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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Mundo ao Contrário



Durante a última semana, houve eventos relacionados com o desporto que é Rei neste nosso espaço de tertúlia, que talvez requeiram uma análise mais profunda.

Nas meias finais da CAN, num jogo que opunha a equipa da casa, Guiné Equatorial, à selecção do Gana, o jogo "morreu" aos 82 minutos, pouco depois do 3-0 para os forasteiros. Se já ao intervalo, com 2-0 no marcador, o jogo demorou a ser reatado devido a problemas de segurança, tendo a equipa do Gana demorado a entrar em campo devido ao aremesso em massa de objectos na sua direccção, no final do jogo instalou-se um cenário digno duma qualquer Guerra. Adeptos do Gana a fugir para dentro do terreno de jogo, para se tentarem proteger da fúria dos locais, helicópteros a sobrevoar as bancadas para tentar conter essa mesma fúria, a debandada geral do público presente no Estádio, um caos absurdo entre elementos da organização e das duas selecções, jogadores perdidos em campo a olhar incrédulos para as bancadas... Enfim, um cenário dantesco num momento que merecia celebração, cor, música e desportivismo.

Mais a Norte, no Egipto, chorou-se a morte de dezenas de adeptos da novíssima equipa de Jesualdo Ferreira, que tentaram entrar à força num Estádio de Futebol, que desde 2012 tem os seus jogos feitos praticamente à porta fechada, devido a tragédia de Port-Said, ao que tudo indica motivada pela turbulência social e política vivida na região. Dezenas de pessoas esmagadas na tentativa de entrar à força num Estádio, mais outras dezenas de civis e polícias feridos em confrontos, em mais uma negra estatística a assolar o futebol, o desporto e o Egipto.

Por cá, o habitual folclore de cada vez que há um derby/clássico mais quente. Adeptos a ser conduzidos ao Estádio como se de gado se tratasse. Arremesso de petardos e tochas duma bancada para a outra. Um adepto ferido por cair num "poço" que ninguém no seu perfeito juízo entende para que serve. 

E um "corte de relações institucionais", que é como quem diz, uma tentativa de associações desportivas tentarem armar-se em importantes e brincar à política. Ridículo!

Violência, intolerência, estupidez, um pouco por todo o lado.

Compreendo e defendo que a rivalidade faça parte do desporto, e acabe por lhe trazer um cariz mais emotivo e especial. Nada dói mais do que perder com o rival (especialmente em casa), seja um jogo, uma Taça, ou um Campeonato. Mas teremos de perceber duma vez por todas que, do outro lado, há adeptos como nós, "doentes" pelo seu clube como somos pelo nosso, capazes de ver penalties claros onde nós vemos o oposto (e vice-versa), capazes de afirmar peremptoriamente que o "seu" é indubitavelmente o "melhor clube do Mundo". E que, perdoem-me o clichê, ganhar, perder, empatar é mesmo só "Desporto". 

Reparem, toda a minha família é Portista, mas vivo com uma Benfiquista, cuja família é também toda do Benfica. E se escrevo com "P" e "B" maiúsculos é porque como apaixonados pelos seus clubes, estes são Adeptos de Verdade. Conto-vos uma história curiosa: quando o Porto ganhou ao Benfica por 5-0, enquanto grande parte dos adeptos dum lado massacrava os outros na tentativa de humilhar um bocadito mais, a primeira chamada telefónica que recebi foi do meu "Sogro". E o que ele me disse foi tão simples como: "Meu caro, que banho de bola. Parabéns! Isto hoje foi sem espinhas!". Desarmante!

Para tragédias, intolerência, violência, basta olharmos para o nosso Mundo actual, para percebermos que estamos já nos limites do razoável.

É Desporto, só e apenas isso. Ganha-se, perde-se, empata-se, e a Vida continua. Que bom seria se todos percebessem isso...