Demasiado mau. Tudo. Foi daqueles jogos que me deixou com as mãos a tremer num misto de desespero e frustração. Foram demasiados sinais de que as coisas não estão bem. E a minha lua de mel com Lopetegui terminou. E terminou porque
começam a existir muitos indicadores de teimosia. E se há coisa que não suporto num treinador é teimosia, porque só me vêm à cabeça Scolari e Paulo Bento. Compreendo todas as ideias de Lopetegui. Todas mesmo. Seja a ideia de jogo que passa por fixar o adversário a um dos lados e rapidamente mudar o flanco para surpreender o adversário, seja a rotação (constante) de jogadores de modo a deixar o balneário mais feliz, onde todos têm minutos de jogo, seja o ter um Plano B e tentar pô-lo em prática em jogos de carácter mais complicado... Percebo tudo. Mas também já percebi que nenhuma dessas ideias está a resultar. E o pior é que segundo a capa d'O Jogo hoje parece que os (maus) hábitos são para manter.

O jogo é facilmente resumido a um baile táctico por parte de Marco Silva. Não há que ter vergonha de o assumir. E novamente a um par de golos sofridos caricatos, e claro, a mais um penalty falhado. Por muita culpa que Lopetegui tenha em muito do que vai mal neste Porto, quando se sofrem golos como os que temos sofrido e se falham tantos penalties, não há treinador que resista. E esta derrota para mim doeu muito. Muito mesmo. Não pelo resultado em si mas pelos maus sinais deixados pela exibição. Disse ao
Z ontem durante o jogo entre mensagens que passei o jogo a lembrar-me de Vitor Pereira. Bateu o saudosismo daquela consistência defensiva e daquela (maldita) frase dita por ele numa entrevista à RTPN há alguns meses:
"Saí para dar a hipótese aos adeptos do Futebol Clube do Porto de apreciarem outro tipo de futebol". E juro que vejo nisto um "bruxedo" estilo Bella Guttman no Benfica. Se Vitor Pereira tem conhecimentos do oculto não sei, mas lembrei-me (e muito) da ultima equipa dele onde não havia metade das opções que há hoje, onde Defour (sim, esse) era o 12º jogador e chegou a actuar a extremo esquerdo no Estádio da Luz, e que perdeu Hulk já depois do fecho do mercado e recebeu em Janeiro... Liedson e Izmailov! Mas falemos do presente. Não é o fim do mundo, nem atiro a toalha ao chão mas são muitos sinais a rebentarem o balão de confiança que existia até agora. A ideia de regressão desde o inicio de época é outra coisa que parece existir. E isso, é muito mau sinal...
(+) Positivo
Nani - É metade da equipa do Sporting e muito possivelmente o melhor jogador da liga.
O passe de Quintero - E só isso.
(-) Negativo
Lopetegui - Mister, clássicos são clássicos. São para ganhar sempre. E mexer tanto num jogo destes foi um tiro no pé. Com uma shotgun de canos serrados. Já escrevi aqui N vezes que esta é uma equipa que há um ano atrás jogava com Helton, Otamendi, Mangala, Fernando, Lucho e Varela no onze. Tudo homens experientes com muitos anos de casa (tirando talvez Mangala que "só" cá esteve 3 anos). Que ganharam muito e sabem o que é o clube. Portanto não há "por onde pegar". Olhamos para o Benfica e vemos que Artur, Maxi, Luisão, Jardel, Enzo, Gaitan, Salvio e Lima são a base onde novos jogadores entram. Olhamos para o Sporting e vemos que Rui Patricio, Cedric, Mauricio, Jefferson, William, Adrien, André Martins, Carrillo e Slimani são a base do ano anterior. Lopetegui não pode pegar por aí. Não tem por onde pegar e por isso precisa de ir à procura de estabilidade. E o seu maior inimigo neste momento é ele próprio quando usa e abusa da rotação de jogadores no onze inicial. Se fui critico de quem mandou vir com ele no jogo com o Shakhtar que não fez rotação ao mudar 2 jogadores como Marcano a 6 e Aboubakar no lugar do "tocado" Jackson, agora tenho de concordar com algumas das criticas por aí feitas. Como é que podem existir rotinas entre centrais e PRINCIPALMENTE no meio-campo quando os jogadores estão a entrar e a sair da equipa? E defrontar uma equipa como o Sporting que treme bastante na defesa com extremos que não são extremos e que procuram essencialmente o jogo interior? Foi mau demais. Maicon não pode ser titular quando faz cagada atrás de cagada. Já cá está há tantos anos e devia garantia experiência e calma a uma equipa recheada de miudagem. Herrera parece ser um rapaz simpático mas muito trapalhão e não tem qualquer noção de posicionamento. Casemiro consegue ser mais lento que um caracol com obesidade mórbida. E ter elementos com actuações repetidamente negativas, não pode trazer nada de bom para a equipa, Mister. Estas 3 posições mais a de extremo direito parecem ser outro grande problema nesta equipa.
O modelo de jogo e tudo o resto - É impossível querer ter a bola e ter um jogo assente na posse quando há uma ausência brutal de jogo interior. É impossível iniciar a construção nos centrais quando os médios não se movimentam e não criam linhas de passe, tornando qualquer pontapé de baliza curto num momento de nervosismo completamente desnecessário. É impossível querer defender bem quando não há controlo nenhum da profundidade a defender. Houve momentos em que a nossa linha defensiva fazia uma espécie de Zig-Zag que punha todos os defesas a olhar uns para os outros a tentar perceber quem descia ou quem subia de modo a fazer efectivamente... uma linha. A ausência de colectivo nesta equipa é confrangedora. Nomeadamente a pressionar. Há um remate de Oriol Romeu na segunda parte que nasce num momento absolutamente ridículo. Nani recebe a bola do lado esquerdo do ataque do Sporting e tem 3 (!) jogadores à sua volta numa espécie de pressão. O Português levanta a cabeça e dá a bola para o lado onde o espanhol livre de qualquer marcação recebe, levanta a cabeça e remata para boa defesa de Fernandez. E foram lances assim que me deixaram bem próximo de um enfarte. É impossível querer ganhar jogos, e já nem falo de competições profissionais quando se sofrem golos como os que nós sofremos nos últimos jogos. Dava para fazer um video com a musica do Benny Hill de fundo e ninguém acreditaria que aquilo é o nosso clube. Ah, e é impossível ganhar jogos quando não conseguimos marcar penaltis. É uma patologia ridícula e que tem remédio fácil. Ponham o Indi com aquele ar de bicho a marcar penaltis de "bico". Duvido que haja um guarda-redes que não trema.
O povo manso - Fala-se muito em "cultura de exigência" em toda Bluegosfera. Mas há uma coisa que me desgasta e me deixa receoso no futuro. É ver que o principal inimigo está sentado nas bancadas do Dragão. Gosto de pensar que não é a maioria. Mas faz-me muita confusão a facilidade com que nos conformamos. Mas é um fenómeno recente. Lembro-me de um jogo no Dragão em 2010 onde o "mais melhor bom mega ultra supersónico" Benfica que foi campeão nessa época entrava com hipótese de ser campeão em nossa casa. Lembro-me que Jesualdo Ferreira, então treinador, tinha sido expulso de forma ridícula no jogo anterior em Setúbal que o Porto tranquilamente ganhou por 5-2 e ficou na bancada. Lembro-me que Falcão também ficou de fora depois de ter visto um amarelo sem lógica que deixou o colombiano tão irritado que nem festejou o ultimo golo do jogo marcado por si. Portanto entrámos em campo no Dragão contra o Benfica, que tinha a oportunidade histórica de ser campeão na nossa casa, sem treinador no banco, sem o nosso avançado titular e sem o nosso guarda-redes e capitão Hélton que estava lesionado. Ah, e ficámos a jogar com 10 no inicio da segunda-parte. Alguém se lembra do resultado? Vencemos por 3-1. Mas o mais importante de tudo. Alguém se lembra do ambiente no Dragão? A força que carregou a equipa naquela vitória veio da revolta de uma época com fenómenos muito estranhos, mas acima de tudo de uma massa adepta que NUNCA abandonou a equipa e esteve lá a criar um ambiente terrível contra um rival. O que vimos este sábado contra o Sporting foi mau demais para ser verdade. Seja o silêncio perante os insultos dos adversários ao nosso Presidente, seja a animosidade criada à própria equipa após cada passe errado. Juro que não consigo entender esta lógica.
E agora? Limpar rapidamente a imagem com o Athletic Bilbau, já amanhã!