o Indi com aquele ar de bicho a marcar penaltis de "bico". Duvido que haja um guarda-redes que não trema.

O povo manso - Fala-se muito em "cultura de exigência" em toda Bluegosfera. Mas há uma coisa que me desgasta e me deixa receoso no futuro. É ver que o principal inimigo está sentado nas bancadas do Dragão. Gosto de pensar que não é a maioria. Mas faz-me muita confusão a facilidade com que nos conformamos. Mas é um fenómeno recente. Lembro-me de um jogo no Dragão em 2010 onde o "mais melhor bom mega ultra supersónico" Benfica que foi campeão nessa época entrava com hipótese de ser campeão em nossa casa. Lembro-me que Jesualdo Ferreira, então treinador, tinha sido expulso de forma ridícula no jogo anterior em Setúbal que o Porto tranquilamente ganhou por 5-2 e ficou na bancada. Lembro-me que Falcão também ficou de fora depois de ter visto um amarelo sem lógica que deixou o colombiano tão irritado que nem festejou o ultimo golo do jogo marcado por si. Portanto entrámos em campo no Dragão contra o Benfica, que tinha a oportunidade histórica de ser campeão na nossa casa, sem treinador no banco, sem o nosso avançado titular e sem o nosso guarda-redes e capitão Hélton que estava lesionado. Ah, e ficámos a jogar com 10 no inicio da segunda-parte. Alguém se lembra do resultado? Vencemos por 3-1. Mas o mais importante de tudo. Alguém se lembra do ambiente no Dragão? A força que carregou a equipa naquela vitória veio da revolta de uma época com fenómenos muito estranhos, mas acima de tudo de uma massa adepta que NUNCA abandonou a equipa e esteve lá a criar um ambiente terrível contra um rival. O que vimos este sábado contra o Sporting foi mau demais para ser verdade. Seja o silêncio perante os insultos dos adversários ao nosso Presidente, seja a animosidade criada à própria equipa após cada passe errado. Juro que não consigo entender esta lógica.


E agora? Limpar rapidamente a imagem com o Athletic Bilbau, já amanhã! 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sporting vs Porto

Mais um jogo sem vencer em Alvalade, mais um empate, mais alguns equívocos na equipa inicial e na batalha táctica do jogo (principalmente a meio-campo) e mais um jogo recheado de polémicas.



Jogar em casa dum adversário directo e entrar da forma desastrada como entramos, com um erro individual (mau passe de Rúben) e um descalabro colectivo na forma como fomos apanhados desequilibrados e ninguém soube compensar ninguém, aliado à saída fora de tempo e desnecessária de Fabiano, tornou o nosso início de jogo num pesadelo, do qual não conseguimos "acordar" até praticamente meio da 1ª parte. Raramente conseguimos subir com critério, houve demasiados passes sem nexo (há lá um de Casemiro que é uma aberração) mas, acima de tudo, uma falta de organização colectiva assustadora. Rúben e Casemiro raramente sabiam que espaços ocupar, e Herrera foi-se desgastando em demasia para tentar fechar portas a meio-campo. Os nossos laterais foram sendo "massacrados" com inúmeras situações de desvantagem numérica por deficiente ajuda por parte dos extremos e aqui destacou-se Alex Sandro pela negativa, a revelar as deficiências de posicionamento que não lhe víamos desde o ano passado, e sem pernas nem pulmão para aguentar com Carrillo. O Sporting pressionava de forma agressiva e inteligente, nunca deixando que os nossos jogadores tivessem tempo de rodar e encontrar apoios mais frontais, e o nosso jogo foi-se arrastando assim pela 1ª parte fora. Rematar pela primeira vez aos 20 minutos para a bancada e pela primeira vez com relativo perigo quase à meia hora de jogo é manifestamente pouco para um candidato ao título.

Lopetegui percebeu o erro e trocou quem deveria trocar ao intervalo. Um Rúben perdido em campo e um Quaresma praticamente inofensivo, e já com um amarelo após inqualificável entrada sobre Nani, só "porque sim" (começa a ficar complicado arranjar forma de te defender Ciganito...). Oliver e Tello vieram dar uma nova "alma" à equipa; soubemos ter mais bola, soubemos construir com maior critério (mesmo que a construção a partir dos centrais nos faça tremer tanto em algumas alturas), houve maior capacidade de pressão mas, acima de tudo, houve mais capacidade de jogar entre linhas, e de desequilibrar por completo a frágil defensiva leonina. Primeiro foi Jackson que, isolado tentou algo que pode ser considerado como "tiro ao boneco", mas uma sucessão de jogadas pela direita do nosso ataque culminou com o cruzamento que Sarr desviou para a própria baliza. Foi pena a lesão de Casemiro, que obrigou Lopetegui a improvisar com Reyes, e que nos retirou algum domínio enquanto nos readaptávamos à troca. Capel fez-nos congelar com uma "bomba" à barra, mas conseguimos terminar o jogo por cima, e Herrera ou Tello (jogada que devia dar direito a levar uns bons tabefes do Indi no balneário) poderiam ter dado um desfecho diferente ao jogo.

Empate que, tendo em conta a nossa 1ª parte, acaba por ser um resultado menos mau, mas que deixa aquele sabor amargo de voltarmos a não conseguir ganhar em Alvalade. E de termos o 4º empate consecutivo. E de estarmos a 4 pontos daquele lugar de que tanto gostamos.


(+) Positivo 

Oliver -  Bem-vindo de volta rapaz! Um jogador com a capacidade de virar um jogo do avesso mal pisa o terreno de jogo tem de ser de topo. Este menino é fabuloso. Joga muito, faz jogar, dá linhas de passe entre linhas e ajuda a desmontar defesas, abre espaços para que outros (Brahimi, Jackson, Tello, Herrera) possam decidir, mas é no momento de transição defensiva que este puto me tira do sério. A capacidade de pressionar bem, sem faltas desnecessárias e com roubos de bola em zonas perigosíssimas é algo que impressiona. Será muito pedir Oliver, Evandro e Rúben a 6 já em Lviv?

Reyes - Quando entrou para aquele lugar, temi um pouco pela nossa capacidade de resposta, mas o mexicano adaptou-se muito bem. Seguro no passe e bem a ocupar espaços, foi uma agradável surpresa vê-lo actuar com tamanha serenidade num jogo destes. Continuo a pensar que pode ser um jogador incrível, assim consiga estabilizar a parte psicológica.

Centrais - Tirando o lance do golo do Sporting, em que todos andaram aos papéis, uma exibição segura de ambos. Indi demonstrou um posicionamento impecável em certas situações, embora ache que perde demasiados lances aéreos. Marcano é daqueles jogadores que não inventa, mas precisa de trabalhar o passe. Em suma, boa exibição.

(-) Negativo 

A 1ª parte - Com que então não ganhamos aqui há não sei quantos anos? Vamos lá então entrar todos a "dormir" e permitir um golo logo aos 2', para ser mais interessante. Depois vamos lá esquecer de como se pressiona, de como se troca a bola e de como nos temos de posicionar até ao intervalo. O Mister depois corrige... Inqualificável a entrada no jogo e consequente 1ª parte da nossa equipa, a fazer lembrar alguns dos jogos do ano passado. Ano passado... Que arrepio na espinha! 

Alex Sandro - Quando Carrillo saiu, um amigo que via o jogo ao meu lado disse "O Alex Sandro acaba de respirar de alívio...". Um Alex trapalhão, lento, complicativo, desamparado (principalmente  na 1ª parte) e de volta às paragens cerebrais de um passado demasiado fresco na nossa memória. Cheguei a suspirar por Angel!

Quaresma - Começa a ficar complicado compreender como Quaresma pode encaixar-se neste F.C.Porto. Na 1ª parte, zero de apoio defensivo (a Danilo ou a Alex Sandro), poucas boas decisões quando em posse, um remate desastrado e absurdo na primeira vez que conseguimos um esboço duma jogada ofensiva, uma entrada violenta de menino amuado sobre Nani... Um suposto capitão de equipa, com muito mais anos de experiência do que muitos dos colegas, com muitos mais anos de casa, não pode ter esta postura. Lamento, Quaresma! Sou dos que procura defender-te ao máximo, mesmo quando se observa que não dás tanto ao colectivo como qualquer outro dos teus colegas - e até considero que tens andado esforçado para demonstrar que és capaz de ser trabalhador e humilde - mas és daqueles casos crónicos que, à primeira oportunidade, deita tudo a perder. És um Fábio Paim que conseguiu continuar a jogar futebol a um nível aceitável. Achas que vais ter sempre muito talento nos pés e hás de ter 40 anos e continuar a achar o mesmo, sem perceber que isso só não chega para a EQUIPA obter os 3 pontos. 

O trio do meio-campo - Lopetegui... Casemiro e Ruben ao mesmo tempo, não funciona! Se lhes juntares Oliver, talvez dê. Se lhes juntares Herrera, fica impossível. Casemiro é 6. Rúben é 6. Não sabem ser 8 (para já)! Já chega de cometer sempre o mesmo erro, para depois corrigir ao intervalo. Queima-se uma alteração e dá-se uma parte de avanço ao adversário. Nunca te chateei com o "não-caso" Quaresma e com a falsa questão da rotatividade. Até consegui perceber que tenhas evitado colocar Aboubakar contra o Boavista e que tenhas mexido tão tarde em Guimarães. Chegar a Alvalade e arriscar ir a jogo sem meio-campo já começa a soar perigoso. Espero que o regresso de Oliver te venha dar mais certezas.


Como já se disse antes, sou da opinião que o Porto tem de ganhar sempre, independentemente de contingências como relvados impraticáveis (Académica 2011/2012), roubos descarados (Alvalade 2002/2003) ou qualquer ataque alienígena ou desastre natural que possa acontecer. O Porto não ganhou em Alvalade muito por culpa do que se disse acima. Agora, é indesmentível que houve casos, que houve polémicas, que houve mais uma diferença de critérios gritante, e que no final de contas, já é o 3º jogo consecutivo em que tal acontece. Slimani afinal, pode apertar pescoços como e quando quiser. Adrien pode entrar de sola como e quando quiser. Jackson não pode conquistar uma bola a nenhum defesa quando quiser. E nem falo do lance da mão de Maurício, porque nesse lance até consigo dar benefício da dúvida à equipa de arbitragem. Já fomos beneficiados por árbitros e já fomos prejudicados, e vai ser sempre assim com os "grandes" enquanto forem "grandes". O mais curioso é observar o peso que tem um erro a favor do Porto e um erro contra. Erro a favor é corrupção. Contra é acidente. A favor é escândalo. Contra é perfeitamente normal. A favor é parangona de jornal. Contra é "esquecido".  A favor é o "Sistema". Contra é humano. Erro a favor é a justificação de vermelhos e verde e brancos para anos e anos de derrotas que aquelas vísceras não souberam digerir. Erro contra é o alinhamento perfeito dos planetas numa tentativa de "castigar" a malta do Porto porque "só" ganha com roubos. Nem vou falar do artista da cabeleira branca, o tal que disse que o árbitro "Não marcou porque não quis", e que achou que aquela arbitragem miserável contra o Sporting foi "Limpinha, limpinha!", que agora até manda piadolas porque o nosso treinador se queixou de nova arbitragem miserável  -  embora reforçando que não servia de justificação para não ganhar. Podia tentar, mas seria difícil explicar conceitos de honestidade intelectual aos dois solitários neurónios que habitam aquela cabecinha.

Escrito pelo Z