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sábado, 17 de janeiro de 2015

F.C.Porto vs União da Madeira - e umas notas soltas...


Jogo "mexido" aquele a que tivemos oportunidade de assistir na passada 3ª feira no Dragão. Houve várias coisas boas, que ganham relevo numa competição completamente desacreditada como esta Taça da Liga, e que vão servindo para dar alguma "rodagem" e testar alternativas. Em primeiro lugar terei de destacar Hélton e, ao contrário do que o sábio MST afirma na sua "Nortada" semanal, senti uma fluidez de circulação, uma segurança e velocidade nas reposições, uma liderança serena mas sólida em campo que me leva a pedir por mais; Fabiano a 100% não me consegue transmitir a mesma segurança que Hélton transmite, mesmo a 80%. E isso é dizer muito...
Foi igualmente bom ver jogar um central que consegue subir no terreno com a bola junto ao pé, sem tentativas constantes de passes de 60 metros, que raramente chegam ao destinatário. Reyes é, indiscutivelmente, o central com mais técnica do nosso plantel, e é uma pena que revele tanta inconsistência a nível mental (que é condição essencial para um jogador duma equipa de topo dar "o salto"). 
Campaña transmite boas sensações, principalmente em jogos destes, em que a posse de bola nos vai pertencer durante 70% do tempo. Ele e Rúben Neves (saúdo também o seu regresso) são jogadores muito inteligentes, muito bons em termos de posicionamento, e que tratam a bola com uma qualidade bastante acima de Casemiro ou Herrera.  Repito o que já antes tinha dito aqui, na posição 6, Rúben Neves e Campaña (por esta ordem) são muito melhores do que Casemiro alguma vez será. Está-lhes no "sangue".
Quintero volta a marcar pontos na manobra ofensiva, com duas deliciosas assistências para Ivo Rodrigues e um belo golo, mesmo jogando numa posição em que muitos insistem não ser a "sua". James, que tem jogado centro numa zona mais central do terreno, brilhou no Porto a jogar na ala, com os seus venenosos movimentos interiores. É uma questão de vontade. E de trabalho sem bola. Aí, Quintero tem de evoluir. Muito! 
Ivo foi uma boa surpresa, e deixa alguma "água na boca" para o futuro. Gosto de o ver na equipa B, e espero vê-lo mais vezes entre os "grandes" num futuro próximo. 
Ricardo não esteve tão bem como nos tem acostumado, e Ángel continua a marcar pontos do lado esquerdo da defesa. Em termos de posicionamento e concentração, bate Alex Sandro aos pontos.
Adrián, por outro lado, tarda em conseguir encontrar-se no nosso sistema de jogo. Nota-se que é inteligente na forma como conduz, fixa defesas e solta nos colegas, deixando-os muita vezes em superioridade numérica. Movimenta-se bem sem bola mas depois de 20 minutos em que pareceu mostrar estes dotes com alguma confiança, eclipsou-se por completo. e a vida começa a ficar difícil. Nem como 9, nem na ala... Lopetegui terá de rever a sua aposta em Adrián. De qualquer forma, para o bem ou para o mal, será sempre MEU jogador. Ponto final.
Em suma, um belíssimo "treino", contra um bem orientado União, que com uma equipa também de segundas linhas conseguiu criar-nos mais dificuldades do que mais de metade das equipas do nosso campeonato.


Não sou grande apreciador dos prémios de "Melhor Jogador" num desporto que conta com 3 sectores distintos e com 11 jogadores em campo. Será sempre muito subjectivo comparar-se Pelé, Maradona, Messi ou Ronaldo. Épocas diferentes, equipas diferentes, velocidades diferentes, competitividade diferente, carga de jogos completamente diferente... Mas todos eles, jogadores fabulosos. Sendo assim, e tentando entrar na lógica da "Bola de Ouro", Ronaldo mereceu a conquista do troféu. Avaliando um ano inteiro (falamos de 12 meses), foi ele quem revelou uma consistência maior, mesmo que mais apagado durante o mês e meio que durou o Mundial. Ronaldo é um monstro do nosso futebol, um super-atleta, que nunca se dá por satisfeito com o que já venceu. E é por aqui que destaco Ronaldo: a sua capacidade de trabalho. É daquele tipo de profissional que sempre lutou muito por tudo o que conquistou, procurando sempre melhorar cada milímetro da sua performance. Um verdadeiro profissional! Como não me comovo com patriotismos bacocos, nem sinta que deva nada ao rapaz, deixo-lhe aqui a homenagem de alguém que ama futebol. E amando futebol, não é honesto não se ver Ronaldo por este prisma.


Por cá, tivemos a cerimónia de Centenário duma instituição que, a mim, me diz pouco. Assim como pouco me dizem as votações de "Melhor Onze" dos novos, antigos, dos do meio, ou dos que ainda jogavam sem balizas. Convidado que foi o maior hipócrita do Futebol Mundial, Platini - o homem da "verdade desportiva" que vestiu a camisola da Juventus, comprovadamente (percebem a diferença?) corrupta e punida por isso, num dos campeonatos mais assolados por jogos de bastidores de toda a Europa, ao serviço da qual nos "roubou" de forma bastante clara e vergonhosa uma Taças das Taças - fico com uma sensação de alívio por não ver premiados ou reconhecidos o Presidente mais titulado da História do Futebol Mundial - Pinto da Costa - , juntamente com um rosto importante e emblemático do nosso F.C.Porto, como foi Pedroto. Estes senhores estão muito acima de qualquer Federaçãozeca dum país alinhado pelo diapasão da 2ª Circular. Estão acima de joguinhos de bastidores, de centralismos, de encolhimento perante os poderes instalados. São nossos, muito nossos, um motivo de orgulho, regozijo e os obreiros de 35 anos de inequívoca superioridade. Se hoje em dia o F.C.Porto é o clube português que mais vezes esteve nas bocas dos amantes de futebol por esse Mundo fora -  porque ir a finais e não as ganhar está fora do nosso ADN -  é a si próprio que o deve. Nunca precisámos de Federações, Jornais, Paineleiros, Comentadores de jogos para chegar onde chegámos... Não é agora que deles vamos necessitar.

E pegando neste ultimo parágrafo, aproveito para dizer que é isto que me faz ter um orgulho imenso, inquebrável em ser portista. Esta sensação de ter trabalhado no duro para ter tudo aquilo que tenho. Esta sensação de ter sempre conquistado tudo, sem precisar do reconhecimento de outros. Esta sede de vitória que só se aguça face à discrepância de tratamento de que somos alvo, mesmo dentro de portas. Esta máquina poderosa, temível e bem oleada que soube colocar o F.C.Porto, a cidade do Porto e, vá, um país que sempre nos desprezou, no topo da Europa e do Mundo. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Curtas sobre as Selecções e ... Adrián Lopez

Começo com uma crítica: vamos em Novembro e já é a 3ª paragem para jogos de qualificação/jogos para ajudar as Federações de Futebol a encher os bolsos. Não faz sentido nenhum. Nenhum!
Neste sempre aborrecido interregno nas competições internas, valem-nos as sempre espirituosas tiradas do nosso querido Vale e Azevedo verde e branco (vénia ao Miguel Lima) e as histórias fascinantes dos Davids que teimam em "derrubar" os Golias deste Mundo, como aconteceu nas inesperadas vitórias das Ilhas Faroé e do Liechtenstein fora de portas, frente a Grécia e Moldávia respectivamente. 
Aliás, esta jornada da Qualificação para o Europeu 2016 trouxe-nos duas "chicotadas", de Ranieri (Grécia) e Advocaat (Sérvia). O que continuo sem compreender: como é possível Ranieri continuar a ter trabalho?
Quanto ao jogo da Equipa das Quinas, algumas ideias a reter:

Fernando Santos -  se fosse basco e se chamasse Lopetegui estaria tramado por esta altura. Então esse atrevido anda a experimentar diferentes esquemas tácticos dependendo do adversário que temos pela frente? Então esse malandro só ganha por 1-0 a duas selecções que estão 2 e 4 degraus abaixo de nós em termos de qualidade técnica e táctica? Então esse doido varrido mete Bosingwas, Quaresmas, Carvalhos e Tiagos a jogar, depois dos problemas disciplinares "gravíssimos" que estes trouxeram e sai impune?
Nota: Adoro Fernando Santos, atenção! Mas não deixa de ser curioso como as fasquias vão variando consoante as latitudes...

Bosingwa - com 50 anos, dois neurónios e perdido no competitivo campeonato turco, o "Zé" consegue ter mais qualidade que Cédric, A.Almeida e João Pereira todos juntos. 

Ricardo Carvalho -  O Melhor Defesa Central português desta e de muitas outras gerações. Tive a honra de o ver jogar de azul e branco. Serão precisas muitas "Academias" e "projectos 611" para que se possa voltar a produzir um Central assim. Não há discussão! 

Ronaldo - Admiro a capacidade de trabalho deste monstro. Os recordes que vai batendo semanalmente são de extraterrestre. Do jogo de ontem retiro: 3 livres em condições bastante favoráveis, todos contra a barreira. Bra-vo!

João Moutinho - Que saudades... Que saudades...

Quaresma - Já o tinha dito numa crónica anterior dum jogo nosso: Quaresma, neste momento, é extremamente valioso como "arma secreta", saindo do banco quando o jogo pede algo mais. Não se perde em "pegas" desnecessárias, não deixa que o peso do cansaço lhe tolde a capacidade de criar lances que só ele consegue criar e, caramba, que treinador não gosta de ter uma "arma" destas à sua disposição? Como diz o meu amigo Jorge Vassalo na sua casa"Olha e tu queres ver que, se calhar, mas só mesmo se calhar, até pode ter sido Lopetegui a ensinar o Quaresma a valorizar o papel de ser importante naquilo que ele pode realmente ser importante e contribuir decisivamente? Não! Se calhar isso já deve ser abusar um bocado!". Sublinho isto, palavra por palavra.

Postiga e Eder - Oh pá, mas o Bock não pode ser chamado?

Mkhitaryan - Que Jo-ga-dor! Direitinho das mãos de Lucescu e Klöpp. Será cerca de 60% da equipa da Arménia. 

Entretanto, por outras bandas, Brahimi continua a espalhar magia, o que me deixa com um certo aperto no coração. Desejo-lhe o melhor do Mundo, mas seria tãããão bom se a Argélia não se qualificasse para a CAN... 
Brahimi marcava na mesma em todos os jogos, mas perdiam sempre, que era para o nosso mês de Janeiro e parte de Fevereiro serem mais tranquilos. Cada vez mais me convenço que vai ser muito difícil termos o nosso genial jogador de azul e branco na época que aí vem. Já aconteceu antes com outros, bem sei, mas custa sempre tanto!

Entretanto, por cá, aprecio este hábito de realizar jogos treino sempre que temos paragem competitiva. Faz bem a quem fica. Desta feita o teste foi frente ao Arouca e Adrián foi mesmo figura de destaque, por 3 motivos:

- marcou,
- bisou,
- marcou um golo de penalty.

Sublinho também o facto de termos conseguido, mais uma vez, dar a volta a um resultado negativo. Não me alongarei muito sobre estes factos, até porque a informação sobre o jogo treino é escassa. Mas não resisto a partilhar, de novo, o fantástico artigo do amigo Jorge Vassalo, o qual subscrevo a 200%. 

Adrián, "rai'smafodam", ainda vai ter oportunidade de silenciar muito boa gente.

P.S.: As minhas sinceras desculpas pelos "problemas" de formatação. Depois de muito vernáculo e de duas ameaças de o atirar pela janela fora, decidi que a culpa é definitivamente minha e não do meu computador...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estoril vs F.C.Porto

Não será novidade para ninguém, mas confesso que gosto de Lopetegui. Porque sim. E ainda me dá mais gozo gostar de Lopetegui quando o vejo ser saco de pancada um pouco por todo o lado; admiro que (até agora) vá resistindo firmemente à vergonhosa perseguição que lhe tem sido montada, quer pela CS, quer pelos adeptos (?) do próprio clube. Mas devo confessar que no passado Domingo o MEU treinador me desiludiu. MEU treinador, leram bem, porque é MEU quando ganha de forma categórica em Bilbao, da mesma forma que é MEU quando perde em casa com Sporting ou perde pontos no Estoril. 


Depois de uma fase de crescendo exibicional, muito à custa da estabilização do meio-campo com Casemiro, Herrera e Óliver/Quintero, surpreendeu Julen ao colocar Adrian no apoio a Jackson, num 4-4-2 que, na prática, evoluía para um 4-2-4, bem largo mas com falta de poder de pressão e recuperação rápida da bola. O Estoril é uma equipa mediana, orientada por um treinador mediano, mas já se sabe que é com um recuar das linhas e povoamento do corredor central que este tipo de equipas nos tenta resistir; foi precisamente por aí, na minha óptica, que acabamos por não ter o controlo absoluto das operações. Acredito que a ideia fosse ter Adrian ou Jackson a recuar um pouco e funcionar como ponto de ligação entre meio-campo e ataque, permitindo assim chamar jogadores do Estoril para a zona central, libertando Quaresma, Brahimi, Danilo e Alex. Mas o que se viu foi que os dois avançados pareciam estar a ver-se pela primeira vez, sem saber muito bem que espaços ocupar nem definir bem as jogadas. Aqui, batam-me (!) sobressairam pela negativa Jackson, sem bola e Adrián, com bola. 

De qualquer forma, foi um F.C.Porto dominador que esteve em campo, e só no período pós-golo se viu algum vislumbre da equipa contrária. Havia, por exemplo, quem pensasse que tínhamos ido sem guarda-redes, tamanho o tempo que passeávamos no meio campo ofensivo. Obviamente que, como sempre tem acontecido, as equipas que jogam contra nós têm um aproveitamento absolutamente esmagador das raras jogadas de ataque que conseguem organizar, e a injustiça do 1-1 ao intervalo talvez castigasse em demasia um período de 10 minutos de perda de controlo das operações. 

Pensei mesmo que o meu caro Lopetegui fosse resgatar Oliver ou Quintero do banco, procurando dar algum suporte a Herrera e Casemiro nos momentos de posse, e dar mais algum trabalho ao duplo-pivot montado por Couceiro para tapar a zona central. Para meu espanto, não se vislumbrou qualquer alteração ao intervalo, e prosseguimos até aos 60' com um duo avançado a atrapalhar-se mutuamente, e com um jogo extremamente ofensivo mas, quiçá, demasiado lateralizado. Ainda assim, nesta altura, Maicon e Indi jogavam na linha de meio-campo, estando todos os 11 jogadores do Estoril remetidos para uns 30, 40m de terreno. Foi um período dum sufoco incrível! Conseguíamos furar o bloco, conseguíamos espaço para cruzar, mas o desacerto nos cruzamentos ou a inenarrável hesitação na hora de desferir um filho-da-puta-dum-pontapé-que-furasse-as-putas-das-redes-e-que-rebentasse-com-as-mãos-do-Kieszeck-pelo-caminho foram deixando o resultado na mesma. Lopetegui mexeu, desta feita mal, retirando Casemiro e recuando Herrera para jogar ao lado de Quintero. Perdeu-se assim a nossa melhor referência posicional (Casemiro), obrigou-se Herrera a fazer o que (ainda) não domina (Bom posicionamento, sobretudo, defensivo), e Quintero viu-se obrigado a "pegar" no jogo demasiado de trás. No ataque, o mal-amado (e desinspirado) Adrián deu lugar a Jackson. Num período de adaptação ao novo meio campo, o Estoril conseguiu sair por duas vezes do seu meio campo (a sério, duas vezes durante 45 minutos...); como sempre acontece nos jogos contra o Porto, da 2ª vez, o 1º remate à baliza de Fabiano durante a 2ª parte deu origem a uma grande penalidade (para mim, clara) que Tozé converteu num impensável, injusto, exasperante 2-1. Até ao fim, tivemos ainda Óliver em campo (para o lugar dum central) e arriscou-se tudo o que havia e não havia na tentativa de salvar, pelo menos, um ponto. Tal foi conseguido, fruto do físico de Aboubakar e da genialidade de Óliver (e duma vista grossa sobre um penalty escandaloso - mais um - que não foi marcado a nosso favor).

No final, Kieszeck fez a defesa da sua vida, impedindo Jackson de dar justiça ao marcador. E aposto convosco que esse cabrão desse guarda-redes não volta a fazer uma defesa daquelas na vida, a não ser que seja contra o Porto. O que quiserem.

Let's go to the notes:

(+) Positivo

Casemiro e Herrera - entendem-se bem estes dois. Embora reféns do elemento criativo da ordem (Óliver, Quintero ou Evandro - suspiro!) foram chegando para as encomendas. Gostei de os ver a baixar, à vez, para iniciarem a construção, e de os ver a pressionar, cortar, ou dar umas traulitadas nas canelas adversárias sem grande azo a hesitações. São os indiscutíveis - neste momento, atente-se - do nosso meio-campo, muito por culpa da forma como têm vindo a entender-se.

Aboubakar - Há qualquer coisa neste rapaz que me faz acreditar SEMPRE que com ele em campo vamos conseguir marcar. Ou que vai conseguir enfiar bola, defesa e guarda-redes dentro da baliza num qualquer remate, ao mesmo tempo que segura dois adversários debaixo dos braços. Entendeu-se melhor com Jackson do que Adrián e a capacidade de combate deste gigante valeu-nos meio-golo.

Óliver - Classe, pura classe. Ter a frieza de marcar um golo (depois duma mão do adversário, que deu para ver da Lua), com aquela tranquilidade e facilidade não é para qualquer um. Depois, ir a correr buscar o esférico para se conseguir marcar outro golo é dum jogador "à Porto". Gosto deste miúdo! 

Equipa que nunca desiste - Há coisa de meio ano atrás, perdíamos uma meia final da Taça, depois de estar em vantagem, jogando contra 10 durante uma enormidade de tempo. Perdemos de forma inapelável em Sevilha, sem sequer um esboço de reacção, depois de levarmos uma vantagem de 1 golo de casa. Este ano, já vamos no segundo empate obtido no limite... Duma coisa os rapazes (e Julen) não podem ser acusados: falta de atitude competitiva.


(-) Negativo

Julen - Mal na abordagem à partida, do ponto de vista táctico, e mal a mexer nas peças durante o jogo. Julen teve um jogo para esquecer. Critico-o, porque merece, da mesma forma que o elogiei quando fez por isso. Acredito que a ideia fosse muito boa, ao obrigar a equipa adversária a levar com Jackson e outro avançado móvel em cima, mas a falta de entendimento entre os avançados foi demasiado má para que pudesse resultar. Quando ainda tinha tempo de corrigir, mexeu mal, coisa que raramente faz... Gosto da postura de Julen (a sério que gosto), sempre muito confiante nas suas escolhas e decisões, não permitindo veleidades a quem gosta de colocar TUDO (até a forma como respira), em causa. Mas mexer num sistema que estava a ganhar força, dinâmica, entrosamento foi já algo a roçar a teimosia e, por conseguinte, pouca inteligência. Não fez sentido mudar, não resultou, e lá se foram 2 pontos... Assim, caro Julen, pões-te um bocado "a jeito" dos críticos! 
Nota: Ainda assim, continuo a achar que dominámos o jogo de forma tão clara que é anedótico que tenhamos saído com um empate da Amoreira.

Maicon - Jogada do 1º golo do Estoril: a defesa sobe de forma desorganizada e deixamos Emidio Rafael em jogo; toda a gente desata a correr para trás, na tentativa de cortar linhas de passe (com sucesso), esperando que Maicon faça a contenção, e obrigue o Emídio a rematar de ângulo apertado, ou a tentar um cruzamento quase impossível para o meio do barulho. O que faz Maicon? Entra de carrinho (não se sabe bem sobre quem), dá tempo a Emídio de parar, pensar, tomar um café, e escolher para quem passar a bola. 5 épocas depois da sua chegada, continuamos à espera do Maicon-patrão-da-defesa-em-todas-as-pré-épocas-e-nas-4-primeiras-jornadas. Nunca aparece! Onde anda Reyes?

Adrián - Bom sem bola e fraco com ela. Demasiado hesitante. Muito pouco "intenso". Passa a ideia dum homem que está marcado á nascença para morrer, enforcado, em praça pública, e que quando lhe dão a oportunidade de fugir, prefere ficar dentro da sua cela, a escrever cartas à sua amada, afundado na mais profunda depressão. Tenho-o defendido com unhas e dentes mas... fica dificil. Ainda assim, gostava que dessem uma vista de olhos ao fantástico artigo do nosso amigo Jorge Vassalo. Adrián é dos meus, e vou estar com ele até ao fim (tal como o Jorge e mais meia dúzia de portistas).

Fabiano e as suas saídas, vá, estúpidas - Naquilo que Fabiano mais nos assustava, jogo de pés, tem tido uma evolução notável. (Claro que, importa dizer, essa evolução em nada se deve ao trabalho do treinador... Fabiano tem andado a treinar passes contra uma parede, em casa). Nas saídas da baliza, tem paragens cerebrais. E se nas bolas aéreas, a envergadura e poder físico vão fazendo com que consiga socar a bola e derrubar 3 colegas de equipa e 2 adversários no mesmo movimento, nas bolas em profundidade a coisa fica complicada. Já em Alvalade a sua saída da baliza foi, vá, estúpida e custou-nos um golo. Desta feita não foi diferente... Parecia um Elefante a "correr" em direcção a uma Lebre, que corria como se fosse perseguida por um Jacaré. Ainda Fabiano lançava o seu ar esgazeado à sua presa e já o meu estômago se contorcia! 

Quaresma - Roubar a bola aos colegas para marcar os cantos e os livres todos (sem qualquer resultado...). Começar a entrar em picardias com todos os adversários que lhe apareçam à frente. protestar com ar ameaçador toda e qualquer decisão do árbitro, pondo-se a jeito para cartões. O "velho" Quaresma de volta! Se conseguirem demonstrar o que de positivo podemos retirar desta atitude, força, carreguem nessa caixa de comentários.



2 pontos perdidos. Ponto final.

Sendo verdade que a exibição foi mais esforçada do que conseguida, não deixa de ser verdade que tudo fizemos (e só nós fizemos), para sair do Estoril com os 3 pontos. Arrisco-me a dizer que, num dia normal do Estoril (sem aquela eficácia ofensiva a roçar os 100%) teríamos ganho 3-0, facilmente. Mais do dobro dos ataques, dos remates, de situações de golo e quase o dobro da posse de bola deveriam ter chegado para as encomendas. Não chegaram... (E olhem que  no Domingo juro que vi quem tenha feito bem menos, tenha jogado bastante pior e mesmo assim tenha ganho). Sonho com o dia, em que também nós vamos poder jogar mal e porcamente e, ainda assim, ganhar. Também sonho com o dia em que todos os adversários, para além do Braga, se lembrem de jogar com tanto ímpeto, tanta vontade e tanta eficácia ofensiva contra os nossos rivais.  

Que Julen passe esta paragem para Selecções a pensar bem sobre as suas responsabilidades neste "desaire". Que se contrate uma psicóloga loira e boazona para cuidar de Adrián. Que se trabalhe até à exaustão aquele 4-3-3 e todas as possíveis combinações de meio-campo. Que ninguém se lesione nas selecções. Que se ponha Indi a dar porrada no Maicon de cada vez que lhe para o cérebro. 

Que se chegue ao jogo com o Benfica em novo crescendo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cultura de Exigência

Até hoje, apenas por uma vez saí de um Estádio de futebol antes do jogo terminar. Foi no F.C.Porto vs Benfica, da época 05/06. Confesso que não consegui aguentar aqueles dois golos do Nuno Gomes, e ver aquela festa na "nossa casa" foi uma prova demasiado dura de passar. Enquanto caminhava para casa, cabisbaixo e derrotado, analisei mentalmente todo o cenário em questão e percebi o meu erro (que não voltei a cometer). 

Perder faz parte do vocabulário de qualquer desporto, com maior ou menor frequência, com maior ou menor retumbância, com maior ou menor justiça. O facto de ser um doente apaixonado do F.C.Porto, e de ter nascido numa era bem colorida e vitoriosa não me tornou imune às derrotas. Cresci a ver os nossos rivais a tombar com alguma naturalidade na nossa casa, e a tremer quando nos recebiam. Cresci a ver o meu Porto a dar respostas categóricas em campo às campanhas miseráveis extra-futebol que sempre tentaram "diminuir" ou "justificar" os nossos sucessos. Mas houve alguns sapos difíceis de engolir. Houve derrotas humilhantes, outras injustas, outras bem merecidas. Houve Taças perdidas, campeonatos deitados ao lixo, épocas catastróficas. Foram muito menos do que as vitórias e os sucessos? Sem dúvida! Mas aconteceram e todas fazem parte da minha história de amor com este clube. 


E foi aqui que percebi que errei naquela noite, ao abandonar o Dragão mais cedo. Abandonei todos os meus irmãos portistas, que tiveram a honra de ficar até ao fim e aguentar de cabeça erguida aquele murro no estômago. Abandonei a minha equipa, que de uma ou doutra forma teve de degladiar-se até ao apito final, com menos um jogador, contra o maior rival, que fazia a festa (merecida). Mas também falhei com os meus rivais, que se tivessem decidido abandonar a sua equipa de cada vez que se sentiram humilhados por nós, provavelmente já não teriam massa adepta. Falhei com o maior portista que já conheci, o meu avô, que aguentou e cultivou todo o seu portismo durante anos e anos a fio, em que ser portista era uma prova ímpar de carácter e de dignidade, e que nunca virou costas ao seu clube. Cometi esse erro uma vez, e jurei nunca mais o cometer. Aguentei até ao fim no Bessa, sozinho em Braga numa 2ª feira no meio dos adeptos da casa, mas também no livre do Rodrigo Tello, nas derrotas com Torreense e Atlético, no golo do Ronaldo, o do Estoril, ou naqueles 0-4 com o Nacional. Não ganho qualquer tipo de superioridade moral sobre ninguém, mas dá-me o traquejo suficiente para perceber que a de Sábado foi uma derrota, retumbante, categórica, mas que no dia seguinte passou, assim como uma vitória retumbante deixa de importar no dia a seguir.

Não tendo podido ver o jogo de Domingo no Dragão, mais do que perder contra um rival da forma categórica que perdemos, ou dos equívocos de Lopetegui, que pela primeira vez me deixou perto dum ataque de nervos (e bastante preocupado com alguns sinais), custou-me ver a forma simples como grande parte nossa massa adepta virou costas à equipa, à instituição e aos restantes adeptos e associados. Deixarmos ouvir "olés" na nossa casa, deixarmos ouvir um "Pinto da Costa, vai para o c***" e repondermos com um silêncio sepulcral, ou com o abandono em massa dos "postos de combate" é algo que me envergonha milhares de vezes mais do que a derrota em si. "Temos uma cultura de vitória e de exigência", dizem os mais revoltados. Não senhor, temos uma cultura de gostar de ganhar e não de gostar do Porto. Se uma parte da nossa cultura de vitória sempre passou por ter equipas capazes de fazer da nossa casa uma fortaleza inquebrável, também nós - adeptos - sempre tivemos um papel fulcral nesse capítulo. Também nós - adeptos - somos hoje uma caricatura dos bons velhos tempos do tribunal das Antas. 

Preparei esta crónica para antes do jogo de ontem, contra o Athletic. Continuando na mesma temática, foi uma lição de amor ao clube que os bascos nos deram ontem. Em 17º lugar na Liga e último lugar do grupo da Champions, consguiram contar o número de camisolas vermelhas e brancas nas bancadas? Ouviram assobios quando sofreram os golos? Ouviram assobios ao treinador? Ouviram assobios a substituições? Não, porque um adepto do Athletic, é isso mesmo, um orgulhoso adepto do Athletic.


O comportamento dos adeptos do F.C.Porto (e não são assim tão poucos como querem fazer crer) tem sido absolutamente vergonhoso, principalmente nos jogos em casa. Há quem compre lugares anuais, única e simplesmente para destruir treinador, jogadores, direcção, a cada momento que pode. Que é algo que me fascina, admito! Eu gosto de futebol, por isso sempre que posso vejo Bayerns, Dortmunds, Barças, Madrids, Liga Inglesa em geral... Mas amo o Porto, e o meu orgulho no clube não é diferente numa derrota em casa por 0-4 ou numa final da Champions. Se o meu Porto ganhar a jogar bem, ótpimo! Se ganhar a jogar mal, fantástico! Se perder, que se levante rápido para outra vitória! Se possivel, gosto de ver bom futebol, mas o mais curioso é que o ambiente, os restantes adeptos, a afluência, são os factores que mais constribuem para gostar de ir ao Estádio. Saber que estou naquele sítio mágico, que devia respirar orgulho azul e branco por todos os poros.  Na nossa casa, temos de ser TODOS a mandar. E se os jogadores não conseguem (efectivamente, não vão conseguir sempre), é dever dos adeptos tornar aquele Estádio num Inferno... para os adversários.


Termino com o exemplo que mais me deixou arruinado no Sábado passado: Adrián Lopez. O jogador foi caro? Foi. Tem feito bons jogos? Longe disso. Tem culpa do dinheiro que pagámos por ele? Nenhuma! Então que caralho de estupidez foi aquela monumental assobiadela quando o rapaz saiu do terreno de jogo? Que condições psicológicas terá o homem para jogar nos próximos tempos? De cada vez que fizer uma movimentação, um passe, vai estar com receio da própria sombra...

O grosso da nossa massa adepta mais não é do que uma cambada de imbecis, mimados, que não merece o clube que foi construído ao longo de tantos anos, com tanto sangue, suor e lágrimas. Desde que o Porto se mantenha como clube, vai ter sempre um amor incondicional da minha parte (e da parte de alguns outros), que são e serão sempre portistas indefectíveis, na Champions ou na 2ª divisão e que lá estarão, no Dragão ou fora, a dar toda a força aos nossos guerreiros - o Danilo, Maicon, Herrera, Quaresma ou Adrián - para que possam "voar".